sexta-feira, 28 de novembro de 2014

39 - História das terras de Capelins 

A Villa de Ferreira de 1314


No reinado de D. Dinis, após o falecimento de D. Martin Gil Riba de Vizela, em Dezembro de 1312, sem deixar descendência do sexo masculino, a Vila de Terena e seu termo (Concelho), voltou à posse da Coroa.
Durante o ano de 1313, a mãe de D. Martin Gil, reclamou a herança do filho, conseguindo receber uma parte, mas Terena e Viana do Alentejo, não foram devolvidas, porque, D. Dinis, tinha planos para o povoamento desta região. Assim, cerca de 1314, fundou a Vila de Ferreira, Vila Defesa, em quase tudo, semelhante aos Coutos de Homiziados, apenas um modelo mais moderno, com a cedência de alguns privilégios aos seus moradores, em troca deles defenderem a Vila contra os invasores. A Vila de Ferreira, era constituída pelo espaço geográfico a sul das herdades da Boeira, Nabais e Cabeça de Sina, até ao rio Guadiana e lateralmente pelas Ribeiras do Lucefécit e do Azevel, subindo ao longo do extremo da atual Freguesia de Santiago Maior. Porém, foram construídas habitações no lugar designado hoje por Neves e no alto do olival do Monte de Ferreira, denominando-se, Lugar de Ferreira, assim como, a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira, ao lado da atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, em termos geográficos pertencia ao Concelho de Terena. 
Depois de fundada a Vila de Ferreira, por D. Dinis, em 1314, este monarca, entregou o senhorio desta Vila e da Vila de Terena ao seu filho legítimo, o Infante D. Afonso, que veio ser o nosso rei D. Afonso IV, o qual, assim que recebeu esta Villa doo-a a sua esposa Dª Brites ou Beatriz, ficando na posse da Casa das Rainhas até à sua morte em 1359. 



 História de Capelins 

Em 1314, D. Dinis, doou a Vila de Terena e seu Concelho, ao seu filho, o infante D. Afonso, através da Carta de Doação que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na Cota Atual: Chancelaria de D. Dinis livro 3 folha 88 v, conforme a seguir se transcreve:

CARTA DE DOAÇÃO DE VIANA E TERENA, CONCEDIDA POR D. DINIS A D. AFONSO, INFANTE DE PORTUGAL

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/C/001/0003/08801
TIPO DE TÍTULO  Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1279-02-16 A data é certa a 1325-01-07 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 1 doc.; perg.
HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
Documento descrito no índice Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Dinis: Índice dos próprios, L 25, f. 4 (PT/TT/ID/1/25).
Este Instrumento de Descrição Documental, não datado, foi substituído pelo catálogo em linha, em 2010.
COTA ATUAL Chancelaria de D. Dinis, liv. 3, f. 88v.

  
Até 1433, as terras da Villa de Ferreira, pertenceram ao mesmo senhorio de Terena, ou seja, na posse da Família Riba de Vizela entre 1259 e 1312. À Coroa, nos anos de 1313/1314, à Casa das Rainhas de 1314 a 1359, depois em vários senhorios até que em 1433, esta Vila foi doada por D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade.
Com a criação da Vila Defesa de Ferreira, por D. Dinis em 1314, a partir dessa data, iniciou-se uma separação geográfica, delimitada a norte pelas herdades de, Cabeça da Sina, Nabais e Boeira, a Este pela Ribeira do Lucefecit, a Oeste pelo limite da atual Freguesia de Santiago Maior e Azevel, a sul pelo rio Guadiana, sendo concedido pelo rei, a esta Vila, o estatuto de Vila Defesa, sendo a diferença, entre os Coutos de homiziados, ninguém era obrigado a vir para estas terras, mas era obrigação dos seus povoadores defenderem a zona de fronteira com Castela, logo, os povoadores eram lavradores e, ao mesmo tempo militares, tinham ao seu serviço, trabalhadores/militares, geralmente as terras eram arrendadas a oficiais militares e ordenanças (guardas do reino), já na reserva ou, ainda ao serviço do exército. Por isso, aos moradores da Vila Defesa de Ferreira, foram concedidos vários privilégios, como o de não irem à guerra, de não serem presos durante a época das sementeiras, no caso de cometerem algum delito e, de isenção de impostos, com o objetivo de povoarem a Vila.

38 - História das terras de Capelins  

A invasão da Vila de Ferreira II


Com a descrição desta façanha dos Alcaides mor de Alandroal e de Vila Viçosa, ficamos a saber que, o porto da Cinza, em 1384, denominava-se, porto da Cerva, assim. voltamos a publicar a façanha de Álvaro Gonçalves, (o coitado) e de Pêro Rodrigues, (o encerra bodes), Alcaides-Mor de Vila Viçosa e do Alandroal, respetivamente, os quais, após a Páscoa, de 1384, entraram por terras de Castela, com 45 cavaleiros e 200 besteiros, passaram o Guadiana (Odiana) no porto da Cinza, então, chamado porto da Cerva e, roubaram o gado que pastava entre Alconchel e Vila Nueva del Fresno, atravessando, para ambos os lados, a Vila de Ferreira, que era quase todo o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins
Este feito, foi copiado das Crónicas de Fernão Lopes.

DUMA ENTRADA QUE OS PORTUGUESES FIZERAM POR CASTELA, E DO ROUBO QUE TROUXERAM.

Álvoro Coitado era muito amigo de Pero Rodrigues, Alcaide do Alandroal, e acordaram ambos de fazer uma cavalgada (rapina de gado, etc) em Castela, quando nenhuns que então tivessem voz por Portugal eram ousados disto cometer, porquanto Pero Rodrigues da Fonseca estava em Olivença muito poderoso com quinhentos de cavalo entre homens de armas e ginetes, de guisa que toda aquela comarca era temerosa ante ele, e os gados todos muito seguros ao longo do extremo da parte de Castela. Feito o acordo e marcado o dia, juntou Álvoro Gonçalves os seus trinta escudeiros e cento e cinquenta homens de pé de Vila Viçosa, e Pero Rodrigues quinze de cavalo e cinquenta homens de pé do Alandroal, assim que eram por todos quarenta e cinco de cavalo e duzentos homens de pé. E juntos assim para entrar por Castela, passaram de noite o Odiana pelo porto da Cerva e foram ao enxido (pastos para criação de gado) de Cheles sobre o quarto da alva, e fizeram presa em dois fatos (manadas) de vacas de Garcia Gonçalvez de Grisalva, e tomaram catorze vaqueiros e arrancaram as tendas, e carregaram as manadas com todos os seus aparelhos. E assim trouxeram as vacas e novilhos e éguas com os seus pastores, que não escapou mais do que um que foi dar novas a Vila Nova del Fresno e a Alconchel, lugares do senhorio de Castela. E Pero Rodrigues e Álvoro Coitado mandaram tanger a cavalgada aos homens de pé e deram-lhes dez de cavalo que viessem com eles, e eles com os besteiros ficaram em resguardo, caso alguma gente sobreviesse para pelejar. Com a qual cavalgada passaram por Ferreira, e vieram com ela pelo Sobral da Ordem entre a vila do Alandroal e Juromenha até ao campo de Pardais, onde está uma igreja de são Marcos. Naquele campo repartiram a sua cavalgada, aos capitães a sua direita parte e a cada um dos outros o que lhe aí cabia, e o quinto que era dado a Álvoro Coitado não quis este naquela hora havê-lo para si, mas que se repartisse por eles, do que todos ficaram muito contentes e lho agradeceram muito.
E acharam naquela presa setecentos novilhos que andavam apartados numa das manadas, e as vacas eram mil e quatrocentas, e vinte e seis éguas e nove poldros de três anos e outros poldros pequenos, e as éguas deram-nas a Álvoro Coitado que as mandou para uma sua quinta perto de Benavente. E esta foi a primeira cavalgada que os portugueses fizeram por Castela no começo desta demanda.
 Extraído do Blogue: “O Espaço da História”
XIII – Cenas da guerra no Alentejo

(Escrito por Fernão Lopes)




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

37 - História das terras de Capelins 

O Povoamento das terras de Capelins, após 1258, por D. Afonso III

Em 1248, devido a conflitos com a Igreja, D. Sancho II, foi afastado da governação do reino, sendo substituído pelo seu irmão D. Afonso III, que continuou com o povoamento das terras de Capelins, nessa época, de Ferreira.
O modelo de povoamento, continuado por D. Afonso III, foi a distribuição das terras conquistadas aos mouros, pelas famílias nobres, mais próximas da corte. Assim, cerca de 1258, a então, herdade de Santa Maria de Terena, que incluía as terras de Capelins, foi doada à família Riba de Vizela, nobres de Guimarães, afeiçoados à pessoa do rei, a qual, concedeu o primeiro foral a esta Vila e seu Concelho, em 1262, ficando estas terras na sua posse até 1312. 

A Família Riba de Vizela, oriunda de Guimarães, fazia parte da corte de D. Sancho II e depois de D. Afonso III, tiveram como marca familiar a lealdade e a a feição à pessoa do rei, sendo D. Gil Martins nomeado Mordomo-Mor da Cúria e, quando, o rei procedeu à distribuição das terras conquistadas, fez a doação de Terena e de Viana a D. Gil Martins de Riba de Vizela e a sua esposa Dª. Maria Eanes, os quais, em Fevereiro de 1262, concederam o primeiro Foral à Vila de Terena e seu termo, (Concelho), incluindo as terras de Ferreira, ou seja, todo o espaço geográfico ocupado atualmente pelo Concelho de Alandroal. Ainda, em 13 de Dezembro de 1261, D. Gil Martins, apenas em 10 meses, chegou a entendimento com o Cabido da Sé de Évora e com o Bispo D. Martinho, sobre a construção de Igrejas em Terena e no seu termo.
Em 1264, D. Gil Martins exilou-se em Castela, na corte de Afonso X, o rei sábio, devido a agravos com o rei D. Afonso III, onde permaneceu até à sua morte em finais de 1274.
Em 1275, o seu filho D. Martim Gil, que esteve sempre junto de seu pai, em Castela, voltou para Portugal, à corte de D. Afonso III, herdando os bens de seu pai, entre os quais, a Vila de Terena e seu termo (Concelho). Em 1276, foi-lhe concedida a tenência de Elvas, ficando, assim, mais próximo destes seus domínios, que começou a frequentar, mostrando mais interesse na sua administração e desenvolvimento da região.
Em 1280, já no reinado de D. Dinis, D. Martim Gil, abandonou a tenência de Elvas e voltou novamente para Castela, onde permaneceu até 1284, quando faleceu o rei Afonso X. Nesta data, voltou a Portugal, à corte de D. Dinis, que, fez dele seu Alferes-Mor, cargo que manteve até 1295, quando a seu pedido foi substituído por seu filho, também com o mesmo nome, D. Martim Gil, e faleceu ainda nesse ano.
D. Martim Gil sucedeu a seu pai no lugar de Alferes-Mor do reino e no senhorio de Terena e Ferreira. Foi forte apoiante de D. Dinis, mas, devido a um litígio com o seu cunhado em 1312 e, devido à pronúncia do tribunal, sentiu-se ofendido e exilou-se em Castela, onde faleceu em Dezembro desse ano, não deixando descendentes masculinos, extinguindo-se com ele esta linhagem. Também com ele, se extinguiu o senhorio de Terena, voltando a Vila e, as terras de Ferreira à Coroa.
In. História de Capelins - 5000 Anos de Vidas

D. Afonso III, povoador das terras de Capelins 





quarta-feira, 26 de novembro de 2014

36 - História das terras de Capelins

D. Sancho II, o libertador das terras de Capelins, cerca de 1242 


Como antes referimos, as terras do Alto Guadiana foram perdidas para os Mouros, cerca de 1191, logo após a morte de D. Afonso Henriques. Foi impossível aos portugueses, deter as tropas do Califa de Córdova, Almansor que, rapidamente recuperou toda esta região, devolvendo estas terras aos Mouros, onde ficaram até 1239 ou 1242, quando, D. Sancho II, os conseguiu afastar definitivamente. Por isso, Elvas, nunca esqueceu esse feito, prestando-lhe homenagem, que consistiu na colocação de uma estátua nesta cidade, como memorial e, também, a Escola Secundária se denomina de D. Sancho II.
Após esta reconquista, ou libertação, D. Sancho II, tomou imediatamente medidas, no sentido de povoar e, principalmente de Cristianizar esta região, continuando esta ação a ser desenvolvida pelos monarcas que se seguiram.
Assim, também, D. Sancho II, libertou dos mouros, as terras de Capelins.


Homenagem a D. Sancho II

D. Sancho II, foi o quarto rei de Portugal (1223-1245). Nasceu em Coimbra em 1209 e faleceu em Toledo em 4 de Janeiro de 1248. Filho de D. Afonso II e de D. Urraca, subiu ao trono em Março de 1223. Era indicado como herdeiro no testamento de D. Afonso II, muito embora a ordem de sucessão fosse já então um facto. Casou, cerca de 1240, com D. Mécia Lopes, neta de Afonso IX de Leão e viúva de Álvaro Peres de Castro. Deste casamento não houve descendência.
Tendo D. Sancho herdado o trono aos 13 anos, o governo do reino esteve primeiramente a cargo de ricos-homens que apressaram o pequeno rei a regularizar as relações com a Igreja. Foi elaborada uma concórdia com a Igreja e, finalmente, resolvido o problema com as infantas, irmãs de D. Afonso II. Depois de resolvidas estas questões procurou D. Sancho II dedicar-se à administração do País, concedendo forais a diversas povoações. Iniciou, também, uma nova fase de expansão territorial, que durou todo o seu reinado e terminou apenas com D. Afonso III.
Aproveitando-se das lutas que Afonso IX de Leão mantinha com os Mouros, o monarca iniciou uma campanha no Alentejo em 1226. Entre este ano e 1239 conquistou todo o Alentejo, tendo, para tal, muito contribuído a ação da Ordem de Santiago. Esta Ordem militar recebeu como pagamento dos serviços prestados diversas povoações, tais como Aljustrel, Sesimbra, Aljafar de Pena, Mértola, Aiamonte e Tavira.
/Infopédia)


D. Sancho II


terça-feira, 25 de novembro de 2014

35 - História de Capelins
A conquista das terras de Capelins aos mouros, por D. Afonso Henriques e Geraldo Sem Pavor II


Entre 1162 e 1167, D. Afonso Henriques, com a ajuda de Geraldo Sem Pavor, (Geraldo Geraldes), conquistou aos mouros, todas as terras do Alto Guadiana, desde Elvas, Juromenha, Monsaraz, Mourão e outras, incluindo as terras de Capelins, no entanto, muitas pessoas por aqui ficaram, sujeitos às novas regras cristãs, porque, esta, era a sua terra, onde tinham nascido e vivido os seus antepassados durante 500 anos, por isso, nos deixaram, aqui em Capelins, muitos dos seus hábitos, cultura e modos de vida.
Esta conquista, deveu-se a Geraldo Sem Pavor, uma lenda no Alentejo, personagem representativa do período de formação das fronteiras de Portugal nesta região. Diz-se que, era um nobre do norte que veio para estas terras do sul para lutar contra os mouros, liderando um bando de salteadores e aventureiros, abrigados num Castro, hoje denominado Castelo do Geraldo na Aldeia de Valverde e, faziam incursões por terras de mouros, saqueando e matando sem piedade. Parece que, D. Afonso Henriques, não apreciava essa pessoa mas, quando  invadiu esta região, Geraldo Sem Pavor, ofereceu-se como voluntário para tomar a cidade de Évora e outras localidades vizinhas. Assim, começou por conquistar a cidade de Évora, oferecendo-a ao rei, ganhando a sua confiança, continuou as conquistas aos mouros, até à hoje Estremadura espanhola. Porém, logo após a morte de D. Afonso Henriques, quase todas estas terras foram perdidas, sendo reconquistadas em 1242, por D. Sancho II.

In: História de Capelins 


Geraldo Sem Pavor por terras de Capelins







domingo, 23 de novembro de 2014

34 - História das terras de Capelins

A conquista das terras de Capelins, aos mouros, por D. Afonso Henriques e Geraldo Sem Pavor em 1167 - I

Em 1167, as terras fronteiriças do Alto Guadiana, de Elvas a Mourão, foram conquistadas aos mouros, por D. Afonso Henriques ajudado por Geraldo Sem Pavor, incluindo a região de Capelins. Porém, foram perdidas em 1191, quando o Califa de Córdova, Almansor, com as suas tropas as recuperou para os mouros, onde permaneceram até 1242, nesta data, o rei português D. Sancho II, afastou-os definitivamente, dando início à sua cristianização. Os mouros que ficaram em Capelins, tiveram que se converter ao Cristianismo e, foram obrigados a pagar altas rendas das terras que ficaram a explorar.
Já no reinado de D. Afonso III, a herdade de Santa Maria de Terena, que incluía quase todo o espaço geográfico ocupado hoje pelo Concelho de Alandroal, foi doada à família Ribas de Vizela, nobres de Guimarães, muito afeiçoados á pessoa do rei. Foi assim, que em 1262, com o primeiro foral da Vila de Terena e seu termo (Concelho), se iniciou o povoamento desta região. 

O povoamento e Foral da Vila de Terena, incluindo Ferreira, por D.Afonso III


A Família Riba de Vizela, oriunda de Guimarães, fazia parte da corte de D. Sancho II e depois de D. Afonso III, tiveram como marca familiar a lealdade e a a feição à pessoa do rei, sendo D. Gil Martins nomeado Mordomo-Mor da Cúria e, quando, o rei procedeu à distribuição das terras conquistadas, fez a doação de Terena e de Viana a D. Gil Martins de Riba de Vizela e a sua esposa Dª. Maria Eanes, os quais, em Fevereiro de 1262, concederam o primeiro Foral à Vila de Terena e seu termo, (Concelho), incluindo as terras de Ferreira, ou seja, todo o espaço geográfico ocupado atualmente pelo Concelho de Alandroal. Ainda, em 13 de Dezembro de 1261, D. Gil Martins, apenas em 10 meses, chegou a entendimento com o Cabido da Sé de Évora e com o Bispo D. Martinho, sobre a construção de Igrejas em Terena e no seu termo.
Em 1264, D. Gil Martins exilou-se em Castela, na corte de Afonso X, o rei sábio, devido a agravos com o rei D. Afonso III, onde permaneceu até à sua morte em finais de 1274.
Em 1275, o seu filho D. Martim Gil, que esteve sempre junto de seu pai, em Castela, voltou para Portugal, à corte de D. Afonso III, herdando os bens de seu pai, entre os quais, a Vila de Terena e seu termo (Concelho), que incluía as terras de Ferreira.  Em 1276, foi-lhe concedida a tenência de Elvas, ficando, assim, mais próximo destes seus domínios, que começou a frequentar, mostrando mais interesse na sua administração e desenvolvimento da região.
Em 1280, já no reinado de D. Dinis, D. Martim Gil, abandonou a tenência de Elvas e voltou novamente para Castela, onde permaneceu até 1284, quando faleceu o rei Afonso X. Nesta data, voltou a Portugal, à corte de D. Dinis, que, fez dele seu Alferes-Mor, cargo que manteve até 1295, quando a seu pedido foi substituído por seu filho, também com o mesmo nome, D. Martim Gil, e faleceu ainda nesse ano.

D. Martim Gil sucedeu a seu pai no lugar de Alferes-Mor do reino e no senhorio de Terena e Ferreira. Foi forte apoiante de D. Dinis, mas, devido a um litígio com o seu cunhado em 1312, e, devido à pronúncia do tribunal, sentiu-se ofendido e exilou-se em Castela, onde faleceu em Dezembro desse ano, não deixando descendentes masculinos, extinguindo-se com ele esta linhagem. Também com ele, se extinguiu o senhorio de Terena, voltando a Vila e as terras de Ferreira à Coroa.
In: História de Capelins - 5000 anos de Vidas

Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins




sábado, 22 de novembro de 2014


33 - Fundos Existentes no Arquivo Distrital de Évora

Existem vários Fundos de Instituições públicas e privadas no Arquivo Distrital de Évora, constituídos por documentos que nos podem dar respostas a alguns segredos, sobre a Freguesia de Capelins, assim, nos Fundos Judiciais, encontram-se processos do Tribunal Judicial do Redondo dos anos de 1850 -1941, logo, pensamos que, aí se encontra o processo judicial de 1920, entre o povo de Ferreira de Capelins e, o proprietário da herdade da Defesa de Ferreira, esperamos saber o que efetivamente se passou.

Existem escrituras e, outros documentos pertencentes ao Ex- Notário de Terena, dos anos: 1724 - 1852, como as terras da Vila de Ferreira, foram vendidas em 1834, as escrituras foram feitas nesse ano, ou seguinte, no Notário do Concelho, neste caso era Terena. Pensamos que, podemos saber a quem foram vendidas essas terras, senão, ainda há outra hipótese, nos documentos das Finanças de Alandroal, também existentes neste Arquivo, a partir de 1854.
Os Fundos Paroquiais estão on-line, com consulta livre, podemos, assim, consultar os de Santo António de Capelins, com inicio em 1633.

Fundos Judiciais
O grupo de Fundos judiciais, constituído pela documentação de vários Tribunais de Comarca do Distrito, tem uma extensão total de 788 m.l, sendo que neste ano foram incorporados documentos das Comarcas de Évora, Montemor-o-Novo e Arraiolos.

A maior parte dos Fundos encontra-se ainda em fase de organização, possuindo em grande parte apenas relações enviadas pelos serviços de origem. No entanto, possui o Arquivo Distrital de Évora inventários manuscritos das principais séries incorporadas como é o caso, por exemplo, dos processos orfanológicos.

3.5. GF: Fundos Judiciais (JUD)
Tribunal de Comarca de Arraiolos 1660 – 1988
Tribunal de Comarca de Estremoz 1617 – 1986
Tribunal de Comarca de Évora 1654 – 1987 
Tribunal de Comarca de Montemor-o-Novo 1648 – 1986
Tribunal de Comarca de Portel 1750 – 1940
Tribunal de Comarca de Redondo 1850 – 1941
Tribunal de Comarca de Reguengos de Monsaraz 1843 – 1890
Tribunal de Comarca de Vila Viçosa 1736 – 1932 


Fundos Notariais
Os Fundos notariais, reunindo a documentação de conservação permanente produzida pelos antigos tabeliães e actuais notários dos vários Concelhos do Distrito ocupam uma extensão de 259 m.l, sendo que neste ano foi feita uma incorporação do Cartório Notarial de Estremoz.
A documentação mais antiga data do Séc. XVI. Este grupo de Fundos possui uma grande diversidade de séries, sendo as mais consultadas as escrituras, testamentos e livros de notas.
Fazem parte deste grupo os Fundos notariais extintos, relacionados com várias localidades do Distrito, que têm estado a ser digitalizados Desejando salvaguardar os pergaminhos que se encontravam como capas de livros notariais, muitos deles foram retirados e colocados em pastas que, quando da existência da extinta Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora, se encontravam na única Casa Forte dos serviços, a qual estava instalada no edifício da actual Biblioteca Pública de Évora. No entanto, de acordo com o Decreto nº 2607 de 2 de Setembro de 1916 e com a alínea f) do Decreto nº 2859 de 29 de Novembro de 1916 pertencem ao Arquivo, pelo que se espera que seja concretizada a sua transferência para junto dos livros originais. 

Cartórios Notariais (Extintos)
Cartório Notarial de Aguiar 1625 – 1751
Cartório Notarial de Alcáçovas 1610 – 1916
Cartório Notarial de Brotas 1716 – 1809
Cartório Notarial de Cabeção 1616 – 1833
Cartório Notarial de Évora Monte 1694 – 1841
Cartório Notarial de Juromenha 1706 – 1840
Cartório Notarial de Lavre 1814 – 1899
Cartório Notarial de Monsaraz 1600 – 1827
Cartório Notarial de Montoito 1806 – 1834
Cartório Notarial de Pavia 1568 – 1839 
Cartório Notarial de Terena 1724 – 1852
Cartório Notarial de Veiros 1862 – 1900
Cartório Notarial de Vendas Novas 1880 – 1907
Cartório Notarial de Vimieiro 1538 – 1915


Fundos Paroquiais/Registo Civil
O conjunto dos Fundos Paroquiais engloba a documentação produzida pelas Paróquias dos 14 Concelhos do Distrito, num total de 589 m.l. Contrariamente a alguns Arquivos Distritais, o Arquivo Distrital de Évora tem em sua posse grande parte da documentação dos Fundos Paroquiais (com algumas exceções nos Concelhos do
Alandroal, Arraiolos e Mourão), sendo a documentação mais antiga datada de 1533.
As séries predominantes são: registos de baptismo, casamentos e óbitos.
 Podemos encontrar neste grupo de Fundos vária documentação de grande valor histórico e cultural da qual se destaca, por exemplo o assento de baptismo de D. João IV, Rei de Portugal, bem como dos seus descendentes, que podem ser encontrados nos livros de registo paroquial de Vila Viçosa, e os assentos de baptismo da poetisa Florbela Espanca, do pintor Henrique Pousão, de Gabriel Pereira e de Joaquim Heliodoro Rivara.
De destacar ainda que a incorporação desta documentação no Arquivo Distrital, por norma, ocorre apenas após 100 anos. Neste ano foram incorporados apenas os Livros de Registos/Extratos que não tinham sido incorporados em 2013 respeitantes ao Concelho de
Évora. No total foram incorporados 10 metros lineares. 

3.7. GF: Fundos Paroquiais / Registo Civil (PRQ)
Alandroal 1572 – 1910
Paróquia de Nossa Senhora da Conceição 1827 – 1910
Paróquia de Nossa Senhora do Loreto de Juromenha 1840 – 1910
Paróquia de Nossa Senhora do Rosário 1819 – 1910
Paróquia de Santiago Maior 1820 – 1910
Paróquia de Santo António de Capelins 1633 – 1910
Paróquia de São Brás dos Matos 1761 – 1910
Paróquia de São Pedro de Terena 1572 – 1910 


 3.10. GF: Fundos Eclesiásticos
Fundos Diocesanos (DIO)
Câmara Eclesiástica de Évora Séc. XVI – Séc. XX
Seminário Diocesano de Évora 1506 – 1885 

devr.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/4/2008/09/Guia_Fundos_ADEVR_04.pdf

Igreja Paroquial de Santo António de Capelins



584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...