sábado, 13 de junho de 2015

113 - História das terras de Capelins

Santo António de Capelins


Singela homenagem a Santo António, no dia dos 784 anos da sua morte na cidade de Pádua, em Itália, onde se encontra o seu túmulo, no interior da Basílica de Santo António. É venerado em Capelins desde o início do século XVI, onde se encontra a Igreja de Santo António.

Santo António de Lisboa, também conhecido como Santo António de Pádua, nasceu em Lisboa em 15 de Agosto de 1191-1195? de sobrenome incerto mas batizado como Fernando, foi um Doutor da Igreja Católica. 
Começou por ser frade agostinho no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo depois para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde aprofundou os seus estudos religiosos através da leitura da Bíblia e da literatura patrística, científica e clássica. Tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito pela Europa. No ano de 1221 fez parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador, que o convidou também a pregar contra os albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu no dia 13 de Junho de 1231, apenas com 36 (ou 40) anos.

A sua fama de santidade levou-o a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo. Santo António de Lisboa é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Tinha grande cultura, documentada pela coletânea de sermões escritos que deixou, onde fica evidente que estava familiarizado tanto com a literatura religiosa como com diversos aspetos das ciências profanas, referenciando-se em autoridades clássicas como Plínio, o Velho, Cícero, Séneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre muitas outras. O seu grande saber tornou-o uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica do seu tempo. Lecionou em universidades italianas e francesas e foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano. São Boaventura disse que ele possuía a ciência dos anjos. Hoje é visto como um dos grandes santos do Catolicismo, recebendo muita veneração.
Wikipédia




quinta-feira, 11 de junho de 2015

112 - História das terras de Capelins


José Diogo, militar de Capelins  faleceu no Porto, na guerra civil de 1828/1834 entre Liberais e Absolutistas.

A guerra civil verificada em Portugal entre 1828/1834, entre os Liberais Constitucionalistas de D. Pedro IV e os Absolutistas aliados do seu irmão D. Miguel, deixou marcas profundas no nosso país, inclusivé à região de Capelins por diversas formas, entre elas, levou à morte no Porto de um militar de Capelins, chamado José Diogo, então, já casado com Justina Maria, que ficou viúva, decerto muito nova. Prevê-se que, a sua morte se deu em 1832, porque foi no dia 8 de Julho de 1832 que D. Pedro IV, vindo dos Açores, desembarcou as suas tropas na praia dos ladrões, depois, chamada praia da memória, no Mindelo, entricheirando-se na Cidade do Porto, onde foram imediatamente cercadas pelas tropas de D. Miguel. Pensamos que, este militar estaria ao serviço de D. Miguel, porque os latifundiários do Alentejo, estavam ao seu lado e disponibilizaram os seus empregados, capazes, para lutar nas suas fileiras, falecendo o José Diogo no momento do desembarque das tropas de D. Pedro IV, ou já no cerco do Porto, em 1832. Segundo o Pároco António Laurentino, o José Diogo morreu num ataque no Porto, deixando viúva, Justina Maria que, conforme consta no assento Paroquial que transcrevemos, veio casar novamente em 1835.

"Em os onze dias do mez de Outubro de mil oitocentos e trinta e cinco n' esta Parochial Igreja de santo António de Capelins, termo de Terena e Arcebispado D' Évora assisti ao Matrimónio que entre si celebrarão in facie Eulésio por palavras de presente entre marido e mulher na forma do sagrado Concílio Tridentino, e Constituições deste Arcebispado, Salvador Gonsalves viúvo de Maria da Conceição, que faleceo nesta Freguesia, com Justina Maria, viúva de José Diogo que faleceo em hum ataque no Porto, ambos moradores nesta Freguezia. Forão testemunhas Manoel Gonsalves, morador no Aguilhão, Freguezia do Rozário, termo do Alandroal, e Vicente Rodrigues, morador no Monte do Meio, desta Freguezia, e para constar fiz este termo que assignei em dia, mez e anno ut supra.
Parocho António Laurentino Sopra Godinho
Manoel Jorge
Vicente Rodrigues"

quarta-feira, 10 de junho de 2015

111 - História das terras de Capelins

A Amizade entre a Vila de Cheles e Capelins


Continuamos a divulgar os actos de amizade entre a Vila de Cheles e Capelins, ao longo da história, neste caso, transcrevemos o assento Paroquial, do casamento realizado em 23 de Julho de 1837, na Igreja de Santo António, entre, Bento Pio Fernandes Falé natural da Vila de Cheles, e Antónia Mariana, natural da Freguesia de Santo António de Capelins:

" Em os vinte e trez de Julho de mil oito centos e trinte e sete annos, nesta Parochial Igreja de Santo António de Capelins, termo da Villa de Terena, Arcebispado de Évora, em dia de Domingo assisti ao Matrimónio que entre si contrahirão Bento Pio Fernandes Falé, solteiro, natural e baptizado na Villa de Xelles reino de Hespanha Bispado de Badajoz, donde veio de cinco annos para esta freguezia e nella tem sempre assistido como he constante, e filho de Francisco Falé e de Ignez Cominha, naturais da mesma Villa (Cheles), ambos já falecidos, e Antónia Mariana, natural desta Freguezia, filha legítima de Gregório Rozado e Margarida dos Prazeres, ambos naturais desta Freguezia, tudo na forma do Concílio Tridentino e Constituições deste Arcebispado (?) por palavras de presente de marido e mulher na prezença das testemunhas abaixo assignados entre muitas que prezentes estavão, e para constar fiz este termo que assignei com as testemunhas designadas no mesmo, dia, mez e anno ut supra.
Parocho António Laurentino Sopa Godinho

Custódio Fernandes
Salvador Gonsalves" 

Igreja da Vila de Cheles




domingo, 7 de junho de 2015

110 - História das terras de Capelins 

A barca do Porto D' El-Rei (Sinza) em 1500


Como já aqui referimos, com base em diversos documentos, que sempre existiram barcas no rio Guadiana, para a passagem de pessoas, animais e mercadorias entre as duas margens deste saudoso rio, desde os muçulmanos, que eram senhores de ambas as margens, até aos anos de 1800. Temos mais uma prova dessa realidade, vinda de Espanha, que a seguir se publica em versão integral:

La frontera castellano - poruguesa a finales de la Edade Media.
Los rios en las relaciones comerciales castellano-portuguesas

"Existia una barca que cruzaba el Guadiana entre Terena e Cheles. Su mantenimiento y los rendimientos que se obteníam de ella eram compartidos por el portugués Simão Freire y el castellano Don Francisco, señor de Cheles . El barquero que conducía la barca, era de Cheles, por estar esta localidad más cerca del lugar de la ribera donde estaba el puerto fluvial que se llamaba puerto del Rey, este nombre se debía a que, segun les testigos, antiguamente el puerto y los derechos de la barca habian pertencido a los reys de Portugal.
- O dicto Symam Freire e o senhor de Cheles que ora he Don Francisco, como em tempo de seus pays e antecessores sempre e agora o dicto Symam Freire e o senhor de Cheles ambos de permeas trazem hua barqua da dicta ribera d' Odiana, a metade do rendymento eh do dicto Symam Freire e a outra metade do senhor de Cheles e ambos fazem a barqua de permeas  e partem o rendymento de permeas.
Esta barqua a traz um barquero que mora em Chelles por rezam que Chelles está muito perto da dicta rybera que he mea legoa pequena, a dicta rybera onde esta a barqua e a desta Villa (Ferreira? Terena?) he boa legoa e mea.
E o lugar a saber, da dyta barqua se chamava antiguamente Porto D' El-Rey porque dyziam os antigos que antygamente o dyto Porto e direitos da dyta barqua e a Deffesa que ora tem Symam Freire que se chama Deffesa D' El-Rey foy tudo antygamente dos Reys de Portugal."
De: "Musulmanes y Cristianos frente al Água en las Ciudades Medievales"
"Demarcações de fronteira de Castro marim a Montalvão"
"Maria Isabel del Val Valdivieso"
Universidade de Castilla - la Mancha. 

"Como sabemos, o português aqui referido é Simão Freire de Andrade, nascido em 1485, filho de João Freire de Andrade, casado com Leonor Henriques, nascida em 1490, sucedeu a seu pai, como 5º Senhor da Casa de Bobadela, da qual fazia parte integrante a Villa de Ferreira, (Vila Defesa, espaço geográfico, não era casario, o casario era no Lugar de Ferreira, nas Neves) e, sendo Vila Defesa, nunca foi Couto de Homiziados. Assim, facilmente se sabe que,  a Vila de Ferreira, cerca de 1500 se designava por Defesa D' El_Rei e, existia uma barca que ligava as duas margens do rio Guadiana no Porto D' El-Rei, atualmente Cinza, pela descrição da sua distância a Cheles, (meia legoa pequena), as despesas e rendimentos dessa barca eram a meias com o senhor das terras de Ferreira, Simão Freire de Andrade e com o Senhor de Cheles Dom Francisco. Também se confirma que, já os os seus pais e antecessores, tinham barcas no rio Guadiana, para trocas comerciais nesta região, como sempre aqui temos divulgado.

Tudo o que aqui publicamos é com base em documentos oficiais, livros, estudos de arqueólogos, que indicamos sempre onde se encontram, ou em narrativas de pessoas de Capelins, que têm a importância que tiverem, mas que receberam as informações, deturpadas, ou não, ao longo das gerações, decerto, sempre com fundo de verdade.
Os 5.000 anos que aqui referimos, é porque os arqueólogos que fizeram o levantamento arqueológico e arquitetónico de Alqueva e outros, assim o dizem, e não duvidamos desses especialistas, inclusivé, quanto aos prováveis períodos a que pertencem as pinturas rupestres do Vale do Guadiana, em Azenhas D' El-Rei, Moinhola e outros locais da Freguesia de Capelins.
Não nos consideramos Xicos espertos, nem mais sabedores do que outros, porque, apenas nos limitamos a pesquisar e dar a conhecer a quem estiver interessado, o que outras pessoas já escreveram e estudaram sobre o passado de Capelins. 
Há dois anos que o fazemos de livre vontade, com ajuda de amigos e pesquisando por onde nos é possível, milhares de horas, sem dar quase nada, mas não desistimos, em memória dos nossos antepassados que, nasceram, viveram e morreram nas terras de Capelins, alguns, sem saberem que existia outro Mundo. 
Falar nesses Capelinenses, para nós, é prestar-lhe a nossa singela homenagem! 

Outeiro do Pombo - Local onde estavam as barcas







sábado, 6 de junho de 2015

109 - História das terras de Capelins 

Montes Juntos 1832

A toponímia Montes Juntos, surgiu devido a existirem dois, ou mais Montes (geminados)! Desde finais de 1600, encontramos registados nos Registos Paroquiais de Santo António, alguns Montes (habitações) nesta região, entre os quais: Capeleira, Galvoeira, Salgueiro, Manantio, Almas, Janelas, Assento e outros, sobre estes dois últimos, desconhecemos o lugar exato onde se situavam!
Assim, a nossa conclusão é que, na região onde se situa a atual Aldeia de Montes Juntos, existiam vários Montes (habitações rurais) e, só em 6 de Novembro de 1836, através do Decreto de Mouzinho da Silveira, a Aldeia de Montes Juntos, foi oficialmente reconhecida, fazendo parte da Freguesia de Capelins, Santo António, da qual, já todos os Montes faziam parte! 
A Freguesia até 1790/1792, designava-se de Santo António, Termo da Vila de Terena. Também, em 06 de Novembro de 1836, pelo mesmo Decreto, foram extintos os Concelhos de Terena e de Ferreira de Capelins, passando para o Alandroal! 
O Concelho de Ferreira, nunca foi Termo (Concelho Régio), tinha apenas por missão administrar a Coutada e os conflitos entre a comunidade da Vila de Ferreira!
Ainda nessa data, foram extintas as duas aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo, que existiam desde o início de 1700, construídas no seio da herdade da Defesa de Ferreira, propriedade da Casa do Infantado e, ficou apenas uma Aldeia com a toponímia de Ferreira, (surgiu, assim, a terceira Ferreira, desde a Villa de Ferreira Romana).

No entanto, em 1832 já encontramos Registos Paroquiais onde consta Montes Juntos, como podemos verificar no seguinte assento de óbito: 

"Aos dezanove dias de Dezembro de mil oito centos e trinta e dous, nesta Parrochial Igreja de Santo António de Capelins, termo (Concelho) da Vila de Terena, Arcebispado de Évora, se sepultou o corpo de Francisco Rozado, cazado que era com Micaela Francisca, moradores nos Montes Juntos, recebeo todos os Sacramentos, não fez testamento, e foi amortalhado em lençol e para constar fiz este que assigno dia, mez, e ano ut supra".
Parocho António Mendes Vasco 

Aldeia de Montejuntos





quinta-feira, 28 de maio de 2015

108 - História das terras de Capelins 


As Procissões Religiosas em Honra de Nossa Senhora das 
Neves e de Santo António, em Capelins

O significado da palavra procissão é derivada do verbo latino procedere, e do substantivo processionis, que quer dizer: marchar, caminhar, ir adiante, saída solene, cortejo religioso, etc.

As procissões têm origem na Sagrada Escritura. A caminhada é um elemento muito importante na história da Salvação. No Livro do Êxodo, encontramos o povo que caminha rumo à terra prometida. O povo hebreu cumpriu, religiosamente, a ordem dada pelo Senhor e, uma vez tudo concluído, conduziu a Arca em procissão, numa caminhada de esperança, de louvor e de libertação, na presença de Deus. Também o Livro dos Números nos mostra as normas estabelecidas por Deus ao povo que caminhava. 

As primeiras procissões, dos católicos, surgiram no início do século IV, logo após a declaração de liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino. A partir daí as procissões realizaram-se/realizam-se em vários momentos e ocasiões. As mais comuns são: Via-Sacra, Semana Santa, Corpus Christi, procissões em honra dos santos padroeiros e de Nossa Senhora.

A Arca da Aliança, com seus querubins (anjos de ouro), não foi somente colocada num lugar de honra e destaque, onde se celebrava o culto, mas também levada pelos sacerdotes, solenemente, em procissão, dando voltas pela cidade, tocando trombetas. Foram, realmente, diversas procissões.

Por isso se fizeram/fazem caminhadas de louvor e agradecimento a Deus pelos Santos de cada Igreja, homenageando Santo Antônio, Nossa Senhora das Neves, ou outros Santos/as, cujas imagens são, a exemplo dos anjos de ouro na Arca, conduzidas para lembrar os heróis do cristianismo, pedindo também, a sua proteção para o inexplicável.
Assim se realizaram muitas procissões a Santo António, assim como, a Nossa Senhora das Neves, com tanta fé das pessoas, umas vezes pedindo auxílio para chover, porque o seu pão (cereais) estava a desaparecer devido à falta de água, outras vezes pedindo proteção contra epidemias que dizimavam populações.
Não existiam datas específicas para estas procissões, ao contrário das que integravam as Festas anuais em honra deste Santo/a, sendo o dia da procissão o mais importante da Festa.

Procissão a Nossa Senhora das Neves - 1978 







quarta-feira, 27 de maio de 2015

107 - História das terra de Capelins 

As Irmandades Religiosas de Santo António (Capelins) entre os Séculos XVI a XVIII


Como já aqui referimos, em 1758, ainda subsistiam seis Irmandades em Santo António (Capelins), eram: Santo António, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Neves, Almas Santas, São Bento, e Senhor Jesus. Sobre a sua história, ainda pouco sabemos, mas esperamos, que a mesma se encontre escrita e guardada no Arquivo Distrital de Évora, em conjunto com outros assentos Paroquiais, os quais, ainda não estão digitalizadas. No entanto, podemos acrescentar que, estas Irmandades Religiosas foram muito importantes na sociedade e, neste caso, na então Vila de Ferreira (espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins), porque nessa época a maioria dos povoadores eram descendentes de cristão novos com alguma indefinição na sua identidade religiosa. Assim, as Irmandades tiveram um papel relevante, participando na assistência espiritual e material à população do Lugar de Ferreira (nas Neves), e da própria Vila, contribuindo para a vivência do catolicismo, através da orientação doutrinal dos fiéis, da procura sacramental, do culto dos mortos, da prática da caridade e de outras atividades devotas e piedosas.
As referidas Irmandades de Santo António (Capelins), participaram na na construção da identidade de pessoas e de grupos sociais, reforçando os processos de integração e união desta comunidade, promovidos através de festas e outras cerimónias religiosas.
O que foi escrito, é uma simples resenha sobre a ação das Irmandades Religiosas na ex-Vila de Ferreira. Quando for possível consultar os documentos Paroquiais no Arquivo Distrital de Évora, esperamos dar a conhecer, algo mais, sobre esta parte da história de Capelins.  

  

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