domingo, 2 de novembro de 2014

16 - História das terras de Capelins 

Privilégio para fazer uma Feira na Vila Terena

A Feira Medieval de Terena, logo, da Vila de Ferreira, privilégio concedido por D. Dinis em 23 de Maio de 1323

Como sabemos, a Vila de Ferreira, embora fosse um Concelho, especial, criado por D. Dinis em 1314, também pertencia ao Concelho de Terena. É por isso, que as referências ao Concelho de Terena, englobam as terras da Vila de Ferreira. O Lugar de Ferreira, sede da Vila com a mesma denominação, situava-se junto às Neves, no alto do Monte de Ferreira, logo, subindo a Ribeira do Lucefécit era perto de Terena. Até 1433, o senhorio de Terena e da Vila de Ferreira, foi sempre do mesmo senhor. Assim, este privilégio de se realizar a Feira em Terena, durante 15 dias, também foi extensível à Vila de Ferreira.
É assim, que vamos sabendo como era a vida dos moradores da Vila de Ferreira, na Idade Média.


À VILA DE TERENA CONFIRMAÇÃO DO PRIVILÉGIO PARA FAZER UMA FEIRA.

NÍVEL DE DESCRIÇÃO Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/K/44/72-391
TIPO DE TÍTULO Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1496-11-16 A data é certa a 1496-11-16 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 48 linhas.
EXTENSÕES 48 Livros
ÂMBITO E CONTEÚDO
Apresenta incluso uma carta de D. João II que refere uma carta de D. Dinis, confirmando o privilégio a Terena, feita em Torres Novas por João Dias, a 7 de Abril de 1483. Álvaro Lopes, secretário d'el-rei a fez escrever. Apresenta também incluso um alvará de D. João I, bisavô d'el-rei, feito em Terena a 1 de Junho de 1421, confirmando uma carta dada por D. Dinis privilegiando quem fosse à feira no lugar de Terena de ser escusado do pagamento de portagens. Apresenta inclusa uma carta de D. Dinis feita em Santarém a 23 de Maio de 1323 mandando fazer uma feira anual com a duração de 15 dias. Vicente Pires a fez.

sábado, 1 de novembro de 2014

15 - História das terras de Capelins 

As Festas de Santo António de Capelins em 1859 


“Das Festas Cristãs resultava que, apesar das tristezas da vida, a religião tinha encontrado meios de perpetuar de raça em raça alguns momentos de felicidade”. (Chateaubriand – Génio do Cristianismo) 
“E como se explica este fenómeno? nesta época, as pessoas não tinham quase nada e, existia tanta felicidade. Hoje temos quase tudo, e existe tanta infelicidade”
Extrato do relato na primeira pessoa, das Festas Tradicionais vividas nos Concelhos de Vila Viçosa e Alandroal nos anos 1700/1800, neste caso, da Festa de Santo António de Capelins no dia 03 de Setembro de 1859:
“Eu mesmo assisti a umas em Santo António de Capelins, termo de Terena, a 3 de Setembro de 1859. Recordamos isto. Detrás da Igreja Paroquial estava preparada a arena com paus levantados e cordas postas através delas onde se penduravam com fitas, pombos e frangos para os galhardos cavaleiros, correndo a toda a brida com a lança em riste, botarem aquelas aves, o que só logravam os mais peritos que, ufanos, iam ofertar na ponta da lança a pessoas amigas o frango ou pombo trespassado. Nos intervalos tocava uma filarmónica sobre um terraço junto da arena, etc.
Isto foi na véspera à tarde. No dia seguinte, depois da festa, saiu a procissão de Santo António e teve então lugar de ver pela primeira e última vez danças religiosas, semelhando a do Rei David que, como todos sabem, dançou em frente da Arca da Aliança ao som do seu psaltério quando ela foi trasladada para o Monte Sião em Jerusalém. Quatro homens (se bem lembrado estou) de saiotes e mitras na cabeça com tufos de fitas e guitarras nas mãos dançavam constantemente diante do andor, indo sempre de recuas para lhe não darem as costas.
Aquilo para mim foi como se achasse um monumento de arqueologia e disse com os meus botões: - Eis aqui em Terena (Santo António de Capelins), o resto do que há dois ou três séculos se fazia pelas Vilas e Cidades mais notáveis!
Tornando a Terena em 1880, vi guardadas as vestiduras dos profetas dançantes na Igreja da Boa Nova, mas soube estarem já suspensos ou extintos aqueles divertimentos de tão antiga data.”
Bdalentejo.net/BDAObras/255/BlocosPDF/bloco03-19_28.pdf

bdalentejo.net 


Igreja de Santo António de Capelins 









sexta-feira, 31 de outubro de 2014



14 - História de Capelins 

Lugar arqueológico junto à Igreja de Santo António


Conforme os registos no IGESPAR, existem vestígios de povoadores na atual Freguesia de Capelins, não só junto ao rio Guadiana, Ribeiras de Lucefécit e Azevel, mas também, junto à Igreja de Santo António, na Cabeça de Sina, da época do Neo-Calcolítico, ou seja entre  o Neolítico e a Idade do Bronze (aproximadamente 3.300 a  1.200 a.C.), o que significa que este lugar já era povoado há cerca de 5.000 anos e continuou a ser na Idade Média e Moderna (Capelins 2)!

Documentos do IGESPAR/DGPC

Capelins 1
CNS:12389
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Neo-Calcolítico
Descrição:Habitat pré-histórico em terreno plano e aberto onde foram identificados à superfície percutores de quartzo, seixos e lascas de quartzito.
Meio:Terrestre
Acesso:A 100 m do Capelins pelo caminho que conduz a Aldeia de Ferreira.
Espólio:Seixos afeiçoados de quartzito, percutores, escassos fragmentos de cerâmica manual e elementos de mós manuais.
Depositários:UNIARQ - Unidade de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)





Neste caso, Idade Medieval - Moderna, talvez finais do centénio de 1400


Capelins 2
CNS:21044
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade Média e Moderno
Descrição:Habitat medieval-moderno onde foi detectada à superfície cerâmica de construção e comum, de roda, com características medievais.
Meio:Terrestre
Acesso:-
Espólio:Cerâmica de construção e comum, de roda, com características medievais.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)

Igreja de Santo António de Capelins






13 - História de Capelins

Privilégios concedidos aos moradores da Vila de Ferreira
O documento infra, faz parte da história de Capelins, refere-se à Vila Defesa de Ferreira de 1314 e, foi produzido em 31 de Outubro de 1497, o qual, confirma os privilégios concedidos pelo Rei D. Manuel I, aos moradores no Lugar de Ferreira, que se situava dentro da Vila Defesa de Ferreira, (hoje, Freguesia de Capelins), de não servirem na guerra por mar ou por terra de não serem besteiros, de não pagarem peitas, fintas e talhas, de não serem presos para serem levados para outros lugares. Eram privilégios tentadores à fixação de pessoas nesta região, mas em troca destes privilégios tinham que defender militarmente este espaço geográfico. Como já referimos noutras publicações, os lavradores eram na maioria militares, ex-militares e, ordenanças, os quais, arrendavam terras para cultivar na Vila Defesa de Ferreira, mas quase todos, residiam na Vila de Terena. 
Com base neste documento podemos confirmar que no caso de um criminoso aqui se acolher, o mesmo não era preso para ser levado para outro lugar, também por isso, era Vila Defesa.


AO LUGAR DE FERREIRA, CONFIRMAÇÃO DOS PRIVILÉGIOS DOS SEUS MORADORES NÃO SERVIREM NA GUERRA POR MAR OU POR TERRA; DE NÃO SEREM BESTEIROS; DE NÃO PAGAREM PEITAS, FINTAS E TALHAS; DE NÃO SEREM PRESOS PARA SEREM LEVADOS PARA OUTROS LUGARES.

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/K/28/94-433
TIPO DE TÍTULO Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1497-10-31 A data é certa a 1497-10-31 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 60 linhas.
EXTENSÕES 60 Livros
ÂMBITO E CONTEÚDO
Enumeram-se outros privilégios.  Apresenta inclusa carta de D. João II, feita por João de Ferreira em Lisboa a 9 de Novembro de 1486. Apresenta inclusa na anterior carta de D. Afonso V, feita por autoridade do infante D. Pedro, tutor e curador del-rei, regedor e defensor do Reino, em Évora a 17 de Março de 1444. Pero de Lisboa a fez. Apresenta inclusa na anterior carta de D. Duarte, feita por Lopo Afonso em Santarém a 17 de Novembro de 1433. João Pais a fez.





Em conformidade com este documento, outros privilégios foram concedidos aos moradores da Vila Defesa de Ferreira, mas, apesar desses privilégios, foi sempre muito difícil fixar aqui povoadores. Este modelo, foi implementado por D. Dinis no momento da fundação da referida Vila em 1314, como alternativa aos Coutos de homiziados. No entanto, parece que não obteve o sucesso esperado, continuando nos anos seguintes, a fundação de coutos de homiziados por todo o reino.

Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins













quinta-feira, 30 de outubro de 2014

12 - História das terras de Capelins

As minas de ferro, magnésio e outros metais, na Defesa de  Ferreira

Conforme podemos verificar no presente documento, emitido em 1910, muitos anos anos depois da exploração das minas de Ferreira pelos romanos, concretamente, em 25 de Agosto de 1910, foi registada na Câmara de Alandroal pelos descobridores António Fernandes Palma e António da Luz, a concessão da exploração da mina de ferro e outros metais na herdade da Defesa de Ferreira.


Repartição de Minas
______
Éditos
Havendo António Fernandes Palma e António da Luz, requerido o diploma de descobridores legaes da mina de ferro e outros metaes, da Defesa de Ferreira, situada na freguesia de Santo António de Capellins, concelho de Alandroal, districto de Évora, registada por António Fernandes Palma, na Camara Municipal do mesmo concelho em 25 de agosto de 1910, convidam-se, nos termos do artigo 24º do decreto com força de lei de 30 de setembro de 1892, todas as pessoas, a quem a referida concessão possa prejudicar, a apresentar as suas reclamações no Ministerio do Fomento, dentro do prefixo prazo de sessenta dias, contados da publicação d’este edito no Diario do Governo.
    Repartição de Minas, em 24 de agosto de 1911. --- O Engenheiro Chefe da 1ª Secção, servindo de Chefe da Repartição, E. Valerio Villaça.


(Diario do Governo Nº 198 – 25 DE AGOSTO DE 1911 – PÁG. 3612).


Mina Romana de Ferro na Defesa de Ferreira - Capelins






quarta-feira, 29 de outubro de 2014

11 - História das terras de Capelins 
O Senhorio da Vila de Ferreira
A Vila Medieval de Ferreira (hoje Freguesia de Capelins), na posse da Infanta Dª Beatriz de Castro, (neste documento, Brites) filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro entre 1373 e 1378, sendo-lhe retirada pelo seu meio irmão o rei D. Fernando em 1378, por ter sido acusada de atentado para a sua morte.
Conforme consta em documentos, arquivados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ANTT, na Chancelaria de D. Fernando, I, II, folha 36 v


Infanta Beatriz de Portugal



Infanta Beatriz de Portugal (1347 — 5 de Julho de 1381) era filha do Rei Pedro I de Portugal e de Inês de Castrodama galega que chegou a Portugal como aia de Constança Manuel, recentemente casada com D. Pedro, príncipe herdeiro da coroa na altura.
Beatriz nasceu em Coimbra entre 1347 e 1351, não se sabendo ao certo o seu ano de nascimento. Tornou-se Condessa de Alburquerque ao casar-se com Sancho de Castela, filho do rei Afonso XI de Castela e sua amante Leonor de Gusmão. Faleceu em 1381.
Quanto à questão de Beatriz ter sido uma legítima Infanta de Portugal ou, tão-só, uma filha natural de Pedro I a quem o título de Infanta nunca deveria ter sido atribuído, a verdade é que após a morte de Inês de Castro, e de haver subido ao trono, D. Pedro I tudo fez para legitimar os filhos de ambos. E de tal maneira o conseguiu que, já sendo falecida Beatriz, João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385, depois de ter demonstrado com documentos na mão que o Papa Inocêncio VI se recusara a legitimá-la e aos seus dois irmãos, disse o seguinte: Ora vedes aqui, sem mais acrescentar ou minguar, toda a história, como se passou, do casamento de dona Inês e legitimação de seus filhos, a qual eu quisera escusar por honra dos Infantes, posto que sejamos em tal passo; e entendo que isso fora melhor do que me fazerem publicar de praça e semear para sempre a sua incestuosa nascença. Ou seja, João das Regras, mesmo após lamentar ter sido obrigado a exibir as provas deles serem ilegítimos, continua, apesar disso, a chamar-lhes Infantes.1 Melhor prova do que esta de que ela e os seus irmãos eram realmente reconhecidos como Infantes não podia haver.

in Wikipédia

Infanta Dª Beatriz de Castro



domingo, 26 de outubro de 2014

10 - História de Capelins
A Vila Medieval de Ferreira, vista através dos olhos da Real Academia de la Historia de Espanha


O espião espanhol, José Andrés Cornide de Folgueira y Saavedra, que andou por Portugal entre 1754 e 1801, a verificar os melhores lugares para a entrada de uma invasão espanhola em Portugal, descreve a Vila de Ferreira, como pertencendo à Paróquia de Santo António de Capelins, com apenas uma Capela dedicada a Nossa Senhora das Neves. De facto, nessa época, a Igreja de Santo António e, a sede da Paróquia, situavam-se fora do espaço geográfico da Vila de Ferreira, era na Cabeça de Sina, termo (Concelho) de Terena.
Como sabemos, a Vila Medieval de Ferreira, correspondia ao espaço geográfico a sul das herdades da Boieira, Nabais e Sina, até ao rio Guadiana, tendo por limites laterais as Ribeiras do Lucefécit e do Azevel subindo desse lado, por onde é atualmente a Freguesia de Capelins até ao extremo da herdade de Nabais, ficando esta herdade, assim como a da Sina, fora da Vila de Ferreira, pertencentes ao Concelho de Terena, mas na Paróquia de Capellins.
A sede da Vila de Ferreira, Concelho, sem foral, era junto à então Igreja Matriz de Santa Maria (Neves), mas existiam vários Montes! 
O Alcaide, Juiz, Procurador, Escrivão e, Vogais da Câmara da Vila de Ferreira. eram escolhidos entre os homens bons da dita Villa e residiam em diversos lugares da dita Vila. 
Em 1799/1800, conforme afirma José Cornide, espião espanhol, ainda existiam 32 casas no local onde, a partir de 1314, foi fundado o Lugar de Ferreira. A partir de 1698, a configuração das herdades da Villa foi alterada, as herdades da defesa de Ferreira e de Bobadela foram doadas à Casa do Infantado e, as restantes passaram para o Reino, ou talvez para a Casa das Rainhas, sendo arrendadas a lavradores, continuando a Vila a ser administrada  pelo mesmo sistema anterior, até 1834 ou 1836. Conforme vestígios arqueológicos registados no IGESPAR, que condizem com o lugar referido na informação de José Cornide, ou seja, que ficava junto à Capela de Nossa Senhora das Neves a uma légua a sul da anterior Vila de Ferreira Romana do século I..


É esta a informação de José Cornide ao Reino de Espanha, antes de 1800











Monte de Ferreira 2
CNS:21046
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade Média e Moderno
Descrição:Habitat de época medieval-moderna onde foi identificada à superfície, na parte alta do olival e até junto do monte, cerâmica de construção e comum de tipo medieval. Uma lagareta de xisto e uma mó.
Meio:Terrestre
Acesso:Pelo caminho que conduz a Capela de Nossa Senhora das Neves.
Espólio:Cerâmica de construção e comum de tipo medieval. Uma lagareta de xisto e uma mó.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)
Trabalhos (1)
Bibliografia (0)


    Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins











    584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...