sexta-feira, 28 de abril de 2017

267 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins


A lenda do casamento por uma courela no Carrão

Nos tempos, não muito distantes, nas terras de Capelins e não só, eram os pais que decidiam com quem as suas filhas casavam, ou seja faziam a escolha dos respetivos maridos, cujos critérios eram em primeiro lugar os haveres ou perspetivas de heranças materiais que eles viessem a receber, o dote, aliado à linhagem, que primava por as famílias serem consideradas honradas. A fisionomia ou estrutura física estava em segundo lugar e se as filhas gostavam ou não do marido escolhido estava em último lugar. Esta peripécia que vamos contar, é sobre uma situação em que dois pais ajustaram o casamento dos filhos devido à estratégia de, no futuro, juntarem duas courelas muito boas, uma de cada um, que tinham no Carrão. 

O Ti Luís e o Ti José, eram seareiros e compadres, porque tinham afilhados em comum, um dia, andavam a lavrar nas suas courelas do Carrão e, no momento em que vieram voltar as parelhas de mulas ao topo das respetivas courelas, encontraram-se, cumprimentaram-se e começaram a falar do tempo, das searas, das suas vidas e a conversa foi por ali adiante, assim:
- Ti Luís: Eh compadre temos aqui umas boas courelas, as melhores que existem no Carrão e por aí! 
- Ti José: Pois temos, compadre, mas olhe que nós também as tratamos muito bem, vê-se aqui o resultado do nosso trabalho!
- Ti Luís: Oh compadre, as nossas duas courelas juntas, davam o governo de uma casa, dá-se aqui de tudo!
- Ti José: É mesmo isso que tenho pensado, compadre, e já agora, não leve a mal o que lhe vou dizer compadre! 
- Ti Luís: Ora essa compadre, parece-me lá mal alguma coisa, diga lá, faça favor! 
- Ti José: Então e se a minha filha Maria casasse com o seu filho o João, assim, já podíamos juntar as duas courelas e ficava só uma para eles!
- Ti Luís: Oh compadre, eu não tenho pensado noutra coisa, isso era o melhor que podíamos fazer! Mas oh compadre, ela "cararáu"? 
- Ti José: Oh compadre, mas desde quando é que ela tem de querer, ou deixar de querer? 
- Ti Luís: Desculpe, pois não compadre, pois não tem, mas há aquele problema com o meu João e assim, não sei! 
- Ti José: Mas qual problema compadre! Ele nem coxeia muito e, onde é que a minha Maria vai arranjar um rapaz com tantas terras como vai ter o seu João? E estas courelas! Está resolvido compadre! 
E ficou combinado entre os compadres que a Maria casava com o João, gostasse ou não dele! 
A situação foi comunicada às famílias e a Maria, mais tarde, casou com o João, que não amava, nem nuca amou, não por ser coxo ou feio, ele era muito boa pessoa e tratava-a muito bem, mas ela nunca foi feliz, porque quando o casamento foi ajustado, havia muitos anos que andava perdida de amores por um rapaz do Monte do Salgueiro, que nunca conseguiu esquecer, mas era assim nos anos de 1850, podiam casar por uma courela, mesmo sem amor! 
Hoje, já ninguém casa por courelas! 



terça-feira, 25 de abril de 2017

266 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins


A lenda do Baile das Feiticeiras com os Rapazes do Monte do Aguilhão que vinham da Festa das Cruzes de Capelins


Decorria o mês de Maio de 1870 e, como habitualmente, realizou-se a Festa da Santa Cruz nas aldeias de Capelins, além de muita diversão e da parte religiosa, à noite realizavam-se grandes bailes, pelo menos em duas noites, sendo o baile da noite mais forte abrilhantado por um conjunto de Jaz, designado pelo Jaz e Banda, tipo Orquestra ligeira e nas outras noites por um tocador de harmónio, (tipo concertina, com uma/duas palhetas) e que toda a noite tocava o "arroz com couve". Às Festas da Santa Cruz, vinham gentes de toda a Freguesia, de todos os Montes, e das terras vizinhas, porque já nessa época tinham grande fama! Nesse ano vieram à Santa Cruz de Capelins, dois rapazes do Monte do Aguilhão, que se divertiram o mais que puderam e quando chegou à sua hora de voltar a casa puseram-se a caminho pela estrada do Monte da Ramalha, Monte da Zorra, Ribeiro do Carrão, herdade do Roncão, onde passavam a Ribeira do Lucefécit e, era quase um reta até ao Monte do Aguilhão. Quando iam passando o Ribeiro do Carrão, quase às duas da manhã começaram a ouvir grande barulho de festa, gritos estridentes de mulheres e ficaram assustados. Diz um para o outro: Tu estás a ouvir o mesmo que eu? Então não estou! Disse o outro! Vamos ver o que se passa aí para baixo, (no Ribeiro do Carrão). Já tinham ouvido falar dos bailes de feiticeiras, onde elas dançavam nuas na presença do mafarrico, mas pensaram sempre que não passava de boatos do povo. Aquela noite, era Festa das Cruzes, suas inimigas, então, fugiram todas de Capelins. Os rapazes foram descendo o Ribeiro e não queriam acreditar no que estavam a ver, era um grande grupo de mulheres, algumas que eles conheciam e até de família que dançavam, pulavam nuas envolvidas num histerismo com mistura de loucura. Foram-se chegando cada vez mais, até ao ponto de, sem darem por isso, já andavam a dançar com as feiticeiras, na mesma loucura. Quando o sol já estava a raiar, acordaram sobressaltados a ouvir uma voz que lhe parecia que vinha do além e dizia: "Seus malandros, seus desenvergonhados, o que estão fazendo aqui? E uma destas hem!, Vai-te a eles piloto", e foi quando acordaram, com o piloto, o cão de guarda das ovelhas do Roncão quase a caçá-los. Ainda disseram ao pastor: Estávamos no baile! Um lindo baile, sim senhor, os dois nus e agarradinhos um ao outro, eu já lhe dou o baile! Disse o pastor! Os rapazes do Aguilhão, só tinham as botas calçadas, mais nada vestido, mas ao fugir ainda apanharam as ceroulas e não quiseram saber do resto da roupa, correram tanto, que só pararam quando iam quase a chegar ao Monte do Aguilhão, para combinar o que diziam quando os vissem chegar naquele estado. Depois de muito pensar, concluíram que a melhor versão era dizerem que tinham sido assaltados e que lhe tinham roubado a roupa! Assim, quando chegaram ao Monte do Aguilhão, ficaram todos admirados ao vê-los chegar só com as botas e as ceroulas e, eles apressaram-se a contar o que tinham combinado. Esta situação foi muito falada por toda a região, uns acreditaram, outros não, mas nessa altura ninguém soube a verdade, só contaram mais tarde, porque o pastor do Roncão era homem de pouca conversa e nunca abriu a sua a boca para contar o que tinha visto e, eles também não puderam contar nada sobre o baile das feiticeiras porque também tinham o rabinho preso! 





domingo, 23 de abril de 2017

265 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

A lenda da donzela falsa grávida


Como sabemos, se noutros tempos, uma rapariga ficasse grávida sem casar era um grande escândalo e muita vergonha para ela e para toda a família. Esta lenda que vamos descrever passou-se nas terras de Capelins há cerca de 150 anos e aconteceu com uma donzela, filha do lavrador António Gomes do Monte da Negra. 

Os lavradores do Monte da Negra tinham cinco filhos, um dia uma das filhas adoeceu com enjoos e má disposição, começou a comer mais do que o normal e, passado pouco tempo a sua barriga começou a crescer. A sua mãe e irmãs notaram que existia alguma coisa de anormal, todos os sintomas eram de gravidez, mas todas sabiam que não namorava e que nunca se tinha afastado do controlo da mãe e das irmãs mais velhas, como seria possível estar grávida? Falaram com ela, que sempre negou estar grávida, mas a barriga cada vez estava maior e o pai acabou por ver que a barriga de Joanna não era normal, confronto-a e, ela negou que não estava grávida, mas os sintomas eram tão evidentes que o pai insistiu para ela lhe contar quem a tinha "enganado", mas a Joanna sempre negou. O pai perdeu a paciência e disse-lhe que se ela não lhe contasse quem era o pai da criança que a punha fora de casa, porque não podia passar por uma vergonha daquelas. A Joanna chorava, chorava e negava que não estava grávida. O lavrador do Monte da Negra, não teve outra alternativa, porque a sua honra era tudo, senão expulsá-la de casa. Disse-lhe: Vai-te embora daqui para casa das tuas tias em Terena e não apareças mais nesta casa. A Joanna e toda a família choraram muito, mas não podiam fazer nada, apanhou uma trouxa com algumas coisas e de manhã saiu de casa, jurando que não estava grávida, decerto era qualquer doença, mas a família não acreditou. Foi pela Senhora das Neves, onde rezou, pela Boeira e, depois de passar o Ribeiro de Alcaide, ainda a chorar, ouviu uma voz: - Então rapariga, o que tens? Ficou assustada, mas uma mulher, logo a sossegou dizendo: - Não tenhas medo, que eu não te faço mal, diz-me lá o que tens? Disse a mulher! Eu? Disse a Joanna! Pois tu, há aqui mais alguém? Disse a mulher! Eu não tenho nada! Disse a Joanna! Mas tu sabes quem eu sou? Eu sou a bruxa de Terena, mas não tenhas medo de mim, vá diz-me o que tens! Disse a mulher! O meu pai expulsou-me de casa, dizendo que estou grávida, mas não estou! Disse a Joanna! Eu sei que não estás, por isso volta para casa e diz ao teu pai que me encontraste e para fazer o que eu te vou dizer e, tudo o que tens dentro vai sair e vais ficar boa, mas tem que ser ele a fazer isso, que é o seguinte: Põem um litro de leite ao lume, com água para ferver e não entornar e quando começar a ferver, o teu pai debruça-te sobre o vapor com a tua cabeça o mais baixa possível e vai sair tudo! Disse a mulher! A Joanna ainda tentou continuar para Terena, porque estava com medo do pai, mas a mulher disse-lhe: Se vais para Terena vais morrer, o que tens aí dentro mata-te, por isso faz o que te digo, o teu pai gosta muito de ti e vai aceitar fazer isso! Disse a mulher! A Joanna voltou para trás e quando chegou ao Monte da Negra, não foi bem recebida, mas depois de contar ao pai o que a mulher lhe tinha dito, ele aceitou fazer a mesinha, mandou ordenhar uma cabra e ferver o leite. Quando o leite já estava a ferver apanhou a filha e debruçou-a sobre o vapor, esteve assim alguns minutos e nada, já estavam a ficar desesperados, o pai zangado levantou-a de cabeça para baixo e, naquele momento saiu de dentro dela uma grande cobra que, irados logo a mataram! A Joanna ainda ficou adoentada uns dias, mas melhorou e a barriga ficou normal. O pai chorou muito de arrependimento por a expulsar de casa, não lhe pediu desculpa, porque não sabia o que isso era, mas a partir desse dia, demonstrava uma forma de tratamento muito especial. A Joanna, mais tarde, lembrou-se que um dia tinha bebido água num regato que corria para o ribeiro da Negra e tinha engolido, parecia-lhe uma erva, mas tinha sido uma pequena cobrinha, que se desenvolveu no seu interior. Alguns anos mais tarde, a Joanna casou-se com um filho do lavrador do Monte da Zorra, tiveram quatro filhos e uma vida muito feliz!





sexta-feira, 21 de abril de 2017

264 - Terras de Capelins  

História, lendas e tradições das terras de Capelins


A lenda da Água da Ribeira do Lucefécit e o Milagre de Nossa Senhora das Neves


 Algumas famílias capelinenses eram oriundas da Paróquia de São Miguel do Adaval, Concelho de Redondo, entre as quais a família envolvida nesta lenda que passamos a descrever. 

Em São Miguel do Adaval, situada numa herdade pertencente ao Cabido da Sé de Évora, perto do Redondo, existia uma família, pai, mãe e vários filhos e filhas, a menina mais nova chamada Margarida de Jesus, ficou cega em criança, mas apesar disso, aprendeu a fazer tudo em casa e acompanhava a mãe em alguns trabalhos no campo. A menina cresceu normalmente e diziam ser a rapariga mais linda de São Miguel do Adaval, por isso tinha muitos pretendentes que com ela queriam casar, entre eles, encontrou o rapaz com o qual casou, num domingo do mês de Abril de 1890. O casal ficou a morar e a trabalhar em São Miguel do Adaval, perto dos pais de Margarida, mas com o passar do tempo os seus pais um dia partiram e, quase a seguir, devido a doença, o marido também partiu, ficou ela e os três filhos pequenos, duas filhas de oito e dez anos e um filho de doze anos. A sua vida tornou-se muito difícil e, como os irmãos eram ganadeiros nas terras de Capelins, um deles na herdade do Roncão, tratou logo de os trazer para junto dele. A lavradora do Monte do Roncão, depois de saber a situação de Margarida, aceitou que ela e as filhas viesse trabalhar no Monte e o filho ficava a guardar as ovelhas com o tio, ficando tudo acertado. Explicaram à Margarida como e por onde deviam fazer a viagem entre São Miguel do Adaval e o Monte do Roncão e como ela ainda tinha uma velha burrita, indicaram-lhe o caminho pelas Hortinhas, Ribeiro de Alcaide, depois era só descer este Ribeiro e seguir ao lado da Ribeira do Lucefécit até ao Roncão, muito fácil. No dia marcado, partiram de madrugada e ao nascer do sol os filhos já avistavam as Hortinhas, iam dizendo à mãe o que estavam a ver e ela logo deduzia onde estavam, conforme lhe tinham indicado e seguiram o caminho sem problemas, a não ser cada vez mais cansaço, porque não podiam montar a burra, porque ia carregada com alguns haveres que decerto lhe fariam falta no Roncão, por isso a viagem estava sendo mais lenta do que o previsto, por cada quilometro que andavam, tinham de descansar e as crianças sempre a pedir água, até que se esgotou. Desciam pela estrada que atravessava a herdade da Boeira e não encontravam água, passaram acima do outeiro dos oregãos e seguiram pela estrada que passa junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves. Quando chegaram ao outeiro onde se avista a Ermida disseram à mãe que estavam a ver uma Igreja e casas, mas ainda longe, a Margarida soube onde estavam e começou a rezar pedindo ajuda a Nossa Senhora das Neves, para lhe dar água, e imediatamente uma filha gritou: "água ali", era na Ribeira do Lucefécit, junto às Neves, estava um grande pego de água fresca e cristalina para onde corriam as águas dos nascentes do vale de enxofre. Foram todos beber água, incluindo a burra, e encheram as vasilhas que traziam, Margarida logo pensou que foi um milagre de Nossa Senhora das Neves, em oração agradeceu-lhe e, antes de partir, como estava muito calor apanhou alguma água com as duas mãos e deitou-a pela cara e olhos e, naquele momento, deu-se um verdadeiro milagre, a Margarida começou a ver. Foi uma grande alegria para todos e na passagem entraram na Ermida, rezaram em agradecimento a Nossa Senhora e pela tardinha chegaram ao Monte do Roncão, contando pelo caminho, a toda a gente, o milagre que tinha acontecido, o qual foi falado nas terras de Capelins durante muitas gerações. A sua vida e dos seus filhos, a partir daquele dia nunca mais foi a mesma, ela e a família tornaram-se incondicionais devotos de Nossa Senhora das Neves.
Ainda hoje, existem descendentes desta família, nas terras de Capelins! 

Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins


quinta-feira, 20 de abril de 2017


263 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins


A lenda da construção da Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira

Conta-se que, cerca de 1314 residia um pequeno lavrador e sua numerosa família nas terras de Capelins, no vale da Ribeira do Lucefécit. Para trabalhar as terras tinha uma mula e os respetivos apetrechos necessários para a atividade agrícola que ali desenvolvia. Depois de passar um dia a lavrar a terra para fazer as sementeiras a mula adoeceu gravemente, não tinha forças, nem conseguia manter-se em pé. O lavrador e a esposa ficaram muito tristes, sem saberem o que fazer ao animal, tentaram tratá-la com boa erva, mas não comia, nem bebia, foram chamar um curioso tratador destas situações a Terena, o qual depois de observar a mula, obrigou-a a ingerir um pouco de azeite, mas disse-lhe que não havia nada a fazer e, decerto não demorava em morrer. O lavrador tinha muita pena da mula, mas não era só isso, tinha um grande problema, não podia comprar outra, nem tinha forma de fazer as sementeiras, logo não ia colher cereais para alimentar a sua família, estavam perante uma grande desgraça, sem solução à vista, começaram a rezar fervorosamente a Nossa Senhora, a pedir ajuda para salvar a mula e foram ouvidos, na manhã seguinte, a mula estava em pé e já tinha comido a erva que tinha por perto e daí a três dias não apresentava qualquer doença, estava capaz de trabalhar. Não tinham dúvidas que se devia a um milagre de Nossa Senhora, à qual muito agradeceram. 

Nesse ano, estavam a iniciar a construção da Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira, ao lado da atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, onde existem as sepulturas escavadas na rocha, que estavam no seu interior. O projeto inicial tinha a porta virada para nascente, para a estrada que ainda lá se encontra atualmente, mas acabou por ser alterada, porque a partir do dia da cura da mula e do agradecimento do lavrador, este começou a sonhar com Nossa Senhora e nos sonhos Ela dava-lhe indicações de como queria a Igreja, era ao contrário da que estavam a construir, a sua porta devia ser virada para o Poente e não para o Nascente. O lavrador foi informar o mestre da obra, que se riu na sua cara, porque nessa época as Igrejas, geralmente, tinham as portas viradas para o nascente e a obra continuou, o mestre e os trabalhadores passaram o dia a rir do lavrador e, na manhã seguinte as paredes que já tinham levantado, estavam no chão. O mestre e os trabalhadores ficaram muito zangados e foram ameaçar o lavrador, pensando ter sido ele, o qual deu-lhe a sua palavra de honra que não tinha sido ele e nunca faria uma coisa daquelas, mas tornou a dizer-lhe que Nossa Senhora não queria a Igreja como a estavam a construir. Não ligaram e continuaram a trabalhar, mas todas as manhãs as paredes estavam no chão. Começaram a guardar a obra dia e noite, mas nem assim conseguiam, sem saberem como, as paredes apareciam no chão, assim, tiveram de se convencer que era impossível continuar e não tiveram outra alternativa senão construir a Igreja como o lavrador, mandado por Nossa Senhora, lhe comunicou e a partir dali nunca mais caiu uma pedra e a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira ficou muito semelhante à atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, mantendo-se erguida, até cerca de 1670! 








segunda-feira, 17 de abril de 2017

262 - Terras de Capelins 

1ª Travessia Pedestre em Passeio, na Diagonal, da Freguesia de Capelins - Águas Frias - Gato, em 15 de Abril de 2017  


Conforme planeado, no dia 15 de Abril de 2017, pelas 09:00 horas, demos início à 1ª Travessia Pedestre em Passeio, na Diagonal, da Freguesia de Capelins, entre o Nordeste onde se cumprimentam as Freguesias de Santo António de Capelins, S. Pedro de Terena e Nossa Senhora da Conceição de Alandroal, na Defesa de Ferreira (Águas Frias) e o ponto mais a Sudoeste, no Gato, nos extremos, desta e da Freguesia de Monsaraz. Passamos sem demora pela Vila de Ferreira Romana e pelas minas Romanas e como não pudemos prosseguir para sul, devido à existência ilegal de uma cerca de arame em património do Estado, até dentro de água, fomos obrigados a dar uma grande volta e descer pelo caminho milenar que dava ao porto Romano das Águas Frias de baixo, aqui fomos observar se eram visíveis alguns restos de calçada romana, mas a mesma, encontra-se submersa. Foram tiradas algumas fotografias e seguimos para a Ermida de Nossa Senhora das Neves, indicado como, percurso pedestre 6. Chegamos junto à referida Ermida pelas 10:00 horas e aqui demoramos cerca de meia hora, porque ficamos impressionados com o estada acelerado da degradação do edifício e com a sensação de não o voltarmos a ver em pé. Além da estrutura do edifício estar quase todo em ruína eminente, apresentando perigo para quem se aproximar dele, também a porta foi arrombada e só não estava totalmente aberta, por estar ligada com um simples cordel, o qual, deve ter pouca duração e, brevemente ficará escancarada! Pouco passava das 10,30 horas e seguimos a nossa viagem, logo a seguir ouvimos um motor de moto-serra e algumas vozes, mas não vimos ninguém. Rapidamente chegamos ao Monte do Escrivão, sempre observando e fotografando a linda paisagem primaveril e com a presença constante à nossa esquerda de grandes extensões de água do Grande Lago de Alqueva, que ocupou todo o leito da Ribeira do Lucefécit. Fizemos uma visita ao Monte do Escrivão, ou seja, às ruínas deste Monte, com uma pequena paragem de alguns minutos, porque causou-nos alguma consternação a triste situação! Já eram cerca de 11:00 horas e seguimos em direção aos Montes da Talaveirinha e da Talaveira! 
Como referimos anteriormente, pouco passava das 11:00 horas e já tínhamos deixado para norte/nordeste os Montes de Ferreira e do Escrivão e andávamos a rondar o Monte da Talaveirinha, a escolher os melhores ângulos para o fotografar como se fossem as derradeiras fotografias enquanto ainda lá está, na esperança que alguma coisa mude e, como outros, ainda possa continuar a desempenhar a função para que foi construído pelo então seu lavrador. Alguns Montes já têm os telhados abatidos e as paredes em agonia, adivinhando-se que não estarão muitos mais anos em pé. 

Na Talaveirinha encontramos três pessoas que andavam a queimar rama de oliveira, depois da poda recente, com as quais trocamos cumprimentos e, não muita conversa para não empatar quem trabalhava. Depois de informarmos o que andávamos fazendo por ali e qual era o destino, fomos aconselhados a seguir o caminho em frente pelo Carrão - Montejuntos, mas negamos, porque o plano era ir pelos Montes da Talaveira e do Roncão e, só depois pelo Carrão, um percurso mais longo, mas foi mesmo assim. Passamos uns minutos a observar e a fotografar o Monte da Talaveira, a eira e o outro Monte da Talaveirinha de baixo, depois seguimos para sul, por São Miguel e Roncão. Neste Monte, demoramos um pouco, porque havia muito para admirar, desde o mesmo, assim como toda a região que dele se avista, a linda paisagem, em contraste com o azul do céu e das águas do Grande Lago, observar e ouvir a fauna, como cegonhas e outras aves, muitas potencialidades para o turismo da narureza, mas infelizmente, sem nenhum aproveitamento. Depois do Monte do Roncão, atravessamos o Ribeiro do Carrão, ainda com alguma água numa espécie de lagoa no lugar onde passa a estrada e ficamos logo em frente ao Monte do Ladrilho, (da Ti Margarida Cartaxa), hoje, de outro proprietário. Um pouco adiante, como eram quase 12:00 horas, debaixo de uma azinheira já idosa, abrimos a mochila, tiramos o pão com queijo e um sumo, comemos em poucos minutos e depressa continuamos rumo ao objetivo, o Gato. Fomos observando e fotografando Montes e paisagem do Carrão, Bispas, Arrabaça, Capeleira e, perto das 13:00 horas demos entrada em Montejuntos, junto ao Monte da Galvoeira, (já tinham passado quatro horas), fizemos a travessia da aldeia pelo lado sul, mas o caminho obrigou-nos a entrar na parte central, seguimos depois pela rua que levava ao Manantio e pelas 13:10 horas estávamos no Monte da Boa Vista a olhar uma sinalética que indicava: PR 7 Azevel - etapa II - 9,5 Km! 

Como descrevemos na parte anterior, eram 13:10 horas e estávamos em frente ao Monte da Boa Vista em Montejuntos. O sol estava abrasador para esta época do ano e o almoço muito longe, mas era impossível desistir, apesar de estarmos a ler que faltava andar 9,5 Km até ao Azevel, mais a volta até ali, ainda seriam mais 20 Km. Seguimos o caminho indicado para a herdade da Defesa de Bobadela, passamos ao portão do Monte do Peral - Turismo Rural e por outras propriedades, antes de entrarmos nos domínios da herdade do Roncanito, que para nós é Azinhal Redondo de Baixo, porque foi sempre a sua designação desde há 300 anos, quando era da Casa do Infantado. A estrada por onde seguimos pretende ligar Montejuntos à aldeia do Outeiro, mas encontra-se quase intransitável, porque era empedrada , mas devido ao abandono, a pedra soltou-se e mesmo a pé é muito difícil circular por lá, uma vez que o acesso a esta herdade é quase totalmente efetuado pelo lado da aldeia do Outeiro através da ligação por uma nova ponte sobre a Ribeira do Azevel e o caminho de terra batida estar em boas condições para a circulação de veículos, virando, assim as costas a Capelins, onde, administrativamente pertence. Viemos encontrar os célebres marcos da Casa do Infantado a demarcar a Defesa de Bobadela, tirámos a erva em redor de todos, aproximámos os olhos até um palmo e passámos a mão pelo granito, na esperança de encontrar algum rasto de história, mas como todos os que se encontram nas terras de Capelins, também aqui não encontrámos nada, porque um simples escopro apagou o que procuramos, o que se compreende, visto que, o Estado do Infantado era odiado pelo povo e, essas terras hoje têm outros donos. Fomos descendo rumo ao nosso objetivo e não demorou a visualizarmos à nossa esquerda o grande Monte da Defesa, mas já havia muito tempo que éramos perseguidos pelo outeiro de Monsaraz, ora nos aparecia pela frente, ora à nossa direita, conforme as curvas do caminho, andávamos, andávamos e aquele outeiro parecia estar sempre à mesma distância. Pouco depois de deixarmos o lugar onde existiu a pista de aviação da herdade da Defesa, à nossa esquerda começámos a avistar as águas do Grande Lago, o que nos deu mais força para continuar, mas ainda estávamos muito longe do Gato, do qual só nos aproximámos cerca das 16:00 horas, ou seja 07 horas depois da partida do lugar de origem, Águas Frias! 



Mais metro, menos metro de terreno, entre os pontos de origem e destino, considerámos concluída com êxito esta nossa aventura.







261 - História de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

As origens de Capelins 

Cada vez restam menos dúvidas de que a origem de Capelins, veio da família judaica "Gomez", Gomes e que esta Família, antes da expulsão de Espanha, eram chapeleiros em Granada, daí o apelido de Chapellins, que em português veio dar os Capellins. A verdade é que em Portugal existiu uma grande fábrica de chapéus da Família Gomez, Gomes, (de origem judia)!

Quanto à nossa Capelins, sabemos que, primeiro foi construído o Monte dos Capelins, (onde morava Maria Gomes), em Capelins de Cima e, logo de seguida surgiu o Monte dos Capellins de Baixo, que deram origem às duas aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo. Em 1712, já é mencionado pelo Pároco de Santo António, Miguel Gliz (Gonçalvez) Galego, no assento do óbito da Ti Maria Roíz (Rodriguez), que esta morava em Capelins de Cima, logo, já tinha de existir Capelins de Baixo, dentro da Defesa de Ferreira, nas terras da Casas do Infantado! 






584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...