segunda-feira, 8 de maio de 2017


124 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira - Montejuntos 

 História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda do Menino "Ajuda" do Pastor e o Milagre de Nossa Senhora das Neves 
Esta lenda é sobre mais um milagre de Nossa Senhora das Neves que, numa tenebrosa noite guiou o "ajuda" de pastor até às ovelhas desaparecidas. 
No mês de Maio do ano de 1752, andava um pastor chamado António Pouzão a guardar o rebanho de ovelhas do seu patrão, na Defesa de Ferreira, entre o Monte de Ferreira e o Monte do Escrivão, num espaço geográfico hoje denominado chaparral onde existe o ovil desta mesma propriedade e, tinha um ajuda (ajudante), chamado José com apenas 12 anos de idade, (importa esclarecer que, nessa época e até muito mais tarde, os rapazes começavam a trabalhar como "ajudas" de pastores ou porqueiros com 5/6 anos de idade). O Ti Pouzão tinha aqui a choça, que era a habitação da família, mas devido a ter um filho pequenino, a sua mulher estava na casa que tinham em Capelins de Baixo, já havia alguns meses, onde ele ia dormir, uma ou duas vezes por semana, voltando antes do romper do dia, ficando o "ajuda" com as ovelhas, acompanhado por dois cães. 
Numa noite, aparentemente normal, assim que escureceu o pastor depois de dizer ao José para tomar muita atenção e abrir bem os olhos, foi-se embora para Capelins de Baixo, que ficava a pouco mais de meia hora de caminho, deixando as ovelhas encerradas dentro do bardo (curral feito de rede de cordel, segura com paus espetados no chão). Pela noite dentro armou-se uma trovoada nunca vista nas terras de Capelins, faziam relâmpagos, trovões muito fortes, caíram raios sobre algumas azinheiras e muita chuva, durante algumas horas. O José dormia dentro da choça e acordou sobressaltado, mas com tanto medo que não se atreveu a sair e só depois da trovoada se afastar foi tentar ver se estava tudo bem com as ovelhas, mas a noite estava tenebrosa, não conseguia ver um palmo à frente dos olhos, foi indo muito devagarinho na direção que julgava estarem as ovelhas mas não ouvia nada, nem chocalhos, nem o balir e começou a ficar assustado, chamou os cães e nada, continuou a andar e tropeçou no bardo das ovelhas e apalpando teve a certeza que nem as ovelhas nem os cães ali estavam, chamou, chamou, assobiou, até não poder mais e sem saber o que fazer, começou a chorar. Depois de imaginar muitas coisas que poderiam ter acontecido ás ovelhas, se as teriam roubado, se teriam fugido com medo da trovoada, se devia ir procurá-las, mas para que lado? Com aquela escuridão! Se devia esperar pelo pastor para ele decidir o que fazer, entrou em desespero e pôs-se de joelhos, então, começou a rezar e a pedir a Nossa senhora das Neves, para o ajudar a encontrar as ovelhas e prometeu dar três voltas à sua Igreja de joelhos. De repente o céu ficou limpo, deixando passar um luar que parecia dia, o José fechou os olhos em agradecimento e, ao levantar-se, sem perceber, começou a andar na direção do atual Monte de Ferreira e só parou junto da Ermida de Nossa Senhora das Neves, onde se encontravam as ovelhas guardadas pelos dois cães. O José, com a ajuda dos cães, levou as ovelhas de volta ao bardo, encerrou-as e foi-se deitar. De madrugada, chegou o pastor e estava tudo normal, acordou o José que dormia profundamente e, ao acordar pensou que tinha tido um sonho, mas o pastor recordou-lhe a grande trovoada, perguntou-lhe se tinha corrido tudo bem e se não tinha tido medo. O José, todo empertigado, disse-lhe, que estava tudo bem e que mal tinha ouvido a trovoada e não tinha tido medo de nada, mas assim que teve oportunidade foi a correr, pagar a promessa, porque não tinha dúvidas que tinha sido um milagre de Nossa Senhora das Neves! 



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