terça-feira, 18 de julho de 2017

152 - Terras de Capelins
História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 

As terras de Capelins que, parece já os romanos denominavam por Ferreira, (devido às minas de ferro), apresentam indícios da sua ocupação em toda a sua área geográfica por este povo no século I, há cerca de 2.000 anos, sendo a sua economia baseada na agro-pecuária e na exploração de minério em vários sítios. A produção era enviada para a capital da Lusitânia, Mérida, onde estas terras pertenciam, depois seguiam para a capital do Império, Roma. Para que os bens e pessoas, principalmente os exércitos imperiais, pudessem estar mais perto da capital, permitindo movimentos mais rapidos,  foi criada uma rede viária, muito sofisticada na época, quase toda empedrada e devidamente sinalizada, com miliários (tinham indicação e a distância em milhas de uma determinada cidade a outra, da província, ou à capital do império). Como a seguir podemos verificar, também, nas terras da atual Freguesia de Capelins, existia um itenerário romano no sentido Norte - Sul, por onde circulavam as pessoas e produtos da região. Este itenerário estava ligado à VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLXI (Lisboa - Mérida), ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)    CLXI milhas - 238.5 km.


    Diverticulum para Juromenha por Alandroal (vide Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001) 

    Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal e Juromenha, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da Capela (* as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota). 


    Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). A partir daqui é provável que derivasse uma via para Bencatel, uma ligação a Vila Viçosa (passando no vicus marmorarius designado outrora como «Vilares», compreendendo a ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e «Fonte da Moura», local onde apareceu um altar votiva de Canidius, IRCP375, hoje no Museu de Vila Viçosa) e para leste rumo ao rio Guadiana em Juromenha. Esta rede viária estaria muito ligada à exploração de mármores da região; uma outra via no sentido N-S servia também a actividade mineira oriunda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), confluindo todas nos eixos principais rumo a Mérida. 


    * "as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena"


Devido à pesquisa sobre as vias romanas nas terras de Capelins, viemos saber que, uma estátua de São Miguel da Mota serve de altar na Capela de Nossa Senhora da Boa Nova em Terena!

    (Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001) 

Miliário Romano (de Vila Viçosa)

























































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