sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

473 - Terras de Capelins 
História de Capelins 
Vila de Ferreira Romana ou Outeiro dos Castelinhos de Capelins 
Veja-se esta ignorância, Outeiro dos Castelinhos do Rosário, situado na Freguesia de Capelins, alguém não conhece a geografia da região! É verdade que, ninguém pode ser especialista em tudo! É necessário recorrer à literatura espanhola para sabermos que, este lugar, era uma Vila Romana, muito provavelmente com a toponímia de "Ferreira" devido à Ferraria (Forja) e Minas de Ferro! Sendo assim, será: Vila de Ferreira Romana e, nunca Outeiro dos Castelinhos do Rosário! Ainda se fosse "Outeiro dos Castelinhos de Capelins", uma vez que fica na Freguesia de Capelins! Pensamos que, o Rosário não se situa nesta Freguesia, não é que fizesse alguma diferença! 
Cabe à Câmara Municipal de Alandroal corrigir este erro, para: 
"Vila de Ferreira Romana" situada em Capelins!

Escreveram assim os especialista:
Outeiro do Castelinho 1 - Castelinhos do Rosário
CNS: 19659
Tipo: Fortim
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Romano
Descrição: O fortim do Outeiro dos Castelinhos do Rosário implanta-se num destacado esporão junto da Ribeira do Lucefécit, fronteiro a um importante vau, adjacente a férteis solos agrícolas e a ricas jazidas mineiras. O esporão, de vertentes declivosas, apresenta uma elevada defensabilidade natural, instalando-se o conjunto edificado no topo e parcialmente nas encostas Norte e Oeste. Extensos trabalhos de escavação clandestina, levados a efeito no local, permitiram expor um impressionante conjunto arquitectónico composto por uma ampla área construída, em notável estado de conservação, com as cisternas a atingirem cerca de 2,50 m de altura visível. A construção apresenta uma grande complexidade organizativa que, à falta de um levantamento de pormenor, se torna difícil de compreender. A área edificada é constituída por dois corpos arquitectónicos principais, um no topo e outro no início da encosta Oeste, separados entre si por um corredor ou pátio, parcialmente rebaixado na rocha. Os muros exteriores de ambos edifícios apresentam uma assinalável espessura e robustez, entre 1 m e 1,50 m, e uma construção cuidada, utilizando o xisto local, por vezes em blocos de grande dimensão; os principais muros internos chegam a atingir um espessura de 0,80 cm, o que demonstra as grandes preocupações tidas com a robustez da construção. A estrutura do topo apresenta uma planta quadrangular com aproximadamente 25 m de lado, sendo constituída por um conjunto de compartimentos organizados, aparentemente, em torno de um pátio central. No seu interior são visíveis pisos em opus signinum podendo observar-se, nalguns compartimentos, restos do revestimento das paredes. O conjunto arquitectónico situado na encosta Oeste, separado do anterior por um corredor com cerca de 5 m de largura, apresenta uma planta quadrangular com cerca de 20 m x 24 m; o seu interior é substancialmente distinto do edifício do topo, apresentando três grandes tramos construtivos, com várias subdivisões, paralelos à encosta e escalonados ao longo desta. No extremo Norte deste conjunto, já na encosta Norte, situa-se a zona das cisternas. Estas destacam-se pelo seu soberbo estado de conservação, até ao arranque das abóbadas; são pelo menos quatro tanques, dois dos quais visíveis integralmente, interligados e revestidos a opus signinum. A inclusão deste sítio no grupo dos fortins parece-me óbvia, atendendo à robustez da construção e à localização privilegiada, em termos defensivos e estratégicos, ao controlar um vau da Ribeira do Lucefécit e estar adjacente a ricas jazidas mineiras. A dimensão e riqueza da área construída, tal como a impossibilidade de aferir a diacronia da ocupação3, impõem algumas reservas e muitas cautelas quanto à sua inclusão no conjunto. Na primeira publicação foi classificado como "villa fortificada" , realçando-se a robustez da construção e o seu aspecto fortificado, no que se assemelhava com o Castelo da Lousa, reconhecendo-se, contudo, que os materiais não autorizavam uma cronologia tão recuada como para este último.
Meio: Terrestre
Acesso: Pela estrada de Aldeia de Ferreira até o Lucifecit
Espólio: Fragmentos de cerâmica comum de época indeterminada e fragmentos de terra sigillata hispânica do periodo alto imperial romano.
Depositários: ERA Arqueologia, S.A.
Classificação: -
Conservação: Bom
Processos: S - 19659 e 7.16.3/14-10(1)

O espanhol José Cornide, há mais de 200 anos, quando descreveu a localização da Vila de Ferreira de 1314, junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves, indicou que, esta ficava uma milha a sul da primeira Vila de Ferreira, a Romana!
Alguém acha que aquilo está bem? Parece que, à Câmara pouco interessa, tem a sinalética no cruzamento da estrada nacional 255 "Castelinhos", mas não existe mais nenhuma indicação nem condições de acesso ao "Monumento Municipal"! É revoltante e vergonhoso, porque engana deliberadamente quem se atreve a procurá-lo! 


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

472 - Terras de Capelins 

História de Capelins 
Paróquia de Santo António de Capelins 
É nestes livros que se encontra escrita a genuína história das vidas das gentes de Capelins! 
O Padre Gavião de Santiago Maior, em 1705, escreveu no assento do óbito da senhora Maria Silva, do Monte da Vinha que, a mesma era sepultada na Igreja de Santiago Maior porque a sua Freguesia de Santo António (Capelins) se encontrava deserta devido ao inimigo! 
Fomos confirmar nos registos Paroquiais de Santo António, o que o referido Padre escreveu e de verdade nessa mesma data confirma-se que, entre o dia 09 de Maio de 1705 até ao dia 03 de Fevereiro 1712, não existe nenhum registo de nascimento, casamento ou óbito na Freguesia de Santo António de Terena (Capelins) decerto por a mesma se encontrar deserta, durante essa dimensão de tempo, toda a gente fugiu daqui por não existir segurança para poderem morar aqui.
Até Maio de 1705 o Cura da Freguesia de Santo António era o Padre João Gomes, o qual, passou para a Paróquia de Santiago Maior, onde encontramos os seus Registos Paroquiais durante alguns anos. 
Em 03 Fevereiro de 1712 já se encontra na Paróquia de Santo António o Padre Miguel Gonçalves Gallego e, por aqui ficou muitos anos! 
(Não podemos garantir que não falte algum livro, porque não é fácil de acreditar que a Freguesia estivesse deserta cerca de seis anos e depois, 1712, surgiu logo a Aldeia de Capelins de Cima).
São segredos de Capelins!


Vejamos as datas dos Livros Paroquiais:
FundoPRQ/ADL04 Paróquia de Santo António de Capelins 1633-08-15/1910-12-31
Série001 Livros de registos de baptismo 1712-02-03/1910-12-04
Série002 Livros de registos de casamento 1635/1910
Série003 Livros de registos de óbito 1727-04-22/1910-12-12
Série004 Livros Mistos 1633-08-15/1802-05-23
Série005 Livros duplicados dos registos de baptismo 1860-01-01/1910-12-31
Série006 Livros duplicados dos registos de Casamentos 1860-01-01/1910-12-31
Série007 Livros duplicados dos registos de Óbitos 1860-01-01/1910-12-31
FundoPRQ/ADL04 Paróquia de Santo António de Capelins 1633-08-15/1910-12-31
Série004 Livros Mistos 1633-08-15/1802-05-23
Unidade de instalação0001 Livro misto 1633-08-15/1696-04-18
Unidade de instalação0002 Livro misto 1696-06-06/1705-05-09
Unidade de instalação0005 Livro misto 1712-08-02/1727-02-17
Unidade de instalação0003 Livro misto 1745-03-08/1785-05-09
Unidade de instalação0004 Livro misto 1773-11-25/1802-05-23

Paróquia de Santo António de Capelins 
Nível de descrição 
Fundo Fundo 
Código de referência 
PT/ADEVR/PRQ/ADL04 
Tipo de título 
Atribuído 
Datas de produção 
1633-08-15 A data é certa a 1910-12-31 A data é certa 
Dimensão e suporte 
327 fl.; papel, pergaminho

Capa de Livro Paroquial com 385 anos - Escrita na Igreja de Santo António de Capelins - 1633 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

471 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da troca do cão leão, por um litro de grãos
No dia 3 de Maio de 1962, o pai do Chiquinho de Capelins entrou em casa e disse: 
Encontrei agora ali o ti Zé Maria (zuco) e trazia um cãozinho tão bonito, gostava muito de ficar com ele! Ainda lhe o pedi, mas disse-me logo que não o dava! 
O Chiquinho deu um salto na cadeira onde estava sentado e perguntou: 
Chiquinho: Oh pai, como é que é o cãozinho? 
Pai: Olha é de raça pequena, não deve crescer muito, é malhado, branco e preto e com uma estrela na testa, muito bonito! Mas o ti Zé Maria não o quer dar! 
Chiquinho: Eh pai! Com uma estrela na testa? Era mesmo um cãozinho assim como esse que eu queria!  
Pai: Sim, querias! Mas ele não o dá, disse-me que ele, as filhas e a mulher, também gostam muito dele, por isso, fica para eles! 
O Chiquinho, ficou muito pensativo, como seria a maneira de conseguir aquele cãozinho, com uma estrela na testa! Assim que teve oportunidade subiu a rua de Capelins de Cima a correr e foi direitinho à casa do ti Zé Maria, que era "regatão" (vendedor de frutas e hortaliças), entrou e meteu logo conversa:
Chiquinho: Eh ti Zé Maria! O que está fazendo? 
Ti Zé Maria: Adeus Chiquinho! Nada, porquê? Querias alguma coisa?
Chiquinho: Não queria nada, ia aqui a passar e vinha ver se precisava que eu lhe fizesse alguma coisa! 
Ti Zé Maria: Eh lá Chiquinho! Hoje estás de mãos largas! Olha, quero! Traz além a caixa de fósforos, para acender o cigarro! 
Chiquinho: É p'ra já, ti Zé Maria, tome lá! Não quer que lhe faça mais nada? 
Ti Zé Maria: Hum...cheira-me a esturro, tanta oferta! Mas agora não quero mais nada! 
Chiquinho: Oh ti Zé Maria, eu só o queria ajudar, mas se não quer mais nada, vou-me embora! Ah, é verdade, então, tem cá um cãozinho novo? 
Ti Zé Maria: Tenho, tenho e é muito bonito, trouxe-o ontem de Reguengos! 
Chiquinho: Ah sim? E nem me dizia nada! Mas quando precisa de alguma coisa não se esquece de me chamar! Onde está o cão? 
Ti Zé Maria: Não está cá! A minha Maria foi ali à casa da mãe e levou-o! 
Chiquinho: Mau, mau, se é assim tão bonito já lá deve ficar!
Ti Zé Maria: Não fica nada, porque este cão não o dou a ninguém! Já nem sei quantas pessoas o pediram!
Chiquinho: Eh ti Zé Maria! Veja lá que primeiro estou eu! Quem é que lhe faz aqui tudo o que me pede?
Ti Zé Maria: Olha que tu, não és de certeza! É conforme te dá na cabeça! 
Chiquinho: Veja lá como fala ti Zé Maria! Olhe que está sujeito a eu não lhe fazer mais nada! 
Ti Zé Maria: Cala-te Chiquinho! Eu um dia arranjo-te um cãozinho parecido com este! 
Chiquinho: Não arranja nada! É este que eu quero e mais nenhum! 
Ti Zé Maria: Não, não, este não o apanhas! 
Chiquinho: Vamos ver, ti Zé Maria, vamos ver! Até logo, lembrei-me agora, que tenho muito que fazer lá em casa! 
Como a mãe da ti Maria morava ao fundo da rua de Capelins de Cima, ao pé da estrada nova, o Chiquinho começou a correr com a ideia de ir ver o cãozinho, mas ao chegar a meio da rua encontrou a ti Maria com ele dentro de um cesto! Nem ligou à ti Maria e começou logo a fazer festinhas ao cãozinho que correspondeu como se fossem conhecidos, gerou-se logo ali uma grande amizade e o Chiquinho perguntou:
Chiquinho: Onde está a estrela ti Maria? Ele já tem nome? 
Ti Maria: Qual estrela, nem estrela! Sim, já tem nome! Chama-se leão! 
Chiquinho: Leão? Mas leão num cão tão pequeno? Leão? Pronto, está bem, é leão! 
O Chiquinho virou costas e foi a caminho de casa pensando na forma de conseguir trazer o leão para casa! Quanto à estrela, só devia brilhar à noite! Passou o resto do dia a pensar no leão, tão bonito, era mesmo o que ele queria e, quando à noitinha o pai voltou a casa, reparou logo que ele não estava bem, muito triste e perguntou-lhe:
Pai: Então, Chiquinho, estás doente? 
Chiquinho: Eu desconfio que sim! 
Pai: Então, o que te dói? 
Chquinho: Oh pai, doer, doer, não me dói nada, mas desconfio que estou muito doente! 
Pai: Mau, mau, então estás muito doente e não te dói nada? Afinal o que é que tens? 
Chiquinho: É por causa do cãozinho do ti Zé Maria, já o vi, é tão bonito, era mesmo o que eu queria! Chama-se leão, mas se ele não o quer dar, como é que fazemos? 
Pai: Eu vou lá falar com ele, pode ser que, quem lhe o deu lá em Reguengos tenha mais e lhe arranje outro para ele e ficávamos a gente com este! 
Chiquinho: Que bom, que bom, que bom! O leão é tão bonito! 
O pai do Chiquinho depois de tratar do gado foi falar com o ti Zé Maria, esteve para lá quase uma hora, até que voltou com o leão ao colo, o Chiquinho foi a correr ao encontro do pai e perguntou: 
Chiquinho: Então pai, o leão já é nosso?  
Pai: É nosso é! Mas foi muito difícil convencer o ti Zé Maria! 
Chiquinho: Nunca pensei, como é que o convenceu a dar-nos o leão? 
Pai: Eu disse-lhe que tu gostavas muito dele, que estavas doente por causa do cão, que ele arranjava outro lá em Reguengos e mais isto e mais aquilo e acabámos por negociar! Disse-me que deu sete e quinhentos pelo cãozinho! Olha, acabou por me pedir dois litros de grãos, mas fechamos o negócio por um litro, mesmo agora lá os vou levar! 
Chiquinho: Vá, vá e leve-lhe muitos grãos, não nos tire ele o leão! 
Pai: Não tira, não! É um litro de grãos e mais nada! 
O pai do chiquinho foi entregar o litro de grãos ao ti Zé Maria por troca do leão que, passou a ser a paixão da casa, onde ficou durante muitos anos, até ao dia que desapareceu sem deixar rasto, deixando toda a família muito triste, terminando, assim, a lenda da troca do cão leão por um litro de grãos.  

Fim 




segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

470 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Histórico Monte da Vinha 
Através de documentos Paroquiais, neste caso, do registo do óbito de uma moradora no Monte da Vinha, em 1705, conseguimos saber que nesse ano a vida pelas terras de Capelins estava muito complicada, porque, conforme está escrito pelo Pároco de São Tiago, a Freguesia de Santo António estava deserta, devido ao inimigo, logo concluímos que, nesse ano, eram constantes as pilhagens feitas por invasores vindos de além Guadiana, obrigando à fuga dos moradores destas terras, por isso, a referida moradora do Monte da Vinha, natural da Freguesia de Santo António, teve de ser sepultada na Igreja de São Tiago! Também conseguimos saber que, o Monte da Vinha, mesmo através de outros registos, já existia nos anos de 1600!
Vejamos a integral versão do Pároco Vital Gavião:
"Aos cinco dias do mês de Setembro de 1705, faleceu da vida presente Maria da Silva, Mulher de Inocêncio Simões, moradores no Monte da Vinha, Termo de Terena, Freguesia de Santo António de Terena, donde era Freguesa e natural, faleceu com os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia a qual eu mesmo lhe ministrei faltou-lhe a extrema Unção porquanto a não procuraram os herdeiros a Tempo, nem a mim me chamaram para esse efeito, sem embargo que não era minha ovelha, não fez testamento, está sepultada em esta Igreja de São Tiago de Terena, porquanto por causa do inimigo estava deserta a sua Freguesia, e por assim se passar na verdade fiz este termo em que me assinei, mês, era, dia ut supra.
O Cura O Ldº Vital Varregozo Gavião"


Registo do óbito de Maria da Silva do Monte da Vinha - 1705 


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

469 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
Povoação do Calcolítico + de 5.000 anos em Miguéns - Capelins

Miguens 3

CNS: 16233
Tipo: Povoado
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Calcolítico
Descrição: Esporão pouco pronunciado sobre o Guadiana, com ocupação calcolítica (campaniforme). Restos de três cabanas circulares relativamente bem conservadas e outras estruturas anexas.
Meio: Terrestre
Acesso: A partir de Montes Juntos (Alandroal), o acesso faz-se por caminho de terra batida.
Espólio: Cerâmica (bordos almendrados, cerâmica campaniforme internacional), percutores, mós, pedra polida.
Depositários: Manuel João do Maio Calado
Classificação: -
Conservação: Regular


Restos de 3 cabanas circulares  

Foto: DGPC


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

468 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capleins 
Povoação do Forno da Cal - Proto - História - Idade do Ferro - 2.500 anos

Forno da Cal - Capelins


Paisagem: Instala-se sobre uma pequena rechã, adjacente ao Guadiana, com escasso domínio de paisagem e reduzido potencial agrícola.

Estruturas: Detectaram-se dois muros rectilíneos justapostos, construídos em blocos de quartzo e lajes de xistos, de médio e grande calibre. Adjacente a estes, registou-se a presença de um roço aberto no substrato rochoso, definindo uma área de planta rectangular, com cerca de dois metros quadrados, associado a um conjunto de cerca de uma dezena de buracos de poste; trata-se provavelmente de uma construção em materiais perecíveis, eventualmente relacionada com actividades pecuárias.

Artefactos: O conjunto artefactual é bastante escasso, constituído exclusivamente por fragmentos cerâmicos e um cossoiro.
Cronologia: Séc. VI-V a.C.



terça-feira, 27 de novembro de 2018

467 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Povoação da Proto - História - Idade do Ferro - 2.500 anos
Malhada das Taliscas - Herdade do Roncanito - Capelins

Paisagem: Localiza-se numa ampla rechã adjacente ao Guadiana, com escasso controlo visual sobre a área envolvente.
Nas imediações, surgem algumas pequenas manchas de solos agricultáveis.

Estruturas: A intervenção permitiu detectar dois conjuntos
arquitectónicos de planta ortogonal, resultantes, aparentemente, de um único momento construtivo, num total de mais de um centena de metros quadrados de área coberta. Em termos técnicos, os edifícios são construídos em lajes de xisto, disponível no local, de médio e grande calibre, dispostas na horizontal, apresentando, por vezes, uma construção bastante cuidada.
O conjunto edificado de maiores dimensões é composto por dois agrupamentos de edifícios dispostos perpendicularmente entre si; o maior, é composto por um grande compartimento alongado, com uma porta virada a Sul, e, dispostos perpendicularmente a este, dois ou provavelmente três outros compartimentos, um dos quais aparentemente relacionado com a armazenagem, atendendo à presença de ânforas. Perpendicularmente a este edifício desenvolve-se, encostado ao seu canto SW, um corpo arquitectónico composto por três, ou quatro, pequenos compartimentos consecutivos.
Ligeiramente afastado daquele conjunto arquitectónico, existe um grande edifício de planta quadrangular, aparentemente isolado, de construção cuidada e porta axial virada a Nascente. O interior apresentava-se bipartido longitudinalmente, com um pavimento em grandes lajes de xisto, na metade Poente. A sequência de três muros
separados por uma curta distância, detectada no canto NW, poderá indiciar a presença de um espaço relacionado com a armazenagem elevada, provavelmente de cereais.

Artefactos: O conjunto artefactual é composto maioritariamente por cerâmica, mas contemplando igualmente recipientes de vidro e artefactos metálicos. A cerâmica
é composta por cerca de 65% de recipientes a torno, correspondendo a uma gama variada de formas abertas e fechadas, nomeadamente taças de bordo simples e potes
de colo estrangulado, por vezes asados (asas de cesto, cabaz, jarro, entre outras), a par de ânforas tipo CR-I, de produção aparentemente regional. A cerâmica de produção
manual é, igualmente, composta por uma gama variada de formas abertas e fechadas; estas constituem o principal suporte das diversas gramáticas decorativas, como pequenas incisões sobre o bojo ou linhas quebradas. Registou-se a presença de um grafito; trata-se de um pentagrama, aplicado antes da cozedura, no fundo de um recipiente a torno. 
Os recipientes de vidro estão representados por dois fragmentos, de cor azul e amarela, ou amarela, verde e azul, eventualmente do mesmo recipiente. Os artefactos
metálicos são escassos correspondendo, aparentemente, a um peso e a uma agulha.

Cronologia: Séc. V a.C.
Arqueólogos:
Manuel Calado*
Rui Mataloto**
Artur Rocha***

Malhada das Taliscas - Capelins 


584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...