domingo, 14 de fevereiro de 2016

140 - História das terras de Capelins

Gravuras Rupestres nas terras de Capelins

3. 14. MOINHOLA

Localiza-se a 3, 5 km do núcleo anterior (Fig. 2). Administrativamente integra a freguesia de Capelins, concelho do Alandroal, distrito de Évora. Encontra-se cartografada na folha 463 da Carta Militar de Portugal, ocupando uma área entre as seguintes coordenadas Greenwich: 38º 30’ 18,12’’ N 07º 18’ 50,71’’ O e 38º 29’ 45,70’’ N 07º 18’ 53,68’’ O. As altitudes variam entre os 117 e os 122m. Corresponde à maior das estações do Guadiana. Situa-se no leito de cheia do rio (Fig. 108), encontrando-se por isso coberta em parte por aluviões modernos constituídos essencialmente por lodos e alguns calhaus dispersos (Perdigão e Assunção, 1971, 6). Se considerar-mos esse caudal, situar-se-á mais perto da margem esquerda. No Verão, contudo, o acesso só é possível a partir da margem direita. Trata-se de uma zona altamente acidentada. Tanto afloram os xistos em crista como em painéis horizontais (Fotos 80 e 81) . Aqueles são de cronologia devónica, acompanhados frequentemente por veios de quartzo (Perdigão e Assunção, 1971, 7-8). A topografia é muito recortada, penetrando no rio em vários pontos, originando deste modo poças e canais que mesmo no Verão não chegam a secar. A vegetação é de carácter hidrófilo, abun-dando as arbustivas e as herbáceas.Para efeitos de uma melhor descrição da distribuição das rochas, falaremos da sua localização em relação ao moinho que aí se encontra. As que se seguem encontram-se para montante daquele. Rocha 1: Enorme rocha constituída por vários campos compositivos separados por fracturas paralelas à xistosidade geral (sensi- velmente orientadas na direcção oeste – este). Deste modo, aqueles aparecem-nos como lonas faixas perpendiculares ao rio (Foto 82). As superfícies são sub-horizontais, descendo pro-gressivamente de este para oeste. No entanto, por força de uma descrição mais ecaz, a rocha foi dividida em painéis arti-ciais (Fig. 109) que passaremos a descrever. A ordem seguida será da direita para a esquerda, ou seja, de norte para sul.
Painel A
(Fig. 110 e Fotos 83 a 85): De cima para baixo e da esquerda para a direita encontramos um semicírculo (nº 2), um pequeno sulco transversal (nº 5), outro semicírculo (nº 3) e um círculo seccionado em dois (nº 4). Abaixo deste conjunto localizam-se dois antropomorfos. O da esquerda (nº 5) é definido por um círculo (cabeça) e dois sulcos menores (braços) que ladeiam um maior (corpo); À esquerda deste último uma pequena linha curva parece representar um dos membros inferiores. O motivo da direita é definido por um círculo, corpo longo, dois pares de membros superiores rectos e pernas arqueadas (nº 6). No sector inferior foi gravado um círculo (nº 7). Numa pequena superfície situada à esquerda dos motivos atrás descritos identifica-se um motivo “baculiforme” (nº 8).
Painel B
(Fig. 111): Na superfície mais a oeste foi gravado um semicírculo (nº 1), moti- vo que se repete no campo compositivo situado um pouco abaixo (nº 2). Aqui encontramos ain-da um círculo simples (nº 3), dois círculos com apêndice (nºs 4 e 5) e um último com apêndice e sulco transversal a este, características que parecem antropomorfizar o motivo (nº 6). Iden-tificam-se também vários picotados dispersos, situação que voltamos a verificar em torno do círculo gravado mais abaixo (nº 7). Na superfície inferior, identificam-se em cima três figuras subcirculares providas de apêndice (nºs 8 a 10), encontrando-se as duas últimas associadas. O motivo 10 apresenta ainda um pequeno círculo no interior. À direita deste conjunto foi gravada uma composição de características antropomórficas, definida por três círculos e dois sulcos (nº 11). Para baixo, à direita, encontra-se um grande círculo, motivo que se repete com e sem apêndices no sector inferior (nº s 13 a 16, 18 e 21). Para além destes foram gravados um antropomorfo de braços sub-rectilíneos e pernas em V invertido (nº 20), e um semicírculo (nº 17), figura que se repete por duas vezes à direita deste conjunto (nºs 19 e 22).
Painel C
(Fig. 112 e Fotos 86 e 87): A dis-tribuição das figuras aliada à divisão imposta pelas fracturas naturais permite-nos falar em dois campos compositivos distintos. Um à es-querda cujo repertório gurativo não se distin-gue do das restantes superfícies historiadas das rochas, e outro à esquerda que será seguramente um dos mais barrocos de toda a estação. Assim, no primeiro encontramos no sector superior um círculo (nº 1). Mais em baixo foram gravados um motivo subovóide (nº 2), um semicírculo (nº 3), um círculo simples (nº 5), um com apêndice (nº 4) e duas covinhas (nºs 6 e 7). À direita deste conjunto localizam-se um sulco horizontal (nº 8), um ténue círculo e uma fossette (nº 10). No sector central, à direita, distinguem-se, de cima para baixo: um círculo (nº 125), uma fifiura subovóide com algumas fossettes no interior (nº 126) (Foto 97) e outros dois círculos (nºs 127 e 128). No sector inferior observam-se um círculo com um semicírculo no interior (nº 129), um baculiforme (nº 130), duas guras subcirculares associadas entre si (nºs 131 e 132) (Foto 99) e uma barra vertical (nº 133).O campo da direita é, como referimos atrás, o mais preenchido da estação. Na superfí-cie superior (Fotos 88 e 89) foram gravados um semicírculo (nº 11) e uma composição passível de ser descrita como um círculo provido de um apêndice que secciona uma figura elíptica (nº 12) (Foto 91). Na diminuta superfície situada imediatamente abaixo identifcam-se quatro guras circulares (nºs 13 a 16), uma figura su-bovóide (nº 17), dois círculos com apêndice (nºs 18 e 19) (Foto 92), dois semicírculos (nºs 20 e 21), uma barra horizontal (nº 22) em aparente associação com o motivo 20, um sulco transversal (nº 24) e uma covinha (nº 24). À direita desta concentração encontra-se um círculo com três apêndices orientados na mesma direcção (nº 25) (Foto 93), composição semelhante ao motivo 1 do painel A descrito atrás.Mais em baixo encontramos nova con-centração de motivos. Individualizam-se nove figuras circulares ou subcirculares (nºs 26 a 34). O motivo 27 tem um círculo no interior e o 34 apresenta-se associado a uma pequena gura triangular. Para além destes, identificam-se um bucrânio (nº 35), um semicírculo (nº 36), dois antropomorfos de braços arqueados e pequenas pernas em V invertido (nºs 37 e 38). À direita deste conjunto foram gravados dois sulcos cur- vos (nºs 39 e 40) e uma gura subovóide com apêndice (nº 41). Sob aquele, individualizam-se dois círculos simples (nºs 42 e 43) e outro com apêndice (nº 44).Imediatamente abaixo identicam-se qua-tro motivos subcirculares (nºs 45 a 48). O 46 tem um semicírculo no interior e adossa-se a um círculo mais pequeno. Parte do motivo 47 foi reaproveitado para a execução de um an-tropomorfo do qual só resta a metade esquer-da (nº 49). Tem o membro superior arqueado e o inferior em V invertido. À sua direita foi gravado um outro de tipo cruciforme e pernas em V invertido (nº 50). Junto do limite direito do painel encontra-se um outro antropomorfo de tipologia muito excêntrica (nº 52) (Foto 94). Consiste este num enorme círculo a partir de onde se desenvolvem para baixo dois sulcos verticais paralelos entre si (as pernas). Por sua vez, cada um destes é provido de um apêndice horizontal exterior (os braços). Sobre o esquerdo foi gravado outra figura humana de pernas arqueadas e desproporcionadas em relação ao resto do corpo de tipologia cruciforme (nº 51).Sob estes motivos, à esquerda, observam--se dois círculo (nºs 53 e 54). Adossado ao último motivo foi gravado um antropomorfo de corpo longo e membros em V invertido (nº 55). À direita deste encontra-se uma concentração de picotados de contorno genericamente circu-lar (nº 56). Junto ao limite do painel observa--se o que parecem ser restos de um antropomorfo de pernas arqueadas (nº 57). Sob estes, à esquerda, observam-se dois pares de círculos concêntricos (nºs 59 e 60). Para a direita foram gravados oito círculos simples (nºs 61 a 69) e um com apêndice (nº 70).Para baixo, junto ao limite esquerdo do campo, foi gravado um semicírculo (nº 71). Num nível abaixo foi gravada uma figura sub-circular com apêndice (nº 72). À direita do anterior encontra-se um círculo (nº 73) adossado a um par destes motivos concêntricos (nº 74). Sob estes, um par de círculos (nºs 75 e 76) ladeiam um antropomorfo de membros arqueados (nº 77) (Fotos 95 e 96). Em baixo encontramos, da esquerda para a direita: um círculo (nº 78), um círculo com apêndice (nº 79), um círculo com covinha ao centro (nº 81) e três círculos com apêndice (nºs 82 a 84). Logo abaixo verifica-se a existência de dois círculos (nºs 80 e 85). Este último ladeia uma fractura que quebra um par de círculos concêntricos situado abaixo (nº 88). Aproveitando em parte o círculo mais exterior foi gravado uma antropomorfo (nº 87) em posição invertida. À direita da figura observam-se um círculo (nº 89), um baculiforme (nº 90) e outro círculo (nº 91). Entre os moti- vos 88 e 91, em baixo, foram gravados quatro círculos simples (nºs 92 a 96), os três últimos em associação. À esquerda destes encontram-se um círculo com apêndice curvo e um enorme círculo simples (nºs 97 e 86, respectivamente).
Sobre estes vêem-se oito guras subcirculares (nºs 98 a 105).Sob esta superfície individualiza-se uma outra ocupada apenas por figuras subcirculares e semicirculares, na sua maioria de grande tamanho. Uma situada no sector superior direito e outra no sector inferior do mesmo lado têm um sulco vertical no interior (nºs 106 e 123). Seis figuras encontram-se associadas (nºs 111 a 116). Uma apresenta um apêndice e um se-micírculo no interior (nº 117). Três são abertas (nºs 121, 122 e 124) e as restantes fechadas (nºs 107 a 110 e 118 a 120).A superfície inferior é dividida em dois por uma fractura natural transversal à xistosidade geral. Na de cima identifica-se uma figura oblonga com apêndice (nº 134) e um enorme círculo (nº 135). Na de baixo observa-se um motivo elíptico (nº 136), uma possível figura antropomórfica da qual só restam um corpo e duas prováveis pernas (nº 137), um bucrânio (nº 138) (Foto 98) e um conjunto de picotados que parecem corresponder a vestígios de outra figura humana (nº 139).
Painel D
(Fig. 113): No que considerámos como painel D contam-se três faixas paralelas entre si. Na superfície superior da direita idntificam-se duas figuras circulares providas de apêndices terminados em Vs invertidos, caractefiísticas que as antropomorzam [nºs 1 e 2 (Foto 100)]. Na superfície inferior observam-se, de cima para baixo: um círculo com apêndice (nº 3), um círculo (nº 4), uma covinha (nº 5), um semi-círculo (nº 6), outra fossette (nº 7), outro círculo com apêndice (nº 8) e um círculo simples (nº 9).Na superfície central superior verifica-se a existência de um círculo (nº 10), uma covinha (nº 11) e uma enorme figura circular (nº 12) associa-da a um semicírculo (nº 13). Na mesma faixa, em baixo, foram gravados quatro círculos com apên-dice (nºs e 102). O motivo situado mais em baixo trata-se de um círculo com apêndice (nº 20).Na faixa da esquerda todos os motivos foram gravados alinhados entre si. Assim, de cima para baixo individualizamos uma covinha (nº 21), dois semicírculos (nºs 22 e 23), dois círculos (nºs 24 e 25), uma barra vertical com uma ligeira inflexão para a esquerda (nº 26), um círculo com apêndice associado a uma barra transversal (nº 27) (Foto 103) e uma figura subcircular associada a um triângulo (nº 28) (Foto 104).
Painel E
(Fig. 114): Na superfície que agora descrevemos podemos, de igual modo, distinguir dois sectores separados por uma fractura natural. Apenas a da direita se encontra historiada. De cima para baixo e da direita para a esquerda identificam-se: um círculo (nº 1), dois possíveis semicírculos (nºs 2 e 3), uma covinha (nº 4), um círculo (nº 5), uma barra horizontal (nº 6) e uma covinha (nº 7).
Painel F
(Fig. 115): Também neste painel se distinguem dois sectores alongados e paralelos entre si. No da direita individualizamos na superfície superior uma figura ovóide (nº 1). Na inferior identificam-se quatro círculos (nºs
2, 4 a 6) e um serpentiforme (nº 3) que arranca a partir do motivo 4 (que, diga-se, é aberto).Na faixa da esquerda observam-se, de cima para baixo: um semicírculo (nº 7), uma figura subelíptica (nº 8) (Foto 105), uma gran-de figura circular onde no interior foi gravado um motivo oblongo ladeado por dois motivos elípticos (nº 9) (Foto 106), dois círculos (nºs 10 e 11), uma barra horizontal (nº 12), uma figura elíptica (nº 13) e um antropomorfo de corpo longo, braços arqueados e pernas em V invertido (nº 14).Rocha 2 (Fig. 116): Painel sub-hoizontal orientado para oeste. Identifica--se apenas uma figura zoomórfica picotada (Foto 107). O corpo é representado por uma oval. As patas traseiras são arqueadas e as dianteiras rectas. As armações parecem indicar-nos estarmos em presença de um capríneo.
Continua...
http://www.academia.edu/…/A_arte_rupestre_do_Guadiana_portu…

domingo, 11 de outubro de 2015

139 - História das terras de Capelins 

Arqueologia de Capelins 

Situado na Defesa de Bobadela

Povoado de Espinhaço de Cão - em Capelins
Espinhaço de Cão 1
CNS: 16279
Tipo: Povoado
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Idade do Ferro
Descrição: Sítio de habitat rural, implantado num esporão pouco pronunciado sobre o Guadiana. Estruturas habitacionais, correspondentes a várias fases de construção/reconstrução, com plantas ortogonais.
Meio: Terrestre
Acesso: A partir de Montes Juntos (Alandroal), caminho de terra batida.
Espólio: Cerâmica manual e de roda, mós, objectos de adorno, faunas e carvões.
Depositários: Manuel João do Maio Calado
Classificação: -
Conservação: Regular
Processos: S - 16279, 7.16.3/14-10(1) e 99/1(075) 

Povoado de Espinhaço de Cão em Capelins 

138 - História das terras de Capelins

Gravuras Rupestres na terras de Capelins

Amigo/a Capelinense, tem conhecimento da riqueza arqueológica que se encontra no Vale do Guadiana, na Freguesia de Capelins? Só na Defesa de Bobadela de Baixo, na Moinhola (Minhola) estão identificadas 118 rochas com pinturas rupestres da Pré História, mas também noutros locais, como Azenhas D' El-Rei, Moinho da Volta e outros.


Rocha 117 (Fig. 239): Painel horizontal onde se observam três fossettes (nº s 1 a 3) que após picotadas foram alvo de abrasão.



Rocha 118 (Fig. 240): Painel horizontal onde se verifica a existência de um antropo-morfo fálico de membros arqueados.



Pintura na rocha 10 da Moinhola - Capelins




domingo, 23 de agosto de 2015

137 - História das terras de Capelins

Os Celtas nas terras de Capelins

Conforme podemos verificar nos relatórios e registos elaborados por diversos arqueólogos que, ao serviço da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA, SA), efetuaram o Levantamento arqueológico e patrimonial do Alqueva, foram encontrados vestígios arqueológicos nos vales, do Guadiana, Lucefécit e Azevel, dentro da Freguesia de Capelins, que provam ser esta região habitada desde à cerca de 5000 anos, provavelmente, pelos Iberos, e mais tarde por outros povos que foram surgindo na Península Ibérica, entre eles, os Celtas.
Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C..


Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem neste continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas).
Fonte: Wikipédia
Casa dos Celtas


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

136 - História das terras de Capelins 

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo da Villa de Terena (Atual Freguesia de Capelins)


Na continuidade das pesquisas sobre a história de Capelins, com base em diversos documentos oficiais, concluímos que, o senhorio da Villa Defesa de Ferreira, do termo (Concelho) de Terena. entre 24 de Março de 1376, (Era de César 1414) até 19 de Dezembro de 1378, pertenceu, de facto,  à Infanta Dª Brites/Beatriz de Castro, Condessa de Albuquerque, meia irmã do rei D. Fernando, filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro. Como existiam dúvidas se a referida Dª Beatriz, tinha, ou não, sido reconhecida como Infanta, transcrevemos o que consta, neste caso, na Wikipédia, sobre esse assunto:

Beatriz de Portugal, Condessa de Alburquerque

Infanta Beatriz de Portugal (ca. 1347 — 5 de julho de 1381) era filha do Rei Pedro I de Portugal e de Inês de Castrodama galega que chegou a Portugal como aia de Constança Manuel, recentemente casada com D. Pedro, príncipe herdeiro da coroa na altura.
Beatriz nasceu em Coimbra entre 1347 e 1351, não se sabendo ao certo o seu ano de nascimento. Tornou-se Condessa de Albuquerque ao casar-se com Sancho de Castela, filho do rei Afonso XI de Castela e sua amante Leonor de Gusmão. Faleceu em 1381.
Quanto à questão de Beatriz ter sido uma legítima Infanta de Portugal ou, tão-só, uma filha natural de Pedro I a quem o título de Infanta nunca deveria ter sido atribuído, a verdade é que após a morte de Inês de Castro, e de haver subido ao trono, D. Pedro I tudo fez para legitimar os filhos de ambos. E de tal maneira o conseguiu que, já sendo falecida Beatriz, João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385, depois de ter demonstrado com documentos na mão que o Papa Inocêncio VI se recusara a legitimá-la e aos seus dois irmãos, disse o seguinte: Ora vedes aqui, sem mais acrescentar ou minguar, toda a história, como se passou, do casamento de dona Inês e legitimação de seus filhos, a qual eu quisera escusar por honra dos Infantes, posto que sejamos em tal passo; e entendo que isso fora melhor do que me fazerem publicar de praça e semear para sempre a sua incestuosa nascença. Ou seja, João das Regras, mesmo após lamentar ter sido obrigado a exibir as provas deles serem ilegítimos, continua, apesar disso, a chamar-lhes Infantes. Melhor prova do que esta de que ela e os seus irmãos eram realmente reconhecidos como Infantes não podia haver.
Dª Beatriz de Castro



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

135 - História das terras de Capelins 

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo da Vila de 
Terena

Conforme podemos verificar neste primeiro documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ANTT, o rei D. Fernando fez esta carta de doação dos Lugares de Ferreira, Terena e outros, a sua filha a Infanta Dª Beatriz, no dia 03-11-1379. Alguma coisa não pode estar certa, uma vez que, no documento anterior do ANTT, está exatamente a mesma informação, mas com a data da doação em 24 de Março de 1376. É por isso que nos parece ser a doação em 24 de Março de 1376 à Infanta Dª Beatriz de Castro, meia irmã do rei D. Fernando, que depois lhe retirou esses bens por carta de 19 de Dezembro de 1378, doando-os a sua filha a Infanta Dª Beatriz em 03-11-1379, estando correta esta última informação.
Temos outros comprovativos, como um selo em chumbo pendente de fios de seda encarnada, e verde, com esta letra: 
"Sigillium Domini Fernamdi Portugalie e Algarbii Regi" e se conserva tão perfeito, como fica aberto. Está em huma doação feita à Infanta Dª Brites/Beatriz das Villas e Lugares de (...), Ferreira, Terena, com data do primeiro documento, 1376. Está na Casa da Coroa, gaveta 3, maço 2.Em lado algum se verifica que a Infanta Dª Beatriz era a filha de D. Fernando. Para nós, entendemos que a doação de 24 de Março de 1376 foi à sua meia irmã Beatriz de Castro e a de 03-11-1379 à sua filha Beatriz.



CARTA DE DOAÇÃO FEITA POR D. FERNANDO À INFANTA D. BEATRIZ, SUA FILHA, DAS VILAS DE ÉVORA-MONTE, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ, PEDRÓGÃO, FIGUEIRÓ, ALCÁÇOVAS, ARGANIL, PENACOVA, SANTA COMBA, MORTÁGUA E OUTRAS
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/4/5
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1379-11-03 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Santarém
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Tem vestígio de selo pendente (apenas a perfuração do suporte).
CONDIÇÕES DE ACESSO
Retirado da consulta.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 4, n.º 5
IDIOMA E ESCRITA
Português
CARATERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Pregas, vincos, rugas. Rasgões.
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Portugal, Torre do Tombo, Núcleo de Arquivo Fotográfico NAF/08995 a 08997.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 35 (Livro 6 de Místicos), f. 18 v., coluna 1.
Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 83.
Outra prova, que é a ultima data, 1379, a que efetivamente D. Fernando fez a doação daqueles Lugares a sua filha Dª Beatriz é a nomeação dos Curadores, conforme a carta seguinte:

CARTA PELA QUAL D. FERNANDO NOMEAVA CURADORES A SUA FILHA D. BEATRIZ E LHE FAZIA DOAÇÃO DE ÉVORA-MONTE, ALCÁÇOVAS, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ E OUTROS LUGARES
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/9/6
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1379-11-03 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Santarém
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 9, n.º 6
IDIOMA E ESCRITA
Português
CARATERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Manchas de coloração variável.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 152.



134 - História das terras de Capelins

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo de Terena

As nossa investigações sobre a história da Villa Defesa de Ferreira, termo de Terena (atual Freguesia de Capelins), indicam-nos que, entre 1376 e 1385, o seu senhorio pertenceu a duas Infantas com o mesmo nome Beatriz ou Brites (Tia e sobrinha). 
No presente documento, uma carta do rei D. Fernando, este faz a doação de várias Vilas e Lugares, entre os quais, Ferreira e Terena, à Infanta Dª Beatriz. No verdadeiro documento, não se verifica que efetivamente fosse a sua filha, que era realmente "Infanta Dª Beatriz", mas nessa mesma época existia outra Infanta com o mesmo nome, a Infanta Dª Beatriz, Condessa de Albuquerque, meia irmã do rei D. Fernando, ou seja, também filha de D. Pedro I, mas de Dª Inês de Castro e, tudo indica que foi a esta Infanta que no dia 24 de Março de 1376, (Era de César de 1414) que D. Fernando fez a referida doação, a qual, na indicação do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, foi a sua filha, situação que vamos contestar muito em breve. Isto porque:

Por carta de 19 de Dezembro de 1378, por motivo de a Infanta Dª Beatriz, meia irmã do rei D. Fernando ter conspirado para a sua morte, através daquele documento, foram-lhe retirados os bens e os Lugares de Terena e Ferreira foram entregues a Fernando Afonso de Albuquerque. Conforme: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, (Chancelaria D. Fernando I. II, f. 36 v).

Como retirava D. Fernando esses bens à sua meia irmã em 19 de Dezembro de 1378 se não lhe tivesse feito anos antes a sua doação? Depois, para complicar a situação, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo publica outro documento a informar que, o rei D. Fernando fez exatamente a mesma doação a sua filha no dia 03-11-1379. Esta sim, pensamos estar correta. será portanto, só a partir desta data que o senhorio de Terena e Ferreira, passaram a pertencer à outra Infanta Dª Beatriz e filha do rei D. Fernando, que casou com D. João I de Castela, já viúvo.


CARTA DE DOAÇÃO, FEITA PELO REI D. FERNANDO A SUA FILHA, D. BEATRIZ, DOS LUGARES DE ÉVORA-MONTE, ALCÁÇOVA, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ, ARGANIL, PEDRÓGÃO, PENACOVA, SANTA COMBA, MORTÁGUA E OUTROS, COM TODOS OS SEUS DIREITOS, RENDAS E PADROADOS DAS IGREJAS
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/2/9
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1376-03-24 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Alcanhões
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Tem vestígio de selo pendente por trancelim de fios verdes e encarnados.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 2, n.º 9
IDIOMA E ESCRITA
Português
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 35 (Livro 6 de Místicos), f. 19 v.
Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 32.






584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...