domingo, 19 de novembro de 2017

365 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Gastronomia de Capelins 

O assado de borrego

O assado de borrego era/é um prato que fazia/faz parte da gastronomia das terras de Capelins, era/é preparado nos dias de festa, nos fornos aquecidos a lenha (atualmente já raramente)! Após a cozedura do pão, o forno ainda ficava quente e, o borralho (brasas envolvidas em cinza quente) que ficava encostado a um dos lados do forno era remexido aumentando o calor que ainda dava para assar peixe em tabuleiros de lata, assim como, borrego ou cabrito em assadeiras de barro.

Borrego ou cabrito assado no forno de lenha: 


Ingredientes:
  • 1 kg de carne de borrego ou cabrito
  • Batatas q.b.
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • banha de porco q.b.
  • 2 folhas de louro
  • 1 dl de vinho branco
  • Sal (já está no tempero da carne)

    Preparação:
    1. Arranje a carne com o cuidado de lhe retirar os sebos e o bedum!
    2. Tempere a carne com sal, com os alhos picados,e regue com o vinho branco, adicione o louro e deixe a marinar de um dia para o outro!
    3. Coloque a carne numa assadeira de barro de ir ao forno de lenha e adicione 2/3 colheres de banha de porco e a cebola cortada em gomos! 
    4. Leve ao forno de lenha para assar lentamente!
    5. A meio da cozedura junte batatinhas!
    6. Vá vigiando e regando o assado com o molho do mesmo! 
    7. Conforme o aquecimento do forno, assim será o tempo de o retirar, mas, um pouco antes de duas horas!


    sábado, 18 de novembro de 2017

    364 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

    História, lendas e tradições das terras de Capelins 

    A Casa do Infantado instalou-se na Vila de Ferreira (atual Freguesia de Capelins) no ano de 1698 e, por consequência, logo a seguir verificou-se grande movimento de povoadores para estas terras que, decerto começaram a ser exploradas mais intensivamente, necessitando de muita mão de obra e, também devido aos privilégios concedidos! Assim, podemos verificar nos Assentos Paroquiais da Paróquia de Santo António (Capelins), que no ano de 1717, há exatamente 300 anos, foram realizados pelo Pároco Miguel Gonçalves Gallego, 4 matrimónios na Igreja de Santo António, nas seguintes datas e nubentes:

    Dia 15 de Maio de 1717
    Domingos Gliz, solteiro, com 
    Izabel Roíz, (viúva de Manoel Nunes)
    Ele - natural da Freguesia de São João - Sabugal - Guarda
    Ela - natural da Freguesia de Santo António

    Dia 01 de Agosto de 1717
    João Dias, solteiro, com 
    Joanna de Campos, solteira 
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António 

    Dia 17 de Julho de 1717 
    António Clemente, solteiro, com 
    Izabel Gomes, solteira
    Ele - natural de Celorico da Beira - Guarda
    Ela - natural da Freguesia de Santo António 

    Dia 04 de Outubro de 1717 
    Pedro Afonço, solteiro 
    Maria da Cruz, solteira
    Ele - natural da Freguesia de São Tiago, Monsaraz 
    Ela - natural da Freguesia de Santo António. 

    Na constituição dos quatro casais, podemos verificar que três elementos do sexo masculino eram migrantes, vindo alguns de localidades muito distantes destas terras, que por aqui ficaram e, muito contribuíram para a identidade do povo capelinense. 

    Casamentos de 1717 - 300 anos 


      



    quinta-feira, 16 de novembro de 2017

    363 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montes Juntos 
    História, lendas e tradições das terras de Capelins 
    Casamentos realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins em 1835 
    Após terminar a guerra civil portuguesa, de 1828 a 1834, a Casa do Infantado foi extinta e,  a Vila de Ferreira (atual Freguesia de Capelins) voltou à Coroa, foi dividida em pequenas herdades e propriedades e vendidas aos rendeiros e, a outros interessados, muitos vieram de outras localidades vizinhas, de Cheles e de outras distantes, verificando-se uma grande mudança em termos económicos e sociais na Freguesia de Capelins a partir desse ano, ainda pouco percetível no ano de 1835, talvez por isso, nesse mesmo ano foram registados apenas três casamentos, realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, os quais passamos a descrever, datas, nubentes e Párocos: 

    Dia 22 de Julho de 1835 
    João José, solteiro, casou com 
    Antónia Maria, (viúva de Luis António)         
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 
    Pároco: Frei Bernardino

    Dia  11 de Outubro de 1835 
    Salvador Gonçalves, (viúvo de Maria da Conceição), casou com 
    Justina Maria, (viúva de José Diogo que faleceu no ataque militar no Porto, na guerra civil de 1828/1834)
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins  
    Pároco: António Laurentino Sopa Godinho 

    Dia 25 de Outubro de 1835 
    José Joaquim Rasteiro, (viúvo de Maria Antónia), casou com 
    Francisca Ignácia, solteira 
    Parentes em 2º grau 
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 
    Pároco; António Laurentino Sopa Godinho 

    Como não existe história sem a intervenção de pessoas, neste caso, apresentamos e homenageamos os capelinenses que fazem parte da história das terras de Capelins e, casaram na Igreja de Santo António de Capelins no ano de 1835, há 182 anos.

    Casamentos em 1835



    quarta-feira, 15 de novembro de 2017

    362 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
    História, lendas e tradições das terras de Capelins 
    Os matrimónios realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins no ano de 1817 
    Ao consultarmos os registos Paroquiais da Paróquia de Santo António de Capelins, podemos constatar que no ano de 1817 (há 200 anos), foram realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins seis casamentos, pelo Pároco Marcos Gomes Pouzão, cujas datas e nubentes foram os seguintes:

    Em 12 de Fevereiro de 1817:
    João Ramalho - Lavrador da herdade do Seixo, com,
    Dª Maria da Conceição (viúva do capitão Manoel Jorge) 
    Ele - natural da Freguesia de Nossa Senhora das Neves das Vidigueiras - Monsaraz 
    Ela - natural da Freguesia de Santo António de Capelins

    Em 16 de Fevereiro de 1817
    Manoel Rosado, com
    Clemencia de Jesus (Viúva de António Martins Godinho) 

    Em 4 de Maio de 1817 
    Francisco Marques, com
    Micaella Maria 
    Ele - natural da Freguesia de Santo António de Capelins 
    Ela - natural da Freguesia de São Marcos do Campo 

    Em 17 de Agosto de 1817 
    Manoel Martins, com 
    Roza Maria 
    Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 

    Em 28 de Setembro de 1817 
    António Joaquim, com 
    Maria Baptista 
    Ele - natural da Villa de Cheles 
    Ela - natural de Santo António de Capelins 

    Em 12 de Novembro de 1817 
    José Marques, com 
    Maria Francisca 
    Ele - natural da Freguesia de Santiago de Terena 
    Ela - natural da Freguesia de Santo António de Capelins 

    Foram estas pessoas, nossos antepassados, que casaram em Santo António de Capelins no ano de 1817, há dois séculos, que contribuíram para a história das terras de Capelins! 

    Casamentos em 1817




    domingo, 12 de novembro de 2017

    361 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

    História, lendas e tradições das terras de Capleins 
    A Construção da Identidade do Povo Capelinense

    Após vários anos de pesquisas sobre o passado das gentes e das terras de Capelins, concluímos que, a Vila Defesa de Ferreira existiu desde 1314 até 1836, podemos confirmar em vários documentos e, também nas Memórias Paroquias de 1758, escritas pelo Pároco Manoel Ramalho Madeira, o qual escreveu que, nessa data, ainda existia a Vila de Ferreira, a qual era uma Defesa, logo Vila Defesa de Ferreira, cujo dono era o senhor Infante (Casa ou Estado do Infantado)! Assim, a Vila Defesa de Ferreira era o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, exceto Faleiros e as herdades de Nabais e Sina e, a Vila ou Lugar de Ferreira, como é designada em vários documentos de chancelarias reais, ficava junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves e, no alto em frente à dita Ermida, até ao Monte de Ferreira! Nesse alto podemos ver o silo comunitário, atualmente tapado com lenha, é semelhante a um pote de grandes dimensões, onde guardavam cereais de reserva e esconderijo, para abastecimento da comunidade da dita Vila!

    Em 1799/1800 ainda existiam 32 casas de habitação junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves! 
    É por isso que, é necessário construir a identidade de um povo com mais de 700 anos de história e, como o podemos fazer?
    Essencialmente, sabendo quem foram, como viviam em termos económicos e sociais, os lugares onde viviam, ou seja, a sua história, lendas, costumes e tradições! Será esse conjunto de sementes que constitui a identidade do povo capelinense! 
    Entre 1262 e 1314, estas terras faziam parte da herdade de Terena, mas já muito antes do domínio cristão, desde o período do Paleolítico, existiram vários povoados em todo o vale do rio Guadiana, com maior incidência entre o Bolas e Cinza e, entre a Moinhola e Gato e, da Ribeira do Lucefécit, em Castelinhos, Roncão e Azenhas Del-Rei, assim como, noutros lugares desta Freguesia!
    A Freguesia de Capelins ou Paróquia, em analogia com outras, parece-nos existir desde 1505, mas até cerca de 1790 designava-se de, Santo António de Terena!


    Lugar de Ferreira Medieval 


    quinta-feira, 9 de novembro de 2017

    360 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
    História, lendas e tradições das terras de Capelins 
    A lenda das bodas do Manoel Gomes 
    O Manoel Gomes era um rapaz em idade casadoira, morava em Capelins de Cima e, trabalhava como jornaleiro na herdade Defesa de Ferreira! Como todas as família nessa época, também a dele era muito numerosa, tinha cinco irmãos e muitos primos, que moravam pelos Montes e terras de Capelins! No ano de 1898, por coincidência, os dois primos mais chegados, marcaram o casamento para o mesmo dia, sendo o Manoel convidado por ambos! O Manoel ganhou um dilema, podia assistir ao enlace dos noivos, porque combinaram com o Pároco João Manuel Queimado, de Santo António de Capelins, casarem ao mesmo tempo, para nenhum ter asar na vida, porque dizia-se que, quem casava no mesmo dia e na mesma Igreja, o último a casar tinha azar na vida, o problema dele era, como conseguia estar presente quase ao mesmo tempo nas duas bodas, porque, a do primo José Domingos era no Monte da Vinha e, a do primo Joaquim António era no Monte da Talaveira! Ainda faltava mais de um mês, por isso, tinha esperança de encontrar uma solução, podia ir primeiro a uma e, depois de encher a barriga ia para a outra, mas já só apanhava restos, porque com a fome que havia nesses tempos, depressa desaparecia tudo! O Manoel cismava sobre a forma de encurtar o tempo que levava a ir de uma boda à outra, mas não lhe ocorria nada! Já sabia as ementas, qual delas a melhor! Na boda do Joaquim António matavam um bácoro e na do José Domingos matavam uma ovelha malata! Quando é que um pobre comia um bocadinho de carne nesse tempo! Como se dava muito bem com o ti António Dias, companheiro de trabalho, pediu-lhe ajuda, contou-lhe o que estava em causa e, que não sabia como resolver a situação! 
    Ti António: Oh Manoel, depois de encheres bem a barriga num lado, já nem te vai apetecer a comida do outro, deixa-te disso! 
    Manoel: Espere lá ti António! Eu vou dar a prenda igual aos dois, tenho que comer igual nos dois! E duas horas a andar de um Monte para o outro, vai dar-me fome e, depois chego lá, vou comer o quê? Já nem ossos deve haver! 
    Ti António: És capaz de ter razão, está ai um caso bicudo! Tu precisavas de um transporte que te ajudasse a encurtar essas duas horas, assim, chegavas mais cedo e ainda apanhavas alguma coisa! Olha! Lembrei-me agora, o que te safava era um cavalo, sempre a trote, em pouco mais de meia hora ias de um Monte até ao outro! 
    Manoel: Pois era! Mas onde é que eu arranjo um cavalo? Isso é coisa dos ricos e não são todos! Eu tenho o burro do meu pai, mas não me adianta muito!
    Ti António: Não te adianta muito? Se o treinares a correr, só que seja metade do caminho, pelas Areias, Terraço, Ramalha, Zorra, fazias isso numa hora! 
    Manoel: Olhe que não está mal pensado! Mas tinha de o treinar à noite, depois da ceia, antes de me deitar! 
    Ti António: E porque não? Já sabes que não podes apertar logo com o animal, senão rebenta, por isso começas com meia hora, ou menos e, depois vais apertando, não é preciso sempre a correr e, no fim não te esqueças de lhe dar água e tratar bem dele! 
    Manoel: Obrigado ti António, boa ajuda, é mesmo isso que vou fazer, já amanhã! 
    O Manoel começou a treinar o burro do pai quase todas as noites, saia de Capelins de Cima e, umas noites ia para o Terraço e Areias e outras para a Ramalha até à Zorra, para o burro se habituar bem às estradas e corria grandes distâncias, já imaginava a situação resolvida, assim, podia estar nas duas bodas quase ao mesmo tempo, enchia bem a barriga numa e abalava logo para a outra, chegando a tempo de ainda haver comida e também acompanhar os dois estimados primos! 
    Os treinos do burro do pai do Manoel corriam cada vez melhor, até à noite da véspera das bodas que eram num Domingo! Na noite de sábado, era o último treino e, o Manoel fez o percurso igual ao que pensava fazer no dia seguinte, ou seja, do Monte da Vinha para o Monte da Talaveira, saiu de perto daquele Monte e obrigou o burro a correr o mais que podia, o animal já ia cansado, mas o Manoel exigia mais, até que ao passar o ribeiro do Terraço onde havia um barranco, o burro com o cansaço não conseguiu saltar e caiu lá dentro, sendo o Manoel despedido para cima de uns penedos, onde ficou desmaiado e caído até que um seareiro que se tinha demorado numa courela no Baldio viu o burro sozinho e começou a ouvir o Manoel a gemer, foi encontrá-lo sem ser capaz de se levantar, meteu-o na carroça e foi levá-lo a casa! O rapaz estava muito mal, foram buscar um curandeiro a Terena que tratou dele e disse-lhe que era um caso muito sério, porque tinha costelas partidas e alguma podia ter perfurado os pulmões, mas talvez não, assim, ficava bem ligado e, sem se poder mexer da cama pelo menos quinze dias e depois levava mais de três meses para poder trabalhar, mas o que era preciso era ele ficar bem! 
    No Domingo seguinte, realizaram-se os casamentos dos primos e o Manoel ficou na cama e não comeu nada do bácoro nem da ovelha, o treino do burro do pai, tinha sido um esforço inglório, mas ainda tinha tido muita sorte,  porque podia ter morrido! 
    O Manoel queria estar nas duas bodas e ficou sem nenhuma!
    Três meses depois do acidente, foi trabalhar, ainda com muita dificuldade, mas acabou por ficar bem! 
    É caso para dizer: Quem tudo quer, tudo perde". 






    terça-feira, 7 de novembro de 2017

    359 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
    História, lendas e tradições das terras de Capelins 
    A lenda da mulher do vestido vermelho no Ribeiro do Carrão 
    No início do mês de Junho de 1915, o ti Miguel da Roza, que morava em Capelins de Baixo, teve que abastecer a casa de farinha, porque já não tinham para a próxima cozedura, mas como já andava a ceifar as favas e a cevada, não lhe dava jeito perder uma manhã para ir ao Moinho das Azenhas Del-Rei, então, pensou em ir á tardinha e dormir lá no rio Guadiana, levava um saco de cevada e um de trigo e, se não houvesse farinha feita, dava tempo para o moleiro a fazer durante a noite e de madrugada voltaria a casa, aproveitando o dia para continuar a ceifar e, foi assim que fez! 
    O moleiro, até tinha farinha para troca, mas mesmo assim, o ti Miguel ficou, porque era muito bom dormir naquele lugar mágico! De madrugada, carregou a farinha e seguiu pelo caminho que passava junto à fonte da lesma, deu água à mula, encheu o barril e não se demorou! Quando passava o Ribeiro do Carrão, já se começava a ver e reparou num vulto à sua frente, mais próximo viu que era uma mulher com um vestido vermelho, uma coisa nunca vista por ali! O ti Miguel pensou que devia ser alguma espanhola, ela virou-se e tinha a cara tapada com o lenço da cabeça, deixando-lhe os cabelos compridos à solta, a mulher levantou o braço direito fazendo sinal para ele parar o carro (carroça)! Aí, oh! Disse o ti Miguel e, a mula parou imediatamente!    
    Mulher: Bom dia! 
    Ti Miguel: Bom dia! 
    Mulher: Então não me leva a cavalo até lá acima? 
    Ti Miguel: Não levo! Eu não vou lá para cima, vou para Capelins de Baixo! 
    Mulher: Está bem, leve-me até perto de Capelins de Baixo!
    Ti Miguel: Então suba depressa aí pela rabicha, que eu não tenho vagar, estou com muita pressa! 
    A mulher para chegar à rabicha do carro (carroça) levantou o vestido vermelho até quase aos joelhos, mostrando um palmo das canelas, o bastante para o ti Miguel começar a gritar para ela se afastar, porque já não a levava a cavalo! 
    Mulher: Tão agora, o que é que eu fiz? Não me disse para subir pela rabicha? 
    Ti Miguel: Oh mulher, ainda pergunta o que fez? Vocemecê não viu que faltou pouco para me mostrar as pernas? Quase que lhe vi os joelhos! Então se alguém visse uma coisa destas, uma mulher a saltar-me para o carro e quase de joelhos à mostra, o que eu arranjava com a minha Maria e o que diriam por aí! Eu sou uma pessoa muito honrada! Olhe vá a pé, comigo é que não vai! 
    O ti Miguel não esperou mais explicações e deu ordem de andamento à mula, não olhando mais para a mulher! Seguiu pela estrada ao lado do Ribeiro do Carrão, pela Zorra, alto do malhão, Ribeiro da aldeia, Monte do marco e chegou a Capelins de Baixo! Assim que descarregou a farinha na casa do forno, foi contar tudo à mulher! Ela não acreditou em nada, mas com receio, não o contrariou! Com um vestido desses, devia vir de alguma festa e andava perdida ou era espanhola! "Nem uma coisa nem outra" mulher! É um mistério que anda por aí!  Disse o ti Miguel! A ti Maria ainda pensou: Decerto, que vinha a dormir e a sonhar com uma mulher de vestido vermelho, mas não se atreveu a dizer mais nada! 
    O ti Miguel continuou a contar a toda a gente o acontecimento daquela madrugada e, além de quase ninguém acreditar, foram vistos muitos rapazes das terras de Capelins a passar pelo Ribeiro do Carrão, nas madrugadas seguintes, na esperança de ver a mulher do vestido vermelho, que tinha aparecido ao ti Miguel da Roza, mas nunca mais houve sinais dela!  
    A intriga dos capelinenses era: "O que andaria a mulher a fazer, de madrugada, de vestido vermelho, no Ribeiro do Carrão"?  E, alguns diziam que devia ser alguma feiticeira que se atrasou na volta do baile!  
    Mais um segredo das terras de de Capelins, ainda por desvendar!  

    Roncão - Capelins




    626 - Tradições das Terras de Capelins Nas Terras de Capelins uma serra de palha designava-se por "Almiara"! Sempre ouvimos ...