segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

399 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins 

Montejuntos

A lenda da taberneira de Capelins de Baixo, que 

batizava o vinho

De entre as tabernas das terras de Capelins, existia a taberna da ti Maria das Candeias em Capelins de Baixo, herança dos seus pais que sempre dela se governaram, porém  a ti Maria, levada pela ganância, a pensar em ganhar mais, começou a batizar o vinho, ou seja, a misturar água! No princípio adicionava pequenas quantidades que poucos fregueses conseguiam notar, mas ao ver que era um bom negócio, vender água do seu poço ao preçodo vinho, aos poucos foi aumentando a quantidade, ao ponto da maioria dos clientes notarem e de a chamarem à atenção! A ti Maria negava sempre, desafiava-os a provarem que era ela quem adulterava o vinho, fazia grande escândalo e dizia que eles não percebiam nada de vinho ou que o vinho estava aberto porque o ano tinha sido muito chuvoso e a uva tinha apanhado muita água! Alguns, ainda a enfrentavam dizendo que o vinho das outras taberneiras vinha do mesmo sítio onde tinha chovido muito e não era aguado! A ti Maria zangava-se e enxotava-os para a rua com uma vassoura, mas como era muito brejeira e sabia cativar os homens, não demorava nada e já lá estavam a beber vinho com água e novamente a reclamar! O ti Manoel António que era sapateiro umas portas acima, também gostava de lá ir beber um copinho e a olhar para a ti Maria, mas todos os dias a chamava a atenção:
Ti Manoel: Oh Maria, isto não é nada, o vinho está aguado, isto é água com umas gotas de vinho! Um dia sais-te mal!
Ti Maria: Antes de me acusares de uma coisa dessas, tens de provar que eu meto água no vinho! Senão deixa-te estar calado!
Ti Manoel: Olha que eu um dia vou provar e sabes que vais perder muito com isso! Vai ser uma vergonha!
Ti Maria: Então prova! Já que és tão esperto, prova!
O ti Manoel sapateiro dava voltas à cabeça, na tentativa de encontrar uma maneira de desmascarar a ti Maria, todos sabiam que ela metia água no vinho, mas ela negava e ninguém tinha provas do contrário! O ti Manoel entrava na taberna e olhava para todos os pormenores na esperança de encontrar alguma ajuda, colocava-se no topo do balcão de onde podia ver as manobras da ti Maria, assim como os objetos que estavam atrás do mesmo e verificou que ela tinha uma cantarinha de barro mesmo ao lado dos jarros do vinho de onde enchia os copos, logo pensou que era ali que estava a água que ela adicionava ao vinho! O ti Manoel queria apanhar a ti Maria e quando estava na taberna, disfarçadamente, não tirava os olhos da “cantarinha de barro” até que, teve a certeza que era dela que saía a água para o vinho, mas como o podia provar? Passou, muitas horas sem dormir, até que se lembrou como o fazer, só precisava de uma oportunidade para chegar à cantarinha sem ser visto! Observou qual a melhor hora do dia para ir à taberna sem outros clientes à vista e que a ti Maria lhe aviasse o copo de vinho e fosse lá para dentro fazer alguma coisa que a prendesse alguns minutos, foi estudando o caso e viu que a melhor hora era antes do jantar (almoço), quase nunca aparecia ninguém e a ti Maria ia dar volta e temperar as sopas! Assim, um dia encheu os bolsos de sal e foi á taberna, ocupou o mesmo lugar no balcão e pediu um copo de vinho, a ti Maria encheu o copo e como estava só ele a beber o vinho muito devagar, ela viu que era para demorar e disse-lhe: Olha Manoel deixa-te estar que eu vou temperar as sopas não me demoro nada! Oh Maria, vai lá com vagar que eu fico aqui até voltares, disse o ti Manoel! Logo que a ti Maria virou costas o ti Manoel correu à cantarinha e despejou para lá o sal, abanou-a e meteu lá dentro uma pequena tábua para desfazer o sal, limpou tudo bem e foi para o mesmo sítio, a ti maria voltou ele pagou e foi-se embora doido de contente! À noitinha o ti Manoel e outros fregueses chegaram à taberna, mandaram encher os copos e começaram a beber, mas logo a fazer caretas e a dizerem: Mas que raio tem o vinho? Isto não é vinho, é veneno, ela quer matar-nos, isto é sal, já não bastava a água, agora meteu sal no vinho, vamos chamar a Guarda que ela é presa! Armou-se grande confusão, até que a ti Maria já em grande pranto e vendo o caso muito sério, confessou que metia água no vinho, mas jurou por tudo que o sal não tinha sido ela, para não chamarem a Guarda, ela ia já buscar outro vinho e, nem pagavam e mais isto e mais aquilo! Começaram a beber um bom vinho, à conta da ti Maria e, tudo ficou por ali!
Ficou provado que a ti Maria das Candeias batizava o vinho e, a sua ganância levou-a longe de mais! A partir daquele dia passou a ser alvo de chacota por quase todos os fregueses e tinha de ficar calada, porque estava provada a fraude! Um dia ainda disse ao sapateiro: “Malandro, foste tu, que puseste o sal no vinho, o sapateiro negou e só lhe disse: “Então prova”!
A ti Maria começou a vender o vinho puro, como o comprava, mas ouvia sempre a gracinha: “Será que não está batizado?”
É caso para dizer: “A mulher/homem cobre e Deus descobre”.

Fim  



domingo, 11 de fevereiro de 2018

398 - Terras de Capelins 
História da vida de gentes de Capelins 
Quando alguns capelinenses com o mesmo apelido de outros, pensam, nada ter a ver uma família com a outra, concluímos que são muito raros os que têm razão! De verdade a separação das famílias pode ter-se dado há 4/5/6 gerações e obviamente, já se perderam os laços familiares! Também acontece, saber que um determinado familiar veio de uma localidade diferente da primitiva origem dessa família, mas não podemos esquecer que cada casal tinha 6/8/10 e mais filhos e alguns casavam em Terena, Santiago Maior, Rosário, ou noutra terras e anos mais tarde os seus descendentes voltavam às terras de Capelins, tinham o mesmo apelido dos que já cá estavam e, possivelmente nem se apercebiam que a sua origem era a mesma!

Veja-se como a Família Rocha (inicialmente Roxa) se implementou em Ferreira de Capelins, Montejuntos, Cabeça de Carneiro, Santiago Maior e outras localidades! 
Em 26 de Abril de 1738 nasceu António da Rocha, em São Pedro do Corval, filho de Domingos Antunes e de Natália Marques, que pensamos terem nascido entre 1710/15 com ligação a Santo António do Baldio (brevemente vamos continuar o ramo)! 
António da Rocha casou com Antónia Maria, também de São Pedro do Corval e foram residir para Santiago Maior (Aldeia da Venda) e, logo aí começaram a nascer os filhos/as, encontramos 2/3 mas devem ser mais! Poucos anos depois já se encontram a residir na Freguesia de Capelins, onde continuaram a nascer filhos/as, 1 filho/a em cada 2/3 anos! Assim, uns filhos eram naturais de S. Tiago de Terena e outros de Santo António de Terena (Capelins)! Os filhos/as de António da Rocha e de Antónia Maria começaram a casar muito antes de 1800, (veja-se as gerações que daí vêem), com filhos/as de outras famílias, por exemplo a Izabel Maria Rocha que nasceu em Santiago Maior em 5 de Janeiro de 1770 casou com Francisco Jozé Valente (Família Valente), mas como nesse tempo, geralmente era o apelido da mãe que passava para os filhos/as, logo todos os seus filhos/as ficaram com o apelido Rocha, como o Francisco José Rocha, cujos descendentes não deixaram mais esse apelido! 
É fácil imaginar como foi a multiplicação dos apelidos, neste caso, em cerca de 300 anos, uma vez que, os pais de António da Rocha nasceram há mais de 300 anos! 
Neste contexto, António da Rocha de São Pedro do Corval foi o povoador da família Rocha, por todas as localidades já referidas e decerto muitas outras. 
(Continuamos a seguir este ramo)

A Família Rocha vem de São Pedro do Corval para Capelins na década de 1770, via Santiago Maior! 


sábado, 10 de fevereiro de 2018


397 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

A Família Capelinense

É verdade, somos todos família, desde Santiago Maior, Monsaraz, S. Pedro do Corval, Capelins, Rosário, quase todos os capelinenses daí descendemos! Também sou Moreira, vindo do Clemente Antunes Moreira (nascido em 1735) em Vila Viçosa e de Francisca Bernarda, de Assumar - Monforte! Já investiguei a origem de quase todas as famílias capelinenses desde antes de 1600 e, vieram de diversos lugares de Portugal e de Espanha, o povoamento destas terras feito a partir de 1314 foi à custa de refugiados na Vila Defesa de Ferreira, que se fixaram no Lugar de Ferreira junto à atual Ermida de Nossa Senhora das Neves e, já em alguns Montes, depois de 1500 vieram os Cristãos novos de origem judaica! A partir de 1700 já com a Casa do Infantado (desde 1698) chegaram muitos povoadores através da transumância, da Serra da Estrela - Seia - Guarda e por cá ficaram, dos quais, também sabemos quem são as respetivas famílias! Após a extinção da Casa do Infantado, que detinha a herdade da Defesa de Ferreira e a herdade da Defesa de Bobadela, senão quase toda a Vila de Ferreira, hoje Freguesia de Capelins, a coroa procedeu à venda destas terras divididas em pequenas herdades e courelas e, vieram novos povoadores das terras mais próximas e de Espanha, com maior concentração na área de Montes Juntos. A riqueza destas terras era a agro pecuária, existindo em simultâneo alguma industria, ainda artesanal, sendo a mais relevante o fabrico de queijos, farinha, carvão, telhas e tijolos. 




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

396 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins -

Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

A lenda do contrabandista de Capelins que, enganou os 

Guardas Barreiras

Nas terras de Capelins existiu sempre a atividade de contrabando desde a fixação da fronteira com a vizinha Espanha, por isso, foi aqui colocado um grupo de segurança da fronteira, os Guardas Barreiras, que antecederam a Guarda Fiscal criada em 17 de Setembro de 1885, porém, nunca conseguiram evitar o contrabando, verificando-se muitas vezes o jogo do gato e do rato, com estratégias incríveis na tentativa de se enganarem mutuamente, deixando, assim, em memória muitas peripécias, já lendas, devido aos feitos arriscados, quase heroicos, praticados por homens que trilharam estes caminhos para ganhar a vida!
Esta lenda, é sobre um contrabandista que morava em Capelins de Baixo, chamado António Borralho, que passou quase toda a sua vida a praticar essa atividade, sem nunca ser apanhado e, sem os guardas barreiras conseguirem saber o que ele transportava entre fronteiras!
Nas terras de Capelins, todos sabiam qual era o trabalho do ti António, mas não sabiam que produtos movimentava, porque não viam nada! Os guardas andavam intrigados e pressionados pelo comandante para desvendarem o mistério, o ti António andava debaixo de olho e, sempre a ser fiscalizado, mas nunca encontravam nada ilegal! Quase todos os dias saía de Capelins de Baixo para o rio Guadiana, pescava, ceifava junco ou junça, cortava piorno ou gestia, apanhava lenha, comprava farinha aos moleiros que legalizava sempre e voltava! No caminho lá estavam os guardas barreiras, davam volta a tudo e não encontravam nada! Isto passou-se durante vários anos até que o ti António, já idoso deixou o contrabando, mas ficou cheio de dinheiro, comprou seis courelas para os filhos, uma para cada um e, ainda ficou com grande folga económica!
Um dia, estava sentado ao sol em companhia de um seu compadre já aposentado da guarda barreiras, o ti Manoel António e, em conversa, este perguntou-lhe:
Ti Manoel: Oh compadre António, como é que tu com uma vida tão fraca que aí tinhas, conseguiste comprar seis courelas?
Ti António: Qual vida? Não estou a perceber!
Ti Manoel: A vida que tu tinhas, compravas e vendias uma cabra ou outra, alguma farinha, junça e buinho, como é que isso deu para tanto?
Ti António: Mas quem te disse, que eu comprei as courelas com o dinheiro que ganhei nisso? Isso era para disfarçar!
Ti Manoel: Para disfarçar? Não me digas que foi com o contrabando, como por aí dizem! Podes contar-me, porque eu já não quero saber nada disso!
Ti António: Foi com o contrabando, foi!
Ti Manoel: Olha que custa-me acreditar, mas se tu dizes, é porque é verdade! Então, e como é que nos enganaste estes anos todos? Como sabes, estivemos sempre com o olho em ti e nunca conseguimos apanhar-te! O que era o contrabando?
Ti António: Para te falar a verdade nunca transportei nada, o meu contrabando transportava-se a ele próprio!
Ti Manoel: Eh compadre, assim não percebo nada! Como é que o seu contrabando se transportava a ele próprio? E como é que nós não o víamos?
Ti António: Oh compadre, vocês viam-no e bem visto, mexiam-lhe e depois mandavam-me embora!
Ti Manoel: Nessa não acredito! Estás a brincar comigo?
Ti António: Não estou a brincar, não! Já te conto, e logo vês se não é verdade!
Ti Manoel: Então, conta lá! Uma coisa dessas tem muito que contar!
Ti António: Oh compadre, o meu contrabando foi sempre de burros, havia muita procura em Espanha, todos os que eu levasse não chegavam para as encomendas, muitas vezes ganhava o dobro do que pagava na compra!  
Ti Manoel: Essa está boa! Como é que fazias isso e nós não dávamos por nada?
Ti António: Trazia os burros, um ou dois, durante a noite, de Vila Viçosa onde tinha o fornecedor, ali para ao cabanão, onde não entrava ninguém e depois daqui até à fronteira levava só um, atado ao meu e umas vezes deixava-o logo lá, ou se desconfiava que vocês estava a seguir-me trazia-o para trás com farinha legalizada ou outras coisas lá do rio, mas a seguir voltava logo e deixava lá o burro, como tinha muita papelada no posto onde umas vezes dizia que era um burro, outras vezes dois, dava para os baralhar, nunca me perguntaram quantos burros estavam nos papéis porque vocês só pensavam em mercadorias e nem queriam saber de mais nada!
Ti Manoel: Sim senhor, compadre, bem enganados! É verdade, que pensámos sempre que trazias ou levavas mercadorias, nem reparávamos nos burros!
Ti António: Foi assim a minha vida compadre, arranjei muito dinheirinho, mas sofri muito e, nem imaginas o que passei e pensei para os enganar e chegar onde cheguei!

É caso para dizer: Ás vezes, o que está à vista, é o mais difícil de ver!

Fim 



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

395 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins -

Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda da ti Margarida e da rocha do medo, no Carrão

Desde sempre, ouviram-se lendas sobre medos que apareciam nas terras de Capelins! Este caso, passou-se com a ti Margarida de Jesus junto à rocha do medo, que se situa no caminho entre Montejuntos e o Monte do Roncão, ou seja, no Carrão antes do Ribeiro desse nome! Nesse tempo, passavam por aqui muitas pessoas, de noite e de dia, a caminho dos diversos Montes das herdades da região e do rio Guadiana e, parece que aconteceram muitos casos semelhantes ao da ti Margarida, mulher que era do ti Manoel Guerra, moleiro no Moinho das Azenhas D’ El-Rei, com casa em Capelins de Baixo!
A ti Margarida passava grande parte do ano em companhia do marido e dos filhos no dito Moinho, mas como tinham os pais na Aldeia e já não andavam bem, sempre que podia, levava alguma farinha à cabeça para deixar à mãe e, depois de fazer a ceia e cear (jantar), depois de tudo arrumado, partia para dormi lá e fazer-lhe companhia, mas quando saía dali já era noite dentro, porque o ti Manoel nunca tinha pressa em cear! Uma noite, a ti Margarida, para chegar mais depressa, subiu o alto das Azenhas D´El-Rei, pela Fonte da Lesma, depois por um caminho ao lado Ribeiro e virou para o Carrão para seguir pelas Bispas, Calados e Capelins de Baixo! A ti Margarida, poucas vezes fazia esse percurso, mas naquela noite deu-lhe para ir por ali, porque não se lembrou que tinha de passar junto à rocha do medo, mas também não tinha medo de nada, porque fazia-se acompanhar de um rosário que levava sempre nas  mãos e passava grande parte da viagem a rezar o terço, porém, quando passava junto à dita rocha, sem perceber o que se passou, deixou cair o rosário das mãos, como levava a farinha à cabeça era difícil baixar-se, mas teve de ser e, na escuridão começou a apalpar o chão para o apanhar, mas não o encontrava, estava naquela azáfama quando ouviu uma voz rouca, parecia vir das profundezas dizer: “ Baixa mais a mão que o apanhas”! A ti Margarida mesmo sem ver, devido ao susto, arremessou a mão pelo chão e ficou com o rosário na mão, começou a correr pela chapada do Carrão, até não poder mais, já muito cansada chegou às Bispas e, continuou o resto do caminho a passo, quando deu por si, já estava em Capelins de Baixo!  Descansou um pouco, e contou logo aos pais e aos vizinhos o que se tinha passado, mas ninguém acreditou nela, muito menos que a vós fosse da própria rocha! Agora as rochas já falam! Exclamou o pai! Uns diziam que tinha sido alguém que estava por ali e viu onde caiu o rosário! Outros, diziam que tinha sido tudo maquinado na cabeça da ti Margarida, a qual, estava já tão confusa que não tinha a certeza de nada, mas naquela noite pouco dormiu a pensar no caso! No dia seguinte, voltou ao Moinho das Azenhas D’ El-Rei, mas já não foi por aquele caminho! Quando chegou, contou a sua versão ao marido, mas ele não acreditou nela e ainda a enxovalhou dizendo que era tudo da cabeça dela e que tivesse juízo! A ti Margarida teve de ficar calada, porque já nem sabia se teria sonhado com o sucedido mas, por sim, por não, nunca mais passou, nem de noite nem de dia, junto à rocha do medo no Carrão.

Fim    


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

394 - Terras de Capelins 

História das terras de Capelins 


A Dª Josefa Maria, viúva do Capitão - Mor dos Ordenanças da Villa de Terena, redigiu este testamento com 9 folhas, em 16 de Agosto de 1745, o qual, está no Arquivo Distrital de Portalegre! O mesmo, despertou-nos a atenção, não só por se referir à Villa de Terena, o nosso Concelho até 1836, mas também, por contemplar pessoas do Sítio de Calados e da herdade da Ramalha em Capelins!
Quem são os contemplados com alguma coisa, da herança da Dª Josefa Maria, em Calados e na Ramalha? Seria algum Quinchoso? (Só lendo o testamento)!
Temos de pesquisar quem, com estes nomes, que estão no testamento, residia nestes lugares em 1745! 
Esperamos saber muito brevemente!



TRESLADO DO TESTAMENTO COM QUE FALECEU JOSEFA MARIA MORADORA QUE FOI DA VILA DE TERENA VIÚVA QUE FICOU DE JOÃO CHARRUA FRADE CAPITÃO-MOR QUE FOI DA MESMA VILA
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADPTG/PCELV/4/11/36
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1750-02-27 A data é certa a 1750-02-27 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
9 f.
EXTENSÕES
9 Folhas
ÂMBITO E CONTEÚDO
Terena, Redondo, Alandroal, Cheles [Espanha], Vale de Susana, Monte do Outeiro, Sítio dos Calados, Herdade da Ramalha. Padre Inácio Mendes Frade, Luzia Sengo, Manuel Sengo Varela, Maria Borralho, padre Manuel Dias Bota, José Dias, Manuel Dias Caeiro, Inês Dias, José Velada, Josefa Velada, José Caeiro Sardo, Manuel Cordeiro, Manuel Dias Fidalgo. Treslado do original datado de 26 de Agosto de 1745.
CONDIÇÕES DE ACESSO
Comunicável
COTA ATUAL
Cx.16
COTA ANTIGA
Tb. 20, f. 147 r.
IDIOMA E ESCRITA
por
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Bom
DATA DE CRIAÇÃO
25-07-2008 0:00:00
ÚLTIMA MODIFICAÇÃO
27-01-2012 11:13:46


Castelo de Terena


domingo, 28 de janeiro de 2018

393 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins 

- Montejuntos

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda da iniciação do Zé Miguel nas tabernas de 

Capelins

As tabernas de Capelins eram lugares de cultura, onde se reuniam, nas tardes de Domingo, os mais ou menos iluminados, os mais ou menos apreciadores de vinho e aguardente ou, os amantes das duas situações! Era nas tabernas entre uns copinhos de vinho e aguardente que se sabiam as novidades do Reino de Portugal, os devaneios da Corte e, cada um que tinha engenho e arte apresentava os seus versos e cantigas que tinha pensado ao longo da semana anterior, como também, se ouviam e aplaudiam cantigas repentinas ao despique que algumas vezes acabavam em socos e pontapés, sem grandes consequências! Do elenco faziam parte cantores ouvintes atentos que decoravam tudo, encarregando-se de as difundir pelas terras de Capelins e arredores durante a semana seguinte!
Em Ferreira de Capelins, herdeira de Capelins de Baixo e Capelins de Cima, existiram sempre muitas tabernas, umas mais antigas, outras mais famosa, para todos os gostos, embora vendessem todas os mesmos produtos. No caso, da lenda que passamos a descrever, a mesma, envolve um rapaz chamado Zé Miguel que morava no Monte do Roncão e, duas tabernas de Capelins de Cima!
Antigamente, os povoadores das terras de Capelins moravam na sua maioria nos Montes das respetivas herdades onde trabalhavam, fosse na agricultura em geral, guardadores e tratadores do gado, ovelhas, vacas, porcos, cabras, perus e outros, envolvendo dezenas ou centenas de trabalhadores, que viviam em pequenas casas, choças, cabanões, malhadas e cabanas, com toda a família! Era esse o caso do Zé Miguel que estava quase a fazer 18 anos e já andava nos trabalhos agrícolas com os “homens”, logo, também já tinha direito a participar nas conversas entre eles, mas existia um problema, a maioria dessas conversas eram sobre o que se tinha passado nas tabernas de Capelins e, como o Zé Miguel ainda não tinha permissão dos pais para as frequentar, ficava sempre de parte o que lhe causava grande constrangimento! Assim, começou a pensar que essa situação não podia continuar! Então, se acompanhava os homens no trabalho, também estava no tempo de os acompanhar nas tabernas, nos Domingos à tarde e, naquela mesma semana, com muita serenidade, apresentou a sua sugestão aos pais!
Zé Miguel: Pai, eu gostava de ir às tabernas com os homens, com os meus irmãos, no Domingo à tarde, porque eles passam a semana a falar das novidades, a dizer versos e a cantar as cantigas que lá ouvem e eu como não sei nada disso, fico sempre calado fazendo figura de parvo!
Pai: Mau, Zé Miguel! Não achas que és muito novo para te ires a meter em tabernas? Deixa lá passar mais algum tempo, tu ainda nem tens 18 anos, e lá nas tabernas há muitas coisas que ainda não são para a tua idade!
Zé: Oh pai, deixe-me lá, vou com os meus irmãos, não me vou perder! Eu gostava tanto de ouvir os cantadores!
Mãe: Deixa lá ir o rapaz! Então se vai com os irmãos que mal há nisso? Não anda já a trabalhar como os outros?
Pai: Este Domingo ainda não vais! Não prometo, mas talvez para o outro possas ir, e acabou a conversa!
O Zé Miguel, não ficou nada contente com a decisão do pai, mas o respeito era muito e restou-lhe a esperança de já poder ir às tabernas no outro Domingo! Foi isso que aconteceu, no sábado o pai disse-lhe que o deixava ir com os irmãos, mas não era para se meter na bebida, porque embora não levasse dinheiro, não podia beber nada que outros lhe pagassem, nem os próprios irmãos e, ficou bem assente, senão nunca mais lá punha os pés! No Domingo à tarde, lá foi o Zé Miguel com um grupo de homens para as tabernas mais famosas de Capelins, a do ti Cucha e a do ti Limpas! O “batismo” do Zé Miguel nas tabernas, deu muito falatório no Monte do Roncão! Uns diziam: Já está um homem! Ainda ontem aí andava de ranho pendurado! Como o tempo passa, já o Zé Miguel anda nas tabernas! E ouviam-se outros comentários semelhantes!
O Zé Miguel passou a tarde de Domingo nas ditas tabernas em Capelins de Cima e, à noitinha voltou ao Monte do Roncão, passou o resto da noite muito calado, os pais estranharam e ainda lhe perguntaram se não tinha gostado! Ele respondeu secamente que sim, foi bonito e não passou disso!
Na segunda feira, as pessoas que se cruzavam com ele, faziam-lhe perguntas sobre as novidades, que cantigas sabia e, se tinha gostado! O Zé Miguel, dizia que sim, mas que não se lembrava de nenhuma cantiga, tinha ouvido poucas e desviava a conversa, levando algumas pessoas a desconfiar que alguma coisa não tinha corrido bem, começaram a interroga-lo cada vez mais, mas ele não adiantava nada, porque, tinha sido uma coisa tão desejada, como poderia dizer que não gostou? A pressão era muita, mesmo dos pais e irmãos, até que foi obrigado a dizer a verdade!
Estava um grupo de homens e mulheres na rua do Monte do Roncão, ele ia passando e perguntaram-lhe: Então, Zé Miguel, Domingo vais outra vez às tabernas?
Zé Miguel: Não vou, não, também não posso ir sempre!
Grupo: Espera lá, Zé Miguel, mas tu pensas que nos enganas? Nós já sabemos que não gostaste de ir, conta-nos lá o que se passou!
Zé Miguel: Não se passou nada de mal, só que não era bem aquilo que eu pensava!
Grupo: Então, o que pensavas? Uma taberna é uma taberna!
Zé Miguel: Sim, eu sei! Mas digam lá como é que eu havia de gostar? Olhem que eu passei uma tarde inteira a andar para cima do Limpas, para baixo do Cucha, para cima do Limpas, para baixo do Cucha! Já lá não me apanham!

Consta que, o Zé Miguel ficou tão traumatizado, que só voltou a entrar numa taberna, muitos anos mais tarde. 

É de salientar que, a taberna dos pais do ti Limpas ficava lá em cima e, a taberna do ti Cucha cá em baixo ao lado do Monte Grande, o Zé Miguel atrás do seu grupo, andaram a tarde toda, para baixo e para cima, de uma para a outra, como a maioria dos homens faziam, bebendo um copo de vinho, ora numa, ora noutra.


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