quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

395 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins -

Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda da ti Margarida e da rocha do medo, no Carrão

Desde sempre, ouviram-se lendas sobre medos que apareciam nas terras de Capelins! Este caso, passou-se com a ti Margarida de Jesus junto à rocha do medo, que se situa no caminho entre Montejuntos e o Monte do Roncão, ou seja, no Carrão antes do Ribeiro desse nome! Nesse tempo, passavam por aqui muitas pessoas, de noite e de dia, a caminho dos diversos Montes das herdades da região e do rio Guadiana e, parece que aconteceram muitos casos semelhantes ao da ti Margarida, mulher que era do ti Manoel Guerra, moleiro no Moinho das Azenhas D’ El-Rei, com casa em Capelins de Baixo!
A ti Margarida passava grande parte do ano em companhia do marido e dos filhos no dito Moinho, mas como tinham os pais na Aldeia e já não andavam bem, sempre que podia, levava alguma farinha à cabeça para deixar à mãe e, depois de fazer a ceia e cear (jantar), depois de tudo arrumado, partia para dormi lá e fazer-lhe companhia, mas quando saía dali já era noite dentro, porque o ti Manoel nunca tinha pressa em cear! Uma noite, a ti Margarida, para chegar mais depressa, subiu o alto das Azenhas D´El-Rei, pela Fonte da Lesma, depois por um caminho ao lado Ribeiro e virou para o Carrão para seguir pelas Bispas, Calados e Capelins de Baixo! A ti Margarida, poucas vezes fazia esse percurso, mas naquela noite deu-lhe para ir por ali, porque não se lembrou que tinha de passar junto à rocha do medo, mas também não tinha medo de nada, porque fazia-se acompanhar de um rosário que levava sempre nas  mãos e passava grande parte da viagem a rezar o terço, porém, quando passava junto à dita rocha, sem perceber o que se passou, deixou cair o rosário das mãos, como levava a farinha à cabeça era difícil baixar-se, mas teve de ser e, na escuridão começou a apalpar o chão para o apanhar, mas não o encontrava, estava naquela azáfama quando ouviu uma voz rouca, parecia vir das profundezas dizer: “ Baixa mais a mão que o apanhas”! A ti Margarida mesmo sem ver, devido ao susto, arremessou a mão pelo chão e ficou com o rosário na mão, começou a correr pela chapada do Carrão, até não poder mais, já muito cansada chegou às Bispas e, continuou o resto do caminho a passo, quando deu por si, já estava em Capelins de Baixo!  Descansou um pouco, e contou logo aos pais e aos vizinhos o que se tinha passado, mas ninguém acreditou nela, muito menos que a vós fosse da própria rocha! Agora as rochas já falam! Exclamou o pai! Uns diziam que tinha sido alguém que estava por ali e viu onde caiu o rosário! Outros, diziam que tinha sido tudo maquinado na cabeça da ti Margarida, a qual, estava já tão confusa que não tinha a certeza de nada, mas naquela noite pouco dormiu a pensar no caso! No dia seguinte, voltou ao Moinho das Azenhas D’ El-Rei, mas já não foi por aquele caminho! Quando chegou, contou a sua versão ao marido, mas ele não acreditou nela e ainda a enxovalhou dizendo que era tudo da cabeça dela e que tivesse juízo! A ti Margarida teve de ficar calada, porque já nem sabia se teria sonhado com o sucedido mas, por sim, por não, nunca mais passou, nem de noite nem de dia, junto à rocha do medo no Carrão.

Fim    


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