sexta-feira, 13 de outubro de 2017

206 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da Construção da Igreja de Santo António de Capelins 
Conforme consta em documentação conhecida, a primitiva Igreja de Santo António de Capelins, (então Ermida), foi construída cerca dos anos de 1517/1518, na herdade da Sina que, se designava por Cabeça de Sina e, era considerada uma das melhores Montarias do Reino (Coutada), como consta no livro das Montarias do Reino. Nessa época, as caçadas eram muito importantes na vida da fidalguia que, ao mesmo tempo lhe servia de treino militar. Todos os fidalgos queriam caçar nas Montarias mais famosas, entre as quais na Cabeça de Sina, uma das quatro doadas pelo povo de Terena ao Rei D. João I em troca das 1000 libras para ajudar na construção da barbacã e reforço das muralhas do seu Castelo!
Nessa mesma época, existia um fidalgo da Corte do Rei D. Manuel I, capitão de Armadas, o qual, em 1509 comandou uma Armada por terras da India e parte do Oriente que, como consta em diversos documentos, não foi bem sucedido em termos militares mas, devido a alguns bons negócios comercias pessoais, conseguiu enriquecer, o que não o fez esquecer o seu Alandroal de onde era natural e onde a sua família residia, sendo o seu pai o Alcaide Mor desta Vila. Assim. sempre que punha o pé em terra, vinha sempre passar aqui alguns dias e foi numa dessas visitas que mandou preparar mantimentos, cavalos, cães, fusis e tudo o que era necessário para passar algum tempo a caçar nas terras de Terena, ficando a comitiva instalada no Castelo desta Vila e dali deslocavam-se diariamente às melhores Coutadas Reais. Saíram do Alandroal logo de manhã cedo para Terena, a fim de aqui se prepararem e saber junto dos administradores locais, quais eram os melhores lugares para caçar, sendo-lhe indicada a Coutada da Cabeça de Sina, porque não havia por ali nenhuma igual em caça grossa!
Na madrugada seguinte, a comitiva seguiu pelo Monte Branco, Ai Ai, Monte Abaixo, Faleiros, subiram pelo caminho que existia na Cova da herdade da Sina que entrava noutro caminho que vinha dos lados de Ferreira, no lugar onde se situa a Igreja de Santo António, aqui tinham de virar à esquerda para se dirigirem à casa dos guardas e de apoio aos caçadores que ficava a cerca de 100 metros, porém, quando a comitiva ia no referido lugar cruzaram-se com um frade de Jesus da pobre vida, cujos frades eram protegidos pela Diocese de Évora, o qual vinha em sentido contrário! Alguns fidalgos, nem reparavam nele, uma figura muito franzina, sumida nuns trapos, irradiando pobreza à distância, e que só não passou despercebido porque os cavalos pararam repentinamente e fizeram-lhe uma vénia! Os fidalgos ficaram indignados e reagiram mal contra os cavalos, tentando fazê-los avançar, mas eles continuaram parados e nada os fazia sair dali, armando-se uma grande confusão! O frade foi-se afastando  para os lados da serra da Sina e, só depois os cavalos se acalmaram e seguiram o seu caminho! 
Os fidalgos passaram o dia nas caçadas e, pela tardinha voltaram a Terena, mas no momento que estavam a passar no mesmo lugar vinha o pobre frade de volta e, novamente os cavalos tiveram exatamente o mesmo comportamento, só depois do frade se afastar dali, os cavalos continuaram a andar a Terena! 
À noite, durante o jantar e ao serão o assunto foi comentado por todos e, não conseguiram encontrar explicação para o sucedido! 
Na madrugada seguinte, a comitiva seguiu o mesmo caminho de Terena para a Coutada da Cabeça de Sina, quando ali chegaram, lá vinha o pobre frade eremita e repetiu-se tudo como no dia anterior! O fidalgo apeou-se do seu cavalo e foi falar com ele, cumprimentou-o e perguntou-lhe qual era o motivo daquele acontecimento, porque não existia nenhuma dúvida que aquilo, era devido à sua influência! 
O pobre frade pediu desculpa pelo que tinha acontecido e disse-lhe que não tinha feito nada propositadamente, estava ali como mandatário do seu Senhor Santo António, para lhe construir uma Igreja (Ermida) naquele exato lugar, mas era tão pobre e fraco que nem uma pedra conseguia juntar, por isso procurava ajuda! 
O fidalgo ouviu o pobre frade com muita atenção, pensou que fazia mesmo falta ali uma Ermida e logo a seguir disse-lhe: Fica descansado, não precisas de juntar nenhuma pedra, assim que tiver autorização do rei meu senhor a Igreja (Ermida) em honra do teu Senhor Santo António vai ser construída aqui neste lugar, despediu-se, montou a cavalo e a comitiva seguiu sem impedimento! 
À tarde quando voltavam a Terena, chegaram aquele lugar e os fidalgos estavam à espera de encontrar o pobre frade e de tudo se repetir, mas passaram normalmente e nem sinais do frade nem reação dos cavalos! Perguntaram ao fidalgo qual a razão daquela mudança e, ele apenas lhe disse que estava tudo resolvido e não se falava mais no assunto! Os fidalgos continuaram mais alguns dias pelas terras de Terena e, tudo decorreu normalmente! 
O fidalgo, logo que chegou ao Alandroal, escreveu uma carta ao Rei D. Manuel I a pedir autorização para construir uma Igreja (Ermida) a Santo António, nas terras do Reino, no lugar da Cabeça de Sina, por ali ter estado numa caçada e ter sentido a falta de uma Ermida para rezar! Como sabia que, o Rei se encontrava em Estremoz, mandou um ordenança entregar a referida carta e, através do correio enviou igualmente cartas a dar conhecimento ao Arcebispo e Diocese de Évora! 
A autorização do rei não demorou a chegar às suas mãos e, o fidalgo deslocou-se a Terena onde deixou tudo tratado e pago para a construção da Igreja (Ermida) de Santo António, cujas obras começaram imediatamente sob gestão do Prior de Terena! 
A Igreja (Ermida) de Santo António depois de terminada foi benzida e, temos provas de que, no ano de 1518, já aqui eram cantadas e rezadas Missas. 

Quase tudo o que está narrado nesta lenda, foi verdade, não revelamos o nome do fidalgo, porque não temos nenhum documento específico comprovativo! 
O que conhecemos sobre quem mandou construir a referida Igreja, (Ermida) enquadra-se no fidalgo do Alandroal, incluindo uma prova física que, por razões de segurança, não podemos aqui divulgar! 


Igreja de Santo António de Capelins



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