quarta-feira, 19 de julho de 2017

300 - Terras de Capelins 

Concelho de Terena 1262 - 1836

Guerra da Restauração no Concelho de Terena e Terras de Capelins

A Guerra da Restauração (1640-1668), destacou-se no Concelho de Terena.


Em 1652 as tropas espanholas do Duque de S.Germán saquearam os campos, do Concelho de Terena, recolhendo depois a Barcarrota, fugiram, apesar de perseguidas por tropas de Terena e de Olivença. Tendo deixado, todavia, parte do saque na circunvalação externa daquela Praça espanhola, os portugueses recuperaram essa parte e levaram-na para Olivença, onde os lavradores do Concelho de Terena foram recuperar alguns dos seus bens.
Em 1656, Terena foi cenário de violentos combates, e num espaço de poucos dias foi ocupada por espanhóis e recuperada custosamente pelo exército português.
As correrias das tropas espanholas, para se afastarem de Olivença, uma Praça portuguesa muito forte, nessa época, eram feitas por Terras de Capelins, (Vila de Ferreira), ou Defesa D’ El-Rei, passando, facilmente, o rio Guadiana, a partir de Abril/Maio, no Porto D’El-Rei (Cinza), por isso, em 1652, levaram tudo o que rapinaram aos lavradores desta região, para Barcarrota.
Passava-se a mesma situação com os portugueses, atravessavam o rio Guadiana no mesmo Porto da atual Cinza e roubavam os gados e tudo o que podiam, trazendo o saque para Portugal, eram escaramuças fronteiriças, que atingiam em maior escala os grandes lavradores da raia. Os trabalhadores, ou jornaleiros, não tinham nada.

O Declínio do Concelho e Terena e seu Fim:

Ainda no Século XVIII assistiu-se a algum declínio. A sua economia foi enfraquecendo. Como se não bastasse, Terena foi uma das povoações alentejanas que mais danos sofreu com o terramoto de 1755.
A época Pombalina não parece ter sido importante na região. Continuando a sua decadência e, já no século XIX, a sua economia foi ainda mais abalada com o corte de ligações para além Guadiana depois de 1801, (devido à guerra das laranjas), não tanto por ter ligações diretas com Olivença, ainda que algumas existissem, mas acabou por afetar toda esta região.

Na primeira metade do século XIX, ou seja, em Novembro de 1836, vários Concelhos com expressão reduzida acabaram por se unir em torno do que foi o único sobrevivente, o do Alandroal. Foram eles Juromenha, Ferreira (um estranho Concelho de reduzida população, hoje Freguesia de Santo António de Capelins, era apenas um Concelho do Estado do Infantado, onde imperavam as regras daquele Estado)  e, obviamente, o próprio Alandroal. Tal junção de esforços não trouxe exatamente progresso ou benefícios de relevo, como bem o sabem os seus atuais habitantes, ainda que houvesse períodos de alguma prosperidade.
(Base: Trabalho do Professor Carlos Luna)


Castelo de Terena vigiava o Vale da Lucefécit até às Terras de Capelins 




299 - Terras de Capelins 

História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 

Nossa Senhora das Neves em Capelins 


No calendário litúrgico, o dia dedicado a Nossa Senhora das Neves é o 05 de Agosto, porque foi na noite de 04 para 05 de Agosto que o Monte Esquilino em Roma se cobriu de Neve, (quando é normal aí existirem 40º graus C), conforme milagre de Nossa Senhora, sendo aí construída a sua Basílica. 

Quanto a Nossa Senhora das Neves de Capelins, esta Ermida existe desde os finais dos anos 1600, devido à ruína da anterior Igreja de Santa Maria, de 1314, quase decerto, levada a esse fim, por motivo da guerra da restauração, por onde os exércitos passavam, nada era respeitado, era tudo pilhado e destruído. O último documento que conhecemos, onde a Igreja de Santa Maria é referida, na Defesa de Ferreira ou Defesa del-rei é de 1667, (é um testamento que se encontra no Arquivo Distrital de Portalegre), coincide, de facto, com a referida guerra. Ao lado da Igreja de Santa Maria foi construída a presente Ermida, dedicada a Nossa Senhora das Neves, que parece ser a mesma, Santa Maria. Assim, neste dia 05 de Agosto, começavam a chegar um, ou dois dias antes, aqui acorriam devotos de toda a região, inclusivé, de Terras de Espanha, com grande devoção por Nossa Senhora das Neves.

Hoje, encontra-se ao abandono, esperando a ruína total!

Se puderem, passem lá dia 05 de Agosto!



Nossa Senhora das Neves 


298 - Terras de Capelins 

História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 
A lenda do baile na herdade do Terraço
Aqui, ao lado deste cruzeiro, situado no Terraço, realizou-se um baile internacional + - no ano de 1940.
Quando escrevo um baile internacional foi porque as protagonistas do inesperado baile foram portuguesas e espanholas com espetadores (homens) portugueses, que só tiveram direito a assistir e admirar tão deslumbrante espetáculo no meio do nada.
Decorria o ano de 1940 e o rescaldo da guerra civil de Espanha, de 1936-1939, sentindo-se, e de que maneira, a devastação, em todos os sentidos daquela fatídica guerra. Em Ferreira de Capelins, estava tudo aparentemente calmo, embora, ainda por aqui se sentisse o sofrimento dos nosso vizinhos, principalmente os da vizinha Vila de Cheles. 


Num lindo dia de sol, daqueles que apetece andar pelo campo, veio a vizinha Domingas Carraço, filha da Ti Catarina Veleza, convidar a minha mãe e a minha tia Jacinta para irem ao feixe, (ir ao feixe, era ir às Areias, ou outro lugar de azinhal, fazer um feixe de lenha de azinho e trazê-la à cabeça para casa), a minha tia Jacinta não gostou muito da ideia, até porque o meu avô Xico Alvanéo, não autorizava a ida ao feixe, mas a minha mãe insistiu e lá foram as três a caminho das Areias apanhar o feixe de lenha. Quando vinham de volta para Ferreira de Capelins, no local onde está este cruzeiro, ao lado do pocinho do Terraço, (era um pocinho pequeno, que nem estava empedrado e foi entupido), apareceram três espanholas que vinham dos lados de Santiago Maior ou Cabeça de Carneiro e se dirigiam para Cheles, já um ano depois do fim da guerra, mas algumas pessoas continuavam a vir a Portugal a pedir e a comprar coisas que não existiam em Espanha. Então as espanholas meteram-se com elas, perguntaram como se chamavam, o que andavam a fazer, apresentaram-se, sendo a mãe e duas filhas moças, não pediram nada, nem elas tinham nada para lhe dar. Pousaram os feixes de lenha e continuaram a conversa sobre as suas tristes vidas, porque todas as pessoas perderam familiares naquela guerra. A minha mãe, a minha tia Jacinta e a Ti Domingas Carraço, não tinham nada para lhe dar, mas foram elas que lhe deram e tanto que, ainda hoje dura nas suas memórias. Sabem o que foi? Não foi tristeza, foi alegria! Dividiram-se em 3 pares e armaram um baile acompanhado pelo cante das espanholas que durou algumas horas, ao ponto dos trabalhadores que ali andavam a lavrar, o ti José António Grilo e outros, pararam a lavoura para assistir à festa tão bela naquele lugar. A seguir, sabem o que a espanholas fizeram? Pegaram nos feixes de lenha à cabeça e levaram-nos até à Portela, perto do Monte Novo de Capelins, mas não era esse o seu caminho. Ali, pousaram os feixes de lenha, deram-lhe uns beijinhos e voltaram na direção de Montejuntos - Cheles, tudo isto, em troca de coisa nenhuma. 

Nunca mais as viram, foram anos mais tarde arranjar o cabelo (fazer permanente), a Cheles, mas não as encontraram.


Cruzeiro do Terraço


297 - Terras de Capelins 
Histórias de vidas de Capelinenses 
A lenda do achado da recém nascida "Maria" na Aldeia de Capelins de Cima no dia 22 de Outubro de 1837, pelo Regedor desta Paróquia Senhor Vicente Rodrigues Lourenço. 

Como habitualmente, o Regedor da Paróquia de Capelins, no dia 22 de Outubro de 1837, levantou-se bem cedo, preparou-se para se fazer à vida e sai de sua casa ainda sem se ver um palmo à frente dos olhos, mas não foi preciso ver muito para imediatamente fazer um achado junto à sua porta, quando foi observar o pequeno vulto que tinha junto a seus pés descobriu uma linda menina. E agora? Sem ninguém à vista, pegou na inocente e levou-a para casa a mostrar à sua mulher o tão importante achado. E agora? pergunta a mulher! Agora é nossa, não a achei? Não aparece ninguém na rua, nem ouvi nada! E quem são os pais? São incógnitos não? Está resolvido e cala-te, logo vou já batizá-la e vamos chamar-lhe Maria, o nome de Nossa Senhora! Trata dela, dá-lhe leite ou que quiseres, veste-lhe lá alguma coisa que aí tenhas para ir já batizá-la com o meu Escrivão.
Assim que nasceu o dia, o Regedor chama o seu fiel escrivão o Senhor António Rodrigues Minino e conta-lhe do achado naquela madrugada! E agora? perguntou os fiel Escrivão! Agora vamos batizá-la e é já hoje, mesmo agora!
Lá vão os dois a caminho de Santo António, chegam e batem à porta da casa do Pároco, António Laurentino Sopa Godinho, a casa ao lado da Igreja de Santo António, este já estava levantado, mas ainda ensonado. Quem é? a uma hora destas! Sou eu, Padre Laurentino, o Regedor. Eh lá! acordou logo. Mau, coisa boa não é! O que quer este a esta hora... pensou o Padre Laurentino! Já vou abrir a porta! Quando abriu a porta da casa Paroquial o Padre Laurentino, não se apercebeu logo o que levava o Regedor nos braços! Diz-lhe este: Padre Laurentino, olhe o que eu achei em Capelins de Cima! E mostra-lhe a bebé, o Padre ficou atónito, por fim exclamou: E agora? Agora venho batizá-la. E quem são os pais? São incógnitos, não? E os Padrinhos? Então, os Padrinhos sou eu e aqui o meu Escrivão! Está tudo bem! vamos lá para a Igreja, que eu estou com pressa! Sendo assim, é só vestir-me! Diz o Pároco.
Entram na Igreja, faz o batismo e escreve este assento:
"Em os doze dias, digo vinte e dois dias d' Outubro de mil oitocentos e trinta e sete annos n' esta Parochial Igreja de Stº António de Capellins termo de Terena Arcebispado d' Évora baptizei solenemente, e puz os Stºs oleos a Maria filha de Pais incógnitos que me foi apresentada pelo Regedor d' esta Parochia Vicente Rodrigues Lourenço, que foi della Padrinho e o seu Escrivão António Rodrigues Minino moradores em Capellins de Sima desta freguezia e para constar fiz este termo que asignei em dia, mez e anno ut supra.
O Parocho: António Laurentino Sopa Godinho" 
A seguir o Paroco António Laurentino, puxou a porta da Igreja de Santo António e foi fazer e comer o almoço (pequeno almoço) e a Maria já baptizada foi para casa do Regedor em Capellins de Cima, onde foi criada como filha legítima e até hoje nunca se soube quem eram os verdadeiros pais dela.

Tudo isto é verídico e segue o assento desse batismo. 





terça-feira, 18 de julho de 2017

296 - Terras de Capelins 

História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 

A lenda do Cara linda amor da burra e o milagre de Nossa Senhora das Neves  
Conforme podemos confirmar através dos registos paroquiais de Santo António, desde 1635, estão registados muitos óbitos de parturientes, deixando orfãos algumas crianças que na maioria dos casos, por tradição, ficavam aos cuidados das avós. A nossa lenda retrata uma dessas situações verificada no mês de Junho de 1790, nas terras de Capelins, sendo atribuído um milagre de Nossa Senhora das Neves, a favor da criança em questão, que lhe valeu a sua sobrevivência. 
A Ti Maria da Encarnação, que morava no Monte do Escrivão, ao dar à luz o seu primeiro filho, ficou muito doente e, oito dias depois, acabou por falecer. Ainda amamentou o filho algumas vezes, mas era tarefa impossível devido ao seu estado o que ainda a deixava mais debilitada e, como geralmente se fazia, foi necessário procurar a boa vontade de uma mulher que tivesse uma criança recém nascida, ou que ainda estivesse a amamentar para, pelo menos, durante alguns meses, ajudar a amamentar a criança. Ainda antes do falecimento da mãe, já o pequeno Francisco andava em viagem três vezes por dia, com a avó materna, na burra, entre o Monte do Escrivão e Capelins de Baixo e era insuficiente, o Francisco chorava toda a noite com fome. A sua avó, Ti Antónia do Rosário, rezava e fazia promessas a Nossa Senhora das Neves, pedindo que aparecesse pelo Escrivão uma mulher que pudesse amamentar o Francisco, porque, não só era muito doloroso andar o dia todo a caminho de Capelins de Baixo, como o leite da ama não era abundante para duas crianças, tendo algumas vezes de recorrer a outras mulheres nas redondezas. A Ti Maria do Rosário não perdia a esperança e continuava a implorar a ajuda de Nossa Senhora das Neves. Um dia, depois de voltar de Capelins de Baixo, pediu a uma vizinha para ficar com o Francisco para ir lavar os coeiros ao pego das vacas na Ribeira do Lucefécit, levou a burra que tinha um borcalho (burrito) ficando este encerrado no cabanão e, enquanto estava lavando os coeiros do Francisco não parava de rezar, quando estava acabando a lavagem os seus olhos foram guiados para a burra e viu o leite a correr em abundância para o chão sem ser aproveitado. A Ti Antónia percebeu que era um milagre de Nossa Senhora das Neves, foi a correr para o Monte do Escrivão, entrou em casa, pegou numa tigela de barro e tirou mais de meio litro de leite à burra, encerrou-a no cabanão e foi cozer o leite, à noitinha quando o Francisco começou a chorar com fome, pegou-o ao colo e começou a dar-lhe o leite da burra, morno, gota a gota, numa colher, mas o Francisco, apesar de ter fome, não conseguia engolir e foi uma tarefa muito difícil que durou quase toda a noite. No dia seguinte, logo cedo, teve de levar o Francisco a amamentar a Capelins de Baixo, depois de dormir, acordou com fome e, ela continuou a dar-lhe leite da burra na colher, fazendo esse treino durante alguns dias, até que com muita paciência e insistência o Francisco começou a beber umas pinguinhas do leite da burra o que fez reduzir as viagens a Capelins de Baixo. Ao fim de alguns meses, o Francisco começou a comer umas pitadinhas de açorda de alho e muito leite de burra, dispensando o leite das amas, porque ele gostava mais de leite de burra e após a da avó deixar de ter leite, davam-lhe das burras dos ganadeiros que por ali andavam. Alguns anos depois, quando prendiam as burras à porta da taberna do Monte do Escrivão, o Francisco, já crescido, corria a mamar diretamente nas burras, ao desafio com os borcalhos. O rapaz cresceu saudável, bem constituído, muito engraçado, mas nunca mais se livrou da alcunha: "O cara linda amor da burra", mas não se importava, porque sabia que tinha sido o leite de burra que provavelmente lhe tinha salvado a vida. 
A este facto, ficou ligado mais um milagre de Nossa Senhora das Neves! 



295 - Terras de Capelins
História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 

As terras de Capelins que, parece já os romanos denominavam por Ferreira, (devido às minas de ferro), apresentam indícios da sua ocupação em toda a sua área geográfica por este povo no século I, há cerca de 2.000 anos, sendo a sua economia baseada na agro-pecuária e na exploração de minério em vários sítios. A produção era enviada para a capital da Lusitânia, Mérida, onde estas terras pertenciam, depois seguiam para a capital do Império, Roma. Para que os bens e pessoas, principalmente os exércitos imperiais, pudessem estar mais perto da capital, permitindo movimentos mais rapidos,  foi criada uma rede viária, muito sofisticada na época, quase toda empedrada e devidamente sinalizada, com miliários (tinham indicação e a distância em milhas de uma determinada cidade a outra, da província, ou à capital do império). Como a seguir podemos verificar, também, nas terras da atual Freguesia de Capelins, existia um itenerário romano no sentido Norte - Sul, por onde circulavam as pessoas e produtos da região. Este itenerário estava ligado à VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLXI (Lisboa - Mérida), ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)    CLXI milhas - 238.5 km.


    Diverticulum para Juromenha por Alandroal (vide Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001) 

    Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal e Juromenha, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da Capela (* as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota). 


    Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). A partir daqui é provável que derivasse uma via para Bencatel, uma ligação a Vila Viçosa (passando no vicus marmorarius designado outrora como «Vilares», compreendendo a ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e «Fonte da Moura», local onde apareceu um altar votiva de Canidius, IRCP375, hoje no Museu de Vila Viçosa) e para leste rumo ao rio Guadiana em Juromenha. Esta rede viária estaria muito ligada à exploração de mármores da região; uma outra via no sentido N-S servia também a actividade mineira oriunda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), confluindo todas nos eixos principais rumo a Mérida. 


    * "as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena"


Devido à pesquisa sobre as vias romanas nas terras de Capelins, viemos saber que, uma estátua de São Miguel da Mota serve de altar na Capela de Nossa Senhora da Boa Nova em Terena!

    (Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001) 

Miliário Romano (de Vila Viçosa)

























































domingo, 16 de julho de 2017

294 - Terras de Capelins 
História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 
Monumentos de Capelins 
Cruzeiros 
O aparecimento do Cruzeiro remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurou-se cristianizar todos os sítios e monumentos pagãos. A cruz era o símbolo usado para levar a cabo o processo de cristianização.
Com o imperador Constantino a cruz tornou-se no elemento simbólico dos cristãos, por imposição de sua mãe!
A cruz mede, dita e marca os lugares sagrados do verbo e da paz: igrejas, claustros, cemitérios, praças, caminhos, encruzilhadas, espaços sobe os quais aparece a verticalidade e a horizontalidade do mastro, da cruz, imagem adorada de um altar. É a concentração e a difusão, a convergência e a divergência e está relacionada com as quatro estações, com os tetramorfos, com os símbolos dos quatro evangelistas. A cruz é todo um universo de conjugações.
A figura geométrica das duas hastes tornou-se no sinal mais elementar e divulgado da piedade cristã, o mais conhecido do cristianismo, o mais usado nos atos do culto e, mesmo depois da morte, assinala a sepultura de todos aqueles que descansam em Cristo.
Assim, os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os erigiram como promessa.
São padrões por excelência da cristandade. Em terra cristã é símbolo de crença e elemento falante na paisagem humanizada. Vai do interior de povoações até aos píncaros do horizonte, por estradas amplas e caminhos rústicos. Reduzem-se à maior simplicidade de, ou a aprimoram feição artística, de granito rude, ao mármore fino, imagem de Cristo pintada ou esculpida, em alto relevo ou em pleno corpo; ou com figuras complementares.
Os Cruzeiros têm aquela rara e única beleza que a alma lhes dá e os olhos não conseguem vislumbrar e que só a fé faz ver.
Um Cruzeiro é uma cruz de pedra, ou metal, erguida ao ar livre, no adro de igrejas, ou em encruzilhadas, praças, cemitérios ou outro lugar!
Os Cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias.
Por trás de cada Cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.
Nas encruzilhadas das incertezas, por onde um parte e por onde outro vem, está o cruzeiro de pedra, como testemunho das mais íntimas ânsias.
No local onde se cometeu um pecado, onde se adorou um ídolo pagão, onde aconteceu uma tragédia, um assalto, uma morte, edificava-se um cruzeiro.
Marcam, pois, locais de acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos.
Os Cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja e dão a volta ao redor do Cruzeiro. 
Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí realizavam-se rituais pagãos que remontavam ao culto dos Lares Viais.
Os Cruzeiros sagram locais, dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.
Constituem óptimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas do povo, nas várias épocas da sua história.
O Cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo de pedra que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.
Cada Cruzeiro tem uma história muito particular que, em muitos casos, deveria ser incluída nos conjuntos paroquiais, tão pouco estudados: igreja, adro, cemitério, ossário e casa paroquial.
“ O cruzeiro é inseparável da paróquia dos vivos e da paróquia dos mortos”.

Pesquisa na net
Cruzeiros de Capelins, onde atualmente ainda existem 8 






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