terça-feira, 11 de agosto de 2015

133 - Terras de Capelins 

Singela homenagem a outra Ferreira - do Alentejo
Por vezes, quando investigamos o passado da Villa de Ferreira Medieval, do termo de Terena, surgem respostas relacionadas com a outra Ferreira - do Alentejo, pertencente a Beja e, obviamente, não a Terena. No entanto, para não existirem dúvidas, somos obrigados a seguir em paralelo a história das duas Ferreiras. Assim, também, como simples homenagem, damos a conhecer um pouco da história de Ferreira do Alentejo que, conforme podemos verificar, a partir de 1233, na Ordem de Santiago da Espada, seguiu uma trajetória muito diferente da seguida pela Ferreira, do termo de Terena:

Ferreira do Alentejo, o Concelho e a Vila.
História
As origens da ocupação humana no território do concelho de Ferreira do Alentejo remontam ao final do Neolítico, como atesta o espólio arqueológico abundantemente encontrado ao logo das margens da ribeira de Vale d´ouro e no povoado do Porto Torrão.
O concelho foi doado em 1233 à Ordem de Santiago da Espada que construiu, na zona mais alta e estratégica de Ferreira, um imponente castelo. Porém, em 1838, por deliberação da Junta de Paróquia, o castelo, já arruinado, foi demolido e, no seu lugar, construiu-se o cemitério público.
Dependente, espiritualmente, do bispado de Évora, só em época mais tardia se definiu a circunscrição administrativa autónoma pelo floral da Leitura Nova, concedido em Lisboa a 5 de Março de 1516 por D. Manuel I.
O topónimo da vila está intimamente ligado a uma tradição popular, a lenda da cidade de Singa, que afirma que por volta do século V uma valorosa mulher, esposa de um ferreiro, defendeu o povoado dos invasores bárbaros.
“ A percorrer o Alentejo, nem me fadigo, nem cabeceio de sono, nem me torno hipocondríaco. Cruzo a região de lés a lés, num deslumbramento de revelação. Tenho sempre onde consolar os sentidos, mesmo sem recorrer aos lugares selectos dos guias.”
Miguel Torga
In Portugal - Alentejo

Ferreira do Alentejo


sexta-feira, 31 de julho de 2015

132 - História das terras de Capelins


Os hidronimos da Ribeira Oydaluiciuez/Lucifer/Lucefécit 

Vários historiadores escreveram que, a atual Vila de Terena no período muçulmano (711-1167/1242), designava-se por Oydaluiciuez, sendo o hidronimo da Ribeira, o mesmo, do nome (da toponímia), desta Vila. 

Através das cantigas a Santa Maria de Terena, da autoria do rei de Castela e Aragão Afonso X o sábio, antes de 1282, esta Ribeira já se designava por Ribeira do Lucifer, devido ao milagre de Santa Maria de Terena que, para livrar um homem bom de morte certa às mãos dos seus perseguidores desde Elvas, acusado de matar a sua mulher, estavam quase a alcançá-lo junto à Ribeira, então Santa Maria para ajudar o perseguido Tomé, sabendo que ele estava inocente, transformou a Ribeira em Lucifer, impedindo a passagem dos perseguidores, (Cantiga CCXIII). Essa designação não podia continuar, porque ninguém se atrevia a dizer esse nome, uma vez que, ao falar no Diabo, ele aparecia a essa pessoa, por isso, a palavra foi sendo transformada (Lucefece...), até ficar a atual Lucefécit. 



Ribeira do Lucefécit

131 - História das terras de Capelins 

Os segredos de Capelins 

Como sabemos, os segredos de Capelins referem-se principalmente, à época da comunidade judaica, cristãos novos e "Marranos", que aqui viveram a partir de 1492, da qual descendemos a maioria dos Capelinenses. Nos assentos Paroquiais de casamentos, nascimentos, batizados e óbitos, de Santo António, verificam-se inúmeras ligações de famílias de Cristãos novos de Monsaraz - Santiago Maior e Capelins.
Os cristãos novos eram sepultados em terreno sagrado, na Igreja ou no cemitério cristão, o mesmo não podia acontecer aos marranos. Por isso, são conhecidas várias necrópoles em Capelins (6), pelo menos uma, senão mais, ainda tem sepulturas por abrir, muito próxima de Ferreira de Capelins.

Monsaraz
Em Monsaraz, uma das vilas medievais portuguesas mais bem preservadas, existiu uma judiaria dentro das muralhas nas imediações da Rua Direita. Este centro histórico, que no passado acolheu muitos judeus e "marranos" vindos de Espanha, apresenta hoje um conjunto muito uniforme de ruas e edifícios da época.

Monsaraz 





130 - História das terras de Capelins

Ribeira de Lucifer/Lucefécit

Ribeira do Lucefécit. Que misterioso ribeiro é este cujo nome é tão temido que um rei sábio se recusou a dizê-lo? Lucefécit significará aquilo que pensamos? E se assim é, por que razão o apelidaram dessa forma?
A Ribeira do Lucefécit corre por terras sagradas, disso temos provas que estão à vista de qualquer um, a começar pelo facto de contornar o Santuário da Rocha da Mina, que poderá estar ligado ao culto de Endovélico. Continua o seu caminho para sul e passa a norte da histórica freguesia de Terena, onde abre alas, transformando-se quase em lagoa. Volta a fechar e segue caminho até desaguar no Guadiana, junto à fronteira com Espanha, deixando para trás vários exemplos de megalitismo em território português.
Abrindo a discussão, Lucefécit poderá derivar tanto do árabe como do latim.
No primeiro caso, Lucefécit poderá resultar da conjunção de vários termos, todos eles árabes, dos quais sobressaem: al e oucif (que significa negro). No segundo caso, falamos de quem o topónimo sugere: Lúcifer. Sendo que tal nome só tem conotação negativa a partir de certo momento da história.
Lúcifer foi a tradução latina feita para descrever Vénus, a estrela da manhã, portadora (ferre) da luz (lux), daí se transformando em lucisferre, que derivou em Lúcifer – antes de endiabrarem tal termo, devemos lembrar que no Novo Testamento, Jesus autoproclama-se estrela da manhã. A igreja, que durante anos tentou demonizar qualquer vislumbre de adoração pagã, onde Vénus obviamente estava incluído, tratou de associar o termo a Satanás, pai dos demónios da natureza. O trabalho foi bem feito, tanto que ainda hoje os cristãos mais crédulos ainda evitam usar o seu nome.
E salta a pergunta: a acreditar que o topónimo tem raízes no latim e não no árabe, para quê dar tal nome a esta ribeira? Hipoteticamente, pela mesmíssima razão. Como já foi dito, estas águas correm por montes sacralizados, onde as referências físicas e simbólicas a deidades pagãs pululam. A escolha deste nome poderá ter servido o propósito de diabolizar uma zona que a igreja via como infiel ao seu Deus único, transformando-se assim numa espécie de espantalho para gestos que o poder clerical considerava como ameaça à sua religião.
Afonso X, o rei sábio, parece não ter dúvidas, e numa alusão à ribeira, recusa-se a pronunciá-lo nas suas Cantigas de Santa Maria: d’un rio que per y corre, de que seu nome nom digo.
"In: Bloque Portugalnummapa"


terça-feira, 28 de julho de 2015

129 - História das terras de Capelins

Afonso X o sábio, rei de Castela e Aragão 1252-1284, 
peregrino de Santa Maria de Terena

São bem conhecidas as cantigas do rei de Castela Afonso X o Sábio, a Santa Maria de Terena, que incluem a Ribeira de Lucifer (Lucefécit), assim como, a Monsaraz e à região da passagem do Guadiana perto dos Mocissos. 
Alguns autores afirmam que, Afonso X, escreveu esses versos devido à influência de D. Gil Martins, Senhor das Terras de Terena, que após se ter zangado com o nosso Rei D. Afonso III, se exilou na sua Corte. No entanto, essa teoria é muito duvidosa, porque o conteúdo desses versos denotam um excelente conhecimento pessoal das regiões de Monsaraz, Terena e Mocissos e do que por aí se passava em termos sociais e de fé, é verdade, que o rei diz sempre que lhe contaram.
É nossa convicção que, de facto, o rei Afonso X o sábio, fez a peregrinação a Santa Maria de Terena, talvez, devido ao que ouvia ao fidalgo português D. Gil Martins, sobre os milagres atribuídos a Santa Maria, passando por Monsaraz a caminho de Terena. Depois, na volta a Castela, desceu a Ribeira do Lucefécit até ao porto das Águas Frias de baixo, seguindo até aos Mocissos, onde talvez existisse uma barca para passagem do Guadiana na direção onde mais tarde surgiu São Bento da Contenda.

Decerto que, tinha que existir uma razão muito forte para Afonso X ser tão devoto de Santa Maria de Terena
cantiga 275
Como Santa Maria de Terena guariu do[u]s freyres do espital que raviavan.
A que nos guarda do gran fog' infernal
sãar-nos pode de gran ravia mortal.
Dest' en Terena fez, [per] com' aprendi,
miragr' a Virgen, segund[o] que oý
dizer a muitos que ss' acertaron y,
de dous raviosos freires do Espital
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Que no convento soyan a seer
de Moura; mas foi-lles atal mal prender
de ravia, que sse fillavan a morder
come can bravo que guarda seu curral.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Assi raviando fillavan-ss' a travar
de ssi ou d' outros que podian tomar,
e por aquesto fóronos ben liar
de liadura forte descomunal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E a Terena os levaron enton,
que logar éste de mui gran devoçon,
que os guariss[e] a Virgen, ca ja non
lles sabian y outro consello tal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E levando-os ambos a grand' affan,
que cada u mordia come can,
passaron con eles un rio muy gran
d' Aguadiana, entrant' a Portogal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E o primeiro deles mentes parou
de cima dun outeiro u assomou,
des i mui longe ante ssi devisou
a Terena que jaz en meo dun val.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E disse logo como vos eu direy:
«Soltade-me, ca ja eu ravia non ey,
ca vejo Santa Maria, e ben sey
que ela me guariu mui ben deste mal.
A que nos guarda do gran fog' infernal....
Mais agua me dade que beva, por Deus,
ca a Virgen, que sempr' acorr' [a]os seus,
me guariu ora, non catand' aos meus
pecados que fiz come mui desleal.»
A que nos guarda do gran fog' infernal...
O outro diss' esto meesmo pois viu
e eigreja, ca logo sse ben sentiu
da rravia são, e agua lles pediu,
e deron-lla da fonte peranal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E pois beveron, ar fillaron-s' a ir
dereitament' a Terena por conprir
ssa romaria; e porque os guarir
fora a Virgen, deron y por sinal
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Cada un deles desso que ss' atreveu
de seu aver, que eno logar meteu;
e des i cada un deles acendeu
ant' o altar da Virgen seu estadal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Est miragre mostrou aquela vez
Santa Maria, que muitos outros fez
como Sennor mui nobr' e de mui gran prez
que senpr' acorre con seu ben e non fal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Existem outras cantigas de Afonso X sobre Santa Maria de Terena e esta região.
No século XIII, já existia uma Albergaria em Monsaraz, destinada a acolher os romeiros que, vindos da margem esquerda do Guadiana, em busca do famoso santuário mariano de Terena, atravessavam o rio na barca de passagem e faziam caminho por Monsaraz, onde pernoitavam. Um peregrino ilustre, Afonso X, o Sábio, vindo da Andaluzia, a caminho de Terena, deve ter passado nesta época por Monsaraz.
(Monsaraz - Vida morte e ressurreição de uma vila alentejana)
Afonso X de Castela







domingo, 19 de julho de 2015

128 - História das terras de Capelins 

Foi desvendado mais um segredo sobre as atuais Terras de Capelins (Lugar de Ferreira - Vila Defesa de Ferreira ou Defesa Del-rei)
Esta carta foi escrita pela mão do Rei D. Fernando no dia 24 de Março de 1376, e inclui o Lugar de Ferreira e Terena, acabando com algumas dúvidas e confusões entre Dª Beatriz (ou Brites) sua filha e Dª Beatriz de Castro, (filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro), sua meia irmã, sobre a doação destas e de outras Terras.
Temos a tradução, brevemente divulgamos! 

Carta do rei D. Fernando




sábado, 18 de julho de 2015

127 - História das terras de Capelins


Atalaia do Monte de Calvinos na Freguesia de Capelins 


Por aqui passava, vindo de Badajoz, pelo Vale do Guadiana, por Juromenha, Castelo árabe dos Mocissos, Terras da atual Freguesia de Capelins, para Monsaraz, Sarish, o árabe Azovel, com o seu exército de 1000 cavalos, deixando o seu nome a esta Ribeira do Azevel, e este testemunho, esta Atalaia, construída cerca de 1140, decerto várias vezes reconstruída e aproveitada para vigiar a região, porque dela se avistavam pelo menos, os Castelos de: Cuncos, (Espanha), Mourão e Monsaraz encontra-se submersa pelas águas do Grande Lago de Alqueva. 
O lugar onde a presente Atalaia se encontra, foi denominado pelo Reino, como herdade do Azinhal Redondo de Baixo!

Atalaia do Monte de Calvinos - Capelins 






584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...