domingo, 31 de julho de 2016


154 - Terras de Capelins



Os caminhos do Contrabando, um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a São Jorge de Alôr


Alguns contrabandistas de Ferreira de Capelins, seguiam diretamente para as localidades o
Concelho de Olivença, não só, porque conseguiam vender o café mais rapidamente, por melhor preço, mas também, porque a área de Cheles e Alconchel estava no domínio de eterminadas pessoas e, não deviam entrar nesse território, pelo menos a vender café. Uma das localidades onde também se dirigiam era, São Jorge de Alôr, situada na serra da Lor ou Alôr, onde residia o Ti Farinha, português, natural da aldeia do Outeiro - Monsaraz e, casado com uma senhorita espanhola. O Ti Farinha tinha uma casa de comércio, onde vendia bebidas, petiscos e outros produtos à entrada da aldeia, lugar estratégico para controlar quem por ali entrava ou saía de S. Jorge, assim, havia sempre dois ou três homens, que além de beberem o seu copito, estavam de guarda à guarda civil Carabineiros) que apareciam a cavalo e estavam algum tempo pela aldeia, então esses homens tinham por missão avisar os contrabandistas da presença da guarda. Quando a guarda civil se afastava faziam sinal que já podiam entrar na aldeia e vender o seu café. Em contarpartida, os contrabandistas davam de quando em quando 1/2 Kg de café ao Ti Farinha, abancavam na sua Taberna a comer e beber alguma coisa e, ficava tudo pago, um bom negócio para todos! O Ti Farinha ainda dava abrigo aos contrabandistas, para descansarem em segurança, durante algumas horas, ou mesmo uma noite, numa choça junto à sua casa, que eles muito agradeciam, devido ao cansaço, era um hotel de cinco estrelas! O Ti Farinha ajudou muito os contrabandistas d' aquém Guadiana.
Bem Haja! 

São Jorge de Alôr - Espanha



153 - Terras de Capelins 


Os caminhos do contrabando

De Ferreira de Capelins São Bento da Contenda (San 

Benito de la Contienda) 

Numa noite muita escura do anos de 1970, saíram de Ferreira de Capelins os contrabandistas Ti António e Ti Manuel, levavam 30 Kg de café, cada um, ás costas, com destino direto à aldeia de São Bento da Contenda, no Concelho de Olivença. Quando chegaram, começaram a oferecer café e com grande surpresa ninguém queria comprar um único Kg. Vieram depois a saber que, antes da chegada deles, tinham andado uns contrabandistas da Mina do Bugalho a encher tudo de café. Assim, a solução seria seguir para outra aldeia mais afastada, mesmo que vendessem o café por um pouco mais, mas era muito doloroso fazer mais 10 ou 12 Km com a carga toda, mas tinha de ser! Quando iam de saída, apareceram dois senhores, um pouco estranhos, interessados em comprar o café todo! deu para desconfiar, um negócio assim tão bom! então está bem, combinaram o preço e dizem-lhe os compradores: - Comprarmos o café todo, mas só o podemos pagar amanhã. Pior ficaram, mas amanhã porquê? - Porque hoje não temos aqui o dinheiro e mais isto e mais aquilo. O Ti António pergunta ao Ti Manuel: - O que fazemos? - Não sei, mas podemos dormir por aí e amanhã se trouxeram o dinheiro, entregamos-lhe o café. Está bem, diz o Ti António aos compradores.
No dia seguinte, apareceram os compradores com um carro e fizeram sinal aos contrabandistas para descerem por uma estrada, afastando-se da aldeia. Eles desconfiados não se queriam afastar muito, mas com insistência dos compradores lá chegaram ao carro com o café. O Ti António foi entregar o café a um dos compradores e, quando levantou os olhos, estava o outro comprador com uma pistola apontada à cabeça do Ti Manuel e, logo de seguida deu dois tiros para o ar, deixando ao mesmo tempo o Ti Manuel que começou a correr o mais que podia, não querendo saber mais do café nem do companheiro. O Ti António sem medo, ainda insistiu para lhe pagarem o café, mas eles meteram o café no carro e fugiram a grande velocidade. O ti António voltou sozinho, até chegar a um lugar onde existia um Monte, ainda dentro de Espanha, no qual moravam uns idosos e, ainda longe começou a ouvir a voz muito alta do seu colega que não quis saber mais dele. Lá foi ter com ele, zangado, como não podia deixar de estar, porque, se eventualmente levasse um tiro, ali ficava sem ajuda ou morto. Tinha muita razão, por isso iam quase sempre dois a dois, se houvesse azar, o outro podia dar o alerta em Portugal. 
O Ti António esteve mais de oito dias sem ir a São Bento da Contenda (San Benito da la Contienda), mas como era uma pessoa muito audaciosa, lá voltou com outro companheiro, ao chegar, foi ao comércio de uma senhora idosa que vivia com uma neta, muito amiga dos contrabandistas portugueses, que faziam lá muitas compras de produtos para trazer de volta a Portugal e que já sabia o que se tinha passado, contado por outros contrabandistas que conheciam a situação, e perguntou-lhe: - António, já sabes quem te roubou o café? - Não, tu sabes? - Sei. - Foi um marroquino e um cabo da guarda civil, já reformado, roubaram-te e, foram-se embora daqui! Nada podemos fazer nada!

E, a vida dos contrabandistas de Ferreira de Capelins continuou como antes! Apenas houve troca de companheiro! 

São Bento da Contenda



152 - Terras de Capelins

Caminhos do contrabando um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendral - Espanha
Apresenta-se mais uma localidade espanhola onde os contrabandistas de Ferreira de Capelins vendiam o tão precioso café Camêlo. Era distante de Ferreira de Capelins, mas tinham de lá ir, não só porque nas localidades mais próximas da fronteira era mais difícil de vender devido à grande oferta e também porque os preços de venda eram mais baixos. É verdade que estes caminhos de 40/50 Km a pé carregados com 30 Kg de café às costas, era muito duro, mas essa vida era mesmo assim, às vezes debaixo de chuva e sujeitos a ficarem sem nada!

Aqui temos Almendral a qual desconhecia até há poucos dias, foi-me descrita por um contrabandista de Ferreira de Capelins.



ALMENDRAL
Almendral é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 68 km². Em 2013 tinha 1 319 habitantes (densidade: 19,4 hab./km²).

Património:
Igreja de Santa Maria Madalena
Igreja de São Pedro Apóstolo
Ermida de Nossa Senhora Finibus Terrae
Convento de Rocamador 

Almendral



151 - Terras de Capelins 

Histórias de vidas do contrabando, um passado


esquecido!
 
De Ferreira de Capelins a São Bento da Contenda (San 


Benito de la Contienda) 


Em mais uma das viagens noturnas de Ferreira de Capelins a São Bento da Contenda, os contrabandistas Ti Manuel e Ti António, foram vender 30 Kg de café cada um, correu tudo bem até ali, mas ao voltarem para Portugal com o dinheiro nos bolsos e algumas encomendas de clientes portugueses, nomeadamente botas para usarem no trabalho do campo e nas pedreiras de mármore onde então muitos trabalhavam, apanharam grande susto. Desciam um vale por onde em época de chuvas corria um pequeno curso de água, com alguma vegetação, canaviais e arbustos, vinham distraídos, falando da volta que tinham dado essa noite, quando o Ti António levanta os olhos e fica estarrecido, parou repentinamente e diz ao Ti Manuel:

- Olha lá o que está aí na nossa frente! O Ti Manuel pergunta-lhe: - E agora o que fazemos? E diz o Ti António: Fugimos, não?

O que tinham eles na sua frente? A guarda civil (Carabineiros), em cavalos e já os tinham visto. Eram um grande perigo, porque com os cavalos em terreno daquele tipo eram facilmente apanhados e tiravam-lhe o dinheiro e as coisas que traziam. O Ti António e o Ti Manuel eram raposas velhas nestas andanças e ao fugirem escolheram um local de difícil acesso aos cavalos e tentaram enganar os guardas. Fingiram que fugiam para trás, mas assim que ficaram a coberto de árvores e arbustos correram em sentido contrário para o meio de árvores e esconderam-se, ouviram os cavalos a passar a galope e assim que eles passaram começaram a correr o mais que podiam durante muitos quilometros, mas chegaram sãos e salvos a Portugal e quando chegaram a Ferreira de Capelins ainda olhavam para trás a certificarem-se que os cavalos não vinham atrás deles.
Disse-lhe: - Decerto, que a guarda civil não os queria apanhar, só queria assustá-los! Queria, queria, respondeu o Ti António, nós é que os enganámos! 
Era assim a vida dura dos contrabandistas do império do café! 

Igreja de São Bento da Contenda




150 - Terras de Capelins


Caminhos do contrabando, um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendralejo

Almendralejo é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 164 km². 
Em 2012 tinha 34 694 habitantes. Uma linda cidade fundada na Idade Média. 

A cidade de Almendralejo, fica muito distante de Ferreira de Capelins, mas a necessidade de governar a vida, de vender o café que transportavam às costas, obrigava os contrabandistas a recorrerem a esta cidade, percorrendo o caminho por veredas ou estradas secundárias e de terra batida, para escapar aos carabineiros! Como o caminho era muito longo, não o conseguiam fazer num só dia, muitas vezes levavam vários dias e noites, sempre a pé e carregados com o café. 
Almendralejo, era menos visitada por contrabandistas, por isso, vendiam aqui muito bem, melhor preço e em pouco tempo, mas poucos homens se aventuravam em tão grande viagem que, também por isso, o perigo de serem roubados ou presos, era muito maior, mas esse risco era compensado, incentivando alguns contrabandistas de Ferreira de Capelins a viajar até Almendralejo.


Almendralejo


149 - Terras de Capelins


Os caminhos do contrabando, um passado esquecido! 

De Ferreira de Capelins a Talega (Táliga) 



Durante a noite, muitas vezes com chuva, de preferência dos contrabandistas, com 30 Kg de café Camêlo às costas, partiam de Ferreira de Capelins, passando o rio Guadiana ao fim de 1:30 horas e seguiam a caminho de Táliga, onde logo pela manhã, com alguma sorte, conseguiam vender o café porta a porta e em alguns comércios, caso contrário, teriam de partir para outra localidade, sujeitos ao perigo de serem presos e ficarem sem nada.

Histórias de vidas dos contrabandistas do Império do café!

TÁLEGA (TÁLIGA)
Talega ou Nossa Senhora da Assunção de Talega(em espanhol: Táliga) é um município da Espanha, na província de Badajoz, Estremadura, de área 31 km². Em 2013 tinha 743 habitantes (densidade: 24 hab./km²).
A fundação de Táliga remonta ao período medieval, sendo atribuída aos cavaleiros templários. Julga-se que os cavaleiros, que após a reconquista passaram a habitar o castelo de Alconchel, terão deslocado os habitantes mouros deste castelo para povoarem Táliga.
Em 1297, com o tratado de Alcanices, passa a integrar o reino de Portugal.
No início do século XVIII, possuía cerca de 100 habitantes e diversas herdades, tais como a de Alparragena, a de Valmoreno, a de Mentilhão e a de Monte da Vinha.
Este município constituía até 1801 uma freguesia do termo de Olivença, com o nome de Nossa Senhora da Assunção de Talega ou Táliga (Nuestra Señora de la Asunción de Táliga em espanhol). Foi ocupada por Espanha em 1801.
Em 1850, consegue a segregação de Olivença e é constituída em concelho próprio. Tem cerca de 800 habitantes.
A sua construção de maior relevo é a igreja paroquial da Assunção, coroando a atraente praça de configuração irregular que ocupa um dos extremos da povoação. A sua arquitectura revela os traços alentejanos que a distinguem na Estremadura.
O templo, de modestas proporções, de alvenaria caiada, cunhais de cantaria e torre de um só corpo e pouca altura que encaixa de forma não habitual na nave. Na zona superior da torre abrem-se campanários, rematados com um capitel. Na fachada apresenta portal oitocentista de desenho alentejano. No interior, uma nave única de cabeceira plana e abobado de aresta. Do lado da Epístola desenvolve-se um conjunto de capelas.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção - Táliga


148 - Terras de Capelins 



Histórias de Vidas, do contrabando 


De Ferreira de Capelins a São Domingos de Gusmão 

Pela noite dentro, os contrabandistas saíam de Ferreira de Capelins, com muitas cautelas não fosse a Guarda Fiscal andar por ali e corriam o risco de lhe tirarem o café. Cerca da meia noite estavam passando o rio Guadiana no barco do moleiro que estivesse mais próximo do local onde queriam passar, mediante o pagamento de 20 escudos cada um. Do outro lado da fronteira, seguiam imediatamente o caminho das localidades antes programadas, porém, ainda dava para descansar algumas horas numa das choças que se encontravam junto a Montes. Uma das localidades da sua rota era São Domingos de Gusmão, pequena aldeia Oliventina. Por aqui vendiam algum café,mas geralmente tinham de seguir caminho para vender o restante, regressando então a Ferreira de Capelins, sempre com os olhos bem abertos para não serem surpreendidos pela guarda civil que nesse Concelho andavam a cavalo, ainda mais perigosos e se fossem apanhados podiam ser presos ou ficar sem nada! Era difícil a vida dos contrabandistas do império do café!


São Domingos de Gusmão

São Domingos de Gusmão (oficialmente em espanhol Santo Domingo de Guzmán) é uma aldeia do município de Olivença, Espanha (disputado por Portugal). Até 1801, constituía uma freguesia deste concelho português e tinha 353 habitantes. Sob a administração espanhola, encontra-se integrada na Província de Badajoz. Situa-se a 7 km de Olivença .
De acordo com dados 2007, possui actualmente apenas 18 habitantes, constituindo a menor das aldeias oliventinas.
Oferece-nos a igreja paroquial de S. Domingos de Gusmão, pequena edificação caiada de carácter popular, do século XVII, com aspecto de ermida rural. A fachada ostenta um grande pórtico de severa estrutura em mármore e duplo campanário. A planta é de uma nave com abóbada de simples e cabeceira quadrangular de cruzeiro. As capelas e demais dependências anexadas a corpo principal originam um conjunto de variados volumes e acertada composição. Uma pequena cúpula em chaminé destaca-se sobre a cobertura. O seu encanto principal resulta da sua característica arquitectura popular tradicional de acento alentejano.
No início do século XVIII, a aldeia era constituída por cerca de 60 pessoas. Nessa altura, existiam nas suas imediações as herdades da Borrachinha, de Monte-longo e Gijarral, entre outras, consideradas muito férteis.
A meio caminho de Olivença encontra-se a ermida de Nossa Sra. das Neves, cujas festas se celebram em 5 de Agosto. Sobre ela existe uma encantadora lenda que relata a história do pequeno Joaquim que, perdido no campo, a Virgem protegeu durante a noite.

São Domingos de Gusmão








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