terça-feira, 30 de outubro de 2018

456 - Terras de Capelins 
História de Capelins 
Escrituras de compra e venda da courela junto à Sina
As escrituras de compra e venda de courelas, herdades, casas, moinhos, de empréstimos e outras, são documentos importantes que nos descrevem como era, nas respetivas épocas, a divisão administrativa das terras, ou seja, quem eram os proprietários ou rendeiros das courelas ou herdades, não só das terras transacionadas, mas também, das confinantes. 
Como já referimos, existiam várias courelas entre a herdade da Sina e a Vila de Ferreira, que se situava a sul das herdades de Nabais e da dita Sina. 

Apresentamos a escritura de mais uma courela, junto à Igreja de Santo António, da qual, era proprietário Ignácio José Pereira e sua mulher Dona Josefa Violante, moradores na Villa de Terena e, o comprador foi Silvestre José, morador na Aldeia de Faleiros, que pagou pela courela 33.600 Reais metálicos e mais 3.360 Reais de Siza. Esta Escritura foi feita no dia 23 de Maio de 1829 pelo Tabelião Feliciano José Cardoso do Cartório de Terena. Esta courela confinava, parte com a herdade da Sina e, dos dois lados com courelas do Coronel Azambuja, de Vila Viçosa. 

Reparamos que, o lavrador Ignácio José Pereira e sua mulher Dona Josefa Violante eram os mesmo proprietários da courela onde se situava a Igreja de Santo António, vendida a Joaquim Martins e que, durante vários anos foram vendendo várias courelas na Freguesia de Santo António de Capelins, assim como, na Freguesia de S. Pedro em Terena, incluindo casas nesta Villa. 
Quanto ao Coronel Azambuja, dono das referidas courelas, era natural de Vila Viçosa, onde residia no Palácio da família Matos Azambuja, também conhecido como Casa dos Arcos, que foi edificado cerca de 1599 e, decerto, com muitas propriedades pela região.

folha 1 de 6 da escritura feita em Terena em 1829, da courela de Silvestre José da Aldeia de Faleiros.


455 - Terras de Capelins 
História de gentes de Capelins 
Como referimos, através das escrituras efetuadas no Cartório de Terena entre 1724 e 1852, conseguimos conhecer um pouco da história de Capelins e das suas gentes, em algumas escrituras como as de juro, podemos concluir que, alguns lavradores conseguiam enriquecer com a sua atividade de agro-pecuária, os que emprestavam, porém, outros não davam conta das suas finanças, todos os anos pediam empréstimos, concedidos por lavradores da região mediante o pagamento juros, por exemplo, a cinco por cento. 

Esta escritura de juro foi feita no dia 13 de Fevereiro de 1833, no Monte Real, mas existem outras da mesma família, desde muitos anos antes. 
" Escritura de juro da quantia de quarenta e três mil e duzentos réis metálicos que a deram de juro de cinco por cento na forma de Lei toma Domingos Esteves do Monte do Rial deste Termo, cuja quantia hé pertencente aos herdeiros do falecido Manoel Jorge, Total a quantia de 43.200 Réis.
Saibam quantos este Instrumento de Escritura de juro de cinco por cento, virem que tendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e trinta e trez annos, sendo aos treze dias de Fevereiro do ditto anno, no Monte do Rial Freguezia de Santo António de Capelins, onde digo de Capelins Termo de Terena, onde eu Tabelião adiante nomiado e asignado, vim e logo aqui em o ditto Monte do Rial aonde hé morador Domingos Esteves aparecerão e foram presentes os herdeiros habilitados da hirança do falecido Manoel Jorge - Manoel Henrique morador na Villa de Ferreira; Maria de Santa Anna; Francisco Caeiro; Thereza de Jesuz viúva de Ignácio Caeiro; e Manoel Caeiro todos moradores no Termo da Villa de Terena de que eu Tabelião dou fé serem os próprios, E logo por Domingos Esteves me foi dito que tomava de juro de cinco por cento a quantia de quarenta e trez mil e duzentos réis metálicos por tençantes aos herdeiros habilitados da hirança do falecido Manoel Jorge Lavrador que foi da Erdade do Sexo, E logo aqui pelo ditto tomador Domingos Esteves me foi apresentado um Requerimento de theor e forma seguinte - (...)
(...)
3 páginas depois, o capital foi entregue ao suplicante e seguiram-se as assinaturas: 
Tomador: Domingos Esteves 
Fiador: 
Miguel Ramalho 
(Lavrador do Monte da Galvoeira) 
herdeiros: 
Manoel Caeiro 
Francisco Caeiro 
A rogo de Thereza de Jesus 
Gabriel António de Rosa 
Manoel Henrique 
Maria de Santa Anna 
Luís Gonzaga de Paiva"


No requerimento do suplicante apresentado ao Tabelião, a rogo de Thereza de Jesus, assinou: Thomé dos Mártires.
1 de 4 páginas da Escritura de juro feita no Monte Real no dia 13 de Fevereiro de 1833 


domingo, 28 de outubro de 2018

454 - Terras de Capelins 
História de Capelins 
A origem das designações de Lugares, Montes e Herdades da Freguesia de Capelins 
Como sabemos, a Freguesia de Capelins tem muita história, todos os lugares têm a sua história e, decerto foram importantes para quem, a eles de alguma forma esteve ligado. Alguns desses lugares, têm essa designação devido ao nome, ou apelido de quem lá residia, trabalhava, ou que foi rendeiro/lavrador dessas terras. 
O Senhorio da Vila Defesa de Ferreira, (hoje Freguesia de Capelins) foi da Família Freire de Andrade, entre 1433 e 1674, ou seja, durante 241 anos e deve-se a esta Família a designação de pelo menos duas herdades e respetivos Montes, que são: a Defesa de Bobadela e a herdade do Azinhal Redondo. 

A Família Freire de Andrade detinham o senhorio da Casa de Bobadela, constituída pela Vila de Bobadela em Oliveira do Hospital, a Vila Defesa de Ferreira e, mais tarde do Morgadio do Azinhal no Concelho de Évora.
Assim, conforme ainda hoje conhecemos, a herdade junto ao rio Guadiana, (hoje duas), designava-se herdade da Defesa de Bobadela, devido à Casa de Bobadela e, a herdade do Azinhal Redondo, ficou com a mesma designação do Morgadio do Azinhal que como referimos, também era da Casa de Bobadela.

Monte do Azinhal 


453 - Terras de Capelins 
História de Capelins 
O Padre Manoel Ramos, da Igreja de Santo António, Termo da Vila de Terena, em 1697 menciona num Assento: "herdade do Roncão do Conde". Fomos, imediatamente pesquisar quem seria o Conde a quem o Padre se referia, mas não encontramos nenhum Conde com o perfil que nos parecesse ter sido o senhor da herdade do Roncão, a qual, fazia parte integrante da Vila Defesa de Ferreira que, como sabemos, foi retirada a Luís Freire de Andrade em 1674

Após esgotarmos as hipóteses sobre quem teria sido esse "Conde" senhor da herdade do Roncão, lembramo-nos que o dono do Moinho das Azenhas D' El-Rei, o da parte de dentro, em 1787 era de Francisco de Melo Cogominho, obviamente, em 1697 não podia ser ele o dono do Roncão, porque ainda nem tinha nascido, mas podia seu o seu pai ou o seu avô! Os Moinhos das Azenhas D' El-Rei ficavam no leito do rio Guadiana, na herdade do Roncão, por isso era natural que existisse alguma ligação!

Na escritura de compra/venda do Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora está indicado que existiu uma demanda com essa herdade, mas ainda não percebemos qual a causa/efeito! Fomos saber de quem era filho Francisco de Melo Cogominho, com a esperança de ser filho de algum Conde, porque já sabiamos que era Família nobre, mas concluímos que, embora fidalgos da Corte, não eram Condes! O dito Francisco de Melo Cogominho era filho de Diogo de Melo Cogominho, nascido em 1712 e, era neto de Simão de Melo Cogominho, também fidalgo da Corte e, foram todos, "Senhores da Torre de Coelheiros", em 1697 o senhor da Torre de Coelheiros e talvez da herdade do Roncão era Simão de Melo Cogominho, ou seja, o avô de Francisco de Melo Cogominho, dono do Moinho! 

Por enquanto, não podemos afirmar nada, mas acreditamos que, o senhorio da herdade do Roncão, pertencia à Família Cogominho, senhores da Torre de Coelheiros, talvez por isso, parte da herdade do Roncão, a que lhe foi retirada em 1834 se designa por "Torre" porque era do senhor da Torre!
Roncão 


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

452 - Terras de Capelins 

Gentes de Capelins 1637 
O 1ª antepassado com apelido "Cappellins" alguma vez encontrado!
"A 11 de Abril da Era de 1637 annos faleceo da vida prezente Aleixo João de Cappellins e não fez testamento. Pároco
Luís de Campos" 




451 - Terras de Capelins 

Gentes de Capelins - 1635 
Apresentamos um dos registos de batismos na Igreja de Santo António, de mais fácil leitura do ano de 1635, referente a duas irmãs gémeas de nomes: Maria e Caterina.
" Aos sete dias do mez de Janeiro de mil seis centos e trinta e cinco annos Bauptizei e pus os Santos óleos a duas meninas húa por nome Maria & a outra Caterina filhas de António Mendes Moitão e de Izabel Friz (Fernandez) forão padrinhos Luíz Friz (Fernandez) Domingos Caeiro e Maria Nunes e Domingos Gomes.
O Padre Gonçalo Roiz (Rodriguez)"

Registo do batismo da Maria e Catarina (gémeas), na Igreja de Santo António em 1635!



450 - Terras de Capelins 

História de Capelins 

Através dos Registos Paroquiais da Paróquia de Santo António do Termo da Vila de Terena, confirma-se que, nos anos de 1680/ 1690, já existiam nesta Freguesia os seguintes Montes e herdades: 
1 - Zorra;
2 - Talaveira; 
3 - Roncão; 
4 - Carrão; 
5 - Vinha; 
6 - Azinhal Redondo.
7 - Cabeça de Sina
8 - Aldeia de Faleiros. (Fora da Vila de Ferreira, mas pertencente à Freguesia de Santo António. Termo da Vila de Terena). 
Quanto aos Montes, tudo indica que, foram construídos, ainda no período em que a Vila Defesa de Ferreira (hoje Freguesia de Capelins) pertencia à família Freire de Andrade (1433 - 1674)! As provas a que nos referimos encontra-se nos Registos de Óbitos dos respetivos lavradores, logo, decerto já lá residiam há alguns anos. Também, as herdades já existiam! Assim, podemos prever a forma da exploração das terras da Vila de Ferreira nessa época. 
Uma herdade, podia ter mais do que um lavrador!

Este Registo, refere-se ao óbito do lavrador da Talaveira em 1699 



584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...