sábado, 17 de junho de 2017


285 - Terras de Capelins 

Primeira Travessia Pedestre, na Diagonal, em Passeio, da Freguesia de Capelins - De Santa Clara - Azenhas D' El - Rei, em 14 de Maio de 2017 
No dia 14 de Maio de 2017, conforme planeado, pelas 09:15 horas, demos início à primeira travessia pedestre, na diagonal, em passeio, da Freguesia de Capelins, com saída do cruzamento da estrada de Reguengos para Cabeça de Carneiro e Monsaraz, este lugar, noutros tempos, era designado por "curva", a partir daqui existia um caminho milenar, que permitia chegar de/a Ferreira de Capelins, passando a norte do Monte da Sina ou pela Igreja de Santo António e chegar mais rapidamente a Santiago Maior, Montoito, Reguengos e outras localidades, com as carroças, charretes, cavalos, burros ou a pé, mas parte desse caminho já desapareceu, assim, seguimos cerca de trezentos metros pela estrada para Cabeça de Carneiro e passámos junto ao lugar onde se juntam as três Freguesias: Capelins Santo António, Santiago Maior e São Pedro (Terena), logo a seguir, à esquerda surgiu uma porteira na cerca de arame farpado e outro, que nos permitiu seguir por um caminho milenar, pela propriedade designada por Fontanas e que intercetava o descrito anteriormente, junto à herdade da Sina. Através deste caminho, já com poucos troços visíveis demos entrada na Freguesia de Capelins e seguimos, observando tudo o que a vista alcançava, ao perto e ao longe, em direção à histórica Serra da Sina, antiga montaria do reino, desde D. João I, onde chegámos e atravessámos em menos de uma hora, ainda avistámos a Igreja de Santo António, mas seguimos pela herdade das Areias, pensando seguir em linha quase reta para Montejuntos, mas ao chegarmos aqui, deparamos com uma manada de vacas a pastar, onde existiam algumas de braveza duvidosa, senão bravas, que nos obrigaram a mudar o rumo para a esquerda e entrar na herdade do Terraço, foi uma volta mais longa, que nos atrasou pelo menos meia hora, até à herdade do Seixo e, daqui passamos para o Baldio, até à estrada de Cabeça de Carneiro - Montejuntos, que atravessamos cerca das 12:00 horas. Seguimos pela estrada pavimentada para as Azenhas D' El-Rei, mas após passarmos o Monte da Amadoreira Velha, virámos à direita na horta da Amadoreira (do Pisco), pelo antigo caminho do Bolas, onde chegamos cerca das 13:00 horas, dali subimos até à praia da liberdade, no entanto, fomos obrigados a saltar três cercas de arame, porque desapareceram os antigos caminhos, depois fomos o mais próximo que nos permitiram do nosso objetivo, ou seja, as Azenhas D' El-Rei onde, pelas 13:30 horas, finalizamos o nosso agreste passeio! 

Logo aqui, começa a Freguesia de Capelins Santo António



sábado, 10 de junho de 2017

284 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A Lenda da Partida do Ti Xico Charrua ao Ti Pedro Louceiro 

O Ti Xico Charrua era um taberneiro, dono de uma taberna que existiu em Capelins de Baixo, cerca do ano de 1836, que veio de Vila Viçosa com a sua família à procura das oportunidades anunciadas nas terras de Capelins, para onde vieram muitas famílias, devido à partilha das herdades em courelas, que foram vendidas ou arrendadas aos seareiros. O Ti Xico Charrua vendia vinho, aguardente e pouco mais, às vezes algum licor e não havia mais nada, porque, também ninguém comprava mais nada, também gostava de beber o seu copinho de vinho e dominava todas as conversas, sabia sempre mais do que os fregueses, como diziam, ficava sempre por cima, ninguém se atrevia a contrariá-lo, até ao dia em que chegou a Capelins de Baixo, o Ti Pedro Louceiro, natural do Redondo que vendia louça de barro, com o seu burro, pelos Montes e Aldeias, entre o Redondo e o rio Guadiana. Carregava o seu burro no Redondo, com panelas de vários tamanhos, tigelas de fogo, cântaros, cântarinhas, barris, barranhões, alguidares e algumas louças miúdas, dava essa volta e só voltava ao Redondo quando tivesse vendido tudo, carregava novamente e fazia sempre a mesma volta, algumas vezes ao contrário, se tivesse alguma encomenda de relevo, tarefas para as azeitonas ou azeite ou alguidares grandes. O primeiro embate de conversa entre o Ti Xico e o Ti Pedro, deu logo que falar na região, diziam que o Ti Xico não esteve à altura e teve de se calar, nem piava e mais isto e mais aquilo. Cada vez que o Ti Pedro entrava na taberna, o Ti Xico ficava irritado porque não se podia expandir e ficava retraído, os fregueses sabiam disso e alguns picavam, dizendo-lhe que o Ti Pedro sabia muito e sabia o que dizia e ele para não ficar envergonhado tinha de se calar. Aquela situação atormentava-o e começou a dar voltas à cabeça para encontrar uma maneira de o enrolar, mas o homem sabia mesmo muito e o caso estava difícil de resolver. Uma tarde, o Ti Pedro chegou com o burro carregado de louça e entrou na taberna, cumprimentou os presentes, puxou da sua bucha, um pão, azeitonas, toucinho, torresmos, uns figos secos, uma grande fartura para a época, era já a ceia (jantar), pediu um copo de vinho e comeu sem dizer nada. Entretanto começou a chover muito e fez-se de noite muito cedo, o Ti Pedro era para ir dormir ao Monte da Zorra, mas com tanta chuva começou com medo de se meter a caminho e pediu ao Ti Xico se podia dar-lhe guarida, no cabanão das burras, onde ele tinha uma tarimba com umas sacas de palha e servia para algum almocreve ou maltêz ali dormir. O Ti Xico não esperava aquele pedido, porque o Ti Pedro nunca ali tinha dormido, ficava sempre no Monte da Zorra ou da Negra, mas repentinamente viu a oportunidade da vingança e respondeu: Pode dormir ali, pode, e até pode dar palha da minha ao burro, mas em troca tem de me prometer uma coisa! 
- Ti Pedro: Então diga lá Ti Xico! 
- Ti Xico: Dorme ali na tarimba, no cabanão das minha burras, mas tem de me prometer que não se borra na cama! 
- Ti Pedro: Então, mas que conversa é essa, eu sou lá homem disso? 
- Ti Xico; Não sei, não era o primeiro, depois eu é que tenho de lavar as sacas da palha, por isso, é pegar ou largar, mas mais uma condição, no caso de se borrar na cama eu vou contar a toda a gente das terras de Capelins e arredores, está bem?
- Ti Pedro: Oh homem, se quer assim, está bem, já lhe disse que não sou pessoa para isso! 
- Ti Xico: Então vá, mas não esqueça o combinado, pode descarregar o burro, metê-lo no cabanão e se quiser pode deitar-se! 
- Ti Pedro: É Já mesmo agora, hoje estou muito cansado, abalei do Redondo de madrugada e ainda não parei, até amanhã e foi-se deitar! 
O Ti Xico, já tinha na ideia como seria a vingança e assim que fechou a taberna, foi a correr ao chiqueiro do porco, apanhou um pouco de cócó, para um caco, misturou-lhe água e farinha, misturou tudo bem, era um cheiro péssimo, empurrou muito devagarinho a porta do cabanão e logo à entrada já ouvia o Ti Pedro a ressonar, dormia profundamente, virado de lado. mesmo a jeito do Ti Xico lhe colocar o material por baixo das nádegas e saiu como entrou. Pela noite dentro, o Ti Pedro virou-se na tarimba e ficou todo envolvido na massa mal cheirosa, acordou muito aflito, cheirou-lhe logo muito mal, meteu lá a mão, levou ao nariz e exclamou alto: Ai minha mãe, já me borrei todo! E agora? Deixou-se ficar quietinho, a massa foi secando e logo de madrugada carregou o burro com a louça, meteu-se ao caminho, foi lavar-se ao ribeiro da estrada e seguiu de Monte em Monte a vender a sua louça. O Ti Xico, não contou nada a ninguém, mas os fregueses andavam desconfiados, por aquela mudança, nas conversas o Ti Pedro estava sempre ao lado do Ti Xico, que voltou a cantar de galo e quando o Ti Pedro o tentava contrariar ele olhava para ele e exclamava: Tarimba! Para o lembrar o que tinha acontecido na tarimba (cama), o outro mudava logo a conversa a seu favor. Anos mais tarde um compadre do Ti Xico perguntou-lhe o que se tinha passado, porque toda a gente sabia que ele tinha o Ti Pedro na mão e também queria saber o que queria dizer "Tarimba", que fazia corar o homem? Foi então que o Ti Xico contou tudo ao compadre e a partir daí soube-se pelas terras de Capelins, onde, ainda hoje, a palavra "Tarimba" significa, entre outras coisas, "cala-te", "põe-te a andar daqui"! 
O Ti Pedro louceiro, entretanto, deixou de aparecer a vender louça de barro, devido à sua idade e o Ti Xico Charrua continuou a cantar de galo na sua taberna em Capelins de Baixo!
Outros tempos! 



quinta-feira, 8 de junho de 2017

283 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da Perua do Rabo Alçado, Que Quase Acabou Num Assado 
Contam que, num sábado, nos finais do mês de Maio do ano de 1889, o Ti António Borralho, que morava em Capelins de Baixo, pelas 11 horas da noite vinha do Monte Santa Luzia, dormir a sua casa e fazer a mudança semanal da roupa. Como teve de deixar o gado tratado e de cear (jantar), acabou por se meter a caminho já tarde. Quando estava chegando ao alto do malhão começou a ouvir grande alarido de conversa de mulheres, ficou muito surpreendido, por andarem mulheres por ali àquela hora, ouvia as vozes cada vez mais perto mas não avistava ninguém e a curiosidade ia aumentando, quando lhe pareceu que já estavam muito perto, saiu da estrada e escondeu-se atrás de uma moita de arbustos e dali avistou três peruas a andar na sua direção e falavam como mulheres, ainda pensou que estava a sonhar e deu uma palmada na própria face para se certificar que estava acordado, em poucos minutos vieram-lhe muitas ideias à cabeça, talvez as vozes fossem de mulheres que viessem atrás das peruas e sem noção do que estava a fazer, meteu os dedos na boca e deu um forte assobio dobrado, as peruas assustaram-se e levantaram voo, duas passaram-lhe por cima, mas uma que tinha o rabo muito pesado foi-lhe cair mesmo em cima. O Ti António, apercebeu-se que era mesmo uma bela e gorda perua e meteu-a logo debaixo do braço, continuando o seu caminho para Capelins de Baixo, fazendo planos de como seria o bom almoço de ensopado ou assado de perua no dia seguinte. As peruas eram feiticeiras que moravam em Capelins de Cima e em Capelins de Baixo e que nessa noite tinham sido convocadas pelo mafarrico para o baile no pego da azinheira, na Ribeira do Lucefécit, um lugar ensombrado, onde tinham de estar à meia noite em ponto, quando iam a subir a estrada do malhão, uma alertou as restantes para o risco que estavam a correr, podiam ser vistas por alguém e o melhor seria transformarem-se em peruas, porque se fosse preciso, depressa se escondiam nas searas ou podiam voar e chegar mais depressa ao baile, logo todas concordaram que seria assim. A Ti Margarida, era gorda, tinha grande rabo, e ao transformar-se em perua ficou um pouco desequilibrada, com o rabo alçado e ia caminhando com dificuldade, foi por isso que falhou o voo e foi cair em cima do seu compadre o Ti António Borralho e agora estava metida num grande sarilho. As outras feiticeiras aperceberam-se do que tinha acontecido e voltaram para trás acompanhando a situação à distância para no caso da Ti Margarida conseguir fugir, se fosse necessário, fazerem algumas manobras de diversão para o despistar, mas nada, a Ti Margarida bem estrebuchava, mas ele não largava a presa. Quando ia passando o poço da estrada, já cansado com o peso e esperneamento da perua, desabafou em voz alta: - Vou-te já cortar a goela aqui, não me fujas tu, meteu a mão ao bolso para tirar a navalha e foi naquele momento que a Ti Margarida juntou as forças, deu um grande safanão e libertou-se, voando por cima da parede da horta e meteu-se pelo ribeiro abaixo e o Ti António, nunca mais lhe pôs a vista em cima! Seguiu para casa, triste por ter perdido um almoço tão generoso e as feiticeiras seguiram para o seu baile a correr e a voar e na hora marcada estavam aprumadas para entrar no baile sobre o olhar ameaçador do mafarrico que se apercebeu do que se tinha passado! O Ti António Borralho, no Domingo de manhã, correu a aldeia a contar a sua aventura da noite anterior, mas poucos acreditaram! 
Peripécias de outros tempos!

Alto do malhão 
Ferreira de Capelins 



segunda-feira, 5 de junho de 2017


282 - História de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins

Os casamentos em 1891 na Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins 

Em 1891 realizaram-se 10 casamentos na Ermida de Nossa Senhora das Neves, que foi elevada a igreja Paroquial para esse efeito. O primeiro casamento entre Joaquim Ramalho e Mariana de Jesus, foi em Agosto de 1891, casados pelo iniciado Pároco João Manuel Queimado, que assina como Pároco Encomendado, vindo substituir o Pároco João Simões Mathias, que só o encontramos nos assentos Paroquiais até Maio de 1891, sendo substituído por 1/2 meses, pelo Pároco Encomendado de São Thiago Maior António Augusto. O Pároco Queimado, já consta num assento de óbito no dia 21 de Julho de 1891. Ainda em Agosto de 1891, o Pároco João Manuel Queimado, tornou-se Pároco efetivo da Paróquia de Santo António de Capelins e foi este Pároco que realizou os 10 casamentos na Ermida de Nossa Senhora das Neves, porém, nunca deixou de fazer as cerimónias religiosas como, batismos e óbitos na Igreja de Santo António. O último casamento realizado na Ermida de Nossa Senhora das Neves foi o de Joaquim Batista com Maria Rosário em Novembro de 1891. 
O nosso dilema é saber porque motivo os casamentos entre Agosto e Novembro de 1891 foram realizados na Ermida de Nossa Senhora das Neves, continuando as cerimónias religiosas referentes aos batismos e óbitos a ser efetuadas na Igreja de Santo António de Capelins. 
Não conseguimos encontrar outra justificação a não ser a da realização de grandes obras na Igreja de Santo António, mas em todas as fontes que pesquisamos não encontramos comprovativos específicos, a não ser o seguinte, que consta no Inventário Artístico de Portugal do Distrito de Évora de Túlio Espanca de 1978 que na descrição sobre a Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, escreve:
"Do primitivo edifício, em traça de fins do século XVI - alvores do imediato, apenas subsiste o presbitério cupular, algumas empenas laterais de cornijas polilobadas, em grossa alvenaria rebocada, e o portal granítico, adintelado, de verga losângica e cruz relevada.
A fachada de frontão arredondado, sofreu uma profunda modificação na centúria oitocentista que alterou as proporções da nave e lhe fez perder o alpendre". Pensamos estar aqui a resposta, está bem explícito que a Igreja de Santo António de Capelins, foi alvo de grandes obras nos anos de 1800. As obras aqui descriminadas, certamente, tinham de impedir o natural funcionamento da Igreja e, ao percorrermos os assentos Paroquiais de casamentos, batismos e óbitos, dos anos de 1800, só no ano de 1891 se verifica a transferência da realização dos casamentos para a Ermida de Nossa Senhora das Neves. Quanto aos batismos, provavelmente, como juntavam duas a seis pessoas, podiam ser realizados num pequeno espaço, ou eventualmente, na casa Paroquial!
Em conclusão, sem provas concretas, parece-nos que, a realização dos dez casamentos realizados na Ermida de Nossa Senhora das Neves, entre Agosto e Novembro de 1891, foi devido às obras de alteração do edifício da Igreja de Santo António de Capelins, referidas por Túlio Espanca. 

Igreja de Santo António de Capelins


domingo, 4 de junho de 2017

281 - História de Capelins 
Das Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima a Ferreira de Capelins
As Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima, tiveram origem em alguns Montes (habitações), que surgiram nesta região a partir de 1698, como o Monte Grande, onde estava instalado o Alcaide e outros administradores da Vila Defesa de Ferreira, Concelho do Estado do Infantado, Monte dos Capelins (Gomes), Monte do Meio, Monte do Pinheiro, Monte da Figueira e outros. Em 1712, já existiam as duas aldeias, que foram crescendo à medida das necessidades dos seus moradores, porém, nunca se encontraram, existindo sempre um espaço vazio em termos habitacionais e, alguma rivalidade saudável entre os residentes, embora com famílias misturadas entre ambas. Em 06 de Novembro de 1836, por um regulamento de Mouzinho da Silveira, estas duas aldeias desapareceram em termos administrativos, dando lugar a uma única, denominada Ferreira de Capelins. Em Fevereiro de 1921, não existindo aqui instalações para a Junta de Freguesia, esta foi instalada em Montes Juntos. Cerca do ano de 1949, foi construída a escola de instrução primária, com duas salas de aulas, com lareira, mas sem lume, compartimento de entrada, com cabides, onde se penduravam as boinas, chapéus e sacos ou malas do lanche, também era aqui que, geralmente, se fazia o presépio no Natal de cada ano, embora em alguns anos também se fizesse na própria sala de aulas, junto à lareira, um pátio ou alpendre para brincar no recreio, em caso de muito frio ou chuva, casas de banho para rapazes e raparigas, com águas correntes vindas de um pequeno depósito que se abastecia através de uma bomba manual ligada a um poço e ainda, um grande espaço envolvente para praticar diversos desportos, (futebol, ringue, pateira, pião e outros). A escola foi construída ao meio das duas aldeias, junto ao Monte do Meio. 

Depois de Abril de 1974, devido à melhoria no nível de vida da maioria dos seus habitantes e, surgindo a oportunidade de comprar parte do ferragial grande, situado entre as paredes do Monte Grande e a escola (de Norte para Sul, do lado direito), para o dividirem em cinco lotes e aí construírem as suas moradias familiares, foi o que fizeram os seguintes residentes: Ti José Russo, Ti João Moreira, Ti José Batista; Ti Manuel Moreira (Ti Bagage) e Ti António Canhão. Alguns anos mais tarde, também foi comprada outra parte do mesmo ferragial, situada, neste caso, no mesmo sentido, mas do lado esquerdo, por: Centro Cultural, Ti João Batista, Ti António Mexias, Ti Domingos Aldeias, Ti Celestino Bexiga, Ti Miguel (Aninho), e Ti Joaquim Moreira, (Mariano), sendo dividido em sete lotes e foram construídas as seis moradias familiares e o Centro Cultural, do lado da escola. Além do crescimento da aldeia neste espaço geográfico, também nesta mesma época surgiram outras moradias noutros lugares que aumentaram significativamente a aldeia de Ferreira de Capelins!


Ferreira de Capelins - parte aumentada após 1974 


sábado, 3 de junho de 2017

280 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da andorinha e a Freira de Capelins 
As andorinhas são aves diferentes de qualquer outra, sempre nos disseram que eram as aves de Deus, Nosso Senhor, e tínhamos de as proteger em caso algum lhe podiam fazer mal. Faziam os ninhos dentro das chaminés, passando os serões na companhia dos moradores das respetivas casas, cuja presença não as incomodava. Algumas vezes, desorientavam-se ao sair do ninho e, embora conhecessem bem a entrada e saída pela chaminé, seguiam o caminho contrário e começavam a esvoaçar dentro de casa, quando se cansavam, pousavam e deixavam-se apanhar para serem libertadas na rua. Quando isto acontecia, algumas pessoas atavam-lhe uma fita colorida a uma das asa, fazendo um lacinho e por vezes com um bilhete com uma frase, de forma a não as incomodar de voar e algumas voltavam ainda com o lacinho no ano seguinte. A lenda que vamos descrever envolve uma andorinha que através de um bilhete que transportou atado à asa decidiu a vida de uma rapariga de Capelins que se fez freira. 
Os lavradores do Monte do Roncão tinham duas filhas, a Maria a mais velha e a Margarida, que estudavam no Alandroal, onde também tinham uma casa, mas passavam as férias escolares naquele Monte. Um ano pela Páscoa, estavam falando sobre a profissão que gostariam de ter, com a janela aberta e entrou uma andorinha a esvoaçar pela casa, quando se cansou pousou num móvel, a Maria apanhou-a e lembrou-se de lhe atar um lacinho com um bilhete. Pediu à irmã para segurar a ave e escreveu: "De onde vens e para onde vais?", fez um rolinho com o papel, pegou numa fitinha, atou-a por baixo da asa e libertou-a. O tempo passou e Maria continuava a pensar que profissão devia seguir e não conseguia encontrar nenhuma atividade pela qual tivesse gosto a não ser alguma que fosse para fazer bem ao próximo e a sua tendência era ir para freira, mas deparava-se com dois problemas, um era a aceitação pela parte dos pais e o outro, era qual a Congregação onde devia entrar! Passou mais um ano e chegou outra Páscoa e as irmãs novamente no Monte do Roncão. Estavam nos preparativos Pascoais e tinham a janela aberta e entrou uma andorinha em casa, voou até se cansar, quando pousou a Maria foi a correr apanhá-la e reparou que trazia um lacinho com um bilhete debaixo da asa, tirou-o, e como estava nervosa, soltou-a saindo pela janela. Quando abriu o bilhete estava escrito: "Venho do Convento das Doroteias", por momentos ficou sem palavras, porque tinha ali a resposta ao que a atormentava havia quase um ano, achou que era um chamamento de Deus para a Congregação das Doroteias e a partir daquele dia entrou nela grande alegria e, comunicou aos pais o que se passava e qual era o seu grande desejo. Os pais ainda tentaram demovê-la, mas compreenderam e aceitaram a sua vontade. A Maria entrou como noviça no Convento das Doroteias, onde chegou a Madre Superiora, mas até ao fim da sua vida, nunca esqueceu as suas origens de Capelins!

Andorinha




segunda-feira, 29 de maio de 2017


279 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda do salteador das terras de Capelins 

Como sabemos, apesar da justiça ter mão pesada, existiam muitos salteadores por todo o reino de Portugal ao longo dos tempos e, também as terras de Capelins tiveram o seu notável salteador nas últimas décadas de 1700. A criatura apareceu sem ninguém saber de onde, vivia escondido pelos matos em várias choças e assaltava os transeuntes mais descuidados e que viajavam sozinhos. Assustava mais do que roubava, porque pouco havia para roubar, a sua figura física deixava qualquer um a tremer de medo, era alto e bem encorpado e tinha um golpe de faca na face direita, que por não ter sido tratado deixava descair a face realçando o olho direito. Nos seus assaltos saltava sempre em frente do alvo munido de uma faca das "matanças" e gritando: "a bolsa ou a vida", poucos assaltados tinham bolsa e nunca tirou a vida a ninguém, levava alguma coisa para comer e pouco mais, mas isso ficava mal às gentes das terras de Capelins, que o apelidaram de Zé da faca. Um dia, como habitualmente, o Pároco Laurentino da Paróquia de Santo António, foi rezar a missa à Ermida de Nossa Senhora das Neves, porque ainda lá havia uma grande comunidade e devido a vários condicionalismos, convidaram-no para cear (jantar) que ele não podia recusar e voltou já à noitinha. Quando seguia pelo caminho do vale de enxofre acima, na Defesa de Ferreira, saltou-lhe o Zé da faca ao caminho gritando: "a bolsa ou a vida", o Pároco teve vontade de rir, mas ao ver a faca virada para ele, ficou sério e depois respondeu: Bolsa não tenho, mas a vida é tua, posso é dar-te a batina e o crucifixo que tenho ao peito! O Zé da faca ficou muito pensativo sem saber o que dizer, depois exclamou: Não quero nada disso, para que me serve? Ainda nunca me aconteceu uma coisas destas, que triste vida a minha e outras lamurias! Continuava com a faca apontada ao Pároco Laurentino, mas ele colocou-lhe a mão no ombro e pediu-lhe para se sentar. Sentaram-se os dois no chão a falar, ninguém soube o que o Pároco lhe disse, mas sabe-se que o Zé da faca arrependeu-se do que fazia, chorou e pediu a penitência ao Pároco, que lhe a concedeu, comprometendo-se ele, a partir daquele dia ficar pelas terras de Capelins, mas em vez de fazer o que fazia, começava a proteger e ajudar as pessoas que cruzavam aqueles caminhos e o Pároco ajudava-o. O Zé da faca aceitou logo e começou imediatamente a cumprir o que tinha prometido ao Pároco Laurentino! 
O Pároco, nas missas, informava os fregueses sobre a mudança que se tinha dado com o Zé da faca, mas poucas pessoas acreditavam, e assim ao inicio de uma noite de inverno o Ti Manoel Gomes regressava a sua casa em Capelins de Cima com a carroça carregada de lenha da Defesa de Ferreira, e deu-se um pequeno acidente, teve de descarregar a lenha, para meter a carroça no caminho, o Zé da faca andava por perto e ao ouvir a azáfama aproximou-se para ajudar, mas o Ti Manoel pensou que ele o ia assaltar, apanhou o machado e desferiu-lhe um golpe que lhe rachou a cabeça de alto a baixo, ficando o Zé da faca logo morto. O Pároco Laurentino soube do acontecimento e tendo a certeza que ele apenas queria ajudar o Ti Manoel Gomes, fez-lhe um funeral com todos os Sacramentos, como um bom cristão! 
O Ti Manoel não foi preso, porque supostamente, agiu em legitima defesa, ficou muito arrependido, mas não havia nada a fazer!
Muitos capelinenses diziam que, o Zé da faca morreu por querer ser bom! Mas foi um engano! 

Ribeiro das Neves


584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...