sexta-feira, 24 de outubro de 2014

6 - Terras de Capelins
História de Capelins

O Castro de Capelins, Defesa de Bobadela

Arqueólogo Português

Do Castello Velho vae-se para S. Miguel da Mota por uma pequena vereda, atravessando-se a ribeira do Luçafece nas passadeiras que tem junto ao moinho do Subtil. Gastam-se uns tres quartos de hora.

Foram provavelmente as populações do Castello Velho e do Castellinho as que ficavam mais proximas do sanctuario de Endovellico, que, como jà disse n-0 Archeologo^ pag. 46, estava no monte de S. Miguel da Mota; esse santuario pertenceria a uma das referidas povoações, ou a ambas. Pelo menos ninguém me soube informar à cerca de outras estações archeologicas ahi porto, apesar das minhas pesquisas. o nome de Castello Velho é frequente no districto : na serra de Ossa ha tambem um, que corresponde a um castro ; tenho noticia de outro, na freguesia de Capellins, concelho do Alandroal, sobre o Guadiana.



J. L. DE V. 


Este Castro, ao qual o arqueólogo se refere, fica situado na Freguesia de Capelins, na Defesa de Bobadela de Cima, (um pouco acima da cinza, no outeiro do Pombo) sendo parte desse espaço, agora, património do estado, por se encontrar na margem da Albufeira de Alqueva. É pequeno e, parte dele está submerso, mas quando as águas baixam no fim do verão, conseguimos ver grande parte dele. Há quem o denomine por castelinhos, embora, não apresente qualquer característica de castelo. Na sua parte mais alta, ainda se podem ver restos de grandes paredes e adivinha-se que outras estão soterradas.
Encontra-se registado no IGESPAR, devido ao Levantamento Patrimonial e Arqueológico de Alqueva, com a seguinte classificação:

Outeiro do Pombo 1
CNS:21258
Tipo:Povoado Fortificado
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade do Ferro
Descrição:Povoado fortificado, da Idade do Ferro, caracterizado pela presença de muros e cerâmica comum, de pasta alaranjada.
Meio:Terrestre
Acesso:-
Espólio:Cerâmica comum, de pasta alaranjada.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)




Como podemos verificar esse Castro, situa-se no Outeiro do Pombo, mas encontram-se aí outros vestígios de ocupação desde o período Neolítico.


Outeiro do Pombo 4
CNS:13581
Tipo:Estrutura
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade Média
Descrição:Possível estrutura do século V/VII. À superfície é visível um aglomerado de pedras de derrube. Pela localização dos vestígios, aparentes técnicas de construção utilizadas, espólio encontrado e proximidade de linhas de água, admitimos a possibilidade de estarmos perante uma unidade agro-pastoril.
Meio:Terrestre
Acesso:-
Espólio:Vinte e quatro fragmentos de um contentor de pequenas dimensões, cerâmica comum e de construção, escória de ferro, seixos e lascas e um fragmento de bordo de vidro de cor verde clara.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:S - 13581, 7.16.3/14-10(1) e 99/1(079)






sexta-feira, 17 de outubro de 2014


5 - História de Capelins

Freguesia de Capelins (Santo António) 

Referência e localização geográfica da Freguesia de Capelins

A Freguesia de Capelins (Santo António), fica situada na parte sudoeste do concelho de Alandroal, numa zona planáltica delimitada a norte pela ribeira de Lucefécit e a sul pela ribeira do Azevel e pelo rio Guadiana, (Barragem de Alqueva). Esta freguesia é ainda constituída pelas aldeias de Montejuntos, Ferreira de Capelins, Faleiros e uma pequenina parte da Cabeça de Carneiro.
"Capelins, são aldeias de gado, azinheiras e sobreiros em pastos ondulados, faz-me ainda não ter saudades da cidade e do barulho dos bares. Entre as terras de Rosário e de Capelins, há uma ponte que atravessa águas bentas chamada de Ribeira do Lucefécit. E o Lucefécit, por si só, que vira albufeira mais a norte, e que continua carregado de mistério, a começar pelo nome ímpio que carrega. Lucefécit parece vir, e vem mesmo segundo alguns investigadores, de Lucifer, o portador da luz que mais tarde veio a ser satanizado por quem mandava no cristianismo até passar ao exacto contrário do seu real significado: o senhor das trevas. Se há perguntas quanto à heresia que estes campos representam para algumas almas mais beatas, o Lucefécit tira-nos as dúvidas.
Aqui, nestas paragens sagradas, o que era pagão transformou-se no que ficou cristão, mas ainda é muito de cada um. Fiquei a conhecer o Alentejo do céu, por oposto ao Alentejo da terra que andei a fisgar nos últimos dias".
(da net) 

Aldeias Ribeirinhas (18)

1.Alqueva
2. Amieira
3. Campinho
4. Capelins
5. Cheles
6. Estrela
7. Granja
8. Juromenha
9. Luz
10. Marmelar
11. Mina da Orada (Pias)
12. Monsaraz
13. Monte do Trigo
14. Pedrógão
15. Póvoa S. Miguel
16. São Marcos do Campo
17. Telheiro
18. Villareal



4 - Terras de Capelins 

Alma de Capelinense

É nossa missão, como amigos de Capelins, divulgar todas as referências à nossa Freguesia.

Chegado um fim-de-semana,
fiz contas, e atravessando
as margens do Guadiana,
fui dormir a Capelins.
Na manhã do outro dia
(o Sol ainda dormia)
e eu, a pé, já caminhava
por terras de Portugal.
Andando um bom par de léguas
cheguei tarde, noite fora,
ao sítio da "Cotovia".
Batiam três da manhã
na torre da freguesia.
Ia a morrer de cansaço,
mas a voz do próprio sino,
como a força do destino,
foi-me levando p'lo braço
ao "Monte" onde ela morava...

In: “Terras de Sol – Picareta Escribante”

Igreja de Santo António de Capelins 








3 - História de Capelins

Freguesia de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos

Serra ou Planalto da Sina em Capelins

A Serra ou planalto da Sina, localiza-se na Freguesia de Capelins – Santo António, Concelho de Alandroal, Distrito de Évora. A sua altitude ortométrica é pouco elevada, podendo passar despercebida a qualquer comum viajante ou pouco conhecedor da região. Quando em 1758, o Pároco de Santo António, Manuel Ramalho Madeira, preencheu o questionário enviado pelo Marquês de Pombal, na questão colocada sobre a existência, ou não, de alguma serra na Paróquia, ele respondeu, “não haver serra” , porque, devido à pequena elevação, a mesma não era, assim considerada!
Resposta do Pároco:
“Serra
Na segunda parte da ordem se ma procura saber da qualidade da serra, e assim nesta parte não tenho que dizer por não haver serra, contados estes treze interrogatórios nada, não há duvida que esta fraga tem em si creaçoins de bois, ovelhas, cabras e porcos, e também algumas creaçoins de lebres e coelhos como se procura no interrogatório decimo primeiro desta segunda parte assim, não há mais que dizer.”
A Serra da Sina situa-se na herdade da Sina que, também aparece em diversos documentos antigos como “Cabeça de Sina”, tem uma flora típica dos terrenos mais pobres do Alentejo, devido à secura, predomina a esteva, rosmaninho e giesta, sendo o arvoredo dominado por azinheiras. No interior da Serra, existe uma fonte bem arranjada, noutros tempos, a água era muito apreciada, mas nos últimos anos, também, devido à existência de água canalizada ao domicilio, está abandonada, sendo, pouco, ou nada utilizada. Na sua extremidade leste, encontramos a Igreja de Santo António de Capelins, o Cemitério desta Freguesia e duas casas de habitação.
Do alto desta Serra, avistamos diversas localidades, portuguesas e espanholas, como: Terena, Alandroal, Évoramonte, Elvas, Monsaraz, Cheles, Alconchel e outras, olhando a ocidente, a vista, é dominada em grande parte, pela Serra D’ Ossa.
Foram aqui encontrados vestígios de povoamentos datados do neo-calcolítico, com cerca de 5.000 anos. 
A Serra da Sina, ou Cabeça de Sina, foi uma mata do rei, pertencia ao Reino e, ficava fora da Vila de Ferreira, foi muito importante para o reino, devido à sua flora e fauna, permitindo boas montarias, por isso, aparece mencionada em “Montarias do Rei com as respetivas matas”, ou, “As matas do Rei - séculos XIV -XV” – História Florestal. Regimento de 1605, assim: “Terena – Cabeça de Sina”

Serra da Sina ou Planalto da Sina


domingo, 7 de setembro de 2014

2 - Terras de Capelins
História de Capelins  
A Visitação de um clérigo em 1534 à Igreja Matriz de Santa Maria - Neves 
A história das terras de Capelins é conhecida desde a pré história, existe documentação referente ao estudo dos vestígios arqueológicos encontrados nesta Freguesia e, classificados por especialistas do IGESPAR e da EDIA , quando foi feito o Levantamento Arqueológico e Patrimonial do Alqueva e de outros autores. Muitos artefactos encontrados no levantamento arqueológico e patrimonial de Alqueva, são da pré história, passando pelo período Neolítico e calcolítico que, pode ser considerado entre 10.000 anos antes de Cristo até 3.000 antes de Cristo, pelo período medieval,  até ao cristianismo. 
Conseguimos conhecer parte da história das terras de Capelins, através da consulta de documentos via on line no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), no Arquivo Distrital de Évora, Arquivo Distrital de Portalegre, Registos Paroquiais e, em livros de autores como Túlio Espanca e outros que, fizeram estudos arqueológicos nesta região. 
Conforme é descrito por Túlio Espanca, no ano de 1534 foi efetuada uma visita por um clérigo da Diocese de Évora, existindo um relatório, na Biblioteca Publica de Évora, (Livro da Visitação de 1534) à Igreja Matriz de Santa Maria, hoje Neves, a qual estava edificada no lugar onde se encontram as sepulturas escavadas na rocha, junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves, mandada construir por D. Dinis em 1314, dentro da Vila Defesa de Ferreira
Por analogia com outros relatórios com a mesma data, referentes a Paróquias vizinhas, (por exemplo do Concelho de Reguengos de Monsaraz) a que já tivemos acesso, nesse relatório, está descrito tudo sobre a Igreja, instalações, necessidades e, sobre a comunidade que residia na Vila de Ferreira, quantos fregueses existiam aqui e, quem a frequentava. Decerto, uma boa fonte de informação sobre como as pessoas viviam aqui, nessa época tão remota.



Período Neolítico - Instrumentos de Pedra Polida

Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

1 - Terras de Capelins
Património Arqueológico no Vale da Ribeira de Lucefécit
Porta do Rosário (Vila de Ferreira Romana) à Porta D' El-Rei
Este circuito arqueológico, inicia-se no limite nordeste da Freguesia de Capelins, nas minas e Vila de Ferreira Romana, com 2000 anos, descendo o vale da Ribeira de Lucefécit, a cerca de 500 metros, existe o Porto Romano da Águas Frias de baixo, com as antigas passadeiras, agora submerso, logo a seguir, na margem direita, encontra-se o Moinho Velho, muito velho, nenhum idoso com mais de oitenta anos, a quem foi pedida colaboração, o conheceram a funcionar, nem sabiam quando e, por quem teria sido construído, mas todos disseram que, deviam ter sido os romanos, era pequeno e atarracado, ou seja, de uma arquitetura muito diferente dos outros Moinhos, decerto, dos primeiros Moinhos que foram construídos nesta região, pensamos que, podia ter ligação à Vila Romana de Ferreira, para moer cereais, ou para triturar o minério. Era um Moinho de roda horizontal, movido através de água canalizada a partir da Ribeira, voltando essa água, posteriormente à mesma! 
O Moinho Velho está submerso nas águas do Grande Lago de Alqueva!
Alguns metros mais abaixo, antes de chegarmos ao Ribeiro das Neves, também na margem direita desta Ribeira, existe o Moinho das Neves, que ainda funcionava no início do decénio de 1960, sendo o moleiro, talvez o último, natural da Aldeia de Cabeça de Carneiro e que, enquanto existia água na Ribeira para o Moinho funcionar, até Abril/Maio, residia com a mulher e filhos numa pequena casa só com uma divisão onde, também guardava os cereais e farinha, quando vinham as grandes cheias ! Neste moinho de roda horizontal, assistimos algumas vezes ao fabrico da farinha, que era feita de forma muito simples e ecológica. Este Moinho, encontra-se submerso, assim como a referida casa, a qual, veio à tona pela primeira vez após o enchimento da barragem, no ano de 2018, já com a cobertura do telhado quase desmoronada, apenas tinha alguns paus de suporte das telhas!
Logo a seguir, estamos junto à Necrópole e Ermida de Nossa Senhora das Neves, como do antigo Lugar da Vila Medieval de Ferreira, fundada por D. Dinis em 1314. Também aqui se situa o Monte de Ferreira, o que resta da antiga Vila!
Seguindo para sul, a cerca de 1,5 km encontramos o Monte do Escrivão, mais um lugar, segundo a DGPC, que foi povoado pelos Romanos, aqui existiam, noutros tempos, pelo menos 10/12 casas e muitos moradores, no entanto, hoje está quase deserto e quase tudo abandonado, sem esperança de recuperação, embora se situe a 500/600 metros da Ribeira do Lucefécit, ou seja do Grande Lago, podendo, ainda ter algum aproveitamento para atividades turísticas. 
Vamos descendo o vale da Ribeira do Lucefécit e, avistando Montes abandonados e com os dias contados, porque muitos já se encontram em ruínas. Passando pelo limite da herdade da Negra, foi mais um lugar explorado pelos romanos, em termos de exploração mineira e agro-pecuária. No início de 1960, foi aqui encontrada uma necrópole na parte sul, próxima da estrada que faz a ligação Negra - Carrão - Montejuntos, existindo ainda uma sepultura junto a este caminho. A seguir, encontramos a herdade da Talaveira e, depois a do Roncão, onde existia um moinho e duas casas junto ao mesmo, acima da foz do Ribeiro da Carrão, estando o moinho submerso e as casas foram demolidas, também aqui se encontram vários vestígios de ocupação romana, uma necrópole, marcas de exploração de minérios e sinais de civilizações anteriores a esta. No Roncão, ficava a foz do Ribeiro do Carrão, o qual, era recebido neste lugar pela Ribeira do Lucefécit. Um pouco mais abaixo, estamos junto às Azenhas D' El-Rei, existindo no alto, à direita, vestígios de forte ocupação romana, sem nenhum sinal dos Moinhos ali existentes, que estão submersos! 
Logo a seguir, já no vale do rio Guadiana encontramos a Praia da Liberdade!

O Lugar da Vila de Ferreira de 1314 era neste lugar!







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