quinta-feira, 16 de novembro de 2017

363 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montes Juntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Casamentos realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins em 1835 
Após terminar a guerra civil portuguesa, de 1828 a 1834, a Casa do Infantado foi extinta e,  a Vila de Ferreira (atual Freguesia de Capelins) voltou à Coroa, foi dividida em pequenas herdades e propriedades e vendidas aos rendeiros e, a outros interessados, muitos vieram de outras localidades vizinhas, de Cheles e de outras distantes, verificando-se uma grande mudança em termos económicos e sociais na Freguesia de Capelins a partir desse ano, ainda pouco percetível no ano de 1835, talvez por isso, nesse mesmo ano foram registados apenas três casamentos, realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, os quais passamos a descrever, datas, nubentes e Párocos: 

Dia 22 de Julho de 1835 
João José, solteiro, casou com 
Antónia Maria, (viúva de Luis António)         
Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 
Pároco: Frei Bernardino

Dia  11 de Outubro de 1835 
Salvador Gonçalves, (viúvo de Maria da Conceição), casou com 
Justina Maria, (viúva de José Diogo que faleceu no ataque militar no Porto, na guerra civil de 1828/1834)
Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins  
Pároco: António Laurentino Sopa Godinho 

Dia 25 de Outubro de 1835 
José Joaquim Rasteiro, (viúvo de Maria Antónia), casou com 
Francisca Ignácia, solteira 
Parentes em 2º grau 
Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 
Pároco; António Laurentino Sopa Godinho 

Como não existe história sem a intervenção de pessoas, neste caso, apresentamos e homenageamos os capelinenses que fazem parte da história das terras de Capelins e, casaram na Igreja de Santo António de Capelins no ano de 1835, há 182 anos.

Casamentos em 1835



quarta-feira, 15 de novembro de 2017

362 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Os matrimónios realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins no ano de 1817 
Ao consultarmos os registos Paroquiais da Paróquia de Santo António de Capelins, podemos constatar que no ano de 1817 (há 200 anos), foram realizados na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins seis casamentos, pelo Pároco Marcos Gomes Pouzão, cujas datas e nubentes foram os seguintes:

Em 12 de Fevereiro de 1817:
João Ramalho - Lavrador da herdade do Seixo, com,
Dª Maria da Conceição (viúva do capitão Manoel Jorge) 
Ele - natural da Freguesia de Nossa Senhora das Neves das Vidigueiras - Monsaraz 
Ela - natural da Freguesia de Santo António de Capelins

Em 16 de Fevereiro de 1817
Manoel Rosado, com
Clemencia de Jesus (Viúva de António Martins Godinho) 

Em 4 de Maio de 1817 
Francisco Marques, com
Micaella Maria 
Ele - natural da Freguesia de Santo António de Capelins 
Ela - natural da Freguesia de São Marcos do Campo 

Em 17 de Agosto de 1817 
Manoel Martins, com 
Roza Maria 
Ambos naturais da Freguesia de Santo António de Capelins 

Em 28 de Setembro de 1817 
António Joaquim, com 
Maria Baptista 
Ele - natural da Villa de Cheles 
Ela - natural de Santo António de Capelins 

Em 12 de Novembro de 1817 
José Marques, com 
Maria Francisca 
Ele - natural da Freguesia de Santiago de Terena 
Ela - natural da Freguesia de Santo António de Capelins 

Foram estas pessoas, nossos antepassados, que casaram em Santo António de Capelins no ano de 1817, há dois séculos, que contribuíram para a história das terras de Capelins! 

Casamentos em 1817




domingo, 12 de novembro de 2017

361 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capleins 
A Construção da Identidade do Povo Capelinense

Após vários anos de pesquisas sobre o passado das gentes e das terras de Capelins, concluímos que, a Vila Defesa de Ferreira existiu desde 1314 até 1836, podemos confirmar em vários documentos e, também nas Memórias Paroquias de 1758, escritas pelo Pároco Manoel Ramalho Madeira, o qual escreveu que, nessa data, ainda existia a Vila de Ferreira, a qual era uma Defesa, logo Vila Defesa de Ferreira, cujo dono era o senhor Infante (Casa ou Estado do Infantado)! Assim, a Vila Defesa de Ferreira era o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, exceto Faleiros e as herdades de Nabais e Sina e, a Vila ou Lugar de Ferreira, como é designada em vários documentos de chancelarias reais, ficava junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves e, no alto em frente à dita Ermida, até ao Monte de Ferreira! Nesse alto podemos ver o silo comunitário, atualmente tapado com lenha, é semelhante a um pote de grandes dimensões, onde guardavam cereais de reserva e esconderijo, para abastecimento da comunidade da dita Vila!

Em 1799/1800 ainda existiam 32 casas de habitação junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves! 
É por isso que, é necessário construir a identidade de um povo com mais de 700 anos de história e, como o podemos fazer?
Essencialmente, sabendo quem foram, como viviam em termos económicos e sociais, os lugares onde viviam, ou seja, a sua história, lendas, costumes e tradições! Será esse conjunto de sementes que constitui a identidade do povo capelinense! 
Entre 1262 e 1314, estas terras faziam parte da herdade de Terena, mas já muito antes do domínio cristão, desde o período do Paleolítico, existiram vários povoados em todo o vale do rio Guadiana, com maior incidência entre o Bolas e Cinza e, entre a Moinhola e Gato e, da Ribeira do Lucefécit, em Castelinhos, Roncão e Azenhas Del-Rei, assim como, noutros lugares desta Freguesia!
A Freguesia de Capelins ou Paróquia, em analogia com outras, parece-nos existir desde 1505, mas até cerca de 1790 designava-se de, Santo António de Terena!


Lugar de Ferreira Medieval 


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

360 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A lenda das bodas do Manoel Gomes 
O Manoel Gomes era um rapaz em idade casadoira, morava em Capelins de Cima e, trabalhava como jornaleiro na herdade Defesa de Ferreira! Como todas as família nessa época, também a dele era muito numerosa, tinha cinco irmãos e muitos primos, que moravam pelos Montes e terras de Capelins! No ano de 1898, por coincidência, os dois primos mais chegados, marcaram o casamento para o mesmo dia, sendo o Manoel convidado por ambos! O Manoel ganhou um dilema, podia assistir ao enlace dos noivos, porque combinaram com o Pároco João Manuel Queimado, de Santo António de Capelins, casarem ao mesmo tempo, para nenhum ter asar na vida, porque dizia-se que, quem casava no mesmo dia e na mesma Igreja, o último a casar tinha azar na vida, o problema dele era, como conseguia estar presente quase ao mesmo tempo nas duas bodas, porque, a do primo José Domingos era no Monte da Vinha e, a do primo Joaquim António era no Monte da Talaveira! Ainda faltava mais de um mês, por isso, tinha esperança de encontrar uma solução, podia ir primeiro a uma e, depois de encher a barriga ia para a outra, mas já só apanhava restos, porque com a fome que havia nesses tempos, depressa desaparecia tudo! O Manoel cismava sobre a forma de encurtar o tempo que levava a ir de uma boda à outra, mas não lhe ocorria nada! Já sabia as ementas, qual delas a melhor! Na boda do Joaquim António matavam um bácoro e na do José Domingos matavam uma ovelha malata! Quando é que um pobre comia um bocadinho de carne nesse tempo! Como se dava muito bem com o ti António Dias, companheiro de trabalho, pediu-lhe ajuda, contou-lhe o que estava em causa e, que não sabia como resolver a situação! 
Ti António: Oh Manoel, depois de encheres bem a barriga num lado, já nem te vai apetecer a comida do outro, deixa-te disso! 
Manoel: Espere lá ti António! Eu vou dar a prenda igual aos dois, tenho que comer igual nos dois! E duas horas a andar de um Monte para o outro, vai dar-me fome e, depois chego lá, vou comer o quê? Já nem ossos deve haver! 
Ti António: És capaz de ter razão, está ai um caso bicudo! Tu precisavas de um transporte que te ajudasse a encurtar essas duas horas, assim, chegavas mais cedo e ainda apanhavas alguma coisa! Olha! Lembrei-me agora, o que te safava era um cavalo, sempre a trote, em pouco mais de meia hora ias de um Monte até ao outro! 
Manoel: Pois era! Mas onde é que eu arranjo um cavalo? Isso é coisa dos ricos e não são todos! Eu tenho o burro do meu pai, mas não me adianta muito!
Ti António: Não te adianta muito? Se o treinares a correr, só que seja metade do caminho, pelas Areias, Terraço, Ramalha, Zorra, fazias isso numa hora! 
Manoel: Olhe que não está mal pensado! Mas tinha de o treinar à noite, depois da ceia, antes de me deitar! 
Ti António: E porque não? Já sabes que não podes apertar logo com o animal, senão rebenta, por isso começas com meia hora, ou menos e, depois vais apertando, não é preciso sempre a correr e, no fim não te esqueças de lhe dar água e tratar bem dele! 
Manoel: Obrigado ti António, boa ajuda, é mesmo isso que vou fazer, já amanhã! 
O Manoel começou a treinar o burro do pai quase todas as noites, saia de Capelins de Cima e, umas noites ia para o Terraço e Areias e outras para a Ramalha até à Zorra, para o burro se habituar bem às estradas e corria grandes distâncias, já imaginava a situação resolvida, assim, podia estar nas duas bodas quase ao mesmo tempo, enchia bem a barriga numa e abalava logo para a outra, chegando a tempo de ainda haver comida e também acompanhar os dois estimados primos! 
Os treinos do burro do pai do Manoel corriam cada vez melhor, até à noite da véspera das bodas que eram num Domingo! Na noite de sábado, era o último treino e, o Manoel fez o percurso igual ao que pensava fazer no dia seguinte, ou seja, do Monte da Vinha para o Monte da Talaveira, saiu de perto daquele Monte e obrigou o burro a correr o mais que podia, o animal já ia cansado, mas o Manoel exigia mais, até que ao passar o ribeiro do Terraço onde havia um barranco, o burro com o cansaço não conseguiu saltar e caiu lá dentro, sendo o Manoel despedido para cima de uns penedos, onde ficou desmaiado e caído até que um seareiro que se tinha demorado numa courela no Baldio viu o burro sozinho e começou a ouvir o Manoel a gemer, foi encontrá-lo sem ser capaz de se levantar, meteu-o na carroça e foi levá-lo a casa! O rapaz estava muito mal, foram buscar um curandeiro a Terena que tratou dele e disse-lhe que era um caso muito sério, porque tinha costelas partidas e alguma podia ter perfurado os pulmões, mas talvez não, assim, ficava bem ligado e, sem se poder mexer da cama pelo menos quinze dias e depois levava mais de três meses para poder trabalhar, mas o que era preciso era ele ficar bem! 
No Domingo seguinte, realizaram-se os casamentos dos primos e o Manoel ficou na cama e não comeu nada do bácoro nem da ovelha, o treino do burro do pai, tinha sido um esforço inglório, mas ainda tinha tido muita sorte,  porque podia ter morrido! 
O Manoel queria estar nas duas bodas e ficou sem nenhuma!
Três meses depois do acidente, foi trabalhar, ainda com muita dificuldade, mas acabou por ficar bem! 
É caso para dizer: Quem tudo quer, tudo perde". 






terça-feira, 7 de novembro de 2017

359 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A lenda da mulher do vestido vermelho no Ribeiro do Carrão 
No início do mês de Junho de 1915, o ti Miguel da Roza, que morava em Capelins de Baixo, teve que abastecer a casa de farinha, porque já não tinham para a próxima cozedura, mas como já andava a ceifar as favas e a cevada, não lhe dava jeito perder uma manhã para ir ao Moinho das Azenhas Del-Rei, então, pensou em ir á tardinha e dormir lá no rio Guadiana, levava um saco de cevada e um de trigo e, se não houvesse farinha feita, dava tempo para o moleiro a fazer durante a noite e de madrugada voltaria a casa, aproveitando o dia para continuar a ceifar e, foi assim que fez! 
O moleiro, até tinha farinha para troca, mas mesmo assim, o ti Miguel ficou, porque era muito bom dormir naquele lugar mágico! De madrugada, carregou a farinha e seguiu pelo caminho que passava junto à fonte da lesma, deu água à mula, encheu o barril e não se demorou! Quando passava o Ribeiro do Carrão, já se começava a ver e reparou num vulto à sua frente, mais próximo viu que era uma mulher com um vestido vermelho, uma coisa nunca vista por ali! O ti Miguel pensou que devia ser alguma espanhola, ela virou-se e tinha a cara tapada com o lenço da cabeça, deixando-lhe os cabelos compridos à solta, a mulher levantou o braço direito fazendo sinal para ele parar o carro (carroça)! Aí, oh! Disse o ti Miguel e, a mula parou imediatamente!    
Mulher: Bom dia! 
Ti Miguel: Bom dia! 
Mulher: Então não me leva a cavalo até lá acima? 
Ti Miguel: Não levo! Eu não vou lá para cima, vou para Capelins de Baixo! 
Mulher: Está bem, leve-me até perto de Capelins de Baixo!
Ti Miguel: Então suba depressa aí pela rabicha, que eu não tenho vagar, estou com muita pressa! 
A mulher para chegar à rabicha do carro (carroça) levantou o vestido vermelho até quase aos joelhos, mostrando um palmo das canelas, o bastante para o ti Miguel começar a gritar para ela se afastar, porque já não a levava a cavalo! 
Mulher: Tão agora, o que é que eu fiz? Não me disse para subir pela rabicha? 
Ti Miguel: Oh mulher, ainda pergunta o que fez? Vocemecê não viu que faltou pouco para me mostrar as pernas? Quase que lhe vi os joelhos! Então se alguém visse uma coisa destas, uma mulher a saltar-me para o carro e quase de joelhos à mostra, o que eu arranjava com a minha Maria e o que diriam por aí! Eu sou uma pessoa muito honrada! Olhe vá a pé, comigo é que não vai! 
O ti Miguel não esperou mais explicações e deu ordem de andamento à mula, não olhando mais para a mulher! Seguiu pela estrada ao lado do Ribeiro do Carrão, pela Zorra, alto do malhão, Ribeiro da aldeia, Monte do marco e chegou a Capelins de Baixo! Assim que descarregou a farinha na casa do forno, foi contar tudo à mulher! Ela não acreditou em nada, mas com receio, não o contrariou! Com um vestido desses, devia vir de alguma festa e andava perdida ou era espanhola! "Nem uma coisa nem outra" mulher! É um mistério que anda por aí!  Disse o ti Miguel! A ti Maria ainda pensou: Decerto, que vinha a dormir e a sonhar com uma mulher de vestido vermelho, mas não se atreveu a dizer mais nada! 
O ti Miguel continuou a contar a toda a gente o acontecimento daquela madrugada e, além de quase ninguém acreditar, foram vistos muitos rapazes das terras de Capelins a passar pelo Ribeiro do Carrão, nas madrugadas seguintes, na esperança de ver a mulher do vestido vermelho, que tinha aparecido ao ti Miguel da Roza, mas nunca mais houve sinais dela!  
A intriga dos capelinenses era: "O que andaria a mulher a fazer, de madrugada, de vestido vermelho, no Ribeiro do Carrão"?  E, alguns diziam que devia ser alguma feiticeira que se atrasou na volta do baile!  
Mais um segredo das terras de de Capelins, ainda por desvendar!  

Roncão - Capelins




domingo, 5 de novembro de 2017

358 - Terras de Capelins 
Vale Sagrado do Lucefécit
Conforme podemos verificar na presente informação da DGPC, o Vale da Ribeira de Lucefécit, está em vias de classificação com a designação de Vale Sagrado do Lucefécit, esperamos, assim, que no mesmo seja englobada a Ermida de Nossa Senhora das Neves, do século XVII. 
"O território onde se integra o vale da ribeira de Lucefecit que se propõe classificar com a designação geral de Vale Sagrado do Lucefecit, corresponde ao último troço desta linha de água que, nascendo na Serra de Ossa, atravessa o concelho do Alandroal desaguando no Guadiana, entre o sítio da Rocha da Mina e a foz deste rio, incluindo, também, vários afluentes onde se situam distintos vestígios de antigas ocupações humanas.
Os valores que se pretendem preservar integram-se numa unidade de paisagem com caraterísticas únicas quer em termos naturais, como culturais, englobando aspetos geológicos, ecológicos, arquitetónicos e arqueológicos.
Desde longa data aproveitada para pastorícia, atividades agrícolas e mineiras, esta região foi igualmente muito marcada, ao longo de séculos, por diversas práticas religiosas centradas em locais muito próximos da ribeira de Lucefecit.
De facto, verifica-se que em termos patrimoniais o território deste vale encerra grande quantidade de sítios arqueológicos, sendo desde logo de destacar o sítio de São Miguel da Mota, classificado como Imóvel de Interesse Público, onde se sobrepõem estruturas de várias épocas, nomeadamente um povoado fortificado da II Idade do Ferro, um santuário posteriormente romanizado dedicado a Endovellicus, a divindade mais conhecida da Lusitânia e, finalmente, a Ermida de São Miguel da Mota, um templo já cristão. Neste local, além de terem sido detetadas inúmeras inscrições dedicadas a Endovélico, foram identificadas diversas peças escultóricas, nomeadamente em 2002, altura em que foram descobertas seis estátuas em mármore branco de grandes dimensões. Os materiais romanos resultantes das intervenções mais recentes apontam também para um período de ocupação situado entre os séculos I e II. Na encosta Este do Cabeço da Mota, foram igualmente realizadas algumas sondagens arqueológicas que parecem demonstrar que seria aí que se localizava este importante Santuário.
Na margem direita de Lucefecit, num esporão rochoso com vertentes abruptas, localiza-se igualmente o sítio arqueológico da Rocha da Mina cujos trabalhos arqueológicos realizados entre 2011 e 2012, apontam para a presença de um outro santuário pré-romano. É de destacar a existência neste sítio de um conjunto de degraus associados a um pavimento talhado no afloramento rochoso, elementos que, habitualmente, são descritos como "altares de sacrifício", bem como a presença, no mesmo local, de um poço quadrangular com pouca profundidade. Ao longo deste território, distribuídos por diversos cabeços sobranceiros à ribeira, pontuam vestígios de outros povoados fortificados como no sítio do Castelo Velho classificado como Monumento Nacional, do Castelinho ou de Águas Frias, este último parcialmente soterrado pela barragem do Alqueva. Igualmente são conhecidas neste território diversas estruturas megalíticas como a necrópole do Lucas, composta por quinze pequenas antas localizadas a Sul da ribeira de Lucefecit, bem como antigas minas do período romano.
É igualmente de destacar o importante conjunto de testemunhos de património imaterial como diversos cultos, festas, procissões ou peregrinações religiosas de períodos mais recentes". 

DGCP

Ermida de Nossa Senhora das Neves - Capelins


357 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A lenda do bácoro que ladrava como os cães 
Quando chegou o mês de Março do ano de 1895, o ti Domingos Lopes, seareiro, morador em Capelins de Baixo, disse à mulher a ti Maria Vicência que estava na hora de comprar o bácoro para o chiqueiro, por isso, ia dar uma volta por Santa Luzia, Aguilhão e Amadoreira, para ver o que por lá tinham e, de onde lhe agradasse daí o trazia! Na madrugada do dia seguinte, meteu a mula nos varais do carro (carroça) e, pôs-se a caminho, como a Ribeira de Lucefécit ainda levava muita água foi passar ao porto das Águas Frias de baixo, aí encontrou um desconhecido que, depois de alguma conversa e de saber o destino do ti Domingos, disse-lhe que andavam a vender bacorinhos num carro, (carroça) na Aldeia do Rosário e, eram muito bons e baratos! O ti Domingos já não foi para Santa Luzia, procurou o vendedor e depressa comprou o bácoro!  Pelas 11 horas já o tinha dentro do chiqueiro! A ti Maria foi a correr ver o novo bacorinho, ficou muito contente com a compra, deram-lhe uma travia de farinha de cevada com farelo e uma tigelinha de cevada, comeu tudo sem hesitar, dando sinais que era bom para a engorda!
A partir daquele dia, durante dois meses, decorria tudo normal com o bácoro, até que, uma noite o ti Domingos acordou com o ladrar de um cão, que não o deixava dormir, levantou-se e foi à porta zangar-se com ele, que parou um momento, mas logo continuou e o ti Domingos foi novamente à rua e, seguiu na direção de onde vinham os latidos chegando mesmo ao chiqueiro do bácoro, o qual, estava em pé, de olhos postos no ti Domingos e, momento antes tinha parado o latido, ele ralhou com um suposto cão mas, embora se visse como de dia, não viu nada, foi para casa e não demorou nada, voltou tudo ao mesmo, então, o ti Domingos foi pé ante pé até ao chiqueiro e ficou com a certeza que era o bácoro que ladrava! Voltou para casa e, contou à ti Maria! Ela não acreditou e disse-lhe que tinha apanhado sol na cabeça, no dia seguinte tirava-lhe o sol, com uma oração, um pano de linho e um copo de água fria! Como o ti Domingos não tinha maneira de provar o que tinha descoberto, deitou-se e, não falou mais no assunto! 
O bácoro do ti Domingos só ladrava nas noites de lua chia e não deixava dormir os donos nem os vizinhos, numa dessas noites o ti Domingos, obrigou a ti Maria a levantar-se, foram os dois muito devagarinho e apanharam o bácoro a ladrar no meio do chiqueiro! A ti Maria levou as mãos à cabeça e disse: "Ai valha-me Deus, isto é coisa de feiticeiras, amanhã temos de ir à bruxa de Terena e benzeu-se! Na manhã seguinte, levantaram-se cedo e foram tratar das galinhas e do bácoro, mas ele não estava no chiqueiro, ainda pensaram que o tinham roubado, mas lembraram-se que estava tudo ligado com o que tinha acontecido durante a noite, ainda o procuraram pelos ferragiais de Capelins de Baixo, mas só encontravam patadas de cão! A seguir foram à bruxa a Terena e contaram-lhe como tudo se tinha passado desde a compra do bácoro! A bruxa disse-lhe que nem o procurassem, porque nunca mais o iam encontrar, mas ele ia aparecer-lhe transformado em cão rafeiro alentejano numa noite de lua cheia e para não terem medo dele porque ele era muito submisso e muito meigo, e ensinou-lhe umas mesinhas para fazerem durante oito dias para afastar a feitiçaria da sua casa! A bruxa ainda adiantou: "conforme há pessoas, assim há animais"!
Um mês depois, numa noite de lua cheia, ouviram um cão a ladrar à porta, o ti Domingos deu um safanão na ti Maria, que quase a atirou da cama abaixo, mas ela também já estava acordada e disse-lhe: Vamos lá vê-lo? Eu não! Que medo! Disse a ti Maria! O cão não se calava e arranhava na porta, acabaram por ir ter com ele! Assim que os viu ficou muito contente a abanar a cauda a lamber-lhe as mãos, como a pedir-lhe desculpa, depois, deu meia volta e desapareceu pelo ferragial abaixo e nunca mais o viram nem ouviram! 
O ti Domingos Lopes, teve de ir a Santa Luzia comprar outro bacorinho para o chiqueiro, que engordou normalmente! 

Segredos de Capelins! 






584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...