terça-feira, 18 de novembro de 2014

25 - História de Capelins

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA DA PARÓQUIA DE SANTO ANTÓNIO DE CAPELINS 

Arquivo Distrital de Évora

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Fundo Fundo
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADEVR/PRQEVR/ADL04
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1633 A data é certa a 1910 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
10 U.I. (2 m.l.)
EXTENSÕES
2 Metros lineares
HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
A Freguesia, nos séculos XVII, XVIII e até meados do século XIX era designada por Santo António, termo da Vila de Terena.

Posteriormente, aparece nos Registos Paroquiais como Santo António de Capelins, sendo actualmente denominada Capelins.

Pertencem a esta Freguesia as localidades de Ferreira de Capelins e Montes Juntos.

O orago da Freguesia é Santo António.
FONTE IMEDIATA DE AQUISIÇÃO OU TRANSFERÊNCIA
Documentação transferida da Conservatória do Registo Civil de Alandroal a 3 de Maio de 2000, e do Instituto de Registos e Notariado a 6 de Novembro de 2011.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Registos de baptismo, casamento, óbito e de legitimação.
SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO
Classificação funcional e ordenação cronológica.
CONDIÇÕES DE ACESSO
Documentação de consulta livre.
IDIOMA E ESCRITA
Português
INSTRUMENTOS DE PESQUISA
Catálogo impresso e em suporte electrónico.
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Existem livros duplicados dos anos de 1860 a 1890
NOTAS
Os livros de registos de baptismo, casamento e óbito do ano de 1911 só possuem registos efectuados até 31 de Março, em virtude do disposto no artº 8 do Código do Registo Civil, decretado pelo então Governo Provisório da República Portuguesa.

http://digitarq.adevr.arquivos.pt/details?id=995783


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

24 - História das terras de Capelins

Capelinenses da Antiguidade


Existem, nas terras de Capelins, muitos vestígios deixados pelos diversos povos que aqui viveram, desde há mais de 5.000 anos, com maior visibilidade dos romanos. 
Na opinião dos estudiosos desta matéria, os povos que mais se destacaram, antes dos Romanos, foram os Iberos, considerados autótones da Península Ibérica e, depois os Celtas, (Celtiberos)! Estes povos, agregavam-se formando vários tribos, entre as quais, a dos famosos lusitanos, que viviam mais a norte do Alentejo. 
Estes povos, abrigavam-se em Castros fortificados, como o que existe no outeiro do Pombo na herdade da Defesa de Bobadela, com paredes em redondo, tapados a colmo, (pasto e arbustos) e, dedicavam-se essencialmente, à agricultura e pecuária.
Em vários lugares da Freguesia de Capelins, existem, submersas, pinturas rupestres onde esses povos nos indicam como era a sua vida nestas terras! Nas rochas que permanecem em grande numero pelo vale do rio Guadiana, podemos ver nas fotografias tiradas a esses desenhos que, então, se dedicavam, essencialmente,à pastorícia e à pesca. 
Mais tarde, outros povos, nesta terras, começaram a desenvolver, em simultâneo, a exploração mineira, e a agro-pecuária.    

Estas pinturas rupestres, estão submersas na zona da Moinhola, mas existem semelhantes ,desde as Azenhas D' El-Rei até ao Gato, foz da Ribeira de Azevel. 

Arte Rupestre na Moinhola - Defesa de Bobadela 




sábado, 15 de novembro de 2014

23 - História das terras de Capelins

Das minas Romanas, às minas de Capelins



Como sabemos,  através de vários documentos resultantes de investigações efetuadas, por vários especialistas desta área, a toponímia de Ferreira, deriva da Vila Romana de Ferreira, fundada sobre uma mina de ferro, onde, por complemento, existia uma ferraria (forja), (1) para transformação do ferro, de forma a poder ser transportado para Mérida, capital da Lusitânia, logo, de ferraria passou a Ferreira, há cerca de 2000 anos, sendo esta, a primeira das três "Ferreiras".
Sobre as referidas minas romanas, no local, não se nota que tenham sofrido grande exploração, mas sem um estudo, por quem de direito, nada se pode aferir.
Os povos que se instalaram nesta região, após a queda do Império Romano do ocidente, em 476, principalmente os Visigodos e, os Mouros, parece que, pouco, ou nada, se interessaram por estas minas, nem por outras vizinhas, dedicaram-se mais à agro-pecuária, ficando esta região livre de exploração mineira até ao decénio de 1940.
A partir de 1910, deu-se início à segunda parte da história das minas de Ferreira, às quais, a estas novas, achamos mais justo denominá-las "minas de Capelins", é verdade que, continuam nas herdades da "Defesa de Ferreira" e, no espaço geográfico que constituía a ex-Vila de Ferreira, extinta por Decreto de Novembro de 1836, por isso, obriga-nos a situá-las na Freguesia de Capelins - Santo António, próximas, ou não, da atual, aldeia de Ferreira de Capelins. Assim, estas minas descobertas cerca de 1910, registadas nesse ano, pelos senhores, António Fernandes Palma e António da Luz, são vizinhas das minas romanas, abrangendo uma área mais vasta, embora, na mesma região, produziram vários metais, com mais destaque para o ferro e magnésio ou manganês, este último, existe mais, na área entre o fundo do vale de enxôfre e, o alto da  guarita, onde, na década de 1960, as placas de magnésio, apareciam à superfície nas lavouras mais profundas do trator, conduzido pelo Ti Limpas, (2). 
Como já referimos, estas minas, estiveram em atividade no decénio de 1940 e, cessaram em 1950, deixando, como acontece quase sempre, nestes casos, marcas positivas e negativas. Foi investimento na região, tão importante naquela época, como hoje, mas pouco desenvolvimento e, por fim, deixaram dívidas em salários de vários meses, aos trabalhadores. (2)
(Desenvolvimento em "História das minas Romanas de Ferreira, às minas de Capelins).


(1) Conforme documentos do IGESPAR, existem aqui muitas escórias, que podem comprovar a veracidade dos factos.
(2) Ti Limpas: bom amigo, além de outros dotes, tratorista na herdade "Defesa de Ferreira".
(3) Com a colaboração de dois trabalhadores: um destas minas e outro da herdade "Defesa de Ferreira".

Documento comprovativo da descoberta e registo das minas de Ferreira, em 1910:



Repartição de Minas
______
Éditos
Havendo António Fernandes Palma e António da Luz, requerido o diploma de descobridores legaes da mina de ferro e outros metaes, da Defesa de Ferreira, situada na freguesia de Santo António de Capellins, concelho de Alandroal, districto de Évora, registada por António Fernandes Palma, na Camara Municipal do mesmo concelho em 25 de agosto de 1910, convidam-se, nos termos do artigo 24º do decreto com força de lei de 30 de setembro de 1892, todas as pessoas, a quem a referida concessão possa prejudicar, a apresentar as suas reclamações no Ministerio do Fomento, dentro do prefixo prazo de sessenta dias, contados da publicação d’este édito no Diário do Governo.
 Repartição de Minas, em 24 de agosto de 1911. --- O Engenheiro Chefe da 1ª Secção, servindo de Chefe da Repartição, E. Valerio Villaça.[1]




[1] Diário do Governo Nº 198 – 25 DE AGOSTO DE 1911 – PÁG. 3612.


Mina Romana de Ferreira em Capelins








sábado, 8 de novembro de 2014

22 - História das terras de Capelins

As Minas Romanas de Ferreira - 2.000 anos

Os vestígios deixados pelos Romanos nos vales do Guadiana, Lucefécit e Azevel, na Lusitânia, hoje, terras de Capelins, permitem-nos saber o que eles por aqui fizeram, durante os cerca de 500 anos da sua permanência. Assim, particularmente, nestes lugares, a par da agro-pecuária, produção de azeite, vinho, cereais e gado, desenvolvidas nas terras mais férteis, também se dedicaram à exploração mineira, atualmente, ainda podemos verificar sinais dessa atividade na Defesa de Ferreira, no mesmo local onde fundaram a Vila de Ferreira, nas herdades da Negra, Roncão e Madureira, de onde foi extraído diverso minério, com maior abundância de ferro e manganês ou magnésio. Este trabalho mineiro, era muito duro e esclavagista, tal como na agro-pecuária. Os Romanos deixaram esta região cerca do ano 476 e, parece que, estas minas, ou outras ao lado, como a do outeiro alto e perto da mina chamada Algarve (Algar) de água, na Defesa de Ferreira, só voltaram a ser exploradas nos decénios de 1930/40, com pouco sucesso. Algumas, ainda se encontram a céu aberto, à espera de melhores dias.

Os Romanos nas terras de Capelins
no centro da Lusitânia

sexta-feira, 7 de novembro de 2014


21 - História das terras de Capelins 

Vila Romana de Ferreira - 2.000 anos


Situada na Defesa de Ferreira de Cima - Capelins



Outeiro do Castelinho 1 
CNS:19659
Tipo:Fortim
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Romano
Descrição:O fortim do Outeiro dos Castelinhos  implanta-se num destacado esporão junto da Ribeira do Lucefécit, fronteiro a um importante vau, adjacente a férteis solos agrícolas e a ricas jazidas mineiras. O esporão, de vertentes declivosas, apresenta uma elevada defensabilidade natural, instalando-se o conjunto edificado no topo e parcialmente nas encostas Norte e Oeste. Extensos trabalhos de escavação clandestina, levados a efeito no local, permitiram expor um impressionante conjunto arquitectónico composto por uma ampla área construída, em notável estado de conservação, com as cisternas a atingirem cerca de 2,50 m de altura visível. A construção apresenta uma grande complexidade organizativa que, à falta de um levantamento de pormenor, se torna difícil de compreender. A área edificada é constituída por dois corpos arquitectónicos principais, um no topo e outro no início da encosta Oeste, separados entre si por um corredor ou pátio, parcialmente rebaixado na rocha. Os muros exteriores de ambos edifícios apresentam uma assinalável espessura e robustez, entre 1 m e 1,50 m, e uma construção cuidada, utilizando o xisto local, por vezes em blocos de grande dimensão; os principais muros internos chegam a atingir um espessura de 0,80 cm, o que demonstra as grandes preocupações tidas com a robustez da construção. A estrutura do topo apresenta uma planta quadrangular com aproximadamente 25 m de lado, sendo constituída por um conjunto de compartimentos organizados, aparentemente, em torno de um pátio central. No seu interior são visíveis pisos em opus signinum podendo observar-se, nalguns compartimentos, restos do revestimento das paredes. O conjunto arquitectónico situado na encosta Oeste, separado do anterior por um corredor com cerca de 5 m de largura, apresenta uma planta quadrangular com cerca de 20 m x 24 m; o seu interior é substancialmente distinto do edifício do topo, apresentando três grandes tramos construtivos, com várias subdivisões, paralelos à encosta e escalonados ao longo desta. No extremo Norte deste conjunto, já na encosta Norte, situa-se a zona das cisternas. Estas destacam-se pelo seu soberbo estado de conservação, até ao arranque das abóbadas; são pelo menos quatro tanques, dois dos quais visíveis integralmente, interligados e revestidos a opus signinum. A inclusão deste sítio no grupo dos fortins parece-me óbvia, atendendo à robustez da construção e à localização privilegiada, em termos defensivos e estratégicos, ao controlar um vau da Ribeira do Lucefécit e estar adjacente a ricas jazidas mineiras. A dimensão e riqueza da área construída, tal como a impossibilidade de aferir a diacronia da ocupação3, impõem algumas reservas e muitas cautelas quanto à sua inclusão no conjunto. Na primeira publicação foi classificado como "villa fortificada" , realçando-se a robustez da construção e o seu aspecto fortificado, no que se assemelhava com o Castelo da Lousa, reconhecendo-se, contudo, que os materiais não autorizavam uma cronologia tão recuada como para este último.
Meio:Terrestre
Acesso:Pela estrada de Aldeia de Ferreira até o Lucifecit
Espólio:Fragmentos de cerâmica comum de época indeterminada e fragmentos de terra sigillata hispânica do periodo alto imperial romano.
Depositários:ERA Arqueologia, S.A.
Classificação:-
Conservação:Bom
Processos:S - 19659 e 7.16.3/14-10(1)





segunda-feira, 3 de novembro de 2014

20 - História das terras de Capelins

A "Invasão" da Vila Defesa de Ferreira I

Após a Batalha dos Atoleiros, no dia 6 de Abril de 1384, em Fronteira, Portalegre, veja-se este episódio, que envolveu o Alcaide-mor de Alandroal, Pedro ou Pêro Rodrigues (o encerra-bodes) e Álvaro Gonçalves, capitão dos escudeiros de Vila Viçosa (o coitado), que aqui se apresenta por envolver Ferreira, a nossa região e para verificarmos como foram as relações entre Portugal e Castela, em tempo de paz e de guerra.
“ Invejosos da glória obtida por D. Nuno Alvares Pereira na batalha dos Atoleiros, Álvaro Gonçalves e Pedro ou Pêro Rodrigues determinaram logo depois da Páscoa, isto é, no primeiro meado de Abril do dito ano de 1384, fazerem juntos, por sua conta e risco, uma entrada em Castela. O primeiro reuniu os trinta escudeiros que tinha Vila Viçosa e o segundo os dez ou pouco mais que tinha o Alandroal. E assim em número de quarenta e cinco de cavalo e duzentos de pé de ambas as vilas se dirigiram para o Guadiana e passando este rio, no porto da Cinza, perto de Cheles seguiram sem impedimento a sua marcha por entre Alconchel e Vila Nova del Fresno. Ali se toparam com numerosas manadas que pastavam tranquilamente e, puderam apresar mil e quatrocentas vacas, oitenta novilhos, vinte e seis éguas, nove poldras de três anos e outros poldrinhos pequenos, obrigando os quatorze vaqueiros que guardavam estes gados a virem-nos tocando para Portugal. Repassando o Guadiana, vieram por FERREIRA, e pelo Sobral caminhando placidamente até Pardais e ali na planície da antiga povoação Romana, entre a Fonte de Soeiro e a Ermida do Evangelista S. Marcos, fizeram alto para repartir a presa. Chamava-se a isto dividir no campo. Ora, pertencendo o quinto destes despojos a Álvaro Gonçalves, conforme a concessão que lhe fizera o Mestre de Aviz, renunciou a esse emolumento permitindo que se repartisse a presa com igualdade e ficassem ricos os seus soldados que eram todos naturais e moradores em Vila Viçosa como ele mesmo. As éguas que lhe pertenceram, mandou-as para uma quinta sua perto de Benavente, no Ribatejo. Isto foi o prólogo de grandes acontecimentos realizados ainda na primavera de 1384 – ano fertilíssimo deles para a nossa terra”. 

Lugar da Vila Defesa de Ferreira de 1314











19 - História das terras de Capelins

Descrição do Castro de Capelins no Outeiro do Pombo
 

O Castro do Outeiro do Pombo implanta-se num destacado esporão da margem direita do rio Guadiana, que se desenvolve paralelamente ao rio, apresenta as vertentes consideravelmente íngremes, em particular a Nascente, onde cai abruptamente, o que lhe permite usufruir de uma defensibilidade quase inexpugnável; detém, igualmente, uma excelente visibilidade sobre o vale do rio, em particular sobre dois vaus nas imediações, junto às Azenhas d’El Rei, a montante, e na ilha da Cinza, a jusante.
A ocupação desenvolve-se no topo, em várias plataformas artificiais, definidas por taludes, nos quais são por vezes visíveis muros de xisto. A área ocupada, ainda que supere a definida para a maioria dos locais aqui apresentados, não deverá atingir o 0,5 ha.
Um talude de planta aproximadamente semicircular delimita o sítio, desembocando na escarpa que cai sobre o rio. Esta estrutura dificilmente se poderá assumir como uma muralha, podendo corresponder a um muro de contenção de terras, de modo a ampliar a área habitável. No interior desta área existiria um conjunto de estruturas, denunciadas por taludes e por vários troços de muros, ainda visíveis. Na extremidade Sul do topo e simultaneamente num dos pontos mais elevados do local, existem vestígios de uma estrutura de planta quadrangular.
Este fortim foi inicialmente integrado na Idade do Ferro (Calado, 1993, p. 141; Edia, 1996, p. 169), publicando-se um conjunto de materiais de tradição indígena, nomeadamente bordos extrovertidos; em visita ao local foi possível detectar a presença de paredes de ânfora de produção bética, provavelmente Classe 15–Haltern 70.
Os dados são realmente escassos, contudo, creio ser possível integrar este sítio no conjunto aqui reunido, quer pela sua aparente cronologia, dentro do séc. I a.C., quer pelas suas dimensões e implantação, que o aproximam dos restantes.
Na margem oposta do Guadiana, já em território espanhol e ligeiramente a Sul deste Castro, identificou-se um outro local com características muito semelhantes aos aqui reunidos; implanta-se num destacado esporão, algo recuado em relação ao rio, mas com boa visibilidade sobre este. Este sítio poderia, igualmente, estar relacionado com o controlo dos importantes vaus já referidos.









574 - Terras de Capelins Ermida de Santa Clara  "Venerável relíquia de meados do século XVI, situada na Herdade de Santa Clara, a ...