domingo, 17 de setembro de 2017

196 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da "aleijadinha" de Capelins 
No ano de 1821 chegou a Capelins de Cima uma família vinda da Paróquia de S. Miguel do Adaval, perto da Vila de Redondo. Essa família, era constituída pelo pai o ti Miguel da Sylva, a mãe a ti Antónia Rosa e seis filhos, quatro rapazes e duas raparigas, com idades entre os oito e os dezoito anos e, por influência de um irmão que já residia nesta aldeia o convenceu a mudar-se para cá, porque era uma terra de oportunidades, existia aqui muito trabalho para várias profissões e, principalmente para os seus filhos. Logo que chegaram, os pais e cinco filhos começaram a trabalhar, o pai e o filho mais velho como jornaleiros na Defesa de Ferreira, os restantes três filhos como ajudas de guardadores de gado, a mulher e uma das filhas na monda do trigo! Ficou em casa uma filha de quinze anos, a Maria de Jesus que, era "aleijadinha" tinha os pés tortos e pouca força nas pernas que lhe dificultava a mobilidade. Esta família, ficaram a morar numa casa pequenina em Capelins de Cima, ao lado do Monte Grande e, embora estivessem quase todos empregados eram muito pobrezinhos mas muito unidos, viviam tristes por ver a filha e irmã Maria de Jesus  naquele estado, mas ela ainda vivia mais triste por não poder ajudar a família e por se sentir rejeitada pelas outras crianças e pelo desdém que alguns adultos mostravam quando a viam arrastar-se entre a sua casa e o lugar onde passava a maior parte do tempo, sentada num banco de pedra debaixo de uma oliveira em frente a sua casa e do Monte Grande! 
Ainda nesse verão, estava sozinha em casa e, depois de arrumar o que estava ao seu alcance, foi-se arrastando para o seu lugar habitual que, embora não fosse longe, levava muito tempo a percorrer! Quando chegou, reparou que estava uma senhora muito bem vestida sentada numa cadeira ao lado do banco, parou e ficou indecisa, na dúvida se devia voltar para trás, ou sentar-se nas pedras! Nesse momento, a senhora falou com ela, cumprimentou-a e pediu-lhe para se sentar, para poderem falar, disse que estava ali porque não tinha com quem falar e, assim faziam companhia uma à outra! Esta senhora era uma fidalga da Casa Bragança, mulher de um fidalgo da mesma casa, que gostava muito de caçar e, todos os anos passavam algum tempo no Monte Grande, que era da Casa do Infantado, ou seja ligada à Casa de Bragança e, moravam num palácio em Évora! Esta fidalga, como já tinha reparado na situação da Maria, sentiu vontade de a conhecer e, talvez a ajudasse a melhorar a sua qualidade de vida! 
A fidalga perguntou-lhe o nome, a idade, quantos irmãos tinha e como se chamavam, se era natural dali, o que gostava de fazer e outras perguntas para a pôr à vontade! A Maria respondeu a tudo com voz muito doce, um pouco trémula, demonstrando pouca felicidade, e explicou à fidalga como era a vida dos seus pais, dos irmãos e disse-lhe que, gostaria de de poder trabalhar para ajudar a sua família a qual era muito pobrezinha, mas devido a ser "aleijadinha", não podia fazer nada! 
Fidalga: Olha que  não é assim Maria, há muitas coisas que podes fazer, mesmo com essa tua condição, acredita que podes melhorar a tua vida e ajudar a tua família, aprendes uma profissão que possas trabalhar sentada, como por exemplo isto que estou fazendo! E mostrou-lhe um lindo bordado numa toalha de linho! 
A Maria, nunca tinha visto nada semelhante e desde que ali chegou não tirou os olhos daqueles lindos bordados!  
Maria: Mas isso não é coisa para mim! Só para pessoas ricas! 
Fidalga: Eu estou disposta a ajudar-te e a ensinar-te a bordar, achas que gostas? 
Maria: Gostava muito, minha senhora! Mas não tenho nada nem dinheiro para comprar as coisas e para quem bordava nesta aldeia? 
Fidalga: Se gostares e tiveres jeito, bordas para mim e para as minhas amigas, deixa isso comigo, só tens de perguntar aos teus pais se te deixam ir ali para o Monte Grande, enquanto eu cá estiver vou-te ensinando e comes lá, depois, quando me for embora, deixo-te cá tudo para ires treinando, mas há uma condição, também tens de aprender a ler a contar e a escrever! 
Maria: Acho muito bom aprender a bordar, mas a ler e escrever, não me serve para nada minha senhora!
Fidalga: Não, Maria! Vais aprender e depois vês como estavas enganada, porque quem tiver o conhecimento, tem um tesouro, por isso, diz aos teus pais que a minha condição é essa! 
Maria: Está bem! Eu logo à noite falo com os meus pais e amanhã já dou a resposta!
Naquele momento chegou a criada a buscar a cadeira onde a fidalga se sentava e, depois de se despedir da Maria, recolheu ao Monte Grande! No caminho disse à criada: Um diamante em bruto para lapidar, é um desafio para mim! A criada não percebeu nada daquela conversa e exclamou: É verdade minha senhora, é uma desgraça que ali está! 
À noite, quando o ti Miguel, a mulher e as filhas acabaram de cear (jantar) a Maria contou-lhe a conversa com a fidalga! Os pais zangaram-se com ela, porque não devia ter falado com a fidalga e mais isto e mais aquilo! A Maria disse-lhe que não teve culpa, tinha sido a fidalga a impedir que voltasse para trás e quase a obrigou a falar com ela! E queria saber a resposta dos pais, para começar já, tinha de dar-lhe a resposta no dia seguinte e a conversa prosseguiu:
Ti Miguel: Então diz-lhe que podes aprender a bordar, uma vez que não podes fazer mais nada e ainda te dá de comer, sempre é melhor do que estares  metida aqui em casa, mas aprender a ler e escrever é que não concordo, isso só traz problemas e não serve para nada, é melhor passares sem isso! 
Maria: Foi isso que eu disse à fidalga e ela disse-me que eu estava enganada e também  me disse que, quem tiver o conhecimento tem um tesouro! 
Ti Miguel: Um tesouro é muito ouro, acho isso mal comparado, mas se a fidalga quer assim, então vai lá aprender também a ler e escrever! 
No dia seguinte a Maria à hora habitual dirigiu-se ao seu lugar debaixo da oliveira e já lá estava a fidalga sentada a bordar! A Maria ia envergonhada, ainda mais devagarinho do que era habitual,mas por fim lá chegou! Cumprimentaram-se e a fidalga perguntou-lhe:
Fidalga: Então Maria, trazes boas notícias? Pelos teus olhos já sei que sim! 
Maria: Trago sim, minha senhora, o meu pai concordou com tudo! 
Fidalga: Nesse caso, vamos começar já, eu vou dizer à criada que venha buscar a cadeira e para te ajudar a ir ali para o Monte Grande!
A fidalga levantou-se, deixou a cadeira e a toalha que estava a bordar e foi para o Monte Grande! Daí a uns minutos apareceu a criada muito admirada, porque não entendia o motivo de ajudar a Maria a ir com ela! Mas com a mão esquerda levou a cadeira e a toalha e com a mão direita foi ajudando a Maria que, com os pés arrojando, entrou para uma casa onde a fidalga já estava sentada! A fidalga disse à criada para levar a Maria para outra casa e lavá-la o melhor possível com sabonete com cheiro a rosas, mandou chamar um criado e disse-lhe para procurar o melhor sapateiro das terras de Capelins para fazer umas botas especiais para a Maria! Depois de estar lavadinha, sentou-se ao lado da fidalga e, esta começou por lhe mostrar os bordados que tinha feito em tolhas de linho,camas de roupa e outros panos, deixando a Maria maravilhada, tudo lhe parecia um sonho, não só pelo que estava a ver, mas também pela atenção que a fidalga lhe dava! A seguir, explicou-lhe os instrumentos que tinham de usar, agulhas, linhas, bastidores em conformidade com as peças que bordavam e entregou-lhe um bastidor com um pequeno pano de linho já com um desenho feito a lápis, para ela preencher com um ponto que lhe começou a ensinar! Foi um dia difícil para a Maria e para a fidalga, mas era tanta a vontade de aprender e de ensinar que não deram pelo dia passar! A Maria bebia as palavras e gestos da fidalga, aprendia imediatamente todos pontos, bastava a fidalga ensinar-lhe uma vez, mesmo os pormenores e, não era preciso mais explicações! Assim se passaram quase dois meses, a fidalga teve de voltar para Évora, onde o marido tinha obrigações, mas deixou tudo preparado para a Maria continuar e algumas toalhas e panos para ela bordar com os pontos que mais gostasse e, combinaram em as entregar no Monte Grande e quando alguém da Casa do Infantado fosse a Évora levava-as e trazia outras para ela bordar!  
E, assim foi, quando a fidalga recebeu os panos e as toalhas bordadas, não esteve a observar, ficaram guardados até ao dia em que se lembrou de os ir ver  e não queria acreditar, estava ali uma obra de arte, a Maria usou pontos que a fidalga nunca lhe ensinou, ficou muito intrigada como tinha sido possível fazer aqueles pontos, decerto alguém a continuou a ensinar, mas quem? Naquela pequena aldeia? Mostrou o trabalho a algumas amigas que ficaram encantadas com as obras da Maria e todas queriam bordados iguais! 
No ano seguinte, em 1822, quando a fidalga voltou com o marido ao Monte Grande, trazia muitas encomendas de bordados! Mandou chamar a Maria e, depois de se cumprimentarem exclamou:
Fidalga: Gostei muito dos bordados dos panos e das toalhas, mas conta-me lá, onde aprendeste aqueles pontos? Não fui eu que te os ensinei, porque não os sei fazer! 
Maria: Vi-os em sonhos! Depois foi só passá-los para as toalhas, porque, gostei muito deles e como a senhora me disse para fazer os pontos que eu mais gostasse eu fiz!
Fidalga: Sim, fizeste um trabalho muito lindo! As minhas amigas gostaram muito dos teus bordados e querem iguais ou outros que tu gostes, por isso, amanhã vamos começar os bordados! E também quero saber como está a tua leitura e escrita, mas hoje tenho de descansar da viagem! 
Maria: Já conheço as letras, sei os números até cem e, também já sei escrever o meu nome! 
Fidalga: Está bem! Amanhã continuamos, não podemos perder tempo, porque não sei quantos dias vou cá estar! 
Despediram-se e a fidalga entregou-lhe uma bolsa com muito dinheiro como pagamento das obras que ela tinha feito! A Maria foi para casa e só abriu a bolsa quando chegou, era tanto dinheiro, que nem queria acreditar! À noite entregou o dinheiro aos pais que ficaram muito surpreendidos, como era possível os bordados renderam tanto dinheiro! 
A Maria continuou a sua aprendizagem cada vez com mais empenho! Quanto aos  bordados já ensinava os novos pontos à fidalga e na literacia fazia grandes progressos dia a dia! Quando a fidalga partiu levou muitas peças bordadas e deixou outras para a Maria continuar a bordar!  
Esta situação foi-se repetindo durante cinco anos! A Maria já tinha uma profissão, era bordadeira, mas ainda podia melhorar algumas técnicas, mas não era ali e, como  fidalga gostava muito dela, pensou em a levar para Évora, onde podia aprender o que lhe faltava, fosse em bordados fosse na escrita e leitura, então contou-lhe o que estava a pensar fazer, mas isso, só podia ser com autorização dos pais, disse-lhe que ficaria no seu palácio, nos aposentos das criadas mas ia dedicar-se aos bordados e à leitura! A Maria à noite pediu aos pais, que não mostraram muita vontade, mas pensaram melhor e concluíram que seria a oportunidade da Maria ter uma vida melhor e acabaram por concordar em a deixar ir com a fidalga! 
As obras da Maria encantavam a fidalguia feminina de Évora que diziam, nunca ter visto bordados tão lindos e perfeitos, nem os das bordadeiras da Corte! As encomendas eram tantas que, a fidalga tinha de gerir  a carreira da Maria, porque, tinham de reservar algumas horas para, diariamente, ter aulas com uma mestra contratada pela fidalga! Tudo corria bem, a Maria já era conhecida por muitas senhoras da nobreza, até que o fidalgo adoeceu e passados poucos meses faleceu, causando grande desgosto à fidalga que perdeu a vontade de viver e pensou em se recolher a um convento de Évora! A fidalga perguntou à Maria se gostaria de ser bordadeira da Corte ou se queria ficar sozinha em Évora, ela trataria do que fosse preciso, mas a Maria disse-lhe que nem uma coisa nem outra, queria voltar para junto dos pais! A fidalga preparou tudo para não faltar nada à Maria, em Capelins de Cima e, para lhe garantir proteção, porque existia uma guerra civil devido ao desentendimento entre D. Pedro IV e o irmão D. Miguel e ninguém sabia como ia acabar, também por isso a Maria recusou ir trabalhar como bordadeira na Corte! A fidalga disse-lhe que queria continuar a saber como ela ia passando, por isso, todos os meses lhe teria de enviar uma carta a contar como se encontrava e tinha de continuar a estudar, principalmente as leis do reino, ela encarregava-se de lhe enviar todas as leis que fossem publicadas, porque conhecendo bem as leis teria poder e ganharia respeito por parte dos e ignorantes e arrogantes lavradores das terras de Capelins! Fez uma carta na qual declarava que a Maria era sua afilhada e sua protegida, assinou e colocou a chancela da sereníssima Casa de Bragança, para que, se alguma vez fosse incomodada a apresentar às autoridades incluindo os ordenanças (guardas do reino)! A fidalga mandou as criadas encher uma arca com roupa e com obras feitas pela Maria e disse-lhe que os bordados eram uma segurança financeira se tivesse necessidade para os vender às lavradoras de Capelins ou Terena! Entregou-lhe uma bolsa com dinheiro e disse-lhe que dava para comprar uma casinha em Capelins para ela e, ainda podia ajudar os pais!
Na madrugada seguinte, depois das despedidas muito emotivas a Maria voltou a casa no coche da fidalga em companhia de duas criadas! Quando chegou, houve grande alegria dos seus pais e irmãos, pensavam que ela nunca mais voltava, mas ao mesmo tempo ficaram apreensivos, sem saber como seria a vida dela na aldeia! Porém,  a Maria contou-lhe do falecimento do fidalgo e do recolhimento da fidalga a um convento e que não quis ficar sozinha em Évora e que tinha dinheiro para fazer uma vida desafogada, então, ficaram aliviados! A Maria ajudou os pais e os irmãos com o dinheiro que trazia e pediu-lhe ajuda para mandar fazer uma casa para ela, porque, quando enviasse a primeira carta à fidalga tinha de lhe contar que já tinha a sua casa para morar! A Maria continuou a bordar e a estudar as leis do reino, porque, exigiam muito estudo, foi bem avisada pela fidalga que tinha de as ler muitas vezes para as poder compreender, porque aquilo que parece que é, quase nunca é, e não podia errar senão perdiam todo o respeito por ela e ainda era vexada! 
Nas terras de Capelins e arredores começaram a falar que a menina Maria de Jesus sabia muito de leis e algumas pessoas que se sentiam injustiçadas começaram a pedir-lhe conselhos e para ela as encaminhar para as entidades certas! Como poucos sabiam ler e escrever, ela escrevia cartas para apresentarem nas Repartições do Reino e para juízes, os quais na maior parte dos casos atiravam com elas e nem as liam, as pessoas vinham contar-lhe e ela fazia outra onde mencionava as leis em que se enquadravam os casos! Alguns juízes, como eram poderosos começaram a achar que era falta de respeito e apresentaram queixa contra ela ao capitão de ordenanças de Terena, aludindo que ela lhe faltava ao respeito! O capitão mandou o sargento a Capelins dizer-lhe que nunca mais escrevesse nenhuma carta aos juízes senão tinha de responder por falta de respeito! O sargento chegou à porta da Maria e chamou-a! Ela veio e ouviu o recado do sargento! Depois disse-lhe que, não estava a faltar ao respeito aos juízes porque cumpria a lei e, se escrevia as cartas era porque as pessoas eram analfabetas e tinham dificuldade em se exprimir perante os juízes! O sargento ouviu-a e disse-lhe que as ordens era para acabar com as cartas ou seria presa! A Maria repetiu que não estava fora da lei e, por isso ia continuar a ajudar as pessoas! O sargento em tom agressivo disse-lhe que se escrevesse mais alguma carta ia à frente deles a pé até Terena, fosse coxa ou não fosse! A Maria sentiu-se ameaçada e pediu-lhe para esperar um pouco, porque tinha uma carta para ele ler e transmitir ao capitão o que a carta dizia! Trouxe a carta onde estava escrito que a Maria era afilhada da fidalga e protegida da sereníssima Casa de Bragança! O sargento leu a carta duas vezes, com muita atenção, quando viu que a chancela era verdadeira pediu perdão por ter sido tão rude e que era um seu criado e que fazia bem em ajudar as pessoas! Despediu-se da Maria e foi à taberna averiguar sobre a vida da Maria, chamou o taberneiro de parte e perguntou-lhe:
Sargento: Conheces uma Maria de Jesus que mora ali em cima? 
Taberneiro: A menina Maria? Conheço muito bem! Então fez alguma coisa de mal? 
Sargento: Acho que não! Mas como é que ela é protegida pela sereníssima Casa de Bragança? Está aí um grande mistério!
Taberneiro: Não há mistério nenhum! Ela saiu daqui pela mão de uma fidalga da Casa de Bragança, tem estado em Évora no palácio dela e só voltou porque a fidalga recolheu-se a um Convento, mas continua a olhar por ela, trocam cartas, e dizem aí que só não foi para bordadeira da Rainha senhora Dª Maria II, porque não quis aceitar o lugar, parece que conheceu a Rainha lá para Évora! Fora o que não se sabe!
Sargento: Oh valha-me Deus, estou a ver que é mesmo importante! Só não sei porque se veio meter aqui nesta aldeia! 
Taberneiro: Ela é muito importante e sabe as leis do reino! Veio por causa dos pais! Não os quis abandonar, trocou o palácio real por esta casinha! Diz que é mais feliz a bordar aqui, do que se fosse para a Corte! 
O sargento não quis ouvir mais nada, despediu-se e foi a correr para Terena!
O sargento chegou a Terena, apresentou-se ao capitão e relatou-lhe tudo o que se tinha passado em Capelins e disse-lhe que estava com muito medo que a menina Maria de Jesus fizesse queixa deles, porque ele antes de saber da existência da carta protetora tinha sido agressivo para com ela, decerto os punham fora de ordenanças ou, os mudavam dali!
Algum castigo iam ter! O capitão depois de ouvir o sargento também ficou preocupado e decidiu ir pessoalmente apresentar desculpas à Maria de Jesus! Foi a Capelins de Cima, apresentou-se com muita simpatia, pediu desculpa pela diligência feita pelo sargento e disse à Maria que nada do que tinha acontecido partiu dele, que foi devido a uma queixa dos juízes, mas podia estar descansada e continuar a escrever as cartas, porque sabia que estava tudo dentro das leis do Reino e não era proibido ajudar as pessoas, seria mesmo isso que ia participar aos juízes! 
A Maria de Jesus disse-lhe que compreendia a situação! Quanto à atitude do sargento ele apenas tinha cumprido as ordens dadas pelos seus superiores! E, uma vez que tudo não tinha passado de um mal entendido não ia apresentar queixa contra os ordenanças! 
O capitão ficou aliviado e agradeceu à Maria de Jesus pela sua compreensão! Pediu novamente desculpa e despediu-se com um gesto de continência! Foi dali, fez um relatório sobre a diligência feita e enviou-o aos juízes que tinham apresentado queixa, explicando tudo sobre a vida da Maria de Jesus e fez a situação muito feia, por ela ter sido incomodada, uma vez que estava tudo dentro das leis do Reino! A partir daquele dia os juízes mudaram a atitude, sempre que alguém entregava uma carta escrita pela Maria de Jesus, era recebido pelo respetivo juíz e o caso tratado com muita atenção! 
A Maria tornou-se a pessoa mais importante e poderosa das terras de Capelins e, dos arredores, deixou de ser apelidada de "aleijadinha" apenas algumas pessoas, por questão de identificação lhe chamavam a "coxinha", passando a ser conhecida por menina Maria de Jesus! 
A menina Maria de Jesus, cumpriu tudo o que tinha combinado com a fidalga até ao falecimento da mesma e, até ao fim da sua vida ajudou a família e os mais pobrezinhos de Capelins, usando as recompensas que recebia dos mais abastados em troca de conselhos jurídicos e, também do que ganhava com os seus lindos bordados! E, nunca se esquecia das palavras da fidalga: "quem tem o conhecimento, tem um tesouro"

Fim

Monte Grande



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