terça-feira, 7 de novembro de 2017

359 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A lenda da mulher do vestido vermelho no Ribeiro do Carrão 
No início do mês de Junho de 1915, o ti Miguel da Roza, que morava em Capelins de Baixo, teve que abastecer a casa de farinha, porque já não tinham para a próxima cozedura, mas como já andava a ceifar as favas e a cevada, não lhe dava jeito perder uma manhã para ir ao Moinho das Azenhas Del-Rei, então, pensou em ir á tardinha e dormir lá no rio Guadiana, levava um saco de cevada e um de trigo e, se não houvesse farinha feita, dava tempo para o moleiro a fazer durante a noite e de madrugada voltaria a casa, aproveitando o dia para continuar a ceifar e, foi assim que fez! 
O moleiro, até tinha farinha para troca, mas mesmo assim, o ti Miguel ficou, porque era muito bom dormir naquele lugar mágico! De madrugada, carregou a farinha e seguiu pelo caminho que passava junto à fonte da lesma, deu água à mula, encheu o barril e não se demorou! Quando passava o Ribeiro do Carrão, já se começava a ver e reparou num vulto à sua frente, mais próximo viu que era uma mulher com um vestido vermelho, uma coisa nunca vista por ali! O ti Miguel pensou que devia ser alguma espanhola, ela virou-se e tinha a cara tapada com o lenço da cabeça, deixando-lhe os cabelos compridos à solta, a mulher levantou o braço direito fazendo sinal para ele parar o carro (carroça)! Aí, oh! Disse o ti Miguel e, a mula parou imediatamente!    
Mulher: Bom dia! 
Ti Miguel: Bom dia! 
Mulher: Então não me leva a cavalo até lá acima? 
Ti Miguel: Não levo! Eu não vou lá para cima, vou para Capelins de Baixo! 
Mulher: Está bem, leve-me até perto de Capelins de Baixo!
Ti Miguel: Então suba depressa aí pela rabicha, que eu não tenho vagar, estou com muita pressa! 
A mulher para chegar à rabicha do carro (carroça) levantou o vestido vermelho até quase aos joelhos, mostrando um palmo das canelas, o bastante para o ti Miguel começar a gritar para ela se afastar, porque já não a levava a cavalo! 
Mulher: Tão agora, o que é que eu fiz? Não me disse para subir pela rabicha? 
Ti Miguel: Oh mulher, ainda pergunta o que fez? Vocemecê não viu que faltou pouco para me mostrar as pernas? Quase que lhe vi os joelhos! Então se alguém visse uma coisa destas, uma mulher a saltar-me para o carro e quase de joelhos à mostra, o que eu arranjava com a minha Maria e o que diriam por aí! Eu sou uma pessoa muito honrada! Olhe vá a pé, comigo é que não vai! 
O ti Miguel não esperou mais explicações e deu ordem de andamento à mula, não olhando mais para a mulher! Seguiu pela estrada ao lado do Ribeiro do Carrão, pela Zorra, alto do malhão, Ribeiro da aldeia, Monte do marco e chegou a Capelins de Baixo! Assim que descarregou a farinha na casa do forno, foi contar tudo à mulher! Ela não acreditou em nada, mas com receio, não o contrariou! Com um vestido desses, devia vir de alguma festa e andava perdida ou era espanhola! "Nem uma coisa nem outra" mulher! É um mistério que anda por aí!  Disse o ti Miguel! A ti Maria ainda pensou: Decerto, que vinha a dormir e a sonhar com uma mulher de vestido vermelho, mas não se atreveu a dizer mais nada! 
O ti Miguel continuou a contar a toda a gente o acontecimento daquela madrugada e, além de quase ninguém acreditar, foram vistos muitos rapazes das terras de Capelins a passar pelo Ribeiro do Carrão, nas madrugadas seguintes, na esperança de ver a mulher do vestido vermelho, que tinha aparecido ao ti Miguel da Roza, mas nunca mais houve sinais dela!  
A intriga dos capelinenses era: "O que andaria a mulher a fazer, de madrugada, de vestido vermelho, no Ribeiro do Carrão"?  E, alguns diziam que devia ser alguma feiticeira que se atrasou na volta do baile!  
Mais um segredo das terras de de Capelins, ainda por desvendar!  

Roncão - Capelins




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