domingo, 31 de julho de 2016

152 - Terras de Capelins

Caminhos do contrabando um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendral - Espanha
Apresenta-se mais uma localidade espanhola onde os contrabandistas de Ferreira de Capelins vendiam o tão precioso café Camêlo. Era distante de Ferreira de Capelins, mas tinham de lá ir, não só porque nas localidades mais próximas da fronteira era mais difícil de vender devido à grande oferta e também porque os preços de venda eram mais baixos. É verdade que estes caminhos de 40/50 Km a pé carregados com 30 Kg de café às costas, era muito duro, mas essa vida era mesmo assim, às vezes debaixo de chuva e sujeitos a ficarem sem nada!

Aqui temos Almendral a qual desconhecia até há poucos dias, foi-me descrita por um contrabandista de Ferreira de Capelins.



ALMENDRAL
Almendral é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 68 km². Em 2013 tinha 1 319 habitantes (densidade: 19,4 hab./km²).

Património:
Igreja de Santa Maria Madalena
Igreja de São Pedro Apóstolo
Ermida de Nossa Senhora Finibus Terrae
Convento de Rocamador 

Almendral



151 - Terras de Capelins 

Histórias de vidas do contrabando, um passado


esquecido!
 
De Ferreira de Capelins a São Bento da Contenda (San 


Benito de la Contienda) 


Em mais uma das viagens noturnas de Ferreira de Capelins a São Bento da Contenda, os contrabandistas Ti Manuel e Ti António, foram vender 30 Kg de café cada um, correu tudo bem até ali, mas ao voltarem para Portugal com o dinheiro nos bolsos e algumas encomendas de clientes portugueses, nomeadamente botas para usarem no trabalho do campo e nas pedreiras de mármore onde então muitos trabalhavam, apanharam grande susto. Desciam um vale por onde em época de chuvas corria um pequeno curso de água, com alguma vegetação, canaviais e arbustos, vinham distraídos, falando da volta que tinham dado essa noite, quando o Ti António levanta os olhos e fica estarrecido, parou repentinamente e diz ao Ti Manuel:

- Olha lá o que está aí na nossa frente! O Ti Manuel pergunta-lhe: - E agora o que fazemos? E diz o Ti António: Fugimos, não?

O que tinham eles na sua frente? A guarda civil (Carabineiros), em cavalos e já os tinham visto. Eram um grande perigo, porque com os cavalos em terreno daquele tipo eram facilmente apanhados e tiravam-lhe o dinheiro e as coisas que traziam. O Ti António e o Ti Manuel eram raposas velhas nestas andanças e ao fugirem escolheram um local de difícil acesso aos cavalos e tentaram enganar os guardas. Fingiram que fugiam para trás, mas assim que ficaram a coberto de árvores e arbustos correram em sentido contrário para o meio de árvores e esconderam-se, ouviram os cavalos a passar a galope e assim que eles passaram começaram a correr o mais que podiam durante muitos quilometros, mas chegaram sãos e salvos a Portugal e quando chegaram a Ferreira de Capelins ainda olhavam para trás a certificarem-se que os cavalos não vinham atrás deles.
Disse-lhe: - Decerto, que a guarda civil não os queria apanhar, só queria assustá-los! Queria, queria, respondeu o Ti António, nós é que os enganámos! 
Era assim a vida dura dos contrabandistas do império do café! 

Igreja de São Bento da Contenda




150 - Terras de Capelins


Caminhos do contrabando, um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendralejo

Almendralejo é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 164 km². 
Em 2012 tinha 34 694 habitantes. Uma linda cidade fundada na Idade Média. 

A cidade de Almendralejo, fica muito distante de Ferreira de Capelins, mas a necessidade de governar a vida, de vender o café que transportavam às costas, obrigava os contrabandistas a recorrerem a esta cidade, percorrendo o caminho por veredas ou estradas secundárias e de terra batida, para escapar aos carabineiros! Como o caminho era muito longo, não o conseguiam fazer num só dia, muitas vezes levavam vários dias e noites, sempre a pé e carregados com o café. 
Almendralejo, era menos visitada por contrabandistas, por isso, vendiam aqui muito bem, melhor preço e em pouco tempo, mas poucos homens se aventuravam em tão grande viagem que, também por isso, o perigo de serem roubados ou presos, era muito maior, mas esse risco era compensado, incentivando alguns contrabandistas de Ferreira de Capelins a viajar até Almendralejo.


Almendralejo


149 - Terras de Capelins


Os caminhos do contrabando, um passado esquecido! 

De Ferreira de Capelins a Talega (Táliga) 



Durante a noite, muitas vezes com chuva, de preferência dos contrabandistas, com 30 Kg de café Camêlo às costas, partiam de Ferreira de Capelins, passando o rio Guadiana ao fim de 1:30 horas e seguiam a caminho de Táliga, onde logo pela manhã, com alguma sorte, conseguiam vender o café porta a porta e em alguns comércios, caso contrário, teriam de partir para outra localidade, sujeitos ao perigo de serem presos e ficarem sem nada.

Histórias de vidas dos contrabandistas do Império do café!

TÁLEGA (TÁLIGA)
Talega ou Nossa Senhora da Assunção de Talega(em espanhol: Táliga) é um município da Espanha, na província de Badajoz, Estremadura, de área 31 km². Em 2013 tinha 743 habitantes (densidade: 24 hab./km²).
A fundação de Táliga remonta ao período medieval, sendo atribuída aos cavaleiros templários. Julga-se que os cavaleiros, que após a reconquista passaram a habitar o castelo de Alconchel, terão deslocado os habitantes mouros deste castelo para povoarem Táliga.
Em 1297, com o tratado de Alcanices, passa a integrar o reino de Portugal.
No início do século XVIII, possuía cerca de 100 habitantes e diversas herdades, tais como a de Alparragena, a de Valmoreno, a de Mentilhão e a de Monte da Vinha.
Este município constituía até 1801 uma freguesia do termo de Olivença, com o nome de Nossa Senhora da Assunção de Talega ou Táliga (Nuestra Señora de la Asunción de Táliga em espanhol). Foi ocupada por Espanha em 1801.
Em 1850, consegue a segregação de Olivença e é constituída em concelho próprio. Tem cerca de 800 habitantes.
A sua construção de maior relevo é a igreja paroquial da Assunção, coroando a atraente praça de configuração irregular que ocupa um dos extremos da povoação. A sua arquitectura revela os traços alentejanos que a distinguem na Estremadura.
O templo, de modestas proporções, de alvenaria caiada, cunhais de cantaria e torre de um só corpo e pouca altura que encaixa de forma não habitual na nave. Na zona superior da torre abrem-se campanários, rematados com um capitel. Na fachada apresenta portal oitocentista de desenho alentejano. No interior, uma nave única de cabeceira plana e abobado de aresta. Do lado da Epístola desenvolve-se um conjunto de capelas.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção - Táliga


148 - Terras de Capelins 



Histórias de Vidas, do contrabando 


De Ferreira de Capelins a São Domingos de Gusmão 

Pela noite dentro, os contrabandistas saíam de Ferreira de Capelins, com muitas cautelas não fosse a Guarda Fiscal andar por ali e corriam o risco de lhe tirarem o café. Cerca da meia noite estavam passando o rio Guadiana no barco do moleiro que estivesse mais próximo do local onde queriam passar, mediante o pagamento de 20 escudos cada um. Do outro lado da fronteira, seguiam imediatamente o caminho das localidades antes programadas, porém, ainda dava para descansar algumas horas numa das choças que se encontravam junto a Montes. Uma das localidades da sua rota era São Domingos de Gusmão, pequena aldeia Oliventina. Por aqui vendiam algum café,mas geralmente tinham de seguir caminho para vender o restante, regressando então a Ferreira de Capelins, sempre com os olhos bem abertos para não serem surpreendidos pela guarda civil que nesse Concelho andavam a cavalo, ainda mais perigosos e se fossem apanhados podiam ser presos ou ficar sem nada! Era difícil a vida dos contrabandistas do império do café!


São Domingos de Gusmão

São Domingos de Gusmão (oficialmente em espanhol Santo Domingo de Guzmán) é uma aldeia do município de Olivença, Espanha (disputado por Portugal). Até 1801, constituía uma freguesia deste concelho português e tinha 353 habitantes. Sob a administração espanhola, encontra-se integrada na Província de Badajoz. Situa-se a 7 km de Olivença .
De acordo com dados 2007, possui actualmente apenas 18 habitantes, constituindo a menor das aldeias oliventinas.
Oferece-nos a igreja paroquial de S. Domingos de Gusmão, pequena edificação caiada de carácter popular, do século XVII, com aspecto de ermida rural. A fachada ostenta um grande pórtico de severa estrutura em mármore e duplo campanário. A planta é de uma nave com abóbada de simples e cabeceira quadrangular de cruzeiro. As capelas e demais dependências anexadas a corpo principal originam um conjunto de variados volumes e acertada composição. Uma pequena cúpula em chaminé destaca-se sobre a cobertura. O seu encanto principal resulta da sua característica arquitectura popular tradicional de acento alentejano.
No início do século XVIII, a aldeia era constituída por cerca de 60 pessoas. Nessa altura, existiam nas suas imediações as herdades da Borrachinha, de Monte-longo e Gijarral, entre outras, consideradas muito férteis.
A meio caminho de Olivença encontra-se a ermida de Nossa Sra. das Neves, cujas festas se celebram em 5 de Agosto. Sobre ela existe uma encantadora lenda que relata a história do pequeno Joaquim que, perdido no campo, a Virgem protegeu durante a noite.

São Domingos de Gusmão








147 - História das terras de Capelins 

Vila Defesa de Ferreira


Em Dezembro de 1312 faleceu D. Gil Martins, 3º senhor de Terena, sem deixar descendentes diretos, retornando o seu património à coroa, embora, com protestos de sua mãe que se considerava sua herdeira e, ainda conseguiu reaver alguns bens, mas não todos, como foi o caso de Terena. Assim, o senhorio de Terena ficou na posse de D. Dinis, que em 1314 criou a Vila Defesa de Ferreira, (o espaço geográfico que é hoje a Freguesia de Capelins), uma inovação, em alternativa aos Coutos de homiziados (tipo prisões abertas), no caso da Vila Defesa os povoadores eram voluntários, o reino concedia-lhes vários privilégios e, em troca tinham de defender esse espaço geográfico dos invasores vindos do outro lado da fronteira. Assim, D. Dinis fundou a Vila Defesa de Ferreira, com a sede junto às Neves, mandando aí conStruir a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira (destruída cerca de 1667). A seguir entregou-a ao seu filho Afonso, que veio ser o rei Afonso IV, o qual a doou imediatamente à sua esposa Dª Beatriz (Brites), entrando a Villa Defesa de Ferreira, na Casa das Rainhas, continuando o seu senhorio na posse de 3 Beatriz, seguidas, Dª Beatriz esposa de D. Afonso IV, a sua neta Beatriz de Castro e a outra sua neta, filha do rei D. Fernando, que casou com D. João I de Castela, Dª Beatriz!




sexta-feira, 29 de julho de 2016

146 - História das terras de Capelins 

Da Vila de Ferreira (Capelins) a Bobadela (Oliveira do Hospital - Coimbra)


Em 1433, a então Villa Defesa de Ferreira, hoje Freguesia de Capelins (Santo António), que já existia desde 1314 (D. Dinis), foi doada pelo rei D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade, que tinha sido pagem do rei D. João I e lutou a seu lado na batalha de Aljubarrota, tendo por isso recebido como recompensa entre outros bens a Casa de Bobadela (Oliveira do Hospital...), sendo, assim, o primeiro senhor da Casa de Bobadela. Quando em 1433, D. Duarte lhe doou a Villa Defesa de Ferreira, esta ficou integrada nessa Casa Nobre, da Família Freire de Andrade, onde permaneceu até 1674, ou seja durante 241 anos. Ainda é de salientar que a doação do Lugar de Ferreira a par de Terena, foi confirmada em 1450, ao neto de D. Gomes Freire de Andrade, exatamente com o mesmo nome, por D. Afonso V, por recompensa de ter lutado a seu lado na batalha de Alfarrobeira (Vialonga em 1449). 
(Existe documento de prova no A.N.T.T.)




584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...