quinta-feira, 12 de abril de 2018

408 - Terras de Capelins 

História de Gentes de Capelins 

No ano de 1907 realizaram-se nove casamentos na Igreja de Santo António de Capelins, indicamos os nomes dos nubentes e data do respetivo matrimónio:

1 - Joaquim Roque ou Joaquim Mira, (filho de Manuel Mira e de Maria Luiza), com Francisca Rosa; casaram no dia 12 de Janeiro de 1907.
2 - António Manuel Busca e Rosária Paula; casaram no dia 10 de Fevereiro de 1907. 
3 - Miguel António Vallente e Maria Catharina; casaram no dia 14 de Abril de 1907.
4 - Joaquim António Aleixo e Ritta Izabel; casaram no dia 30 de Setembro de 1907. 
5 - José Fernandes Moreira e Vicência Maria; casaram no dia 7 de Outubro de 1907. 
6 - Francisco Jeronymo e Ignácia Velladas; casaram no dia 07 de Outubro de 1907. 
7 - António Manuel Pacheco e Joaquina Maria; casaram no dia 26 de Outubro de 1907.
8 - Ignácio Manuel Moreira e Joanna Ritta; casaram no dia 01 de Novembro de 1907. 
9 - Marianno Moreira e Maria Vicência; casaram no dia 29 de Dezembro de 1907.

Fim 

Livro do registo de casamentos na Igreja de Santo António de Capelins em 1907


407 - Terras de Capelins 

História de vidas de gentes de Capelins 
No ano de 1908 realizaram-se 14 casamentos na Igreja de Santo António de Capelins, assim, nesta singela homenagem divulgamos os nomes dos nubentes e, o dia do matrimónio:
1 - Manuel José Ramalho e Anna Izabel Rosada; casaram no dia 10 de Fevereiro de 1908.
2 - Manuel Izidro e Caetana de Jesus; casaram no dia 22 de Março de 1908.
3 - Manuel Gregório e Guilhermina de Jesus; casaram no dia 18 de Maio de 1908.
4 - Joaquim Nunes Bellém e Marianna Rosa; casaram no dia 23 de Maio de 1908.
5 - Manuel Coelho de Paiva e Vicência da Conceição Dias Camões; casaram no dia 02 de Agosto de 1908.
6 - José Romão Tique e Alexandra Rasteira; casaram no dia 07 de Setembro de 1908.
7 - Francisco José Baptista e Antónia Rosa; casaram no dia 12 de Setembro de 1908.
8 - José Roque e Thereza Maria; casaram no dia 21 de Setembro de 1908.
9 - Joaquim Ventura e Gertrudes Maria; casaram no dia 21 de Setembro de 1908.
10 - Manuel Rosado e Bárbara Maria; casaram no dia 26 de Setembro de 1908.
11 - Bartholomeu Catharino e Dionilde da Conceição; casaram no dia 26 de Setembro de 1908.
12 - José Clemente e Antónia da Conceição; casaram no dia 03 de Outubro de 1908. 
13 - José Tique e Maria Jacintha; casaram no dia 18 de Outubro de 1908.
14 - Francisco Rocha e Francisca Maria; casaram no dia 02 de Dezembro de 1908.


É de salientar que, cerca de 43 % destes casamentos realizaram-se no mês de Setembro, depois das colheitas, porque não convinha interromper o trabalho agrícola, para casar.
Livro dos casamentos na Freguesia de Capelins Santo António em 1908 


406 - Terras de Capelins 
História de Vidas de Gentes de Capelins 
No ano de 1909 realizaram-se 14 casamentos na Igreja de Santo António de Capelins! Divulgamos os nomes dos nubentes e datas dos respetiivos casamentos:

1- Manuel Ramalho e Marianna Joaquina Correia; casaram no dia 7 de Março de 1909.
2 - Domingos Rosado Moreira e Marianna Luzia; casaram no dia 26 de Abril de 1909.
3 - João José e Marianna Jacintta; casaram no dia 12 de Maio de 1909.
4 - Joaquim Rosado e Emília Augusta Moreira; casaram no dia 01 de Setembro de 1909.
5 - Domingos Baptista e Maria dos Prazeres; casaram no dia 02 de Setembro de 1909.
6 - José Baptista e Francisca Genoveva; casaram no dia 10 de Setembro de 1909.
7 - João Domingos e Isabel Maria; casaram no dia 12 de Setembro de 1909.
8 - Manuel Veva e Joaquina Isabel; casaram no dia 21 de Setembro de 1909.
9 - Manuel Urbano e Francisca Cattarina; casaram no dia 21 de Setembro de 1909.
10 - Isidoro Domingos e Maria Antónia; casaram no dia 25 de Setembro de 1909.
11 - José Fernandes e Cattarina Maria; casaram no dia 25 de Setembro de 1909.
12 - Manuel Cattarino e Marianna Cattarina; casaram no dia 27 de Outubro de 1909.
13 - Affonso José Marouvas e Maria Archangela; casaram no dia 31 de Outubro de 1909.
14 - António José Romão e Marianna da Conceição: casaram no dia 31 de Outubro de 1909. 

Fim

Livro dos Casamentos em 1909 Santo António de Capelins 


405 - Terras de Capelins 
História de Vidas de Gentes das terras de Capelins
No ano de 1910, o último da Monarquia, realizaram-se 10 casamentos na Igreja de Santo António de Capelins! Seguem os nomes dos nubentes e o dia do enlace:
1 - Manuel Figueira e Maria Lourença; casaram no dia 19 de Fevereiro de 1910. 
2 - António José Galhanas e Anna Maria, casaram no dia 02 de Março de 1910.
3 - Francisco António e Anna Anastácia; casaram no dia 24 de Abril de 1910.

4 - José Silveira e Maria Luíza; casaram no dia 15 de Maio de 1910.
5 - Domingos Rocha e Margarida Fallé; casaram no dia 02 de Junho de 1910.
6 - Joaquim Manuel Ferreira e Maria Gertrudes; casaram no dia 03 de Agosto de 1910.
7 - Francisco Ignácio e Maria Angélica; casaram no dia 01 de Setembro de 1910.
8 - Manuel Francisco Rocha e Vicência Ludovina; casaram no dia 28 de Setembro de 1910. 
9 - Manuel João Borges e Maria Rosada; casaram no dia 02 de Outubro de 1910.
10 - Joaquim Callado e Francisca Maria (Moreira); casaram no dia 10 de Outubro de 1910.

Fim 

Livro Paroquial de casamentos em 1910, na Igreja de Santo António de Capelins


domingo, 11 de março de 2018

404 - Terras de Capelins 
História de vidas de gentes das terras de Capelins 
Percurso de vida da Família “Mira”
Como referimos, José de Mira chegou às terras de Capelins na década de 1790, onde contraiu matrimónio com Francisca Rodrigues, natural de Santiago Maior, no dia 05 de Agosto de 1798, na Igreja de Santo António de Capelins!
José de Mira e, sua legítima mulher Francisca Rodrigues, tiveram vários filhos/as, conhecemos quatro, do sexo masculino que, deram origem aos diversos ramos da Família “Mira” que, povoaram as terras de Capelins e arredores! Os filhos do género masculino chamavam-se: Manuel de Mira, Fernando de Mira, Vicente de Mira e João de Mira. No caso da linhagem da família que seguimos, devido à manifestação dos seus familiares, a mesma, já em Capelins, teve origem em João de Mira, que era o pai de José de Mira, logo, para trás é igual para todos os ramos desta Família!
A pesquisa, começa dos tempos mais recentes, dos Registos Paroquiais de Santo António de Capelins até ao limite temporário dos registos Paroquiais da antiga Paróquia de São Matias – Évora, dia 02 de Março de 1641, mais de 350 anos e, 10 gerações da Família Mira! Estão em anexo, todos os Assentos Paroquiais a que nos referimos até àquela data, mas sublinhamos que seguimos apenas o ramo direto do 1º grau “Mira”, com algumas exceções. 
Esta investigação, levou-me a concluir que, o ramo da Família “Mira” das terras de Capelins, teve início em São Matias, próximo de Évora, sendo, Antónia de Mira, a primeira com apelido “Mira” desta linhagem, era filha de Grácia Vidigal e de António Roíz (Rodrigues) e, neta de Pero (Pedro) Roíz e de Catherina Vidigal, como podemos verificar, nesta linhagem, até Antónia de Mira, não existe na Família o apelido “Mira”, mas sim, Roíz (Rodrigues) e Vidigal, ambos, estes apelidos já existiam na Freguesia de São Gregório – Arraiolos, antes de 1600, naturalidade de António Roíz, mas o apelido “Mira” só aparece nesta Freguesia em 20 de Janeiro de 1641, com o casamento de Luís de Mira com Catherina Rebocha, por isso, tudo indica que o apelido “Mira” não veio de São Gregório para São Matias, mas sim ao contrário. 
O meu objetivo era desvendar como é que o apelido “Mira” entrou na Família “Vidigal”, ou Roíz (Rodrigues) em São Matias! 
Após a análise de muitos registos Paroquiais de São Matias e de São Gregório, não encontrei outra explicação, senão a seguinte:
Catherina Vidigal teve vários irmãos e irmãs, todos nascidos antes de existirem registos Paroquiais em São Matias, os quais, só começaram no ano de 1641 e, prevê-se que Catherina Vidigal tenha nascido entre 1618 e 1620, porque, já encontramos o registo de nascimento do filho Manuel Vidigal em 26-01-1643, talvez, tenha casado com Pero (Pedro) Roíz (Rodrigues em 1640 ou 1641, mas não há registo. Os filhos e filhas de Catherina Vidigal ficaram todos com o apelido “Vidigal”, mas depois os seus netos filhos de Grácia Vidigal já têm o apelido de “Mira” que não vem da linhagem do seu marido “Roíz”, assim, só pode ter sido recuperado do seu ramo, mas também, não podia ser do lado de seu pai que era Pero “Roíz”, teria sido do lado de sua mãe e, nesse caso, parece-me que seria o seu avô materno que era “Mira”, casado com uma senhora “Vidigal”, como sabemos, nesse tempo, era o apelido materno que prevalecia, mas Grácia Vidigal, por qualquer motivo que desconheço, recuperou para os seus filhos o apelido de seu avô “Mira”, provável pai de Catherina Vidigal e, assim, deu continuidade à linhagem da Família “Mira”. 
Neste momento, não encontro outra explicação, nem alternativa para a substituição do apelido “Vidigal” pelo de “Mira” nas duas gerações “Vidigal” que conhecemos, no entanto, em conformidade com os respetivos documentos, a Família “Mira” pode assumir que, também tem uma forte “componente” de “Vidigal”. 
"A pesquisa não se encontra fechada"

Este é o registo do nascimento de Antónia de Mira, de 09-06-1678 em São Matias - Évora.
É a esta mulher que a nossa família "Mira" deve o seu apelido, senão, digamos seria "Vidigal". 


quarta-feira, 7 de março de 2018


403 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins 

Montejuntos

História, lendas e tradições das Terras de Capelins

A lenda do Capitão de cavalos, Pedro Gonzaga, natural 

de Capelins

Na madrugada do dia 6 de Março do ano de 1836, em pleno inverno, o Sacristão da Igreja de Santo António de Capelins e, os seus vizinhos acordaram com o choro da uma criança! O Sacristão deu um salto da cama e, em ceroulas, correu a abrir a porta da sua residência, deparando-se com um cesto de verga com alguma roupa, dentro do qual, se ouvia uma criança a chorar! Naquele instante, chegaram as vizinhas com o Padre António Laurentino, porque o choro era tão alto e aflitivo, que se ouvia em todas as casas da Igreja! O sacristão pegou no cesto e entraram todos para casa, porque tinha chovido durante a noite, o frio da madrugada era muito e estavam mal vestidos, foram tirando a roupa do cesto e no fundo estava uma criança muito bonita, gelada e esfomeada, olharam uns para os outros à procura de explicações, mas não encontraram respostas para o que estava a acontecer, comentaram logo que tinham de aquecer a criança e dar-lhe de mamar! A mulher do sacristão estava na cama mas acompanhava a conversa e tinha uma criança, que tinha nascido havia de poucos dias, pediu logo para a levarem até ela e deitou-a muito chegadinha e, logo começou a aquecer e a procurar a mama!  Mamou e pouco depois, já dormia profundamente de barriguinha cheia e quentinho! 
O Padre António Laurentino, o Sacristão e os vizinhos  não sabiam o que fazer com a criança, nenhum dos moradores tinha  possibilidades de ficar com ela, porque estavam cheios de filhos e, ao Padre não lhe era permitido ficar com uma criança, mesmo sendo enjeitada, como parecia ser aquele caso! Então, pensaram em apresentar o assunto ao Juiz dos Orfãos de Terena e, com uma carta do Padre, o Sacristão partiu imediatamente para a casa do Juiz, chegou muito cedo, mas ele já andava no quintal e, como eram conhecidos foi logo recebido! O Sacristão contou-lhe o que se estava passando e, entregou-lhe a carta onde o Padre António Laurentino lhe pedia para assim que pudesse ir à Igreja de Santo António de Capelins, porque não sabiam o que fazer com uma criança enjeitada! O Juiz disse ao Sacristão para esperar, que ia preparar-se, a albardar a burra e depois iam juntos! Ainda lhe perguntou se era um menino ou uma menina, mas o Sacristão não tinha a certeza, depois lembrou-se que, pelo choro devia ser um menino!  
O Juiz não se demorou nos preparativos e seguiram pela Villa Velha, Monte Branco, Faleiros, até à Igreja de Santo António de Capelins! 
Ao chegarem, o Juiz reuniu-se com o Padre na casa Paroquial, fez muitas perguntas, tomou notas sobre o acontecimento e, o Padre teve de responder:
Juiz: O senhor Padre não sabe quem pode ser a mãe da criança? Não se lembra se alguma das suas paroquianas estava de esperanças e que pudesse ter a criança por estes dias?
Padre: Para lhe ser franco, senhor Juiz, não tenho pensado noutra coisa toda a manhã e, não vejo quem possa ser a mãe dessa criança! Até pode ser alguma mulher que anda aí no meio desses matos! Não consigo, não consigo lembrar-me, por agora!
Juiz: O senhor Padre, não ouviu se alguma das suas paroquianas andava por aí mal encaminhada?  
Padre: Não, senhor Juiz, não ouvi nada e olhe que eu sei tudo o que se passa na minha Paróquia, não preciso de perguntar nada a ninguém, nem me meto onde não sou chamado, mas contam-me tudo e, de verdade, nos últimos tempos, não ouvi nada!
Juiz: Então, nesse caso, não desconfia quem seja a mãe dessa criança?
Padre: Até agora, não desconfio de ninguém, mas se ela for daqui, da minha Paróquia, depressa vou saber! Tudo se sabe, tudo se sabe!
Juiz: Então, veja lá isso senhor Padre! O mais depressa que puder, porque temos de dar andamento ao processo! Olhe, já que estou aqui, se estiver de acordo, vamos já fazer o batizado e, vamos decidir o que fazer com ela, por agora!
Padre: Estou de acordo com tudo, senhor Juiz, temos de resolver esta situação!
Chamaram o Sacristão e, perguntaram-lhe como estava a criança!
Sacristão: O menino está bem, está a dormir, quando o recolhemos estava gelado, cheio de fome e, parece que estava muito cansado, tenho cá na minha ideia que veio de longe, durante a noite, depois deixaram-no aqui e seguiram!
Juiz: Essa agora! A sua ideia não está fora de jeito! Mas se foi assim, sabiam que a sua mulher tinha a filha recém nascida e leite para ele!
Sacristão: Ah pois, deviam saber, senão como é que a criança calhava à gente, com tantas portas por aí!
Juiz: Sendo assim, não pode ser de muito longe, talvez lá de Terena, ou de Santiago, mas alguém daqui, deu-lhe as informações! Em Terena, investigo eu e também falo com o Pároco de Santiago, mas agora vamos lá falar sobre o que fazemos com a criança!
O Juiz virou-se para o Sacristão e perguntou-lhe:
Juiz: Então, a sua mulher tem leite para as duas crianças?
Sacristão: Ter, até tem, a menina mama pouco, até tem leite a mais!
Juiz: Nesse caso, podem ficar com o menino até eu ver o que posso fazer lá em Terena, ou se encontro um sítio para onde o mandar?
Sacristão: A gente podia, mas temos tantos filhos e isto está tão mau! Não sei, não sei!
Juiz: Era só um tempo, homem! E eu ajudo!
Padre: Já sabe, eu também ajudo em tudo o que puder!
Juiz: Está a ver! Vamos olhar pelas crianças e pela sua mulher, ela  tem de comer melhor, para dar de mamar a duas crianças e também lhe dou alguma roupa!
Sacristão: Então, se for assim, vou dizer à minha mulher!
O Sacristão saiu a correr e não demorou a confirmar que, se fosse só algum tempo e com ajudas, ficavam com o menino!
Juiz: Então, vamos batizá-lo, eu posso ser um dos padrinhos, temos de arranjar outra pessoa!
Sacristão e Padre: Se não estiver aí mais ninguém, pode ser um de nós!
Naquele momento, ouviram o rodar de uma carroça na rua da Igreja, o Padre tirou a cabeça de fora da porta da casa Paroquial para ver quem era, ao mesmo tempo o transeunte, o ti Domingos Ramos, que morava no Monte do Meio, um homem muito devoto, assim que viu o Padre mandou logo parar o macho: Aí, oh! Tirou o chapéu, apeou-se e foi cumprimentar o Padre!
Ti Domingos: Bom dia senhor Padre! Bons olhos o vejam! 
Padre: Bom dia, Domingos! Então, vais com muita pressa?
Ti Domingos: Não, não vou, senhor Padre! Então queria que eu fizesse aí alguma coisa?
Padre: Queria, queria, Domingos! Queria que fosses padrinho de um menino que apareceu esta madrugada aí à porta do Sacristão e, está aqui o Juiz para o batizarmos, só precisamos que assines o assento, pode ser?
Ti Domingos: Oh senhor Padre, sabe que sou um bom Cristão, nunca podia negar uma coisa dessas, é um filho de Deus, vamos lá!
O menino foi batizado e, o Padre António Laurentino, com o acordo de todos, deu-lhe o nome de Pedro, o nome do apóstolo São Pedro que, nasceu Simão, na Galileia, assim, o nome do menino ficou Pedro!
Depois do batismo, cada um seguiu o seu caminho e, o Pedro ficou entregue ao Sacristão e à sua mulher, em companhia dos seus cinco filhos, era mais um! Toda a gente ajudava com o pouco que tinham, os padrinhos vinham visitá-lo periodicamente e, saber se estava tudo bem com ele! O Pedro era o enlevo de toda a gente e, já existiam muitas pessoas interessadas em o perfilhar!
O Padre António Laurentino, tentou tudo, no sentido de saber quem seria a mãe do Pedro e, embora tivessem surgido muitos boatos, muito falatório, não conseguiu saber nada de concreto!
O Juiz e a sua mulher vinham muitas vezes à missa na Igreja de Santo António, também para visitarem o afilhado, que estava cada vez mais engraçado e ajudavam a família do Sacristão! Estas visitas eram cada vez mais frequentes, porque a afeição pelo Pedro estava a aumentar! Um dia, quando iam de volta para Terena, o Juiz disse à mulher:
Juiz: Oh mulher, cada vez gosto mais do Pedro, está muito lindo e parece que gosta de nós, daqui a pouco tem dois anos, já pensei em o perfilharmos e levá-lo para nossa casa, o que dizes? 
Mulher: O que digo? Olha, ainda não te tinha dito nada, mas eu sinto o mesmo e, por mim já o levava hoje!
Juiz: Ah sim? Então, lá em casa, vamos falar isso muito a sério!
Mulher: Então vamos! Eu já pensei em tudo, por isso é contigo!
O Juiz e a sua mulher no Domingo seguinte, contaram ao Padre António Laurentino, qual era a sua intenção e, pediram a sua opinião! O Padre disse-lhe que não podia ficar mais contente com a sua decisão e, que decerto era o melhor para a criança! Passado cerca de um mês, o processo estava tratado, o Pedro foi perfilhado pelo padrinho Luiz Gonzaga e foi para sua casa em Terena! De início, estranhou um pouco, mas depressa se habituou ao que era bom! Na Igreja de Santo António ficaram muito tristes, principalmente a Família do Sacristão, mas todos achavam que era o melhor para ele! 
O Pedro brincava com os, agora irmãos, já adolescentes, para os quais, rapidamente se tornou a sua perdição, por isso vivia muito feliz e com muito aconchego!

Os anos foram passando, o Pedro recebeu uma boa educação, estudou num Colégio em Estremoz e, sempre que lhe perguntavam que profissão queria ter, respondia: "Militar de cavalaria” e, antes dos vinte anos já estava alistado no  Regimento do Reino, em cavalaria, como era o seu sonho! O Pedro aplicou-se de corpo e alma, esteve em muitas praças, prestando serviços relevantes ao reino e, aos trinta e seis anos já era capitão de cavalos na praça de Estremoz!
Ainda na sua infância, o Juiz e sua mulher contaram ao Pedro, a história da sua aparição à porta do Sacristão, assim, ele conhecia bem o seu passado, mas nunca se conformou não saber quem era a sua mãe biológica e, porque motivo ela o abandonou! 
O Pedro adorava Capelins, ia muitas vezes ao Monte do Meio, visitar o padrinho, o ti Domingos Ramos e família, onde era muito bem recebido e ficava alguns dias com eles, nunca falava do seu passado, mas sentia-se muito bem em Capelins, tinha a sensação que era ali que pertencia e que a sua mãe não estaria longe e por vezes o observava!
O Pedro casou com uma rapariga da Villa de Terena, filha do Capitão Mor das Ordenanças que, era de Estremoz, também, por isso, continuou sempre muito ligado a esta Villa, onde tinha residência e, com a família, iam passar os dias de licença concedidos pelo Regimento! 
A gratidão do Pedro às pessoas que o acolheram na fria madrugada do mês de Março de 1836 e, ao lugar, era imensa, então, como sabia a data em que se realizavam as Festas de Santo António, foi falar com o Padre Manoel Maria Fernandes e pediu-lhe autorização para fazer guarda de honra a cavalo, a Santo António no dia da Procissão, 3 de Setembro de 1870! Assim, nesse dia, apresentou-se com a farda de gala do Regimento, montando um lindo cavalo branco em companhia de um sargento e dois praças e, quando a Procissão saiu da Igreja, os quatro cavaleiros, dois a dois, colocaram-se ao lado do andor de Santo António, acompanhando a Procissão, apresentando um cenário indescritível, logo à frente quatro homens de saiotes e mitras na cabeça com tufos de fitas e guitarras nas mãos, dançavam freneticamente em frente ao andor, seguindo sempre de recuas sem nunca virarem as costas ao andor, um quadro que emocionou os paroquianos que estavam presente e, eram muitos! 
A Procissão, durou quase três horas, fez o percurso habitual entre os cruzeiros das seis Irmandades, depois de Santo António entrar na sua Igreja, o Capitão Pedro Gonzaga foi cumprimentar o Padre Manoel Fernandes e, as pessoas uma por uma, como se fossem todas da sua família, demorou-se algum tempo pelo recinto da Festa, falando com toda a gente e, já de noite, regressaram à Villa de Terena com o sentimento do dever cumprido!
O seu abandono à porta do Sacristão, foi um segredo tão bem guardado que, nunca se soube quem era a sua mãe, uns diziam que era uma, outros diziam que era outra, outros diziam que ele sabia quem era, mas na verdade, o Pedro era filho de pais incógnitos! 
Durante muitos anos, o Capitão Pedro Gonzaga, continuou a visitar Capelins, também, porque, sentia que estava ali a sua verdadeira Família, as suas raízes, a sua identidade, como ele dizia e, porque foi padrinho de batismos de muitas crianças e de matrimónios, de todos os que o convidavam em Santo António de Capelins de onde era natural.

Fim

Igreja de Santo António de Capelins



domingo, 4 de março de 2018

402 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins -

Montejuntos

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda do peruneiro do Monte do Roncão e, a rocha do 

medo no Carrão

Antes de 1800, já se faziam grandes bailes nos Montes das herdades e, nas Aldeias das terras de Capelins, muitas vezes, nem existia toque de harmónio, ou da gaita de beços, bastava alguém cantar e, todos dançavam! Os bailes nas Aldeias realizavam-se nas casas de habitação de quem os organizava e, era nesses lugares que, os rapazes e raparigas em idade casadoira, destas terras e dos arredores se conheciam e, surgiam namoros que, quase sempre davam em casamento, por isso, todos sonhavam com esses bailes, também, porque, havia poucos divertimentos por aqui e, mesmo estes, nem todos tinham o privilégio de frequentar, devido às durezas das vidas nesse tempo!
A Aldeia de Montes Juntos em 1830, já estava muito povoada, com pessoas de variadas regiões de Portugal e da raia da vizinha Espanha que trouxeram hábitos, usos e costumes, culturas diferentes que, aqui se fundiram, assim, os bailes eram uma forma de convívio entre estas gentes!
No final do mês de Outubro de 1830, foi anunciada a realização de um baile em Montes Juntos na casa da Ti Maria Rufina, que tinha cinco filhas e um filho, abrilhantado por dois tocadores de harmónio, uma grande novidade, a notícia depressa se espalhou e, não se falava noutra coisa por estas bandas, todos ficavam entusiasmados e diziam que não faltavam, até o Zé peruneiro do Monte do Roncão, um rapaz natural de Santiago Maior que, ainda muito pequeno, veio pela mão do tio, ganadeiro nesta herdade! O Zé, durante muitos anos foi guardador de perus, por isso, ficou com aquele apelido! Era um rapaz muito reservado, de pouca conversa, vivia triste e, nunca tinha ido a um baile daquele nível, mas agora, sentia um apelo para não faltar a esse!  Chegou o dia e, o Zé peruneiro lá foi com um grupo de rapazes que trabalhavam nesta herdade, quando chegaram a Montes Juntos, o baile ainda não tinha começado, mas foram logo entrando para ficarem num bom lugar! A casa da ti Rufina, depressa se encheu, começou o toque e a dança! O Zé peruneiro, ficou pasmado, nem fechava a boca, para ele, era tudo uma grande admiração! O baile estava cada vez mais animado e, o Zé reparou numa rapariga, talvez da sua idade, andava pelos dezoito anos, que lhe encheu instantaneamente o coração, era muito bonita e, dançava com todos os rapazes, ele imaginou-se a dançar com ela, mas lembrou-se que não sabia dançar e ficou quieto, continuando de boca aberta! Durante toda a noite, o Zé não tirou os olhos da rapariga, estava enfeitiçado, mas ela nem reparou nele! Alguns companheiros davam-lhe cotoveladas e diziam-lhe para fechar a boca, mas ele não os ouvia! O tempo passou muito depressa, o baile já estava no fim e, os outros chamaram-no, chamaram-no, para se irem embora, mas  ele não ligava, por fim, um deles, deu-lhe um abanão e ele percebeu-se que estava na hora da partida, mas disse-lhe para irem andando, ele logo os apanhava ali pelo Salgueiro e, continuou com os olhos postos na rapariga! As pessoas estavam a sair do baile e deram-lhe um encontrão que o desequilibrou e, quando se endireitou, procurou a rapariga com os olhos, mas como por magia, ela já lá não estava, ainda correu na direção onde a tinha acabado de ver, mas nada, saiu a correr para a rua e nada, ficou algum tempo na esperança de ela por ali passar, mas nada! Teve de seguir sozinho pela Rua da Faceira, Salgueiro, Arrabaça, Carrão, sempre com a imagem da rapariga na cabeça, nem reparava por onde ia, quando chegou à rocha do medo, estava um fraco luar, lembrou-se do medo, olhou para a dita rocha e ficou aterrorizado ao ver a rapariga lá sentada olhando para ele! O Zé, sentiu as pernas a fraquejar, passou imediatamente para o lado esquerdo da estrada, ainda pensou em voltar para trás,  mas tinha de seguir em frente e, ao olhar de soslaio teve a certeza que ela o seguia com o olhar, a rapariga não disse nada e, ele também não, mas assim que passou a rocha, começou  a correr o mais que podia e só parou esbaforido quando chegou à choça onde dormia!
No dia seguinte, toda a gente falava do baile, os que tinham ido contavam aos que não puderam estar presente o que lá se tinha passado e, um dos temas era sobre a figura que o peruneiro tinha feito e, contavam que estava perdido de amores por uma magana que lá estava e nem tinha fechado a boca a noite toda, por isso, começaram logo a mangar com ele, mas o Zé peruneiro não ligava, só pensava naquela linda rapariga, mas andava ainda mais atormentado porque não entendia o que fazia ela sentada na rocha do medo! A partir daquele dia, o Zé ficou melancólico e pouco falava, o que deu ainda mais falatório e chacota na herdade do Roncão! Uns diziam que andava de cabeça perdida pela perua do baile! Outros diziam que, depois do baile tinha ficado maluquinho! E, muitos outros comentários de troça!
Os bailes em Montes Juntos continuaram e, o Zé nunca mais faltou a nenhum, na esperança de encontrar a sua amada, mas nada! Foi passando o tempo e, cerca de um ano depois, já sem esperança de a encontrar, um dia, andava com as ovelhas junto à foz do Ribeiro do Carrão, foi descendo a Ribeira de Lucefécit e, ao aproximar-se do Moinho do Roncão deu de caras com a rapariga sentada à porta de casa, a costurar! O Zé ficou sem palavras, tirou o chapéu, acenou em cumprimento e afastou-se apressadamente, mas no dia seguinte voltou cedo, na esperança de a ver e, lá estava ela, seguiram-se outros dias, até que, ela começou a perceber que o Zé andava ali por ela!  O Zé dava nas vistas e começou o falatório e outras raparigas da herdade encarregaram-se de ajudar o Zé, como a Maria Anna, assim se chamava a rapariga, não namorava, começaram por lhe contar que ele tinha andado perdido por ela, depois do baile na casa da ti Maria Rufina em Montes Juntos e que ele era muito bom rapaz, muito trabalhador e seria muito bom para ela! A Maria foi-se convencendo e começou a pensar nele e, não demorou, começaram a falar de coisa vulgares, mas a atração mútua foi aumentando dia a dia, o Zé ganhou coragem depois de passar muitos dias e noites a treinar e, declarou-se à Maria, disse-lhe que gostava muito dela desde o momento em que a viu no dito baile, mas não percebia porque estava ela sentada na rocha do medo naquela mesma noite!  A Maria disse-lhe que nunca podia ser ela, porque, quando acabou o baile tinha ido logo com os pais e as irmãs para casa em Cabeça de Carneiro, por isso, só podia ser ilusão na cabeça dele, ou então, era outra rapariga parecida com ela! O Zé, não ficou muito convencido, mas o assunto ficou por ali, como já se conheciam e falavam, ele perguntou-lhe se aceitava namoro e, ela disse-lhe logo que sim, mas ele tinha de pedir ao pai dela, porque não podiam continuar a falar! O Zé, foi logo com o tio, a pedir a a filha do Moleiro que, depois de uma demorada conversa, autorizou que namorassem à pequenina janela da casa do Moinho, um bocadinho nos domingos à tarde e, mais nada de conversas por ali! O Zé e a Maria Anna namoraram mais de um ano, depois, marcaram o casamento que se realizou na Igreja de Santo António e, como ele era ganadeiro na herdade do Roncão, alargaram a choça e assentaram por ali, tiveram cinco filhos e, ainda hoje, existem seus descendentes nas terras de Capelins.
Ao longo da sua vida, o Zé peruneiro passou noites sem conta ao lado da rocha do medo e, nunca mais viu nada! Com o passar dos anos acabou por se convencer que, não tinha passado de uma ilusão.
Fim 

Rocha do medo



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