sábado, 3 de junho de 2017

280 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da andorinha e a Freira de Capelins 
As andorinhas são aves diferentes de qualquer outra, sempre nos disseram que eram as aves de Deus, Nosso Senhor, e tínhamos de as proteger em caso algum lhe podiam fazer mal. Faziam os ninhos dentro das chaminés, passando os serões na companhia dos moradores das respetivas casas, cuja presença não as incomodava. Algumas vezes, desorientavam-se ao sair do ninho e, embora conhecessem bem a entrada e saída pela chaminé, seguiam o caminho contrário e começavam a esvoaçar dentro de casa, quando se cansavam, pousavam e deixavam-se apanhar para serem libertadas na rua. Quando isto acontecia, algumas pessoas atavam-lhe uma fita colorida a uma das asa, fazendo um lacinho e por vezes com um bilhete com uma frase, de forma a não as incomodar de voar e algumas voltavam ainda com o lacinho no ano seguinte. A lenda que vamos descrever envolve uma andorinha que através de um bilhete que transportou atado à asa decidiu a vida de uma rapariga de Capelins que se fez freira. 
Os lavradores do Monte do Roncão tinham duas filhas, a Maria a mais velha e a Margarida, que estudavam no Alandroal, onde também tinham uma casa, mas passavam as férias escolares naquele Monte. Um ano pela Páscoa, estavam falando sobre a profissão que gostariam de ter, com a janela aberta e entrou uma andorinha a esvoaçar pela casa, quando se cansou pousou num móvel, a Maria apanhou-a e lembrou-se de lhe atar um lacinho com um bilhete. Pediu à irmã para segurar a ave e escreveu: "De onde vens e para onde vais?", fez um rolinho com o papel, pegou numa fitinha, atou-a por baixo da asa e libertou-a. O tempo passou e Maria continuava a pensar que profissão devia seguir e não conseguia encontrar nenhuma atividade pela qual tivesse gosto a não ser alguma que fosse para fazer bem ao próximo e a sua tendência era ir para freira, mas deparava-se com dois problemas, um era a aceitação pela parte dos pais e o outro, era qual a Congregação onde devia entrar! Passou mais um ano e chegou outra Páscoa e as irmãs novamente no Monte do Roncão. Estavam nos preparativos Pascoais e tinham a janela aberta e entrou uma andorinha em casa, voou até se cansar, quando pousou a Maria foi a correr apanhá-la e reparou que trazia um lacinho com um bilhete debaixo da asa, tirou-o, e como estava nervosa, soltou-a saindo pela janela. Quando abriu o bilhete estava escrito: "Venho do Convento das Doroteias", por momentos ficou sem palavras, porque tinha ali a resposta ao que a atormentava havia quase um ano, achou que era um chamamento de Deus para a Congregação das Doroteias e a partir daquele dia entrou nela grande alegria e, comunicou aos pais o que se passava e qual era o seu grande desejo. Os pais ainda tentaram demovê-la, mas compreenderam e aceitaram a sua vontade. A Maria entrou como noviça no Convento das Doroteias, onde chegou a Madre Superiora, mas até ao fim da sua vida, nunca esqueceu as suas origens de Capelins!

Andorinha




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