sexta-feira, 31 de março de 2017

247 - Terras de Capelins 
História de Capelins 
Vias Romanas 
A Via Romana que atravessava as terras de Capelins, estava ligada à XII via, que ligava Lisboa a Mérida, a capital da Lusitânia!


VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA) CLXI milhas - 238.5 km
Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). A partir daqui é provável que derivasse uma via para Bencatel, uma ligação a Vila Viçosa (passando no vicus marmorarius designado outrora como «Vilares», compreendendo a ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e «Fonte da Moura», local onde apareceu um altar votiva de Canidius, IRCP375, hoje no Museu de Vila Viçosa) e para leste rumo ao rio Guadiana em Juromenha. Esta rede viária estaria muito ligada à exploração de mármores da região;
Uma outra via no sentido N-S servia também a actividade mineira oriunda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!)
seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha (onde podia atravessar o Guadiana; povoado na Malhada das Mimosas; tessera hospitalis em bronze), seguindo um ramal para o vicus do Monte da Nora em Terrugem (passando entre os casais rústicos do Monte do Outeiro, da Aboboreira e da Queimada em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nos eixos principais rumo a Mérida.
Marco miliário desta via romana! Miliário = indicador de milhas!  
Extratos da net 

quarta-feira, 29 de março de 2017

246 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 

 História, lendas e tradições das terras de Capelins


A aventura do Ti António Fura na viagem náutica ao fundo do mítico pego de Santa Catarina no rio Guadiana 

O pego de Santa Catarina situa-se/situava-se junto à foz da Ribeira do Lucefécit no rio Guadiana. Desde sempre, foi um pego mítico, falava-se dele nas terras de Capelins como sendo o de maior profundidade nos limites de Capelins.
O Tio António Fura, desde criança, começou a dominar os segredos da água, as correntes, os perigos dos remoinhos e principalmente o domínio do fôlego o que sempre lhe permitiu mergulhar como ninguém. Grande parte da sua vida foi perto da água, desde a dita Ribeira até ao rio Guadiana. Assim, à medida que foi crescendo e ouvindo contar que não existia por aqui, nenhum pego tão fundo, começou a alimentar a ideia de um dia lá nadar e descer até às suas profundidades.
Quando teve o seu barco de pesca, cada vez que navegava pelo referido pego, mais ansiedade sentia em concretizar o seu sonho, deu voltas à cabeça a pensar como havia de fazer, mergulhou lá algumas vezes, mas não conseguia avistar o fundo, fez medições com cordas e pesos, que desciam, desciam, esgotavam-se e não chegavam a sítio firme, mas essas situações ainda lhe davam mais força. Depois de fazer mentalmente os seus planos, contou a um amigo, o Ti Nabais (falecido), que estava decidido a descer ao fundo do pego de Santa Catarina e, que precisava da sua ajuda e não lhe deu tempo para discordar, porque na sua cabeça estava tudo em andamento, foi só marcar o dia e, nesse dia lá estavam os dois, entraram no barco e o Ti Fura remou até ao lugar que já estava cansado de marcar na própria água. Disse ao Ti Nabais, que o mergulho era naquele sítio e o papel dele era segurar ali o barco, para ele se orientar e para o recolher, quando viesse à tona de água, tão simples quanto isso. A seguir, o Ti Fura, sem nenhum preparativo, sem colocar a hipótese de correr mal, sem proteção, sem oxigénio, sem traçar um plano de ajuda no caso de ser necessário, respirou fundo e desapareceu nas águas do pego de Santa Catarina e o Ti Nabais ficou a tomar conta do barco. O Ti Nabais, esperou, esperou, passou o tempo considerado normal e ele entrou em desespero, sem saber o que fazer, começou aos gritos: Fura, Fura, Fura, ai meu Deus, já não vem para cima e começou a chorar num grande pranto. Quando já não tinha esperança que o Ti Fura sobrevivesse, apareceu ele à tona de água, muito fresquinho, porque, conforme contou depois de concluída aquela aventura, o que mais lhe custou foi aguentar o frio, uma vez que, quanto mais descia, mais gelada estava a água mas nunca lhe passou pela cabeça desistir, o objetivo era atingir o fundo do pego de Santa Catarina, onde nos nossos tempos, nunca nenhum ser humano tinha chegado e, assim conseguiu concretizar o seu velho sonho, com risco da própria vida! 
Quem o conhece, bem sabe que o Ti António Fura, tinha que descer ao fundo do pego de Santa Catarina! 


Era aqui o pego de Santa Catarina


sábado, 25 de março de 2017


245 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 


História, lendas e tradições das terras de Capelins


A história da pesca no rio Guadiana, nas terras de Capelins 


Através das pinturas rupestres que se encontram submersas pelas águas do Grande Lago de Alqueva, verificamos que na Defesa de Bobadela, junto ao lugar denominado Moinhola, (Minhola) que há 5.000 anos os povoadores aqui instalados já pescavam. Não conseguimos perceber nesses desenhos nas rochas, como era feita a captura do peixe, mas decerto, que seria com armadilhas e, à lapa (esta, deve ser a forma mais velha e fácil de pescar, desde que conheçam os lugares onde existem buracos nas rochas ou protegidos por pedras é só tapar a saída meter a mão e apanhar os peixes que lá estiverem dentro). Porém, são conhecidas armadilhas mais ou menos rudimentares, feitas artesanalmente de vegetação e arbustos encontrados no rio, como as nassas, os galritos e outras. Mais tarde, surgiram outros apetrechos de pesca mais modernos, como a atarrafa os tresmalhos e a cana de pesca. 

Ao longo dos tempos, as espécies de peixe foram variando no rio Guadiana, sabemos as que existiam nos últimos anos, mas também sabemos as que existiam há cerca de 260 anos, através de fontes muito seguras, pelos Párocos de, Juromenha de Capelins e de outras Paróquias que fazem fronteira com o rio Guadiana. 

A pesca no rio Guadiana, na maior parte dos casos, era um complemento à economia familiar, mas também para "paródias", festas de famílias e amigos, realizadas junto ao rio ou nos moinhos, onde alguns grupos se instalavam, por vezes, durante dias ou semanas, comendo peixe em caldetas e fritos, acompanhados com bom vinho e outras bebidas! 
Nas terras de Capelins, a pesca no rio Guadiana foi praticada desde sempre, podemos confirmar através das pinturas rupestres da Moinhola com mais de cinco mil anos. 
Mais recentemente, a pesca era uma atividade para fins de complemento da economia doméstica e com fins lúdicos, também a confeção de redes de pesca era efetuada pelos próprios pescadores, como o Ti António Fura, o Ti Miguel “Aninho”, o Ti Venâncio e outros. No rio Guadiana praticavam-se diversas formas de pesca. Nas terras de Capelins as mais frequentes eram à tarrafa, “tresmalho”, “guito”, lapa, e com armadilhas, nassas e galritos. No caso da tarrafa, o lançamento era feito, geralmente a partir das margens do rio Guadiana, enquanto o tresmalho era armado e recolhido a partir de um barco feito de madeira.
O fabrico da “tarrafa”, era feito em casa do pescador ou mesmo no rio Guadiana, nas horas em que esperavam a recolha dos tresmalhos ou das armadilhas. Normalmente, cada pescador fabricava as suas próprias artes de pesca. O Ti António Fura fazia tarrafas com dois instrumentos que ele também fazia de esteva ou outra madeira a “agulha”, uma espécie de estilete usado para conduzir o fio da rede, e o “malheiro”, utilizado para fixar a largura das malhas da rede. A parte superior da rede era fixada num suporte mais alto, até numa arvore, para dessa forma se desenvolver. O início da rede desenvolvia-se a partir de um número reduzido de malhas ou “pombinhas”, geralmente vinte, variando o número de malhas de acordo com o tamanho final pretendido para a tarrafa. A cada duas voltas, aumentava-se uma malha, diminuindo o seu tamanho à medida que se tecia a rede. Uma rede de pesca podia demorar um mês ou vários a ser concluída, depois ainda tinha de ser chumbada. Também as chumbadas eram feitas pelo pescador e levava alguns dias a fazer e a chumbar. O chumbo era derretido dentro de uma forma aquecida ao lume que depois de passar por dentro de água fria era aberta tipo alicate e a chumbada saía pronta para ser aplicada à rede. Uma tarrafa podia durar até dez anos ou mais, dependendo do uso.
A pesca à tarrafa só era feita em pegos pouco profundos e para a lançar, o pescador entrelaçava a parte superior da rede ao pulso e, de seguida, apanhava parte da “saia” colocando-a ao ombro. Segurava com a mão direita a outra parte, ficando o resto caído em frente ao corpo. Por fim prendia um chumbo com a boca e o outro com a mão direita. Na zona do rio escolhido, a tarrafa lançava-se sobre a água. De seguida, a rede era puxada pela corda do vértice, arrastando a chumbada pelo fundo até que se juntasse, puxando-a finalmente para si, (importa salientar que, cada um, lançava a tarrafa como melhor sabia).

Lançada à mão por um só homem, a partir das margens do rio, a tarrafa era recolhida pouco depois, repetindo-se a faina sempre que necessário. 
O Ti António Fura e, quase todos os pescadores de Capelins, pescavam o ano todo, bastava haver procura, embora houvesse algumas épocas do ano em que a pesca era mais abundante.
Para pescar usavam-se várias técnicas conforme a altura do ano e o caudal do rio. Em Março e Abril o rio Guadiana ainda tinha grande caudal, porque as Ribeiras e Ribeiros ainda metiam muita água. Nessa altura, em tempos mais recuados nos sítios mais baixos de água construíam armadilhas para apanhar os peixes. Usava-se o galrito, que o Ti Fura fazia, geralmente de buinho, mas podia ser feito de verga, o qual permitia a entrada dos peixes e dificultava a sua saída depois de terem entrado.
O galrito era instalado dentro da água, quase sempre onde havia areia, à noite e com a boca voltada contra a corrente, de forma a que a água corrente o mantivesse aberto e esticado. 
A sua instalação era feita com a ajuda de ramos de amieiro presos na areia, dispostos em cone no sentido da corrente com o galrito aí colocado. Como, durante a noite, os peixes ao nadarem viam os ramos dos amieiros tinham tendência a deslocar-se ao longo deles para poderem encontrar uma passagem, quando a encontravam, entravam no galrito de onde já não era fácil sair.

De madrugada, os pescadores iam aos galritos, armados na noite anterior e recolhiam os peixes. Nem sempre corria bem, como o rio tinha mais animais, como as cobras de água, às vezes adiantavam-se aos pescadores e deixavam os galritos sem peixe. Tal como a pesca à tarrafa, também este tipo de pesca não era autorizado, mas mesmo assim era praticado.
Quando se passou da pesca artesanal, feita através da dita tarrafa e outras armadilhas, para a pesca profissional, nas terras de Capelins, temos que nos referir ao Ti António Fura, um dos maiores, senão o maior pescador profissional das terras de Capelins e talvez não seja exagero, de todo o Alentejo interior. Como referimos, também pescou muitos anos com artes artesanais, porque começou a pescar ainda era criança, mas ao legalizar-se como pescador profissional adquiriu tresmalhos, grandes redes que ligadas quase atravessavam o rio Guadiana, proporcionando grandes pescarias. o Ti António Fura tinha um barco de pesca com o qual armava os tresmalhos, se o tempo estivesse de feição, geralmente, a faina começava cerca da meia noite, saía com o barco que estava ancorado no lado direito à foz da Ribeira do Lucefécit, levava dois tresmalhos, depois em local estratégico que só ele conhecia, com uma corda, prendia a ponta do tresmalho num amieiro ou outro arbusto e sempre navegando ia desenrolando o tresmalho e ajeitando dentro de água, quando o primeiro estava no fim, ligava outro tresmalho e continuava a desenrolar o segundo até um lugar onde o pudesse prender a outro arbusto, que ele já conhecia e, ficava a primeira parte do trabalho feita, que era melhor com um remador, mas ele mesmo sozinho fazia tudo. Depois, voltava a terra comia alguma coisa e pelas quatro ou cinco da manhã começava a levantar os tresmalhos, um trabalho que levava um pouco mais de tempo, porque tinha de tirar o peixe do emaranhado e juntá-lo no fundo do barco, com o cuidado de não o deixar saltar, porque alguns davam saltos de metros e lá voltavam à água, mas o Ti Fura sabia o que fazer para o peixe não lhe abalar. Os tresmalhos eram colocados de forma a não se enlearem senão mais tarde estava sujeito a grande trabalho. O horário e a faina que aqui se descreve, nem sempre era exatamente igual, porque dependia da época e das correntes do rio Guadiana.
Pelas seis ou sete da manhã, já estava a caminho dos locais de venda do peixe e que peixe, tanta gente com saudades deles! 
Em Capelins, nunca mais temos desse peixe!
Bem haja tio Fura, grande homem, grande pescador, grande nadador do rio Guadiana!



Arte rupestre submersa no Lugar de Moinhola - Capelins


244 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos



História, lendas e tradições das terras de Capelins

A importância da chaminé nas casas das terras de Capelins 

A Chaminé de uma casa era um duto que fazia a comunicação entre o interior o exterior e vice versa da dita. Eram feitas em alvenaria de forma a não permitir a entrada de águas pluviais nem vento, integradas e sobressaindo em altura em relação à casa, por cima do telhado e serviam para capturar e transferir para o exterior os fumos do lume e os cheiros indesejáveis, como ventilação. 

 Na sua base, dentro da casa, ou seja na cozinha, desenvolvia-se quase toda a vida das famílias. No inverno, era ao lume à chaminé que estavam, que riam, que choravam e que alguns morriam. As refeições eram preparadas ao lume na chaminé, eram servidas à chaminé, o serão era passado à chaminé a falar, a ouvir contos e, alguns dormiam à chaminé. O lume na chaminé aquecia toda a casa e nem o fumo se desperdiçava, o que não era consumido, secava as carnes das matanças dos porcos que durava para todo o ano. Era à chaminé que amassavam a farinha para fazer o pão, faziam trabalhos de costura e outros que pudessem ser desenvolvidos naquele espaço. Ainda hoje, as casas que estão em ruínas, geralmente a chaminé é a ultima parte da casa ou do Monte a ceder, ficam até ao fim, talvez na esperança de aqueles que elas aqueceram os que ali viveram sobre a sua proteção, ainda voltarem e muitas continuam teimosamente em pé há centenas de anos!

Chaminé da casa da Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins! 



quinta-feira, 23 de março de 2017


243 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda do lavrador do Monte da Cerca 


Conta-se que, o Pároco da Igreja de Santo António de Capelins, chamado Marcos Gomez, nas primeiras décadas de 1800, exigia como parte do dízimo, a todos os lavradores das terras de Capelins, um jantar de carne, quando faziam as matanças dos porcos. Todos os lavradores aceitaram sem levantar nenhum problema, era um bocadinho de toucinho, umas chouriças um pequeno paio e mais alguma miudezas, como torresmos, rechina, entrecosto, lombo e manteiga, porém o lavrador do Monte da Cerca em Faleiros, conhecido como o maior unhas de fome das terras de Capelins, porque nunca dava uma côdea, um bocadinho de toucinho ou azeitonas a nenhum pedinte, não via a exigência do Pároco com bons olhos, era uma doença para ele e tentava todas as artimanhas para enganar o Pároco, nunca ia entregar a carne à casa paroquial e quando o Pároco aparecia no Monte da Cerca para a levar tinha sempre desculpa, dizia que não podia ser, porque a carne ainda não estava boa de fumo, ou que não tinha ficado boa e que ainda matava outro porco e depois logo lhe dava! Mas como o Pároco já o conhecia muito bem, nunca deixava escapar a sua parte do porco. No ano de 1812 chegou a época das matanças dos porcos e o lavrador começou a pensar a maneira de enganar o Pároco, já tinha tentado tudo e nada dava resultado, ainda por cima quando matavam os porcos no Monte da Cerca, por mais que o lavrador lhe tapasse a boca, ouviam-se a grunhir à Igreja de Santo António e o Pároco aparecia logo pelas redondezas para o lavrador perceber que ele sabia o que se estava a passar. Depois de dar voltas à cabeça e não encontrar solução, foi ter com o seu compadre, o senhor João em Faleiros a pedir ajuda, porque não achava bem ter de repartir o porco com o Pároco Marcos, tinha os filhos e os anos de colheitas não eram bons e mais isto e mais aquilo, o homem dava pena. O compadre sabia que era tudo manha, mas disse-lhe que o ajudava e começou a pensar como, coçou a cabeça, até que lhe disse: Oh compadre eu tenho uma ideia para você se livrar de ter que dar a parte do porco ao Pároco Marcos! Então, diga lá compadre! É muito fácil, no dia da matança do porco, em vez de o meter para casa, diz aos seus criados para o pendurarem no alpendre do quintal, para enxugar bem, para escorrer e diz-lhe que fica lá toda a noite e que de manhã o recolhem para casa para o desmancharem e tratar da carne, mas de madrugada, com a ajuda dos seus filhos, esconde-o em casa e depois de manhã, faz grande alarido e diz a toda a gente que o roubaram, ficam todos convencidos que foi verdade, porque tem testemunhas que o porco ficou no quintal e o Pároco vai acreditar! O lavrador achou uma excelente ideia, agradeceu e foi para o Monte da Cerca e, no dia seguinte fez a matança do porco e tudo exatamente como o compadre lhe tinha falado. De madrugada, acordou a esposa e os filhos, para carregarem o porco para casa e escondê-lo, mas quando chegaram ao quintal o porco tinha desaparecido, o lavrador procurou por todo o lado, gritava como um doido, que lhe tinham roubado o porco e uns acreditaram, outros não, mas o Pároco não lhe perdoou a sua parte noutro porco. 
O porco nunca mais apareceu e muita gente dizia que foi o compadre que o levou, outros diziam que foi castigo de Deus por ele tentar enganar o Pároco! 
E foi assim que o lavrador do Monte da Cerca, para não dar umas chouriças ao Pároco de Capelins, acabou por perder um porco inteiro! Mas não mudou! 



quarta-feira, 22 de março de 2017

242 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos


História, lendas e tradições das terras de Capelins 

A lenda da noiva de Montejuntos que foi levada pelo 

diabo 

Conta-se que, no tempo em que o Diabo andava pela terra a apanhar almas, um dia que passava pelas terras de Capelins, levou consigo uma noiva de Montejuntos que estava para casar no dia seguinte, porque a sua mãe inocentemente a entregou. 
 Há muitos anos, morava em Montejuntos uma mulher, já viúva e muito pobre, que tinha uma linda filha chamada Joanna já em idade de casar. Um dia começou a namorar e poucos meses depois o seu namorado chamado João, disse-lhe que queria casar e foi pedi-la a sua mãe. Marcaram logo o dia do casamento e a mulher mesmo sendo muito pobre, como tinha só aquela filha, pensou em lhe fazer um bom casamento, mesmo que tivesse de gastar tudo o que tinha. Quando se aproximou o dia do casamento, ela e outras mulheres que foram ajudar, começaram a fazer bolos, carnes assadas no forno, ensopados de borrego, muitos doces e muitas outras coisas saborosas. A mulher perdeu o controlo na despesa e quando deu por isso já tinha gastado tudo o que tinha e estava endividada em todas as mercearias de Montejuntos, mas faltavam sempre coisas e a filha voltava a pedir mais dinheiro à mãe, quando ela já não tinha. Por fim, ainda lhe faltava algum açúcar e canela para acabar uns bolos e voltou a pedir mais dinheiro à mãe. A mulher, já desesperada exclamou: "Ai filha vai-te com o diabo, que eu já não tenho mais nada para te dar". Nesse momento, o diabo passava pelo centro de Montejuntos e levou a Joanna consigo! A mãe achou imediatamente a falta da filha e começou a gritar a pedir ajuda, vieram os vizinhos, o noivo e todas as pessoas que ouviram os gritos, foram procurar a Joanna, mas como não sabiam para que lado o diabo tinha ido, umas pessoas foram para os lados de Ferreira de Capelins e outras para os lados do rio Guadiana, todos armados com o que tinham à mão e com cruzes, procuraram por todos os lugares nas terras de Capelins e quando já estavam a perder a esperança de encontrar a Joanna, viram o lenço dela, próximo do rio Guadiana, o lenço que ela usava quando o diabo a levou, assim, o seu noivo e as pessoas que o acompanhavam ficaram com a certeza que a Joanna não estaria longe dali, porque o diabo decerto não passaria a fronteira! O noivo e outras pessoas com forquilhas e cruzes na mão, cercaram toda a região dos Moinhos Novos, junto ao rio Guadiana e o diabo ao sentir-se perseguido, abandonou a Joanna e desapareceu. O noivo foi a primeira pessoa a chegar junto dela, estava apática, sem perceber o que se tinha passado, nem como tinha vindo ali parar, de resto estava bem. Levaram-na para sua casa e depressa recuperou, realizando-se o seu casamento como estava marcado, no dia seguinte na Igreja de Santo António de Capelins, seguido de grande festa em Montejuntos. 
A partir desse dia, nunca mais se falou no diabo, nas terras de Capelins.
E bem diziam que, ao falar no diabo ele aparecia e, não era mentira, este caso da noiva Joanna de Montejuntos, foi a prova provada!

Montejuntos 



terça-feira, 21 de março de 2017

241 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos


História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda da donzela do Monte da Negra e o filho do fidalgo caçador 

As terras de Capelins, tinham fama de serem abundantes em caça, por isso, aqui apareciam muitos fidalgos do reino, onde passavam temporadas a caçar e em grandes divertimentos gastronómicos com o apoio dos lavradores da região. E foi assim que, numa dessas incursões pelas terras de Capelins a filha do lavrador do Monte da Negra se apaixonou e envolveu com um desses fidalgos. Ele prometeu-lhe que casava com ela e a levaria para o Paço Real e a donzela perdeu-se de amores por ele, entregando-se ao fidalgo convencida que ele falava verdade. Um dia o fidalgo voltou à Corte, não se despediu da donzela e nunca mais voltou às terras de Capelins, deixando-a grávida. Quando a criança nasceu, era um menino e, o lavrador do Monte da Negra falou com a esposa sobre o que deveriam fazer à criança, porque a filha não podia ficar com ela, senão ficava desgraçada para o resto da sua vida, pensaram em dar a criança, mas arrependeram-se, porque decerto se vinha saber, o lavrador propôs abandonar a criança, mas não podia ser nesta região, senão ainda podiam descobrir que era deles, então lembrou-se de o abandonar dentro de uma cesta no rio Guadiana, se eventualmente, o encontrassem seria longe de Capelins e ninguém os ligava a essa criança e até podia morrer afogado. Ambos concordaram que era a melhor maneira e de madrugada o lavrador pegou no menino dentro da cesta e foi até às azenhas Del-Rei, lançou a criança à água e voltou para o Monte da Negra e disseram à filha que a criança tinha morrido durante a noite e como ela ainda estava muito fraca, conseguiram convencê-la a não ir ao funeral e nem ver a criança para não ficar pior e ficou assim. A cesta com o menino lá dentro, não desceu o rio, foi contra a corrente e subiu a Ribeira do Lucefécit e ao nascer do sol, a mulher do Moleiro do Roncão, viu a cesta, estranhou uma coisa daqueles naquele lugar e foi a correr recolhê-la, ficou aterrada quando viu uma criança tão linda lá dentro, chamou o marido e não tiveram alternativa senão ficar com a criança. Como tinha sido mãe recentemente deu-lhe logo de mamar e pouco depois foi batizado na Igreja de Santo António como sendo seu filho, ao qual foi dado o nome de Manoel. A donzela do Monte da Negra, seguiu a sua vida e, um dia casou-se com um filho do lavrador do Monte da Arrabaça, mas não tiveram filhos, o marido faleceu muito cedo e ela não voltou a casar, ficando sozinha. O Manoel cresceu no Moinho do Roncão e acabou por ir trabalhar para a herdade da Negra, para a sua verdadeira mãe, porque a mãe adotiva também trabalhava no Monte da Negra, quando o moinho estava parado e era muito amiga da lavradora e de uma criada da casa a mais velha, que tinha sido aia da donzela no tempo em que tinha nascido a criança. Como a lavradora andava cada vez mais chorosa e a lamentar-se que estava sozinha, um dia a aia não se conseguiu calar e disse-lhe que talvez o filho fosse vivo e contou-lhe o que se tinha passado. A lavradora começou a chorar e a moleira do Roncão que ouviu a conversa, perguntou-lhe se visse as roupinhas que o filho tinha vestidas naquele dia, que lhe disseram que tinha falecido, se ainda as conhecia? A lavradora disse~lhe que cada dia que passava melhor se lembrava dessas roupinhas! Então a moleira, no dia seguinte trouxe a cesta e as roupinhas que o menino tinha vestidas no dia em que o encontrou, as quais tinha muito bem guardadas e mostrou-as à lavradora e, à antiga aia e contou-lhe a história do aparecimento do Manoel naquela manhã junto ao moinho do Roncão, tudo batia certo e a lavradora caiu desmaiada. Quando recuperou os sentidos, quis logo saber onde se encontrava o seu filho! E a moleira disse-lhe que era um dos seus criados e andava a lavrar ao fundo da herdade! A lavradora mandou imediatamente um dos criados buscá-lo e para deixar a lavoura. O Manoel chegou ao Monte da Negra sem saber nada do que se passava, a lavradora agarrou-se a ele aos gritos, chamando-lhe filho. Como ele sempre pensou ser filho da moleira do Roncão, pensou que a lavradora tinha endoidecido, mas logo a sua mãe adotiva e a criada mais velha o puseram ao corrente da sua história de vida e a partir daquele dia o Manoel passou a ser o lavrador do Monte da Negra! O lavrador Manoel Gomes!

Negra


584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...