quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

43 - História de Capelins 

As Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima 


O documento descritivo do Concelho de Terena, que incluía as terras de Capelins no ano de 1708, já se refere à Ermida de Nossa Senhora das Neves, mas nada refere sobre as aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo, logo nesse ano ainda não deviam existir, encontramos Capelins, no registo de um óbito em 1712, do Padre Miguel Gliz Galego, mas já existiam vários Montes entre eles o Monte do Carrão, Monte da Zorra, Monte da Talaveira e outros.
Como, na Villa de Ferreira, foram criadas várias herdades, entre elas, as herdades da Defesa de Bobadela e Defesa de Ferreira, doadas à Casa do Infantado, foi nesta última que surgiram as duas aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo no primeiro decénio de 1700. 
Em 1747, as referidas aldeias, já são mencionadas no dicionário Geográfico de todas as cidades, villas Lugares e aldeias, rios ribeiras e serras dos Reynos de Portugal e Algarve, como a seguir podemos verificar.


DICIONÁRIO GEOGRÁFICO OU NOTÍCIA HISTÓRICA DE TODAS AS CIDADES, VILLAS, LUGARES, E ALDEAS, RIOS, RIBEIRAS, E SERRAS DOS REYNOS DE PORTUGAL , E ALGARVE – TOMO I – 1747.

“S. ANTÓNIO. Freguesia na Provincia do Alentejo, Arcebispado de Évora, Comarca da Cidade de Elvas, parte della Termo da Villa de Terena, e parte da Villa de Ferreira: tem cento e dous vizinhos. Está situada em monte; descobrem-se della a Villa de Olivença, distante cinco léguas, Estremoz quatro, Évora-Monte cinco, Alandroal duas, Terena huma, Monsaraz duas, Mourão três, Xelles, no Reino de Castella duas, e Alconxel do mesmo Reino quatro léguas. Tem esta Freguesia, a parte da Villa de Ferreira, duas Aldeas chamadas Capellins de Cima, e Capellins de Baixo.
A Paróquia está fora de povoação: he seu Orago Santo António, que está no Altar mayor, com S. Bartholomeu: os collateraes são de Nossa Senhora do Rosário, com Nossa Senhora de Belem, e S. Joseph, e outro do Santo Nome de Jesus, com S. Bento, e S. Gregório. Tem huma Irmandade das Almas. O Paroco he Cura, de apresentação dos Arcebispos de Évora: tem renda cincoenta mil reis, pouco mais, ou menos. Na parte, que está no Termo da Vila de Ferreira, tem huma Ermida de Nossa Senhora das Neves, aonde acodem romeiros no seu dia de cinco de Agosto.
Os frutos, que recolhem os moradores desta Freguesia em mayor abundancia, são, trigo, cevada, e centeyo. Pelos confins desta Freguesia passa o rio Guadiana, e nelle recebe os rios Lucefece, e Azavel, que entrão nelle nos sítios de Roncão, e Gato”.
https://fbstatic-a.akamaihd.net/rsrc.php/v2/y4/r/-PAXP-deijE.gif
http://books.google.pt/books?id=J9MGPGfwSdQC&pg=PA506&lpg=PA506&dq=Villa+de+Ferreira,+Capellins&source=bl&ots=lY57HE4I8B&sig=7OLxR2b9pDa_0EpKMcC_9FeZqdI&hl=pt-PT&sa=X&ei=oGxrU7bPFoX80QW7uIDwAQ&ved=0CCQQ6AEwAA#v=onepage&q=Villa%20de%20Ferreira%2C%20Capellins&f=false




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

42 - História de Capelins

A vida económica e social dos moradores da Vila de Ferreira na Idade Média e Moderna


A Idade Média, é considerado o período entre o século V e, o século XV, ou seja, início do Renascimento. A Vila de Ferreira, existe desde cerca de 1314, assim, tentamos conhecer, o que for possível, sobre a vida económica e social dos moradores desta região. Através de alguns documentos oficiais disponíveis ao público e, por analogia com o que se encontra publicado sobre este assunto, referente a Freguesias vizinhas, pensamos, não ter sido muito diferente na Vila de Ferreira.
A sociedade medieval era constituída por três classes, o clero, nobreza e povo, assim, quanto à realidade da referida Vila, o senhorio, durante a Idade Média, esteve sempre na posse de casas nobres, era uma grande extensão de terra, quase a mesma que, constitui hoje a Freguesia de Capelins, estava dividida em diversas herdades, com Montes ou casais, que eram arrendadas a lavradores, os quais, tinham ao seu serviço os trabalhadores agrícolas, guardadores de gado e pessoas para outros trabalhos. 
A Igreja Católica, detinha grande poder e podia intervir em todas as causas, por isso, no Lugar de Ferreira, sede da Vila, existia a Igreja Matriz de Santa Maria, com um Cura, que tinha a missão de tratar da vida espiritual dos moradores, porque, nesta época vivia-se grande fervor religioso. A religião fazia parte da vida do dia a dia, intervindo na vida prática e espiritual das pessoas, que eram dominadas pelo medo do inferno, assim, procuravam na Igreja a explicação para os mais diversos acontecimentos, como as epidemias, a fome e mesmo as trovoadas, com a oração e a devoção, esperavam afastar esses males. A Igreja, cobrava impostos, todas as pessoas tinham de pagar o dízimo, recebendo grande parte das colheitas e até de gado.
As casas do Lugar de Ferreira, eram muito rudimentares, feitas de taipa, terra amassada, algumas pedras e, geralmente cobertas de colmo, estevas, piorno e pasto, por isso, hoje, no local onde existia essa casario está plantado um olival e poucos vestígios se encontram. A vida dentro da casa era em comunidade, ou seja, sem intimidade, todos comiam, dormiam e passavam o tempo livre na mesma divisão. O mobiliário era escasso, uma mesa, uns bancos sem costas e um móvel essencial que era um baú ou arca, que servia para guardar tudo o que tinham, desde roupa a loiças e, ainda podia servir de mesa ou de assento. As camas, se existiam, tinham colchões de palha. A cozinha, tinha poucos utensílios, panelas, almofariz, frigideira de cabo comprido, algumas, um caldeirão ou panela de ferro. A comida era pouca, à base de pão de trigo e de ervas aromáticas e outras comestíveis, as que existiam em abundância nesta região, além de outros produtos hortícolas que já cultivavam nas hortas, como, alhos, hortelã, salsa, coentros e cebolas. Os que podiam, faziam matança de porcos e guardavam a carne fumada para consumir ao longo do ano, mas a Igreja ordenava que não se comesse carne às quartas-feiras, sextas-feiras e sábados, assim, dava para mais tempo. Havia muita caça, mas era para os senhores, que tinham os falcões e as matilhas de cães treinados para esse fim.
Já por aqui passavam vendedores ambulantes, que vendiam produtos artesanais e mercadorias diversas, fazendo, também, trocas comerciais, como ovos de galinha e animais. Como antes referimos, D. Dinis, autorizou uma feira anual em Terena, durante quinze dias, com entrada livre para os moradores do Concelho, onde podiam comprar e vender todos os produtos existentes nessa época, desde animais, cereais, roupas, utensílios, e assistir a espetáculos de música, circenses, aos jograis e outros, era o maior acontecimento na região, as pessoas contavam os dias que faltavam para chegar a feira. Do Lugar de Ferreira, Neves, a Terena eram menos de duas léguas, logo ali.
À semelhança das terras vizinhas, pensamos que, existia uma festa anual, junto à Igreja de Santa Maria, consistindo na parte religiosa, missas, cânticos na Igreja, procissão, mas também, a parte profana de divertimento, cantares, bailes e principalmente jogos.
A vida dos moradores da Vila de Ferreira, era de muito trabalho, de sol a sol, senão, desde madrugada até noite dentro e, não tinham nada, tudo era do senhor, também por isso, era muito difícil povoar esta Vila, além da grande insegurança que aqui existia, devido à proximidade da fronteira que era constantemente atravessada por grupos de saqueadores, de um e outro lado. 


Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

41 - História das terras de Capelins

O Senhorio da Vila de Ferreira na Família Freire de Andrade, entre 1433 e 1674

Depois de ser encontrado o documento que a seguir se publica, depositado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ANTT, o qual, prova ter sido em 20-11-1433, e não em 1450, que o Lugar de Ferreira no termo (Concelho) de Terena, foi doado à Família Freire de Andrade. Nesta data, D. Afonso V, confirmou essa doação a D. Gomes Freire de Andrade, neto de D. Gomes Freire de Andrade.  Como foi referido, a primeira doação da Vila de Ferreira a esta Família foi em 1433, por D. Duarte, a D. Gomes Freire de Andrade, avô do anterior, 1º Senhor de Bobadela, que lhe tinha sido doada por D. João I, pelo seu destaque na Batalha de Aljubarrota, era cavaleiro da Corte e muito amigo de D. Duarte.
A doação da Vila de Ferreira a Par de Terena, consta na Chancelaria de D. Duarte, livro 1 página 107. 
Neste documento, é indicado pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT): 

ÂMBITO E CONTEÚDO
DOAÇÃO DO LUGAR DE FERREIRA (TERMO DE TERENA, BEJA) E COUTADA DE TERENA

Como podemos verificar existe um lapso do ANTT, "Termo de Terena, Beja)
Nesta data,  foi enviado o seguinte pedido de correção: 

Exmo Senhor
Diretor Geral da DGLAB
O grupo amigos de Capelins - Alandroal - Évora, está pesquisando e compilando todos os documentos que se referem ao passado desta Freguesia, enclave da Alta Albufeira de Alqueva, desde a antiguidade. Uma das fontes, a partir da Idade Média, é obviamente o ANTT. Esta localidade foi uma Vila Medieval, Vila Defesa, em lugar de Couto de homiziados, fundada por D. Dinis cerca de 1314. Temos seguido a sua história e verifica-se que  a referida Vila, denominada em várias chancelarias como: "Lugar de Ferreira, termo de Terena," foi doada por D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade em 1433, conforme se prova no documento do ANTT que segue em anexo. Porém, neste documento. o ANTT, refere que, em 1433 D. Duarte fez a seguinte doação:
  
ÂMBITO E CONTEÚDO
DOAÇÃO DO LUGAR DE FERREIRA (TERMO DE TERENA, BEJA) E COUTADA DE TERENA
Como V. Exª pode verificar, o Lugar de Ferreira, termo de Terena, hoje Concelho de Alandroal e Distrito de Évora, nada tem a ver com Ferreira do Alentejo, Distrito de Beja. Não terá muita importância, mas a informação ao público não se encontra correta, pelo que, pedimos o favor de quando for possível proceder à respetiva correção, ou seja, eliminar a palavra "BEJA"..
Agradecemos antecipadamente a atenção dispensada.
 Com os melhores cumprimentos
 Pelos amigos de Capelins



GOMES FREIRE

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CHR/H/0001/606
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1433-11-20 A data é certa a 1433-11-20 A data é certa
ÂMBITO E CONTEÚDO
DOAÇÃO DO LUGAR DE FERREIRA (TERMO DE TERENA, BEJA) E COUTADA DE TERENA
COTA ATUAL
Chancelaria de D. Duarte I, liv. 1, fol. 107
Informação não tratada arquivisticamente.

http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=3814278



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

40 - História das terras de Capelins 

História de vidas de gentes de Capelins

Documento de 1734, há 280 anos, que envolve um casamento em Capelins, nessa época designava-se Santo António, termo da Vila de Terena.

BULA APOSTÓLICA DE DISPENSA MATRIMONIAL APRESENTADA AO VIGÁRIO GERAL DESTE ARCEBISPADO A FAVOR DE INÁCIO RODRIGUES BARBOSA E DE FRANCISCA SIMÕES, NATURAIS DE SANTO ANTÓNIO DE TERENA.

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento composto Documento composto
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADEVR/FE/DIO-CEEVR/B/001/00041
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1734 A data é certa a 1734 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
papel e pergaminho
EXTENSÕES
28 Folhas
HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
A Câmara Eclesiástica é a repartição que se ocupa dos bens e direitos temporais do Cabido da Sé.

As suas funções são essencialmente financeiras. Adquire funções judiciais, mas só no século XV começa a ter plenos poderes.

A partir desta data e até final do século XVIII foi uma instituição de grande importância.

Em 1831, porém, perdeu grande parte das suas atribuições judiciais e, em 1870, esta decadência mais se acentuou com a extinção dos Estados Pontifícios.

No Arquivo Histórico da Câmara Eclesiástica de Évora, existem documentos muito importantes, não só para a história da Arquidiocese, como também para a história de toda a Região.

Fonte imediata de aquisição ou transferência: Alguma documentação do Arquivo Histórico da Câmara Eclesiástica de Évora, encontra-se em depósito no Arquivo Distrital de Évora. Ao que se supõe, terá vindo a monte, devido a uma invasão ao Paço Arquiepiscopal que decorreu no ano de 1910, aquando da implantação da República.

A documentação é muito variada, destacando-se nela processos relacionados com diversas Ordens do seguinte modo: De Genere, Menores, Tonsura, Missa, Epístola, Evangelho. Existe também documentação diversa: Dispensas matrimoniais, Parentesco, Património, Breves e Bulas sobre diversos assuntos, entre outra, que se encontra ainda por inventariar.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Contém: Bula Apostólica, petição, rol de testemunhas, comissão apostólica, mandado apostólico,...

Selo de chapa no fls. 2v.

Tipologia e suporte: papel e pergaminho
CONDIÇÕES DE ACESSO
Documentação de consulta livre.
COTA ATUAL
Pç. 41 Cxª2

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

39 - História das terras de Capelins 

A Villa de Ferreira de 1314


No reinado de D. Dinis, após o falecimento de D. Martin Gil Riba de Vizela, em Dezembro de 1312, sem deixar descendência do sexo masculino, a Vila de Terena e seu termo (Concelho), voltou à posse da Coroa.
Durante o ano de 1313, a mãe de D. Martin Gil, reclamou a herança do filho, conseguindo receber uma parte, mas Terena e Viana do Alentejo, não foram devolvidas, porque, D. Dinis, tinha planos para o povoamento desta região. Assim, cerca de 1314, fundou a Vila de Ferreira, Vila Defesa, em quase tudo, semelhante aos Coutos de Homiziados, apenas um modelo mais moderno, com a cedência de alguns privilégios aos seus moradores, em troca deles defenderem a Vila contra os invasores. A Vila de Ferreira, era constituída pelo espaço geográfico a sul das herdades da Boeira, Nabais e Cabeça de Sina, até ao rio Guadiana e lateralmente pelas Ribeiras do Lucefécit e do Azevel, subindo ao longo do extremo da atual Freguesia de Santiago Maior. Porém, foram construídas habitações no lugar designado hoje por Neves e no alto do olival do Monte de Ferreira, denominando-se, Lugar de Ferreira, assim como, a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira, ao lado da atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, em termos geográficos pertencia ao Concelho de Terena. 
Depois de fundada a Vila de Ferreira, por D. Dinis, em 1314, este monarca, entregou o senhorio desta Vila e da Vila de Terena ao seu filho legítimo, o Infante D. Afonso, que veio ser o nosso rei D. Afonso IV, o qual, assim que recebeu esta Villa doo-a a sua esposa Dª Brites ou Beatriz, ficando na posse da Casa das Rainhas até à sua morte em 1359. 



 História de Capelins 

Em 1314, D. Dinis, doou a Vila de Terena e seu Concelho, ao seu filho, o infante D. Afonso, através da Carta de Doação que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na Cota Atual: Chancelaria de D. Dinis livro 3 folha 88 v, conforme a seguir se transcreve:

CARTA DE DOAÇÃO DE VIANA E TERENA, CONCEDIDA POR D. DINIS A D. AFONSO, INFANTE DE PORTUGAL

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/C/001/0003/08801
TIPO DE TÍTULO  Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1279-02-16 A data é certa a 1325-01-07 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 1 doc.; perg.
HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
Documento descrito no índice Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Dinis: Índice dos próprios, L 25, f. 4 (PT/TT/ID/1/25).
Este Instrumento de Descrição Documental, não datado, foi substituído pelo catálogo em linha, em 2010.
COTA ATUAL Chancelaria de D. Dinis, liv. 3, f. 88v.

  
Até 1433, as terras da Villa de Ferreira, pertenceram ao mesmo senhorio de Terena, ou seja, na posse da Família Riba de Vizela entre 1259 e 1312. À Coroa, nos anos de 1313/1314, à Casa das Rainhas de 1314 a 1359, depois em vários senhorios até que em 1433, esta Vila foi doada por D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade.
Com a criação da Vila Defesa de Ferreira, por D. Dinis em 1314, a partir dessa data, iniciou-se uma separação geográfica, delimitada a norte pelas herdades de, Cabeça da Sina, Nabais e Boeira, a Este pela Ribeira do Lucefecit, a Oeste pelo limite da atual Freguesia de Santiago Maior e Azevel, a sul pelo rio Guadiana, sendo concedido pelo rei, a esta Vila, o estatuto de Vila Defesa, sendo a diferença, entre os Coutos de homiziados, ninguém era obrigado a vir para estas terras, mas era obrigação dos seus povoadores defenderem a zona de fronteira com Castela, logo, os povoadores eram lavradores e, ao mesmo tempo militares, tinham ao seu serviço, trabalhadores/militares, geralmente as terras eram arrendadas a oficiais militares e ordenanças (guardas do reino), já na reserva ou, ainda ao serviço do exército. Por isso, aos moradores da Vila Defesa de Ferreira, foram concedidos vários privilégios, como o de não irem à guerra, de não serem presos durante a época das sementeiras, no caso de cometerem algum delito e, de isenção de impostos, com o objetivo de povoarem a Vila.

38 - História das terras de Capelins  

A invasão da Vila de Ferreira II


Com a descrição desta façanha dos Alcaides mor de Alandroal e de Vila Viçosa, ficamos a saber que, o porto da Cinza, em 1384, denominava-se, porto da Cerva, assim. voltamos a publicar a façanha de Álvaro Gonçalves, (o coitado) e de Pêro Rodrigues, (o encerra bodes), Alcaides-Mor de Vila Viçosa e do Alandroal, respetivamente, os quais, após a Páscoa, de 1384, entraram por terras de Castela, com 45 cavaleiros e 200 besteiros, passaram o Guadiana (Odiana) no porto da Cinza, então, chamado porto da Cerva e, roubaram o gado que pastava entre Alconchel e Vila Nueva del Fresno, atravessando, para ambos os lados, a Vila de Ferreira, que era quase todo o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins
Este feito, foi copiado das Crónicas de Fernão Lopes.

DUMA ENTRADA QUE OS PORTUGUESES FIZERAM POR CASTELA, E DO ROUBO QUE TROUXERAM.

Álvoro Coitado era muito amigo de Pero Rodrigues, Alcaide do Alandroal, e acordaram ambos de fazer uma cavalgada (rapina de gado, etc) em Castela, quando nenhuns que então tivessem voz por Portugal eram ousados disto cometer, porquanto Pero Rodrigues da Fonseca estava em Olivença muito poderoso com quinhentos de cavalo entre homens de armas e ginetes, de guisa que toda aquela comarca era temerosa ante ele, e os gados todos muito seguros ao longo do extremo da parte de Castela. Feito o acordo e marcado o dia, juntou Álvoro Gonçalves os seus trinta escudeiros e cento e cinquenta homens de pé de Vila Viçosa, e Pero Rodrigues quinze de cavalo e cinquenta homens de pé do Alandroal, assim que eram por todos quarenta e cinco de cavalo e duzentos homens de pé. E juntos assim para entrar por Castela, passaram de noite o Odiana pelo porto da Cerva e foram ao enxido (pastos para criação de gado) de Cheles sobre o quarto da alva, e fizeram presa em dois fatos (manadas) de vacas de Garcia Gonçalvez de Grisalva, e tomaram catorze vaqueiros e arrancaram as tendas, e carregaram as manadas com todos os seus aparelhos. E assim trouxeram as vacas e novilhos e éguas com os seus pastores, que não escapou mais do que um que foi dar novas a Vila Nova del Fresno e a Alconchel, lugares do senhorio de Castela. E Pero Rodrigues e Álvoro Coitado mandaram tanger a cavalgada aos homens de pé e deram-lhes dez de cavalo que viessem com eles, e eles com os besteiros ficaram em resguardo, caso alguma gente sobreviesse para pelejar. Com a qual cavalgada passaram por Ferreira, e vieram com ela pelo Sobral da Ordem entre a vila do Alandroal e Juromenha até ao campo de Pardais, onde está uma igreja de são Marcos. Naquele campo repartiram a sua cavalgada, aos capitães a sua direita parte e a cada um dos outros o que lhe aí cabia, e o quinto que era dado a Álvoro Coitado não quis este naquela hora havê-lo para si, mas que se repartisse por eles, do que todos ficaram muito contentes e lho agradeceram muito.
E acharam naquela presa setecentos novilhos que andavam apartados numa das manadas, e as vacas eram mil e quatrocentas, e vinte e seis éguas e nove poldros de três anos e outros poldros pequenos, e as éguas deram-nas a Álvoro Coitado que as mandou para uma sua quinta perto de Benavente. E esta foi a primeira cavalgada que os portugueses fizeram por Castela no começo desta demanda.
 Extraído do Blogue: “O Espaço da História”
XIII – Cenas da guerra no Alentejo

(Escrito por Fernão Lopes)




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

37 - História das terras de Capelins 

O Povoamento das terras de Capelins, após 1258, por D. Afonso III

Em 1248, devido a conflitos com a Igreja, D. Sancho II, foi afastado da governação do reino, sendo substituído pelo seu irmão D. Afonso III, que continuou com o povoamento das terras de Capelins, nessa época, de Ferreira.
O modelo de povoamento, continuado por D. Afonso III, foi a distribuição das terras conquistadas aos mouros, pelas famílias nobres, mais próximas da corte. Assim, cerca de 1258, a então, herdade de Santa Maria de Terena, que incluía as terras de Capelins, foi doada à família Riba de Vizela, nobres de Guimarães, afeiçoados à pessoa do rei, a qual, concedeu o primeiro foral a esta Vila e seu Concelho, em 1262, ficando estas terras na sua posse até 1312. 

A Família Riba de Vizela, oriunda de Guimarães, fazia parte da corte de D. Sancho II e depois de D. Afonso III, tiveram como marca familiar a lealdade e a a feição à pessoa do rei, sendo D. Gil Martins nomeado Mordomo-Mor da Cúria e, quando, o rei procedeu à distribuição das terras conquistadas, fez a doação de Terena e de Viana a D. Gil Martins de Riba de Vizela e a sua esposa Dª. Maria Eanes, os quais, em Fevereiro de 1262, concederam o primeiro Foral à Vila de Terena e seu termo, (Concelho), incluindo as terras de Ferreira, ou seja, todo o espaço geográfico ocupado atualmente pelo Concelho de Alandroal. Ainda, em 13 de Dezembro de 1261, D. Gil Martins, apenas em 10 meses, chegou a entendimento com o Cabido da Sé de Évora e com o Bispo D. Martinho, sobre a construção de Igrejas em Terena e no seu termo.
Em 1264, D. Gil Martins exilou-se em Castela, na corte de Afonso X, o rei sábio, devido a agravos com o rei D. Afonso III, onde permaneceu até à sua morte em finais de 1274.
Em 1275, o seu filho D. Martim Gil, que esteve sempre junto de seu pai, em Castela, voltou para Portugal, à corte de D. Afonso III, herdando os bens de seu pai, entre os quais, a Vila de Terena e seu termo (Concelho). Em 1276, foi-lhe concedida a tenência de Elvas, ficando, assim, mais próximo destes seus domínios, que começou a frequentar, mostrando mais interesse na sua administração e desenvolvimento da região.
Em 1280, já no reinado de D. Dinis, D. Martim Gil, abandonou a tenência de Elvas e voltou novamente para Castela, onde permaneceu até 1284, quando faleceu o rei Afonso X. Nesta data, voltou a Portugal, à corte de D. Dinis, que, fez dele seu Alferes-Mor, cargo que manteve até 1295, quando a seu pedido foi substituído por seu filho, também com o mesmo nome, D. Martim Gil, e faleceu ainda nesse ano.
D. Martim Gil sucedeu a seu pai no lugar de Alferes-Mor do reino e no senhorio de Terena e Ferreira. Foi forte apoiante de D. Dinis, mas, devido a um litígio com o seu cunhado em 1312 e, devido à pronúncia do tribunal, sentiu-se ofendido e exilou-se em Castela, onde faleceu em Dezembro desse ano, não deixando descendentes masculinos, extinguindo-se com ele esta linhagem. Também com ele, se extinguiu o senhorio de Terena, voltando a Vila e, as terras de Ferreira à Coroa.
In. História de Capelins - 5000 Anos de Vidas

D. Afonso III, povoador das terras de Capelins 





574 - Terras de Capelins Ermida de Santa Clara  "Venerável relíquia de meados do século XVI, situada na Herdade de Santa Clara, a ...