terça-feira, 28 de julho de 2015

129 - História das terras de Capelins

Afonso X o sábio, rei de Castela e Aragão 1252-1284, 
peregrino de Santa Maria de Terena

São bem conhecidas as cantigas do rei de Castela Afonso X o Sábio, a Santa Maria de Terena, que incluem a Ribeira de Lucifer (Lucefécit), assim como, a Monsaraz e à região da passagem do Guadiana perto dos Mocissos. 
Alguns autores afirmam que, Afonso X, escreveu esses versos devido à influência de D. Gil Martins, Senhor das Terras de Terena, que após se ter zangado com o nosso Rei D. Afonso III, se exilou na sua Corte. No entanto, essa teoria é muito duvidosa, porque o conteúdo desses versos denotam um excelente conhecimento pessoal das regiões de Monsaraz, Terena e Mocissos e do que por aí se passava em termos sociais e de fé, é verdade, que o rei diz sempre que lhe contaram.
É nossa convicção que, de facto, o rei Afonso X o sábio, fez a peregrinação a Santa Maria de Terena, talvez, devido ao que ouvia ao fidalgo português D. Gil Martins, sobre os milagres atribuídos a Santa Maria, passando por Monsaraz a caminho de Terena. Depois, na volta a Castela, desceu a Ribeira do Lucefécit até ao porto das Águas Frias de baixo, seguindo até aos Mocissos, onde talvez existisse uma barca para passagem do Guadiana na direção onde mais tarde surgiu São Bento da Contenda.

Decerto que, tinha que existir uma razão muito forte para Afonso X ser tão devoto de Santa Maria de Terena
cantiga 275
Como Santa Maria de Terena guariu do[u]s freyres do espital que raviavan.
A que nos guarda do gran fog' infernal
sãar-nos pode de gran ravia mortal.
Dest' en Terena fez, [per] com' aprendi,
miragr' a Virgen, segund[o] que oý
dizer a muitos que ss' acertaron y,
de dous raviosos freires do Espital
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Que no convento soyan a seer
de Moura; mas foi-lles atal mal prender
de ravia, que sse fillavan a morder
come can bravo que guarda seu curral.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Assi raviando fillavan-ss' a travar
de ssi ou d' outros que podian tomar,
e por aquesto fóronos ben liar
de liadura forte descomunal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E a Terena os levaron enton,
que logar éste de mui gran devoçon,
que os guariss[e] a Virgen, ca ja non
lles sabian y outro consello tal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E levando-os ambos a grand' affan,
que cada u mordia come can,
passaron con eles un rio muy gran
d' Aguadiana, entrant' a Portogal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E o primeiro deles mentes parou
de cima dun outeiro u assomou,
des i mui longe ante ssi devisou
a Terena que jaz en meo dun val.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E disse logo como vos eu direy:
«Soltade-me, ca ja eu ravia non ey,
ca vejo Santa Maria, e ben sey
que ela me guariu mui ben deste mal.
A que nos guarda do gran fog' infernal....
Mais agua me dade que beva, por Deus,
ca a Virgen, que sempr' acorr' [a]os seus,
me guariu ora, non catand' aos meus
pecados que fiz come mui desleal.»
A que nos guarda do gran fog' infernal...
O outro diss' esto meesmo pois viu
e eigreja, ca logo sse ben sentiu
da rravia são, e agua lles pediu,
e deron-lla da fonte peranal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E pois beveron, ar fillaron-s' a ir
dereitament' a Terena por conprir
ssa romaria; e porque os guarir
fora a Virgen, deron y por sinal
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Cada un deles desso que ss' atreveu
de seu aver, que eno logar meteu;
e des i cada un deles acendeu
ant' o altar da Virgen seu estadal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Est miragre mostrou aquela vez
Santa Maria, que muitos outros fez
como Sennor mui nobr' e de mui gran prez
que senpr' acorre con seu ben e non fal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Existem outras cantigas de Afonso X sobre Santa Maria de Terena e esta região.
No século XIII, já existia uma Albergaria em Monsaraz, destinada a acolher os romeiros que, vindos da margem esquerda do Guadiana, em busca do famoso santuário mariano de Terena, atravessavam o rio na barca de passagem e faziam caminho por Monsaraz, onde pernoitavam. Um peregrino ilustre, Afonso X, o Sábio, vindo da Andaluzia, a caminho de Terena, deve ter passado nesta época por Monsaraz.
(Monsaraz - Vida morte e ressurreição de uma vila alentejana)
Afonso X de Castela







domingo, 19 de julho de 2015

128 - História das terras de Capelins 

Foi desvendado mais um segredo sobre as atuais Terras de Capelins (Lugar de Ferreira - Vila Defesa de Ferreira ou Defesa Del-rei)
Esta carta foi escrita pela mão do Rei D. Fernando no dia 24 de Março de 1376, e inclui o Lugar de Ferreira e Terena, acabando com algumas dúvidas e confusões entre Dª Beatriz (ou Brites) sua filha e Dª Beatriz de Castro, (filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro), sua meia irmã, sobre a doação destas e de outras Terras.
Temos a tradução, brevemente divulgamos! 

Carta do rei D. Fernando




sábado, 18 de julho de 2015

127 - História das terras de Capelins


Atalaia do Monte de Calvinos na Freguesia de Capelins 


Por aqui passava, vindo de Badajoz, pelo Vale do Guadiana, por Juromenha, Castelo árabe dos Mocissos, Terras da atual Freguesia de Capelins, para Monsaraz, Sarish, o árabe Azovel, com o seu exército de 1000 cavalos, deixando o seu nome a esta Ribeira do Azevel, e este testemunho, esta Atalaia, construída cerca de 1140, decerto várias vezes reconstruída e aproveitada para vigiar a região, porque dela se avistavam pelo menos, os Castelos de: Cuncos, (Espanha), Mourão e Monsaraz encontra-se submersa pelas águas do Grande Lago de Alqueva. 
O lugar onde a presente Atalaia se encontra, foi denominado pelo Reino, como herdade do Azinhal Redondo de Baixo!

Atalaia do Monte de Calvinos - Capelins 






120 - História das terras de Capelins  

O famoso mestre de guerra muçulmano, Azovel, nas Terras de Capelins


Tal como em Portugal, também existiram notáveis mestre de guerra nas hostes muçulmanas, que desde o ano de 711 se fixaram na Peninsula Ibérica. Neste caso, escrevemos sobre um deles, Azovel, por ter deixado a sua pegada nas Terras de Capelins.
Azovel, emprestou o seu nome a um afluente do rio Guadiana, que fica, grande parte, nas Terras de Capelins, ou seja, a Ribeira do Azevel, (houve um pequeno ajustamento na palavra, da letra "o" para a letra "e", de resto, quase tudo se mantém), esta Ribeira demarca o limite dos atuais Concelhos de Reguengos de Monsaraz, e Alandroal, mas antes de 1836, eram os termos (Concelhos) de Monsaraz e Terena (Terras de Capelins).
Azovel, foi um famoso caudilho cordovês almorávida que viveu na primeira parte do século XII e chegou a ter sob o seu comando  um corpo de exército de 1000 cavalos. Foi Lugar-Tenente do célebre governador de Badajoz, Texufine. Azovel era um mestre de guerra de movimento, ora estava nas Terras de Capelins ou Monsaraz, como entrava por terras de Castela, foi numa dessas incursões que acabou por morrer na Mata de Montiel, no ano de 1143, às mãos do exército cristão comandado pelo notável cavaleiro espanhol Múnio Afonso, Alcaide-Mor de Toledo.
Azovel foi para os muçulmanos, como Geraldo Sem Pavor foi para os cristãos portugueses, mas este comandante de salteadores, nunca teve no seu comando mais de 300 cavalos.
Junto à Ribeira do Azevel existe uma Atalaia, talvez submersa pelas águas de Alqueva, designada, agora, por Atalaia de Calvinos, na Freguesia de Capelins, que documenta a passagem do famoso caudilho, Azovel e suas tropas, por este local e pelo vale do Guadiana, entre Badajoz e Monsaraz, onde aparecia com frequência.

Base: Monsaraz - Vida morte e ressurreição de uma Vila Alentejana - José Pires Gonçalves - 1966.

Atalaia do Monte de Calvinos que documenta a presença de Azovel neste local.







quinta-feira, 16 de julho de 2015

119 - História das terras de Capelins

Batalhas da Guerra da Restauração, na Vila de Cheles e de Alconchel

Conforme podemos verificar na indicação do número e local, onde se encontram os respetivos documentos, (Arquivo Nacional da Torre do Tombo), ANTT, durante a Guerra da Restauração (1640-1668), o exército do Alentejo, sediado em Elvas, travou batalhas na nossa vizinha Vila de Cheles e na Vila de Alconchel. Foram batalhas ferozes com muitos mortos, arrazaram tudo por onde os exércitos passaram, seguidas de saques (prezas de gado), de um e outro lado da fronteira. Também, a Vila Defesa de Ferreira, ou Defesa del-Rei, e principalmente o Lugar de Ferreira, nas Neves, não escaparam a essas devastações, por isso, ninguém queria residir nesta região .  

Nº 189
1642, Julho, 27
Relação dos sucessos que o Monteiro-mór Francisco de Mello, general
de cavalharía teve com os inimigos castelhanos nas villas de Cheles, Valverde,
Campos de Badajoz, com o Memorável feito de hum António Fernandes e a
entrada que fez por Castella dentro e a villa de Figueira de Vargas a doze pera
treze do corrente.
B.N.L.
H.G. 21.603 7P., 8 ps
(impresso em Lisboa, 13-8-1642)

Nº 190
[1643]
Sucesso que Francisco de Mello, Monteiro mor do Reyno, general de
cavalharia, teve com os castelhanos, junto de Albuquerque, em o qual matando
a muytos delles, fez mais de sincoenta prisioneiros, e uma grande preza de
gado.
B.N.L.
Res. 95 18V., fls 225 a 228v. 8 ps
(impressa na of. Domingos Lopes Rosa-1643)

Nº 192
1643, Outubro, 6
Relação sumaria da entrada que o exército de S.M. fez em Castella
pelas fronteiras do Alentejo, e dos lugares que tomou, e arrazou, ate hoje seis
de Outubro, e do que se passou no sitio, e entrega do Castello de Alconchel.
B.N.L.
Res 9521V, fl. 239-244v.
(Impresso na of. Domingos Lopes Rosa-1643)
Nº 279
1666, Maio, 27
Mercê a Luís Lopes Godinho de 40.000 reis de tença com o hábito de S.
Tiago e o ofício de escrivão da Câmara de Portalegre, pelos serviços prestados
no Alentejo, em Alconchel, Elvas, Dejebe e Ameixial, e no socorro de Olivença.
A.N.T.T.
Portarias do reino
Liv 5, fls 413v, 1ft.
Nº 283
1666, Junho, 18
Mercê a Manuel Dias da Costa de 140.000 reis com o hábito de Cristo,
por serviços prestados no Alentejo em Alconchel, Telena, Valença de
Alcântara, campanha de Olivença, etc.
A.N.T.T:
Portarias do reino
Liv. 5, fls 422v/423, 2fts

Nº 319
1673, Julho, 20
Mercê a Marcos Rapozo Figueira de promessa de uma comenda de
200.000 reis e hábito de Cristo, pelos serviços que prestou nas batalhas de
Valverde, Alconchel, Figueira, Olivença, etc.
A.N.T.T.
Portarias do reino

Liv. 7, fls. 420, 1ft.

Villa de Cheles 








quarta-feira, 15 de julho de 2015

118- História das terras de Capelins

Nossa Senhora das Neves 

Testamento de 26 de Junho de 1516 de Simão Bentinho, Missa na Igreja de Santa Maria na Defesa de Ferreira. (Senhora das Neves)
CAPELA QUE INSTITUIU SIMÃO BENTINHO MORADOR QUE FOI NESTA VILA COM ENCARGO DE VINTE MISSAS CADA ANO, MAIS VINTE ALQUEIRES DE TRIGO À MISERICÓRDIA DESTA VILA DE QUE É ADMINISTRADOR LOURENÇO FERNANDES ZORRO POR SEUS SOBRINHOS FILHOS DE SEU IRMÃO BENTO GONÇALVES
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADPTG/PCELV/4/1/77
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1541-11-28 A data é certa a 1541-11-28 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
2 f.
EXTENSÕES
2 Folhas
ÂMBITO E CONTEÚDO
Terena, Herdade dos Bentinhos, Defesa de Ferreira. Catarina Mendes. Treslado parcial do testamento do instituidor datado de 26 de Junho de 1516.
CONDIÇÕES DE ACESSO
Comunicável
COTA ATUAL
Cx. 6
COTA ANTIGA
Tb. 31, f. 153 v.
IDIOMA E ESCRITA
por
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Bom

sexta-feira, 26 de junho de 2015

117 - Terras de Capelins

A visita D' El-Rei D. Sebastião ao Algarve e Alentejo em 1573 - Percurso entre as Praças de Mourão e Olivença


Após a visita D' El-Rei D. Sebastião à Praça de Mourão, no dia 9 de Fevereiro de 1573, seguiu-se a importante Praça de Olivença, o problema era, qual o melhor e mais rápido percurso que o rei e sua Corte deviam tomar para chegar à referida Vila? Todos sabiam qual era esse caminho, mas implicava a invasão do Reino de Espanha, que podia ser mal entendida pelo seu primo Filipe II, que então o governava. Decorria o mês de Fevereiro e, o Rio Guadiana não permitia a sua passagem segura, sem ser em Barcas, mas demoravam muitas horas a passar homens e cavalos e outros muares, e teriam de seguir por Monsaraz - Terras de Capelins - Juromenha - Ponte da Ajuda - Olivença, ficava muito longe, e ele não tinha muito tempo. Estava perante um dilema, que depressa o resolveu, porque já tinha pensado em o fazer, era simplesmente, atravessar as Terras de Espanha, quase em linha reta, de Mourão - Vila de Cheles - São Bento da Contenda (português) - Olivença. Valeram-lhe o Alcaide Mor de Mourão, D. Diogo de Mendonça de Lima e seu cunhado, 4º Senhor de Cheles D. Francisco Manoel de Villena, (filho de uma portuguesa e também vivia com uma portuguesa, irmã da esposa do Alcaide de Mourão), que permitiu atravessar as suas Terras e ainda o recebeu, servindo-o com grande bizarria em tudo, grandes banquetes e tudo do melhor para toda a Corte portuguesa. Quem conhece Cheles e as suas vistas sobre as Terras de Capelins, acha que existe algum exagero quando dizemos que D. Sebastião estava num grande banquete em Cheles e olhando as suas Terras de Capelins? A não ser que estivesse encafuado em alguma cave, mesmo assim, à chegada e partida de Cheles tinha que ver bem vistas as suas Terras de Capelins, (Vila de Ferreira, dos Freires de Andrade, mas sempre do Reino de Portugal).
A partir de Cheles seguiu por São Bento da Contenda até Olivença, onde esteve nos dias 10 e 11 de Fevereiro de 1573. Depois, visitou Elvas, Vila Viçosa, onde matou saudades da família, foi por Estremoz até Évora, onde chegou no dia 14 de Fevereiro de 1573, ou seja, 44 dias depois da sua partida desta cidade.

A versão do cronista:
"Querendo recolher-se cortou na volta a jornada. Intentou entrar pela posta? em Castella, e o conseguio, levado da viveza do seu espírito, que sempre o moveo ao mais arduo. Passou pela Villa de Cheles, onde D. Francisco Manoel (de Villena), Senhor daquela Villa, o recebeo, e a toda a Corte, servindo-o com bizarria em tudo, ainda no vedado uso das Leys dos Reynos confinantes. Vio já El-Rey do seu as Fronteiras de Castella e quiz com louvável fim acabar a sua jornada"
In História genealógica da Casa Real Portugueza desde a sua origem até o presente"
Offerecido a el-rei D. João V Nosso Senhor
Por D. António Caetano de Sousa
Tomo VI
MDDXXXIX 1739
https://books.google.pt/books?id=nLCM4B96qsYC&pg=PA141&lpg=PA141&dq=Villa+de+Cheles&source=bl&ots=GS4OhI4BiQ&sig=kLFoPDAAwFEjqTJ5fpPjddrjtxo&hl=pt-PT&sa=X&ei=jZ6NVY_2FsrjU9SuiOgO&ved=0CB4Q6AEwADgU#v=onepage&q=Villa%20de%20Cheles&f=false
Existem outros documentos sobre esta jornada do rei D. Sebastião.

D. Sebastião




584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...