quinta-feira, 17 de agosto de 2017

183 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 

História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 

Os mais velhos dizem que, esta lenda faz parte dos segredos de Capelins! 

A lenda da morte da lavradora do Monte do Roncão 
Assim que, a Casa do Infantado entregou as herdades das terras de Capelins em 1698, aos novos agricultores, quase todos de origem judaica, mas filhos de Terena, estes, começaram imediatamente a construir os seus Montes, os quais estão atualmente quase todos em ruínas ou já desapareceram. Porém, o Monte do Roncão, onde se passou esta ação teima em continuar firme e airoso, como quando albergava multidões de trabalhadores e famílias em todo o seu domínio! Este Monte era do lavrador Francisco Friz (Fernandez) e de sua mulher a lavradora Maria Miz (Martinez), a qual, no ano de 1717, com pouco mais de quarenta anos de idade, começou a apresentar sinais de demência, com atitudes impróprias e conversas sem sentido que, no início da doença, ninguém compreendia, ao ponto de fazerem chacota pelas terras de Capelins. O lavrador, assim que percebeu que a situação não era normal, correu aos médicos de toda a região, Estremoz, Elvas, Évora e outras, mas a sua mulher em vez de melhorar, estava cada vez pior! O lavrador já sem fé na cura pelos métodos convencionais dos médicos, em desespero e por influência de familiares procurou outras alternativas, baseadas na obscuridade, como exorcismos e bruxarias. Desde sempre, pairou desconfiança sobre os lavradores do Monte do Roncão, dizia-se que eram "marranos" (falsos Cristãos), mas não era verdade, no entanto, eram constantemente alertados para o perigo que corriam, porque, se chegasse aos ouvidos do Esquadrão da Inquisição, de Vila Viçosa, decerto eram assassinados ali, sem hipótese de defesa! O padre de Santo António, Miguel Gonçalves Galego, sabia dos boatos e várias vezes lhe disse para terem muito cuidado, porque a situação estava a ficar perigosa, mas eles negavam que nada se passava e compareciam em todos os ato s religiosos na Igreja de Santo António, deixando os paroquianos com dúvidas! Quando o lavrador começou a fazer as mesinhas à lavradora, logo surgiram mais conversas que afirmavam ser verdade do que há muito se dizia, os lavradores praticavam e descaradamente o judaísmo! A lavradora tinha inesperadamente, momentos de lucidez, até parecia que não estava doente, o que deixava o marido, os filhos e as criadas da casa muito confusos e foi num desses momentos que a criada mais velha da casa e muito amiga lhe contou o que se estava a passar! Disse-lhe que o lavrador e toda a família estavam a correr grande perigo, porque falava-se pelas terras de Capelins e, já em Terena, que ele praticava o judaísmo para a curar, mas não era verdade! A lavradora não queria acreditar que estava naquele estado de saúde e sentiu-se culpada por o marido estar em perigo iminente, por culpa dela! E, num momento de lucidez a meio da noite saiu do Monte do Roncão, passou propositadamente pelo lugar onde muitos anos antes tinham enterrado os objetos rituais da fé judaica, entre os quais: uma Tora, uma menorá, um talit, um shofar, um escudo de David, um kipá, uma mezuzá e outros, parou um pouco (soube-se pelo rasto deixado) e depois desceu a Ribeira do Lucefécit e suicidou-se no pego de Santa Catarina no rio Guadiana! Só ao fim de dois dias foi encontrada, sendo sepultada na Igreja de Santo António, como uma boa cristã e o seu marido e filhos deram provas de serem uns bons cristãos, comparecendo e rezando fervorosamente em todas as missas! 
A morte da lavradora do Monte do Roncão causou muita controvérsia que durou muitos anos, uns diziam que foi o dedo acusador do povo que a matou, outros diziam que já estava condenada devido à sua demência!
Tudo indica que, os objetos rituais judaicos ainda se encontram enterrados perto do Moinho do Roncão e, submersos pelas águas do Grande Lago de Alqueva! 



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