51 - História de Capelins
A Igreja Paroquial de Santo António de Capelins
A
Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, parece ter sido construída no início do século XVI,
sendo propriedade da Coroa até ao século XVIII. Foi construída no sistema normal da
tipologia rústica do meio ambiente, a Igreja não se destaca por qualquer motivo
arquitetónico das suas congéneres da região, feita de alvenaria tocada de
escaiolas, olhando na linha do ocidente e ligada ao casario pitoresco do
priorado e sacristão, além do atual cemitério público fechado por murete
afrentado de campanário de alterosa espadana.
Do
primitivo edifício, em traça do século XVI, apenas subsiste o presbitério cupular, algumas empenas laterais de cornijas
polilobadas, em grossa alvenaria rebocada, e o portal granítico, adintelado, de
verga losângica e cruz relevada.
A
fachada, de frontão arredondado sofreu uma profunda modificação na centúria
oitocentista que alterou as proporções da nave e lhe fez perder o alpendre; Tem
campanário vulgar, com acrotérios pinaculares, no eixo, e sino de bronze
fundido, antigo.
Quatro
pequenos cruzeiros simbólicos a envolvem, a distâncias regulares e destinados a
marcar o itinerário das procissões promovidas pelas seis irmandades que ainda
subsistiam em 1758: Santo António, Senhora do Rosário, Senhora das Neves, Almas
Santas, S. Bento e Senhor Jesus.
O
interior, de planta retangular, compõe-se de nave muito alongada, hoje de
abóboda redonda mas que era de tabuado; Capela-Mor e batistério, este
singelíssimo, rasgado na face da Epístola e conservando, apenas, a pia
marmórea, circular e lisa; Púlpito no corpo sobranceiro, com caixa de madeira,
quadrangular, sem interesse artístico.
Nos
alçados laterais e junto da abside abrem-se dois altares em nichos parietais de
sóbrias molduras entalhadas com grinaldas revestidas de ouro. Estão consagrados a NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
(Evangelho) e às ALMAS. Mantêm, incluindo a abside, as imagens assinaladas no
arrolamento das MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758, feito pelo Padre Manuel Madeira. A
Padroeira do primeiro altar é de roca e vestimentas bordadas com riqueza;
Lateralmente veem-se S. JOSÉ e NOSSA SENHORA DE BELÉM, ambos de madeira, mas
vulgares.
A
sobranceira, além do CRUCIFICADO, tem as esculturas de S. MIGUEL, estofada, mas
da arte popular, e uma belíssima VIRGEM, de um CALVÁRIO, seiscentista, de lenho
dourado e no local recolhida de qualquer templete profanado. Mede de altura 95
cm.
A
capela-Mor, antecedida por arco pleno de alvenaria, é de forma cúbica fechada
pela habitual cúpula de meia laranja repousando em trompas lisas. Esteve, total
ou parcialmente até à década de 1940, recoberta por composições murais de
ornatos e figuras sacras, aparentemente de setecentos, que se vislumbram nos
alçados. O retábulo, de talha dourada e policromada, do estilo rococó, é obra
tardia do 2º terço do século XVIII; Na edícula adosselada do centro, expõe-se
SANTO ANTÓNIO, peça de madeira pintada, do século XVII (altura 65 cm), e nas
mísulas colaterais S. GREGÓRIO PAPA e S. BENTO (este deslocado do altar das
ALMAS) ambos de lenho estofado e aparentemente de produção seiscentista,
popular.
Na
banqueta existiram e encontram-se recolhidas na sacristia, as imagens antigas
de S. FRANCISCO DE ASSIS (muito maltratado) e S. BARTOLOMEU, medindo, este, de
altura 1,00 m. Nesta dependência, além de vários ex-votos pintados sobre
madeira, tela e chapa cúprica, subsiste, na parede, o lavatório de mármore
branco, esculpido com a insígnia da tiara de S. GREGÓRIO PAPA, obra popular de
alvores de setecentos.
Dimensões
interiores da Igreja de Santo António de Capelins:
Nave – Comprimento 15,90 X 5,10 metros.
Ábside:
fundo 3,75 x largura 4,10 metros.
BIBL.
– Memórias Paroquiais de 1758, vol. IV, pp. 157-61. Arquivo Nacional da Torre do
Tombo
(Inventário
Artístico de Portugal – Distrito de Évora – por Túlio Espanca IX Lisboa 1978)
Igreja de Santo António de Capelins