domingo, 31 de julho de 2016

150 - Terras de Capelins


Caminhos do contrabando, um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendralejo

Almendralejo é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 164 km². 
Em 2012 tinha 34 694 habitantes. Uma linda cidade fundada na Idade Média. 

A cidade de Almendralejo, fica muito distante de Ferreira de Capelins, mas a necessidade de governar a vida, de vender o café que transportavam às costas, obrigava os contrabandistas a recorrerem a esta cidade, percorrendo o caminho por veredas ou estradas secundárias e de terra batida, para escapar aos carabineiros! Como o caminho era muito longo, não o conseguiam fazer num só dia, muitas vezes levavam vários dias e noites, sempre a pé e carregados com o café. 
Almendralejo, era menos visitada por contrabandistas, por isso, vendiam aqui muito bem, melhor preço e em pouco tempo, mas poucos homens se aventuravam em tão grande viagem que, também por isso, o perigo de serem roubados ou presos, era muito maior, mas esse risco era compensado, incentivando alguns contrabandistas de Ferreira de Capelins a viajar até Almendralejo.


Almendralejo


149 - Terras de Capelins


Os caminhos do contrabando, um passado esquecido! 

De Ferreira de Capelins a Talega (Táliga) 



Durante a noite, muitas vezes com chuva, de preferência dos contrabandistas, com 30 Kg de café Camêlo às costas, partiam de Ferreira de Capelins, passando o rio Guadiana ao fim de 1:30 horas e seguiam a caminho de Táliga, onde logo pela manhã, com alguma sorte, conseguiam vender o café porta a porta e em alguns comércios, caso contrário, teriam de partir para outra localidade, sujeitos ao perigo de serem presos e ficarem sem nada.

Histórias de vidas dos contrabandistas do Império do café!

TÁLEGA (TÁLIGA)
Talega ou Nossa Senhora da Assunção de Talega(em espanhol: Táliga) é um município da Espanha, na província de Badajoz, Estremadura, de área 31 km². Em 2013 tinha 743 habitantes (densidade: 24 hab./km²).
A fundação de Táliga remonta ao período medieval, sendo atribuída aos cavaleiros templários. Julga-se que os cavaleiros, que após a reconquista passaram a habitar o castelo de Alconchel, terão deslocado os habitantes mouros deste castelo para povoarem Táliga.
Em 1297, com o tratado de Alcanices, passa a integrar o reino de Portugal.
No início do século XVIII, possuía cerca de 100 habitantes e diversas herdades, tais como a de Alparragena, a de Valmoreno, a de Mentilhão e a de Monte da Vinha.
Este município constituía até 1801 uma freguesia do termo de Olivença, com o nome de Nossa Senhora da Assunção de Talega ou Táliga (Nuestra Señora de la Asunción de Táliga em espanhol). Foi ocupada por Espanha em 1801.
Em 1850, consegue a segregação de Olivença e é constituída em concelho próprio. Tem cerca de 800 habitantes.
A sua construção de maior relevo é a igreja paroquial da Assunção, coroando a atraente praça de configuração irregular que ocupa um dos extremos da povoação. A sua arquitectura revela os traços alentejanos que a distinguem na Estremadura.
O templo, de modestas proporções, de alvenaria caiada, cunhais de cantaria e torre de um só corpo e pouca altura que encaixa de forma não habitual na nave. Na zona superior da torre abrem-se campanários, rematados com um capitel. Na fachada apresenta portal oitocentista de desenho alentejano. No interior, uma nave única de cabeceira plana e abobado de aresta. Do lado da Epístola desenvolve-se um conjunto de capelas.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção - Táliga


148 - Terras de Capelins 



Histórias de Vidas, do contrabando 


De Ferreira de Capelins a São Domingos de Gusmão 

Pela noite dentro, os contrabandistas saíam de Ferreira de Capelins, com muitas cautelas não fosse a Guarda Fiscal andar por ali e corriam o risco de lhe tirarem o café. Cerca da meia noite estavam passando o rio Guadiana no barco do moleiro que estivesse mais próximo do local onde queriam passar, mediante o pagamento de 20 escudos cada um. Do outro lado da fronteira, seguiam imediatamente o caminho das localidades antes programadas, porém, ainda dava para descansar algumas horas numa das choças que se encontravam junto a Montes. Uma das localidades da sua rota era São Domingos de Gusmão, pequena aldeia Oliventina. Por aqui vendiam algum café,mas geralmente tinham de seguir caminho para vender o restante, regressando então a Ferreira de Capelins, sempre com os olhos bem abertos para não serem surpreendidos pela guarda civil que nesse Concelho andavam a cavalo, ainda mais perigosos e se fossem apanhados podiam ser presos ou ficar sem nada! Era difícil a vida dos contrabandistas do império do café!


São Domingos de Gusmão

São Domingos de Gusmão (oficialmente em espanhol Santo Domingo de Guzmán) é uma aldeia do município de Olivença, Espanha (disputado por Portugal). Até 1801, constituía uma freguesia deste concelho português e tinha 353 habitantes. Sob a administração espanhola, encontra-se integrada na Província de Badajoz. Situa-se a 7 km de Olivença .
De acordo com dados 2007, possui actualmente apenas 18 habitantes, constituindo a menor das aldeias oliventinas.
Oferece-nos a igreja paroquial de S. Domingos de Gusmão, pequena edificação caiada de carácter popular, do século XVII, com aspecto de ermida rural. A fachada ostenta um grande pórtico de severa estrutura em mármore e duplo campanário. A planta é de uma nave com abóbada de simples e cabeceira quadrangular de cruzeiro. As capelas e demais dependências anexadas a corpo principal originam um conjunto de variados volumes e acertada composição. Uma pequena cúpula em chaminé destaca-se sobre a cobertura. O seu encanto principal resulta da sua característica arquitectura popular tradicional de acento alentejano.
No início do século XVIII, a aldeia era constituída por cerca de 60 pessoas. Nessa altura, existiam nas suas imediações as herdades da Borrachinha, de Monte-longo e Gijarral, entre outras, consideradas muito férteis.
A meio caminho de Olivença encontra-se a ermida de Nossa Sra. das Neves, cujas festas se celebram em 5 de Agosto. Sobre ela existe uma encantadora lenda que relata a história do pequeno Joaquim que, perdido no campo, a Virgem protegeu durante a noite.

São Domingos de Gusmão








147 - História das terras de Capelins 

Vila Defesa de Ferreira


Em Dezembro de 1312 faleceu D. Gil Martins, 3º senhor de Terena, sem deixar descendentes diretos, retornando o seu património à coroa, embora, com protestos de sua mãe que se considerava sua herdeira e, ainda conseguiu reaver alguns bens, mas não todos, como foi o caso de Terena. Assim, o senhorio de Terena ficou na posse de D. Dinis, que em 1314 criou a Vila Defesa de Ferreira, (o espaço geográfico que é hoje a Freguesia de Capelins), uma inovação, em alternativa aos Coutos de homiziados (tipo prisões abertas), no caso da Vila Defesa os povoadores eram voluntários, o reino concedia-lhes vários privilégios e, em troca tinham de defender esse espaço geográfico dos invasores vindos do outro lado da fronteira. Assim, D. Dinis fundou a Vila Defesa de Ferreira, com a sede junto às Neves, mandando aí conStruir a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira (destruída cerca de 1667). A seguir entregou-a ao seu filho Afonso, que veio ser o rei Afonso IV, o qual a doou imediatamente à sua esposa Dª Beatriz (Brites), entrando a Villa Defesa de Ferreira, na Casa das Rainhas, continuando o seu senhorio na posse de 3 Beatriz, seguidas, Dª Beatriz esposa de D. Afonso IV, a sua neta Beatriz de Castro e a outra sua neta, filha do rei D. Fernando, que casou com D. João I de Castela, Dª Beatriz!




sexta-feira, 29 de julho de 2016

146 - História das terras de Capelins 

Da Vila de Ferreira (Capelins) a Bobadela (Oliveira do Hospital - Coimbra)


Em 1433, a então Villa Defesa de Ferreira, hoje Freguesia de Capelins (Santo António), que já existia desde 1314 (D. Dinis), foi doada pelo rei D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade, que tinha sido pagem do rei D. João I e lutou a seu lado na batalha de Aljubarrota, tendo por isso recebido como recompensa entre outros bens a Casa de Bobadela (Oliveira do Hospital...), sendo, assim, o primeiro senhor da Casa de Bobadela. Quando em 1433, D. Duarte lhe doou a Villa Defesa de Ferreira, esta ficou integrada nessa Casa Nobre, da Família Freire de Andrade, onde permaneceu até 1674, ou seja durante 241 anos. Ainda é de salientar que a doação do Lugar de Ferreira a par de Terena, foi confirmada em 1450, ao neto de D. Gomes Freire de Andrade, exatamente com o mesmo nome, por D. Afonso V, por recompensa de ter lutado a seu lado na batalha de Alfarrobeira (Vialonga em 1449). 
(Existe documento de prova no A.N.T.T.)




quinta-feira, 28 de julho de 2016

145 - História de Capelins 

Povoado das Águas Frias e a Villa de Ferreira Romana separados pela Ribeira do Lucefecit!
Dos Iberos - Celtas aos Romanos 

Conforme os especialistas, no lugar da Villa de Ferreira Romana já antes aqui existia um Povoado, da Idade do Ferro, antes da vinda dos Romanos que eventualmente estava ligado ao Povoado das Águas Frias.
...
"De Época Romana, bastante representada no Quadro Geral de Referências, apenas foram intervencionados oito ocorrências no território do concelho do Alandroal (GOMES, BRAZUNA e MACEDO, 2002); de entre eles destaco o Outeiro dos Castelinhos, muito próximo do Castelinho (nº 403, Anexo 6), uma “villa” romana fortificada em muito bom estado de conservação (CALADO, 1993:102). Localizado entre a Ribeira do Lucefecit e a faixa piritosa, onde abundam os vestígios de mineração, o sítio não foi escavado integralmente. Durante os trabalhos, foi possível identificar uma área habitacional e outra de trabalho; é-lhe atribuída uma cronologia correspondente à passagem da Idade do Ferro para a Época Romana (GOMES, BRAZUNA e MACEDO, 2002: 135)". 

Villa de Ferreira Romana 



144 - História das terras de Capelins

Freguesia de Capelins (Santo António)

A Freguesia de Capelins (Santo António), é constituída por três Aldeias: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montes Juntos e ainda uma pequenina parcela de Cabeça de Carneiro.
A sua história remonta ao período da pré história, conforme consta na carta arqueológica de Alandroal e no relatório do levantamento arqueológico e patrimonial do Alqueva, passando pelo Neocalcolítico, pelos Romanos que fundaram a Villa de Ferreira Romana na margem direita da Ribeira de Lucefecit, em frente às Águas Frias e Idade Média. Entre 1262 e 1836, estas terras, fizeram parte do Concelho de Terena. Em 1314, o rei D. Dinis fundou a Vila de Ferreira, quase todo o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, como Vila Defesa, (semelhante a Couto de Homiziados), os seus moradores tinham a missão de defender militarmente estas terras, de eventuais invasores, em troca de diversos privilégios, sendo a sua sede o Lugar de Ferreira, junto às Neves, onde existia a Igreja Matriz de Santa Maria. Esta Vila Defesa foi entregue ao seu filho, Infante D. Afonso, que veio ser o rei D. Afonso IV, o qual, imediatamente a doou a sua esposa Dª Beatriz (de Espanha), entrando, assim, na Casa das Rainhas. Depois de ser doada a mais duas Infantas de nome Beatriz, foi doada em 1433 pelo rei D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade, permanecendo nesta Família até 1674, quando lhes foi retirada por falta de herdeiros diretos, ficando na coroa até ser doada ao Infante Francisco de Bragança, neto do Rei D. João IV, mas em 1698 as herdades da Defesa de Ferreira e Defesa de Bobadela foram doadas à Casa do Infantado e, o restante espaço geográfico ficou na posse do Reino que arrendou as herdades a privados e vendeu várias courelas. Em 1834, as herdades foram repartidas em menores dimensões e foram vendidas a rendeiros e, as que restaram a outros lavradores e seareiros.





584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...