sábado, 13 de dezembro de 2014

48 - História de Capelins 


Freguesia de Capelins - Santuário da Natureza

Conforme aqui foi comunicado, enviamos um e.mail há 4 dias, 09-12-2014, ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ANTT, no sentido de ser corrigido um documento onde constava que, o Lugar de Ferreira, termo de Terena, Beja, tinha sido doado por D. Duarte em 1433 a D. Gomes Freire de Andrade. Como, a Vila de Ferreira, termo de Terena, nunca se situou em Beja, pedimos a sua correção, ao ANTT. Já foi recebida resposta que a seguir publicamos:
Amigos de Capelins <amigosdecapelins@gmail.com>
Anexos 9/12 (há 4 dias)


para mail 
Exmo Senhor
Diretor Geral da DGLAB
O grupo de amigos de Capelins - Alandroal - Évora, está pesquisando e compilando todos os documentos que se referem ao passado desta Freguesia, enclave da Alta Albufeira de Alqueva, desde a antiguidade. Uma das fontes, a partir da Idade Média, é obviamente o ANTT. Esta localidade foi uma Vila Medieval, Vila Defesa, em lugar de Couto de homiziados, fundada por D. Dinis cerca de 1314. Temos seguido a sua história e verifica-se que a referida Vila, denominada em várias chancelarias como: "Lugar de Ferreira, termo de Terena," foi doada por D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade em 1433, conforme se prova no documento do ANTT que segue em anexo. Porém, neste documento. o ANTT, refere que, em 1433 D. Duarte fez a seguinte doação: 
ÂMBITO E CONTEÚDO
DOAÇÃO DO LUGAR DE FERREIRA (TERMO DE TERENA, BEJA) E COUTADA DE TERENA)


Como V. Exª pode verificar, o Lugar de Ferreira, termo de Terena, hoje Concelho de Alandroal e Distrito de Évora, nada tem a ver com Ferreira do Alentejo, Distrito de Beja. Não terá muita importância, mas a informação ao público não se encontra correta, pelo que, pedimos o favor de quando for possível proceder à respetiva correção, ou seja, eliminar a palavra "BEJA"..
Agradecemos antecipadamente a atenção dispensada.
Com os melhores cumprimentos
Pelos amigos de Capelins
(identificado)




Resposta Recebida do ANTT




Área de anexos

Pré-visualizar anexo Gomes Freire - Lugar de Ferreira.docx

Word

Gomes Freire - Lugar de Ferreira.docx
Paulo Tremoceiro <paulo.tremoceiro@dglab.gov.pt>
Anexos10/12 (há 3 dias)


para Fátima, mim 
Bom Dia Fátima,


Envio-te uma proposta de correcção enviada pelos Amigos de Capelins, a quem desde já, e em nome do Arquivo Nacional, agradeço pelo acto de cidadania activa.
Obrigado,
Paulo
PAULO TREMOCEIRO
Chefe de Divisão de Comunicação e Acesso
Arquivo Nacional da Torre do Tombo


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De: Correio Oficial ANTT 
Enviada: terça-feira, 9 de Dezembro de 2014 11:00
Para: Paulo Tremoceiro
Assunto: FW:


Divisão de Comunicação e Acesso
Logo_DGLAB_TT
De: Amigos de Capelins [mailto:amigosdecapelins@gmail.com] 
Enviada: terça-feira, 9 de Dezembro de 2014 10:30
Para: Correio Oficial ANTT
Assunto:


Área de anexos
Pré-visualizar anexo Gomes Freire - Lugar de Ferreira.docx
Word
Gomes Freire - Lugar de Ferreira.docx




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Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins






47 - História de Capelins


As Festas em Honra de Nossa Senhora das Neves


O registo mais antigo, sobre as Festas em honra de Nossa Senhora das Neves, é de 1747, onde é referido que, no dia 03 de Agosto de cada ano, a ela acodiam muitos romeiros de toda a região, mas,  também, no ano de 1799, o espião espanhol José Andrés Cornide de Folgueira y Savedra, a ela se refere, assim como, ao Lugar de Ferreira, o qual, nessa data, ainda era constituído por 32 casas, durante a sua viagem ao Alentejo, esteve em Terena em 22 e 23 de Novembro de 1779, fazendo espionagem ao serviço de Castela, no sentido de encontrar os locais de fronteira de mais fácil acesso para uma possível invasão das tropas espanholas, ainda na sequência da guerra da restauração e, que acabou por acontecer, Portugal foi invadido por forças espanholas a 20 de Maio de 1801. Foi uma guerra de curta duração que terminou a 6 de Junho desse ano, com perda de território, Olivença, por parte de Portugal.
As referidas Festas, são assinaladas desde aquela data mas, decerto, já se realizavam desde o início da fundação da Vila, 1314, até à década de 1950, mas, sem descrição dos respetivos programas, embora saibamos pelos antepassados que o normal eram as cavalhadas, jogos, procissão, missa e bailes. Passaram-se muitos anos em que não se realizaram, até que, devido a existirem muitas pessoas com promessas para pagar a Nossa Senhora das Neves, constitui-se uma Comissão, e organizaram as referidas Festas nos dias 23 e 24 de Setembro de 1978, junto da Ermida, a qual, estava ainda em bom estado de conservação, foi caiada, a porta pintada e toda a área envolvente bem limpa.
O programa das Festas, foi composto por uma vacada num recinto improvisado, um baile à noite, atuação do Rancho Folclórico de Fazendas de Almeirim, a procissão com Padre, os Pendões e imagens de Nossa Senhora das Neves e Santo Isidro, acompanhada pela banda filarmónica do Redondo, que percorreu o espaço entre a Ermida e a cruz que se encontra a leste da tapada do Monte de Ferreira.
Durante as Festas, funcionou o Bazar onde foram sorteadas garrafas de licor, anis, brandy e outas bebidas e oferendas da população. Junto à Ermida, funcionou uma tenda com bebidas e petiscos, uma taberna ambulante do Ti José Russo de Ferreira de Capelins e, do Ti António Rato, de Montejuntos..
Durante a noite, não faltou energia elétrica, fornecida por um gerador alugado no Redondo.
A partir dessa data, tentaram conservar a Ermida, o melhor possível, até que, na 1 ª década de 2000, roubaram o sino e, por precaução, as imagens de Nossa Senhora das Neves, de Santo Isidro e Pendões, foram recolhidos na Igreja de Santo António, em Capelins. 

Procissão da Festa de Nossa Senhora das Neves em Setembro de 1978










46 - História de Capelins 

Igreja Matriz de Santa Maria da Vila de Ferreira

A Igreja Matriz de Santa Maria, na Vila Medieval de Ferreira, foi construída cerca de 1314, chegando ao fim, talvez por ruína ou por destruição, entre 1664/1700, podemos verificar nos testamentos que, a seguir se publicam, o do senhor Simão Bentinho, morador na Villa de Terena, feito em 26 de Junho de 1516 e, outro da senhora Brites Gomes Rainha de  15 de Agosto de 1664, a importância desta Igreja Matriz da Vila de Ferreira.
Nos últimos anos,  devido ao levantamento arqueológico e patrimonial de alqueva, foram encontradas algumas sepulturas escavadas na rocha ao lado da atual Ermida de Nossa Senhora das Neves. Porém, em 2013, a Associação Raia, com a colaboração da Junta da Freguesia de Capelins, investigaram no terreno e, encontraram mais nove sepulturas nesse local, mas, decerto, existem mais. Depois de investigarmos como eram sepultadas as pessoas na Idade Média e Moderna, concluímos que, os Cristãos eram sepultados dentro das Igrejas e, se já não existiam lugares, então, acrescentava-se a Igreja, ou fazia-se outra, logo, neste caso, não podia ser diferente, assim, como nestes casos, temos que ler as entrelinhas, supomos que, essas sepulturas estavam no interior da Igreja Matriz de Santa Maria, situando-se a mesma nesse lugar. Não foram encontradas ossadas nestas sepulturas, porque, decerto, foram recolhidas e colocadas no subsolo da atual Ermida de Nossa Senhora das Neves ou no adro. Nessa época, não existiam cemitérios para cristãos e, as ossadas, nunca poderiam ficar desprotegidas.



CAPELA QUE INSTITUIU SIMÃO BENTINHO MORADOR QUE FOI NESTA VILA COM ENCARGO DE VINTE MISSAS CADA ANO, MAIS VINTE ALQUEIRES DE TRIGO À MISERICÓRDIA DESTA VILA DE QUE É ADMINISTRADOR LOURENÇO FERNANDES ZORRO POR SEUS SOBRINHOS FILHOS DE SEU IRMÃO BENTO GONÇALVES
NÍVEL DE DESCRIÇÃO: Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/ADPTG/PCELV/4/1/77
TIPO DE TÍTULO: Formal
DATAS DE PRODUÇÃO: 1541-11-28 A data é certa a 1541-11-28 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE: 2 f.
EXTENSÕES: 2 Folhas
ÂMBITO E CONTEÚDO:
Terena, Herdade dos Bentinhos, Defesa de Ferreira. Catarina Mendes. Treslado parcial do testamento do instituidor datado de 26 de Junho de 1516.
CONDIÇÕES DE ACESSO: Comunicável
COTA ATUAL: Cx. 6
COTA ANTIGA: Tb. 31, f. 153 v.
IDIOMA E ESCRITA: por
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS: Bom
http://digitarq.adptg.dgarq.gov.pt/details?id=1003951
O presente documento simples, refere-se ao testamento do senhor Simão Bentinho, com data de 26 de Junho de 1516, que instituiu o encargo aos seus sobrinhos de mandarem rezar vinte missas por ano, em vária Igrejas, entre as quais, a Igreja da Defesa de Ferreira, ou seja, de Santa Maria de Ferreira, não mencionando ainda, a de Santo António, na Cabeça da Sina.

Em 15 de Agosto de 1664, embora a paróquia já fosse em Capelins – Santo António, ainda foi lavrado mais um testamento por Dª Brites Gomes Rainha, com quatro missas perpétuas em cada ano, abrangendo a Igreja de Santa Maria de Ferreira.


Treslado do testamento com que faleceu Brites Gomes Rainha com quatro missas perpétuas cada ano
Nível de descrição
Documento simples Documento simples
Código de referência
PT/ADPTG/PCELV/4/8/93
Tipo de título
Formal
Datas descritivas
[c. 1740], Elvas
Dimensão e suporte
2 f.
Extensões
2 Folhas
Âmbito e conteúdo
Terena, Cheles, Ferreira. João Nunes Ribeiro, Manuel Domingues, Brites Fernandes Ramalho, Bartolomeu Pires Bargado, António Rodrigues, Manuel Rodrigues, Maria Mendes, Francisco Fernandes Mouta, Manuel Afonso Bota, Francisco Fernandes Sengo. Treslado do original datado de 15 de Agosto de 1664.
Condições de acesso
Comunicável
Cota atual
Cx.13
Cota antiga
Tb. 17, f. 329 r.
Idioma e escrita
por
Características físicas e requisitos técnicos

Bom 




sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

45 - História de Capelins 

 A visita do Clérigo da Diocese de Évora à Igreja Matriz

de Santa Maria de Ferreira em 1534

A visita efetuada em 1534, por um clérigo de missas, do Bispado de Évora, ordenada pelo Cardeal Infante D. Afonso, teve como objetivo a verificação de dois aspetos essenciais, o espiritual e, o temporal. O espiritual era averiguar como se encontrava a fé dos fregueses, ou seja, se compareciam nas missas e nos atos religiosos. O temporal, referia-se ao estado do património, se estava bem cuidado, quais as necessidades da Igreja, em termos materiais, tratamento das imagens, móveis e outros objetos inerentes às missas e outros fihs. Mas, também, sobre o comportamento do Cura, Sacristão, Comendadores, e fregueses.

Aos casos assinalados pelo clérigo, foi dado um prazo para cumprimento das alterações verificadas e ficava definido quais as consequências suportadas pelos fregueses e comendadores, desde o seu impedimento de assistir às missas, até penas pecuniárias.
Ainda não sabemos, quais foram as exigências do visitador em termos espirituais e temporais, aos fregueses, Cura, e comendadores da Igreja de Santa Maria em Ferreira e na então, Capela de Santo António. Esperamos consultar brevemente o referido livro da visitação. 


A Visitação de 1534, foi às Freguesias, Capelas Curadas e Capelas sufragâneas
de Matrizes, incluindo a Igreja Matriz de Santa Maria em Ferreira.

Como sabemos, a Igreja de Santa Maria, teve o seu fim nos finais dos anos 1600, sendo
erigida no seu lugar, a Ermida de Nossa Senhora das Neves.

A Ermida de Nossa Senhora das Neves, na Vila de Ferreira

Conforme texto de Túlio Espanca, que se transcreve:
“A Igreja de Nossa Senhora das Neves foi a primitiva Matriz da extinta Vila de Ferreira, com o título original de SANTA MARIA, e já existente no ano de 1320, como vínculo do padroado real, encontra-se situada a cerca de 5 quilómetros de distância da Aldeia de Ferreira de Capelins.
Da traça primitiva da fundação medieval, nada existe atualmente, devendo classificar-se a subsistente como obra híbrida dos séculos XVI-XVIII, bastante pobre no domínio arquitetónico e sumptuário.
O edifício atarracado e construído num declive pouco pronunciado do abandonado monte daquele nome, olha na banda do ocidente em recorte acentuadamente popular, alvíssimo de caio e de contornos ligeiros onde se destacam os gigantes laterais, a silhueta do campanário axial, com volutas de enrolamento, de sineta brônzea, e a abside, de planta quadrangular, rematada por cúpula octogonal de uma singela, de alvenaria. A fachada, sem nártex, eleva-se em empena triangular, com discreto portal de arco pleno, ladeado por arrebicado adro pavimentado de pedrinhas calcáreas, losângicas, de branco e negro ao gosto de fins de oitocentos.
Envolventes, dois cruzeiros modestos, de mármore e ardósia, refeitos em períodos vários pelas extintas irmandades. O seu interior, de planta retangular, é de manifesta simplicidade. A nave e o teto, de alvenaria, são completamente caiados de branco, erguendo-se na face do Evangelho o púlpito, também de alvenaria com ligeiros ornatos geometrizantes. No alçado sobranceiro abriu-se, na década de 1950, um nicho com imagem moderna dedicada a SANTO ISIDRO, LAVRADOR.
A Capela-Mor, único corpo quinhentista do Templo, é antecedida por arco-mestre atarracado, redondo e de molduras duplas, onde persistem vestígios de pinturas antigas.
A cúpula, octogonal, assenta em trompas. Se teve decorações artísticas, perderam-se completamente. Na ousia apenas se rasga, em trabalho de alvenaria escaiolada e de pilastras com aletas, o transformado nicho da padroeira. A imagem de NOSSA SENHORA DAS NEVES (Virgem com o menino), de madeira estofada e esculpida ao modo popular do século XVII, sofreu grande restauro em época posterior, período em que aplicaram às figuras olhos de cristal. Mede de altura 84 cm.
Dimensões interiores da Igreja de NOSSA SENHORA DAS NEVES:
 Nave – comprimento, 9,20 X 5,40 metros.
Presbitério – fundo, 3,85 X largura 3,70 metros.”









44 - História de Capelins 

A Casa do Infantado na Vila de Ferreira entre 1698 e 1834


Como já foi referido, em 1698, parte da Villa de Ferreira, termo de Terena, foi doada, integrada na Casa de Bobadela, à Casa ou Estado do Infantado, a qual, começou por fazer grandes alterações na administração das suas herdades, Defesa de Ferreira e Defesa de Bobadela. Na Defesa de Ferreira foram fundadas duas Aldeias, denominadas Capelins de Cima e Capelins de Baixo e na Defesa de Bobadela foi criada uma zona franca, onde, no porto da Cinza podiam transitar mercadorias e animais isentos de taxas aduaneiras. Neste lugar foram colocadas barcas para transporte de pessoas, mercadorias e animais entre as duas margens do rio Guadiana.
 No início do ano de 1700, toda a Villa foi repovoada, verificando-se em documentos oficiais dessa época que, houve um grande aumento da população e desenvolvimento económico da região através da agro pecuária e da industria moleira.
Como prova, que de facto as duas herdades das Defesas, pertenciam à Casa do Infantado, transcrevemos o seguinte anuncio da Gazeta de Lisboa, no Sábado dia 10 de Novembro de 1827, a avisar os interessados, sobre o arrendamento das referidas Defesas. 




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Tribunal da Junta da Sereníssima Casa, e Estado do Infantado, se hão de arrematar neste presente anno as seguintes rendas; a saber: as Dízimas do Pescado das Villas de Vianna e Caminha, o Almoxarifado dos Campos da Cidade de Leiria; as Defezas de Ferreira, e Boubadella do Além-téjo; o Almoxarifado da Villa da Boubadella da Beira, (… e muitos outros), As pessoas que quiserem lançar nas ditas rendas podem comparecer e dar seus lanços na Secretaria da Fazenda da mesma Junta, em todos os dias de Conferencia nos imediatos a estes des de as três até às sete horas da tarde, para serem as ditas rendas arrematadas nos dias cinco, doze, e dezenove de Dezembro deste anno; e toda a pessoa que pretender lançar nestas rendas se deverá apresentar munido com Certidões de corrente, tanto pelo Tesouro Publico, como pela dita Sereníssima Casa, e com Procuração bastante, no caso de ser para segunda pessoa; e sem a apresentação destes documentos se não admite ninguém a lançar.
Sábbado, 10 de Novembro de 1827

Gazeta de Lisboa nº 267 


Defesa de Ferreira






quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

43 - História de Capelins 

As Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima 


O documento descritivo do Concelho de Terena, que incluía as terras de Capelins no ano de 1708, já se refere à Ermida de Nossa Senhora das Neves, mas nada refere sobre as aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo, logo nesse ano ainda não deviam existir, encontramos Capelins, no registo de um óbito em 1712, do Padre Miguel Gliz Galego, mas já existiam vários Montes entre eles o Monte do Carrão, Monte da Zorra, Monte da Talaveira e outros.
Como, na Villa de Ferreira, foram criadas várias herdades, entre elas, as herdades da Defesa de Bobadela e Defesa de Ferreira, doadas à Casa do Infantado, foi nesta última que surgiram as duas aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo no primeiro decénio de 1700. 
Em 1747, as referidas aldeias, já são mencionadas no dicionário Geográfico de todas as cidades, villas Lugares e aldeias, rios ribeiras e serras dos Reynos de Portugal e Algarve, como a seguir podemos verificar.


DICIONÁRIO GEOGRÁFICO OU NOTÍCIA HISTÓRICA DE TODAS AS CIDADES, VILLAS, LUGARES, E ALDEAS, RIOS, RIBEIRAS, E SERRAS DOS REYNOS DE PORTUGAL , E ALGARVE – TOMO I – 1747.

“S. ANTÓNIO. Freguesia na Provincia do Alentejo, Arcebispado de Évora, Comarca da Cidade de Elvas, parte della Termo da Villa de Terena, e parte da Villa de Ferreira: tem cento e dous vizinhos. Está situada em monte; descobrem-se della a Villa de Olivença, distante cinco léguas, Estremoz quatro, Évora-Monte cinco, Alandroal duas, Terena huma, Monsaraz duas, Mourão três, Xelles, no Reino de Castella duas, e Alconxel do mesmo Reino quatro léguas. Tem esta Freguesia, a parte da Villa de Ferreira, duas Aldeas chamadas Capellins de Cima, e Capellins de Baixo.
A Paróquia está fora de povoação: he seu Orago Santo António, que está no Altar mayor, com S. Bartholomeu: os collateraes são de Nossa Senhora do Rosário, com Nossa Senhora de Belem, e S. Joseph, e outro do Santo Nome de Jesus, com S. Bento, e S. Gregório. Tem huma Irmandade das Almas. O Paroco he Cura, de apresentação dos Arcebispos de Évora: tem renda cincoenta mil reis, pouco mais, ou menos. Na parte, que está no Termo da Vila de Ferreira, tem huma Ermida de Nossa Senhora das Neves, aonde acodem romeiros no seu dia de cinco de Agosto.
Os frutos, que recolhem os moradores desta Freguesia em mayor abundancia, são, trigo, cevada, e centeyo. Pelos confins desta Freguesia passa o rio Guadiana, e nelle recebe os rios Lucefece, e Azavel, que entrão nelle nos sítios de Roncão, e Gato”.
https://fbstatic-a.akamaihd.net/rsrc.php/v2/y4/r/-PAXP-deijE.gif
http://books.google.pt/books?id=J9MGPGfwSdQC&pg=PA506&lpg=PA506&dq=Villa+de+Ferreira,+Capellins&source=bl&ots=lY57HE4I8B&sig=7OLxR2b9pDa_0EpKMcC_9FeZqdI&hl=pt-PT&sa=X&ei=oGxrU7bPFoX80QW7uIDwAQ&ved=0CCQQ6AEwAA#v=onepage&q=Villa%20de%20Ferreira%2C%20Capellins&f=false




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

42 - História de Capelins

A vida económica e social dos moradores da Vila de Ferreira na Idade Média e Moderna


A Idade Média, é considerado o período entre o século V e, o século XV, ou seja, início do Renascimento. A Vila de Ferreira, existe desde cerca de 1314, assim, tentamos conhecer, o que for possível, sobre a vida económica e social dos moradores desta região. Através de alguns documentos oficiais disponíveis ao público e, por analogia com o que se encontra publicado sobre este assunto, referente a Freguesias vizinhas, pensamos, não ter sido muito diferente na Vila de Ferreira.
A sociedade medieval era constituída por três classes, o clero, nobreza e povo, assim, quanto à realidade da referida Vila, o senhorio, durante a Idade Média, esteve sempre na posse de casas nobres, era uma grande extensão de terra, quase a mesma que, constitui hoje a Freguesia de Capelins, estava dividida em diversas herdades, com Montes ou casais, que eram arrendadas a lavradores, os quais, tinham ao seu serviço os trabalhadores agrícolas, guardadores de gado e pessoas para outros trabalhos. 
A Igreja Católica, detinha grande poder e podia intervir em todas as causas, por isso, no Lugar de Ferreira, sede da Vila, existia a Igreja Matriz de Santa Maria, com um Cura, que tinha a missão de tratar da vida espiritual dos moradores, porque, nesta época vivia-se grande fervor religioso. A religião fazia parte da vida do dia a dia, intervindo na vida prática e espiritual das pessoas, que eram dominadas pelo medo do inferno, assim, procuravam na Igreja a explicação para os mais diversos acontecimentos, como as epidemias, a fome e mesmo as trovoadas, com a oração e a devoção, esperavam afastar esses males. A Igreja, cobrava impostos, todas as pessoas tinham de pagar o dízimo, recebendo grande parte das colheitas e até de gado.
As casas do Lugar de Ferreira, eram muito rudimentares, feitas de taipa, terra amassada, algumas pedras e, geralmente cobertas de colmo, estevas, piorno e pasto, por isso, hoje, no local onde existia essa casario está plantado um olival e poucos vestígios se encontram. A vida dentro da casa era em comunidade, ou seja, sem intimidade, todos comiam, dormiam e passavam o tempo livre na mesma divisão. O mobiliário era escasso, uma mesa, uns bancos sem costas e um móvel essencial que era um baú ou arca, que servia para guardar tudo o que tinham, desde roupa a loiças e, ainda podia servir de mesa ou de assento. As camas, se existiam, tinham colchões de palha. A cozinha, tinha poucos utensílios, panelas, almofariz, frigideira de cabo comprido, algumas, um caldeirão ou panela de ferro. A comida era pouca, à base de pão de trigo e de ervas aromáticas e outras comestíveis, as que existiam em abundância nesta região, além de outros produtos hortícolas que já cultivavam nas hortas, como, alhos, hortelã, salsa, coentros e cebolas. Os que podiam, faziam matança de porcos e guardavam a carne fumada para consumir ao longo do ano, mas a Igreja ordenava que não se comesse carne às quartas-feiras, sextas-feiras e sábados, assim, dava para mais tempo. Havia muita caça, mas era para os senhores, que tinham os falcões e as matilhas de cães treinados para esse fim.
Já por aqui passavam vendedores ambulantes, que vendiam produtos artesanais e mercadorias diversas, fazendo, também, trocas comerciais, como ovos de galinha e animais. Como antes referimos, D. Dinis, autorizou uma feira anual em Terena, durante quinze dias, com entrada livre para os moradores do Concelho, onde podiam comprar e vender todos os produtos existentes nessa época, desde animais, cereais, roupas, utensílios, e assistir a espetáculos de música, circenses, aos jograis e outros, era o maior acontecimento na região, as pessoas contavam os dias que faltavam para chegar a feira. Do Lugar de Ferreira, Neves, a Terena eram menos de duas léguas, logo ali.
À semelhança das terras vizinhas, pensamos que, existia uma festa anual, junto à Igreja de Santa Maria, consistindo na parte religiosa, missas, cânticos na Igreja, procissão, mas também, a parte profana de divertimento, cantares, bailes e principalmente jogos.
A vida dos moradores da Vila de Ferreira, era de muito trabalho, de sol a sol, senão, desde madrugada até noite dentro e, não tinham nada, tudo era do senhor, também por isso, era muito difícil povoar esta Vila, além da grande insegurança que aqui existia, devido à proximidade da fronteira que era constantemente atravessada por grupos de saqueadores, de um e outro lado. 


Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins

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