domingo, 26 de novembro de 2017

368 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A lenda do Manoel da ti Rosa e, a Sua Fé na Benzedura do Sol
O Manoel da ti Rosa que, morava em Capelins de Baixo, era jornaleiro na herdade da Zorra, cumprindo o horário de trabalho de sol a sol! A jorna incluía a comida, pelo que, depois da ceia já não compensava ir dormir a casa, assim, só lá voltava nos domingos à tarde para fazer a mudança da roupa e, entregar o dinheiro que ganhava à sua mãe! 
Quando o sol aqueceu, no mês de Junho, o Manoel  começou a queixar-se de dores de cabeça! Os companheiros mais velhos e experientes, diziam-lhe que tinha sol dentro da cabeça e, precisava de ser benzido para ele sair, mas o Manoel não acreditava nisso! Como é que o sol lhe entrava para dentro da cabeça? As dores continuavam e, sempre que se queixava, ouvia o mesmo comentário: Tens que ser benzido do sol e vais ver que as dores de cabeça acabam, diziam os companheiros! 
O Manoel não se encontrava melhor e, no domingo seguinte ao chegar a Capelins de Baixo, contou à mãe que andava com dores de cabeça e os companheiros diziam-lhe que era o sol que estava lá dentro e tinha de ser benzido para sair, mas eu não acredito nisso! A ti Rosa que recorria às benzeduras da sua comadre Maria Gertrudes para tratar todos os males, ficou logo alvoraçada com o Manoel, por ainda não lhe ter contado que tinha as dores de cabeça e por não ter fé nas benzeduras! Vamos mesmo agora à da nossa comadre Maria para ela te benzer do sol e acaba-se já essa dor de cabeça! O Manoel ainda fez finca pé dizendo: Oh mãe, vocemecê acredita que o sol me entrou para a cabeça? Acredito, sim, Manoel, o sol está lá dentro da tua cabeça, mas a comadre Maria Gertrudes já o tira, vais ver! Anda daí! 
Chegaram à casa da ti Maria Gertrudes, considerada com muitos poderes nas benzeduras em Capelins e, em poucos minutos o Manoel já tinha uma toalha dobrada em cima da cabeça com um grande copo de vidro quase cheio de água por cima da toalha a fazer muitas bolhinhas, as quais, conforme disseram as  comadres eram o sol a sair de dentro da cabeça do Manoel, era tanto sol que começou a sair ainda antes da ti Maria ter tempo de começar a rezar! 
As orações foram repetidas três vezes e, no fim o Manoel recebeu a garantia de que as dores de cabeça tinham acabado, mas por segurança era melhor voltar no domingo seguinte, porque o sol era tanto, decerto ainda lá estavam alguns restos! 
O Manoel sentiu-se logo melhor, voltou ao seu trabalho na herdade da Zorra e, nunca mais sentiu dor de cabeça! 
No domingo seguinte, o Manoel apesar de estar curado, por exigência de sua mãe, voltou a ser benzido pela ti Maria Gertrudes e, continuou a sair muito sol de dentro da sua cabeça, mas acabou por sair todo! 
A partir daí, o Manoel ficou com muita fé na benzedura do sol!

A ti Maria Gertrudes segurava o copo com a mão esquerda e, com a mão direita fazia cruzes no ar sobre a cabeça do Manoel, enquanto dizia:

Maria perguntou a Jesus
Como o sol se benzeria:
Com uma toalha lavada
E um copo de água fria
Em louvor de São José
E da Virgem Santa Maria
Que esta doença se cure
Nesta hora e neste dia
Padre Nosso... Avé Maria...

A outra versão:

Nossa Senhora pelo mundo andou
o seu querido filho sol apanhou
Ela procurou
com que o curaria? 
com um pano de linho e um copo de água fria! 
Padre Nosso... Ave Maria... 





sábado, 25 de novembro de 2017

367 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
As Orações e Mesinhas Para Todos os Males 
Antigamente, nas terras de Capelins, era muito comum recorrer a rezas e benzeduras para se protegerem a si e aos seus familiares! Entre as rezas contra todos os males, doenças, maus olhados ou quebrantos, pés torcidos, colunas descaídas e outros, mas, também existia/existe uma oração para encontrar objetos perdidos ou roubados que, eram os responsos, entre os quais, o de Santo António, do qual conhecemos pelo menos 4 versões, mas o que importa é a fé, todas as versões têm o mesmo fim!
A palavra "responso" provém do latim e, significa "resposta" ou "procura de resposta"! 

A seguir, relatamos um caso passado nas terras de Capelins, onde um rapaz perdeu um utensílio, nesse tempo muito importante para ele, recorreu a um homem com poderes para responsar, o qual, alguns dias depois, lhe garantiu que o utensílio aparecia, dentro de pouco tempo, quando ele menos esperava e apareceu! 

A Fé do José Luís, de Capelins, pelo Responso de Santo António

O pai do José Luís, como habitualmente, fez um meloal na parte mais baixa da courela do Cebolal, onde semeava umas casas de melão, de melancia e alguns regos de feijão careto (feijão frade). Nesse ano, as plantas estavam muito bonitas, mas precisavam de ser cuidadas, principalmente, muito bem cavadas e, a terra bem desfeita para assentar as ramas e futuros melões e melancias e para manter a fresquidão durante o verão que se aproximava, cujo trabalho, entre outros, como tratar das ovelhas e outros animais da da casa, estava a cargo do José Luís que, já tinha quase 10 anos e, bom corpinho para trabalhar, incluindo cavar o meloal! Assim, numa tarde no início do mês de Junho de 1925, o José Luís nessa tarefa na parte do feijão careto e começou a ouvir trovões, coisa que acontecia quase diariamente nos meses de Maio e início de Junho nesses tempos, continuou o seu trabalho e, a trovoada que vinha do sul, dos lados de Espanha, estava cada vez mais próxima, mas ele não podia ir-se embora e aparecer a casa, a Capelins de Cima, sem uma boa justificação, estava com medo porque a trovada era forte, mas foi ficando até começar a chover, aqui decidiu que estava na hora de fugir para casa, onde já chegaria todo molhado, mas não se importava com isso, depois com o calor do próprio corpo, a pouca roupa, logo enxugava, mas ao mesmo tempo que estava a a fuga, o chão  tremeu debaixo dos seus pés devido a um forte trovão e ele parou imediatamente, apanhou grande susto, depois lembrou-se que os mais velhos lhe diziam-lhe que nunca tivesse contacto com um objeto de metal debaixo se uma trovoada, porque os raios atraiam ao metal e, podia morrer, como tinha o sacho (sachola) com o qual andava a cavar o meloal às costas, arrepiou-se todo, podia ter morrido ali, então já não o foi esconder no lugar habitual, abriu rapidamente um rego no limite da terra que já tinha cavado, como sinal onde o mesm ficava enterrado, depois no dia seguinte ia direitinho a esse lugar e, continuava o trabalho no mesmo lugar onde tinha ficado! A seguir começou a correr sem parar até ao portão do lagar do Monte Grande, onde chegou a escorrer água da cabeça aos pés, abrigou-se ali, durante algum tempo, até a trovoada passar mais e permitr-lhe chegar a casa, devido à grande chuvada já não voltou ao meloal! Nos dias seguintes, todas as tardes, a partir das quatro/cinco horas, continuaram as trovoadas e, o trabalho de cavar o meloal ficou parado mais de oito dias! No dia em que teve de voltar a esse trabalho, chegou ao meloal e reparou que a terra estava toda com o mesmo aspeto, devido às grandes chuvadas não existia qualquer diferença e,  lembrou-se de começar novamente a cavar as casas de melão e melancia, o feijão careto, que ele nem gostava, podia esperar, dirigiu-se ao lugar onde habitualmente escondia o sacho, atrás do poço no meio de uma moita de funcho, mas não havia sinais dele e, pensou logo, foi roubado! Depois de procurar em todos os lugares, em redor não o encontrou, ficou preocupado, porque um dia tinha de prestar contas sobre o seu desaparecimento, podia sempre dizer que tinha ficado no sítio habitual e foi roubado, mas não se livrava do peso na consciência!  sem sacho, teve de voltar a Capelins de Cima   buscar outro, mas não deixava de pensar o que teria acontecido e não lhe veio à ideia o episódio do dia da trovoada! 
Depois de muito pensar, lembrou-se de o mandar responsar, porque ouvia dizer que o ti Manoel da Roza sabia uma oração e se a rezasse antes de se deitar de noite sonhava com o que tinha acontecido ao objeto perdido ou roubado! Como isso não lhe saía da cabeça, dois/três dias depois, espreitou o Ti Manoel da Roza, que era seu tio avô e fez por se encontrar com ele, meteu conversa sem nexo, até lhe perguntar se era verdade que ele sonhava com as coisas que desapareciam? O ti Manoel disse-lhe que sim, era verdade! Então porquê? Perdeste alguma coisa? Perguntou o ti Manoel! O José Luís disse-lhe que sim e contou-lhe sobre o que tinha desaparecido! O ti Manoel disse-lhe que, dentro de dois ou três dias dava-lhe a resposta, onde estava o sacho e se aparecia, ou não! O José Luís todos os dias aparecia à frente do ti Manoel na esperança de já ter a resposta, mas só no fim do tempo prometido ele lhe garantiu que o sacho aparecia e, não demorava muito tempo! O  José Luis ficou muito contente, esperando encontrar o sacho a todo o momento, mas o tempo foi passando, acabando por se esquecer! Um dia, andava a cavar o feijão careto e sentiu o sacho a prender e ao puxar com mais força, ficou com o sacho perdido junto dos seus pés!
A partir daquele dia, ficou com muita fé no responso de Santo António  e, convencido que tudo o que se perdesse ou fosse roubado, ao ser responsado a santo António, decerto aparecia! 



Uma das versões do responso de Santo António 
(Não é a das terras de Capelins)

- Ó Beato Santo António que em Lisboa foste nado,
Em França visitado e em Roma coroado,

Pelo cordãozinho que cingiste, pelo livrinho que rezaste.

Na casa de Santa Paula tuas mãozinhas lavaste.

Peixinhos da água se levantaram
Para ouvirem a tua santa pregação.
- Santo António, p' ra onde vais?
- Eu, Senhor, convosco vou!
- Tu Comigo não irás, tu na Terra ficarás,
Todo vivo guardarás,
Todas as coisas esquecidas “alembrarás”,
Todas as coisas perdidas acharás...
- Em busca, em busca São Silvestre,
Tamanha boca, tamanho sestro:
Se a tiveres fechada não a abrirás,
Se a tiveres aberta não a fecharás.
Tem-te, tem-te Madalena, que mas queiras “alembrar”,
Estas são as Cinco Chagas que por nós têm de passar,
Pequenino pelo grande, para a todos Deus nos Salvar.
- Assim como Santo António livrou seu pai de sete sentenças falsas,
Assim nos livre da má fama, da má companhia,
E nos guarde os nossos animaizinhos e as nossas coisinhas
De noite e de dia.
Padre Nosso... Avé Maria... 




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

366 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A lenda do cavaleiro fantasma em Capelins 
Nos mês de Abril do ano de 1710, tudo decorria serenamente nas terras de Capelins, até ao dia em que, estava o cozinheiro do Monte da Amadoreira, o Ti Manoel Gomes, a encher os tarros (marmitas feitas em cortiça), com as sopas do jantar (almoço) para levarem aos criados que andavam a trabalhar nas terras desta herdade e, entrou um homem alto, vestido de negro, com a cara tapada por um lenço seguro pelo chapéu, pegou em dois tarros  e pediu ao ti Manoel  para meter dois pães e uns queijos dentro de um saco, ao mesmo tempo que lhe mostrava uma grande faca de dois gumes e, lhe fazia sinal para não gritar, senão era o seu fim, fazendo o gesto que o degolava! O ti Manoel, cumpriu as ordens rapidamente e, o homem saiu da cozinha sem ser visto por mais ninguém! Assim que o ladrão se afastou, o ti Manoel começou a gritar por socorro que o tinham roubado, alguns criados e, os lavradores entraram logo na cozinha para saber o que se tinha passado e, logo a seguir correram por todos os lados em volta do Monte, mas não avistaram ninguém! A partir desse dia, surgiu um grande mistério, não só pela ousadia do ladrão, ao fazer o roubo em pleno dia, mas também por ninguém o conseguir avistar, além do cozinheiro! A notícia depressa se espalhou pelas redondezas, causando muitos comentários, cada um dizia a sua opinião sobre o acontecimento, sempre com ironia! Porém, quando o assunto estava quase esquecido, repetiu-se outro roubo tal e qual como tinha acontecido no anterior, mas no Monte do Roncão, onde igualmente, só o cozinheiro deste Monte viu e ouviu o ladrão! Durante três meses todas as semanas se repetia o roubo, variando pelos Montes, da Amadoreira, Roncão, Talaveira, Negra e Zorra! Os lavradores, os filhos, alguns criados, com cães tentavam perseguir o ladrão, que deixava sempre o cavalo escondido nos matos próximos, seguiam-lhe o rasto, mas nunca o conseguiam avistar, entao mandaram chamar o melhor matador de lobos das terras de Capelins, o ti Miguel Afonço, que morava num cabanão no Bolas, convencidos que o ladrão não lhe escapava, fizeram-lhe o ponto da situação e o que tinham feito, onde tinham encontrado o rasto do cavalo e prometeram-lhe o obro que lhe pagavam por cada lobo, 100 reais brancos, se ele o apanhasse, morto ou vivo! O ti Miguel aceitou o trabalho e só disse: "Amanhã já aqui o têm"! Foi imediatamente com os seus cães farejar o rasto do cavalo e seguiu pelos matos na direção da Ribeira de Lucefécit! Já tinham passado mais de oito dias e, não havia notícias do ti Miguel, mas o ladrão continuava a fazer a sua colheita de comida, até que o ti Miguel matador de lobos apareceu, mas a desistir do trabalho, porque não podia ser uma coisa normal, até os cães dele lhe perdiam o rasto, parecia que o cavaleiro desaparecia da face da terra, não era coisa boa e, o melhor era desistir, dava-se melhor a caçar os lobos! Os lavradores ainda lhe ofereceram o dobro, 200 reais brancos, mas ele negou, porque já tinha batido toda a região palmo a palmo e não tinha encontrado nada! 
Quando, nas terras de Capelins, as pessoas souberam da desistência do ti Miguel, ficaram assustadas e, começaram a inventar coisas maléficas, uns diziam que era o diabo em pessoa, uma alma penada, um lobisomem e outras coisas, mas não percebiam como é que  só os cozinheiros o conseguiam ver?  As mulheres diziam orações e faziam mesinhas para o afastar dali! Os homens armados com paus ferrados, machados e forquilhas, cercavam os Montes nas horas do jantar e da ceia, andava tudo em alvoroço! 
Ao fim de alguns dias, o ladrão desapareceu das terras de Capelins e, os homens diziam que tinha sido com medo deles e não tinham dúvidas que era um homem, porque uma alma do outro mundo ou o diabo não precisavam de comida, mas as mulheres afirmavam que tinham sido as orações e as mesinhas delas a afastá-lo dali! 

Um mês depois, chegaram dois fidalgos às terras de Capelins, fazendo perguntas sobre o paradeiro de um homem, do qual davam os sinais descritos pelos cozinheiros! Foram seguindo as indicações e, chegaram à fala com os respetivos lavradores roubados pelo  cavaleiro fantasma e, sob compromisso de lhes contarem quem ele era e desvendarem o segredo de como os enganava, conseguindo escapar-lhes, juntaram os ofendidos no Monte da Talaveira! 
Os fidalgos ouviram os lavradores e, não conseguiram aguentar sem rir, o que não agradou aos lavradores! Isso é mesmo dele, comentavam os fidalgos! Mas ele quem? O fantasma? Perguntaram os lavradores! 
Fidalgos: Não, não é nenhum fantasma, é considerado o melhor mestre ferreiro e ferrador do reino, é o João de Resende de Évora! 
Lavradores: Mas os senhores fidalgos vêm aqui fazer pouco da gente? 
Fidalgos: Não, não, viemos com todo o respeito e, pelo que nos contaram temos a certeza que é o mestre João! 
Lavradores: Então, e como é que esse João ferrador nos enganou a todos? Como conseguia fugir e desaparecer no fim do rasto? Nunca ninguém o viu, a não ser os cozinheiros e, nem o melhor matador de lobos o conseguiu apanhar! 
Fidalgos: Sim! O mestre João tem grande passado, foi militar muito novo é muito experiente em artes militares, os senhores e, esse matador de lobos que falam, seguiam-lhe o rasto ao contrário! 
Lavradores: Ao contrário? Como assim? Estão outra vez a fazer pouco da gente! 
Fidalgos: Não estamos a fazer pouco de ninguém, já lhes dissemos que ele é considerado o melhor ferrador do reino, então, o que ele fez para despistar quem o perseguia foi ferrar o cavalo ao contrário, pregou as ferraduras das patas de trás, nas da frente e, as da frente nas de trás, com tal perfeição que não atrapalhavam o animal e, quando o cavalo seguia numa direção, deixava o rasto em sentido contrário, dando uma pista falsa! Assim, os senhores eram enganados, seguiam o rasto do cavalo quando ele vinha em direção dos Montes e,  nunca seguiam o verdadeiro, quando ele fugia!  
Lavradores: Essa agora! Grande malandro! Ainda o vamos pendurar num chaparro! Fidalgos: Pedimos desculpa, nós pagamos tudo o que ele lhes levou! 
Lavradores: Até podem pagar tudo, mas a nossa honra não a compram, porque não a vendemos! 
Fidalgos: Sabemos que, têm razão, por isso, lhes pedimos desculpa, queremos chegar a um entendimento, viemos procurá-lo, com a benção do senhor nosso rei D. João o quinto e, ele não vai gostar da vossa ameaça, não foi bem feito, mas o mestre fez isso por sobrevivência! 
Lavradores: Mas, porque motivo teve ele de vir sobreviver para aqui? 
Fidalgos: Ele veio até aqui, porque teve de fugir de Évora e o destino era Espanha, mas nós pedimos-lhe para esperar aqui uns dias, até o senhor nosso rei decidir se lhe dava ou não o perdão!
Lavradores: O perdão de quê? E porque motivo fugiu de Évora? 
Fidalgos: Porque, houve lá uma zaragata, fizeram-nos uma emboscada e, um fidalgo quase nos matou, foi o mestre João que nos salvou a vida, mas para nos defender matou o fidalgo sem querer e, quem matar um fidalgo não se livra da forca, por isso, teve de fugir e deixou lá a mulher e os filhos, nós pedimos justiça ao nosso rei, fizemos prova de que ele não foi culpado e, pedimos o perdão, o rei não o pode perdoar para não desonrar a nobreza, mas deu autorização para ele voltar para o nosso reino, mas tem de ficar a viver na Vila de Arronches com a família e, continuar lá o seu trabalho sem ser incomodado! 
Quando os lavradores ouviram os fidalgos e se aperceberam da valentia do mestre João, mudaram logo a conversa, começaram a dizer que não queriam receber nada da comida e, o que se tinha passado estava tudo esquecido, alguns ainda adiantaram que, tinham pena de não terem sabido isso, senão tinham recebido o ilustre João de Resende em sua casa! 

Depois de se entenderem e, como os lavradores não tinham ideia para onde o mestre João se teria sumido, só sabiam que, na Vila de Cheles decerto não estava, os fidalgos agradeceram e foram pelo rio Guadiana acima, pelo Aguilhão até ao porto da Estacada, onde passaram para o outro lado do rio e, a partir dali foram por São Bento da Contenda (San Benito) na esperança de saberem notícias do mestre João! Os fidalgos chegaram à dita aldeia, mas não conseguiram saber nada, continuaram por  São Domingos de Gusmão e São Jorge de Alôr, aqui encontraram um taberneiro natural de São Pedro do Corval, mas lá residente que, os informou ter estado ali o mestre João e, até lhe tinha dado guarida numa choça no quintal, mas tinha seguido para a Vila espanhola de Almendralejo, onde estava instalado com uma oficina de ferrador! Os fidalgos agradeceram a informação e, logo que lá chegaram foi fácil encontrar o mestre João! 
Depois de grandes cumprimentos, deram-lhe notícias da mulher e dos filhos, disseram-lhe que estavam bem, não lhes faltava nada e, comunicaram-lhe que, podia voltar, mas para a Vila de Arronches, onde teria de ficar uns tempos, até o caso da morte do fidalgo ficar esquecido, juntava-se lá a família, instalava a oficina e, eles com a graça do rei, garantiam-lhe que, não seria incomodado! O mestre aceitou e ficou muito contente, no dia seguinte voltou com os fidalgos ao reino de Portugal, a mulher e os filhos foram logo ter com ele à Vila de Arronches e, o mestre João deu-se tão bem, que nunca mais voltou a Évora! 
Alguns lavradores de Capelins, mais tarde, foram visitá-lo à Vila de Arronches, só para o conhecerem pessoalmente! Ele recebeu-os muito bem e pediu-lhes desculpa pelo sucedido, relembraram as peripécias passadas em Capelins, riram muito devido aos boatos que então se armaram, ferraram os cavalos sem ele querer qualquer pagamento, ficou em troca da comida que ele lhes tinha levado, comeram, beberam e ficaram muito amigos! O cavaleiro fantasma e a mulher, foram convidados pelos lavradores a voltar às terras de Capelins, em visita às suas casas e passar ali uns dias, mas isso nunca se concretizou. 
Assim, foi desvendado mais um segredo das terras de Capelins!     




domingo, 19 de novembro de 2017

365 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Gastronomia de Capelins 

O assado de borrego

O assado de borrego era/é um prato que fazia/faz parte da gastronomia das terras de Capelins, era/é preparado nos dias de festa, nos fornos aquecidos a lenha (atualmente já raramente)! Após a cozedura do pão, o forno ainda ficava quente e, o borralho (brasas envolvidas em cinza quente) que ficava encostado a um dos lados do forno era remexido aumentando o calor que ainda dava para assar peixe em tabuleiros de lata, assim como, borrego ou cabrito em assadeiras de barro.

Borrego ou cabrito assado no forno de lenha: 


Ingredientes:
  • 1 kg de carne de borrego ou cabrito
  • Batatas q.b.
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • banha de porco q.b.
  • 2 folhas de louro
  • 1 dl de vinho branco
  • Sal (já está no tempero da carne)

    Preparação:
    1. Arranje a carne com o cuidado de lhe retirar os sebos e o bedum!
    2. Tempere a carne com sal, com os alhos picados,e regue com o vinho branco, adicione o louro e deixe a marinar de um dia para o outro!
    3. Coloque a carne numa assadeira de barro de ir ao forno de lenha e adicione 2/3 colheres de banha de porco e a cebola cortada em gomos! 
    4. Leve ao forno de lenha para assar lentamente!
    5. A meio da cozedura junte batatinhas!
    6. Vá vigiando e regando o assado com o molho do mesmo! 
    7. Conforme o aquecimento do forno, assim será o tempo de o retirar, mas, um pouco antes de duas horas!


    sábado, 18 de novembro de 2017

    364 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

    História, lendas e tradições das terras de Capelins 

    A Casa do Infantado instalou-se na Vila de Ferreira (atual Freguesia de Capelins) no ano de 1698 e, por consequência, logo a seguir verificou-se grande movimento de povoadores para estas terras que, decerto começaram a ser exploradas mais intensivamente, necessitando de muita mão de obra e, também devido aos privilégios concedidos! Assim, podemos verificar nos Assentos Paroquiais da Paróquia de Santo António (Capelins), que no ano de 1717, há exatamente 300 anos, foram realizados pelo Pároco Miguel Gonçalves Gallego, 4 matrimónios na Igreja de Santo António, nas seguintes datas e nubentes:

    Dia 15 de Maio de 1717
    Domingos Gliz, solteiro, com 
    Izabel Roíz, (viúva de Manoel Nunes)
    Ele - natural da Freguesia de São João - Sabugal - Guarda
    Ela - natural da Freguesia de Santo António

    Dia 01 de Agosto de 1717
    João Dias, solteiro, com 
    Joanna de Campos, solteira 
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António 

    Dia 17 de Julho de 1717 
    António Clemente, solteiro, com 
    Izabel Gomes, solteira
    Ele - natural de Celorico da Beira - Guarda
    Ela - natural da Freguesia de Santo António 

    Dia 04 de Outubro de 1717 
    Pedro Afonço, solteiro 
    Maria da Cruz, solteira
    Ele - natural da Freguesia de São Tiago, Monsaraz 
    Ela - natural da Freguesia de Santo António. 

    Na constituição dos quatro casais, podemos verificar que três elementos do sexo masculino eram migrantes, vindo alguns de localidades muito distantes destas terras, que por aqui ficaram e, muito contribuíram para a identidade do povo capelinense. 

    Casamentos de 1717 - 300 anos 


      



    quinta-feira, 16 de novembro de 2017

    363 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montes Juntos 
    História, lendas e tradições das terras de Capelins 
    Casamentos realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins em 1835 
    Após terminar a guerra civil portuguesa, de 1828 a 1834, a Casa do Infantado foi extinta e,  a Vila de Ferreira (atual Freguesia de Capelins) voltou à Coroa, foi dividida em pequenas herdades e propriedades e vendidas aos rendeiros e, a outros interessados, muitos vieram de outras localidades vizinhas, de Cheles e de outras distantes, verificando-se uma grande mudança em termos económicos e sociais na Freguesia de Capelins a partir desse ano, ainda pouco percetível no ano de 1835, talvez por isso, nesse mesmo ano foram registados apenas três casamentos, realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, os quais passamos a descrever, datas, nubentes e Párocos: 

    Dia 22 de Julho de 1835 
    João José, solteiro, casou com 
    Antónia Maria, (viúva de Luis António)         
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 
    Pároco: Frei Bernardino

    Dia  11 de Outubro de 1835 
    Salvador Gonçalves, (viúvo de Maria da Conceição), casou com 
    Justina Maria, (viúva de José Diogo que faleceu no ataque militar no Porto, na guerra civil de 1828/1834)
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins  
    Pároco: António Laurentino Sopa Godinho 

    Dia 25 de Outubro de 1835 
    José Joaquim Rasteiro, (viúvo de Maria Antónia), casou com 
    Francisca Ignácia, solteira 
    Parentes em 2º grau 
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 
    Pároco; António Laurentino Sopa Godinho 

    Como não existe história sem a intervenção de pessoas, neste caso, apresentamos e homenageamos os capelinenses que fazem parte da história das terras de Capelins e, casaram na Igreja de Santo António de Capelins no ano de 1835, há 182 anos.

    Casamentos em 1835



    quarta-feira, 15 de novembro de 2017

    362 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
    História, lendas e tradições das terras de Capelins 
    Os matrimónios realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins no ano de 1817 
    Ao consultarmos os registos Paroquiais da Paróquia de Santo António de Capelins, podemos constatar que no ano de 1817 (há 200 anos), foram realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins seis casamentos, pelo Pároco Marcos Gomes Pouzão, cujas datas e nubentes foram os seguintes:

    Em 12 de Fevereiro de 1817:
    João Ramalho - Lavrador da herdade do Seixo, com,
    Dª Maria da Conceição (viúva do capitão Manoel Jorge) 
    Ele - natural da Freguesia de Nossa Senhora das Neves das Vidigueiras - Monsaraz 
    Ela - natural da Freguesia de Santo António de Capelins

    Em 16 de Fevereiro de 1817
    Manoel Rosado, com
    Clemencia de Jesus (Viúva de António Martins Godinho) 

    Em 4 de Maio de 1817 
    Francisco Marques, com
    Micaella Maria 
    Ele - natural da Freguesia de Santo António de Capelins 
    Ela - natural da Freguesia de São Marcos do Campo 

    Em 17 de Agosto de 1817 
    Manoel Martins, com 
    Roza Maria 
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 

    Em 28 de Setembro de 1817 
    António Joaquim, com 
    Maria Baptista 
    Ele - natural da Villa de Cheles 
    Ela - natural de Santo António de Capelins 

    Em 12 de Novembro de 1817 
    José Marques, com 
    Maria Francisca 
    Ele - natural da Freguesia de Santiago de Terena 
    Ela - natural da Freguesia de Santo António de Capelins 

    Foram estas pessoas, nossos antepassados, que casaram em Santo António de Capelins no ano de 1817, há dois séculos, que contribuíram para a história das terras de Capelins! 

    Casamentos em 1817




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