sexta-feira, 5 de maio de 2017

270 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
 História, lendas e tradições das terras de Capelins
A Lenda da Casa do Fidalgo da Corte de D. João II, nas terras de Capelins 
O reinado de D. João II, (1481/1495), foi prospero em acontecimentos sinistros, desde a morte por acidente, ou não, do Principe herdeiro D. Afonso até ao assassinato praticado pelo próprio rei sobre os dois cunhados, em Évora, acusados de conspirar contra ele, o duque de Bragança D. Fernando, casado com a irmã da Rainha Dª Leonor, que foi julgado durante 22 dias por 21 Juízes e condenado à morte, sendo degolado no dia 20 de Junho de 1483 pelo rei e, do outro cunhado o Duque de Viseu, irmão da Rainha, que foi chamado a Évora e apunhalado pelo rei numa sala do castelo de Évora, no lugar hoje propriedade da Fundação Eugénio de Almeida, no Pátio de São Miguel, Paço dos Condes de Basto. Devido a isso, mais de 80 pessoas da nobreza, fidalgos e cavaleiros começaram a ser perseguidos, suspeitos de envolvimento na conspiração, uns fugiram para Espanha e outros continuaram no país, escondidos em diversos lugares. Conta-se que, um desses fidalgos viveu escondido, cerca de 10 anos, (até ao falecimento de D. João II, em 25 de Outubro de 1495 no Alvor), nas terras de Capelins. Este fidalgo, fugiu de Évora para Vila Viçosa, para a propriedade dos duques de Bragança, mas foi meter-se na boca do lobo, porque tinha sido o escrivão dessa propriedade a apresentar provas a D. João II do comprometimento do seu cunhado com os reis de Castela e, foi ajudado a fugir em direção a Terena, onde existia um ferrador amigo da família do duque de Bragança. Como a perseguição continuava, quando chegou a Terena foi ter com o ferrador e pediu-lhe ajuda, o ferrador disse-lhe que conhecia um bom lugar para ele se esconder, que era na Villa Defesa de Ferreira, (hoje Freguesia de Capelins) e, se alguma coisa corresse mal, depressa passava a fronteira para Castela, mas tinham de enganar os seus perseguidores, mas como? Então o ferrador lembrou-se de uma artimanha, meteu o cavalo do fidalgo para dentro do seu quintal, tirou-lhe as ferraduras, pregou-as novamente, mas ao contrário, o lado da frente para trás, assim, o cavalo ao andar para a frente deixava as marcas no caminho como se fosse em sentido contrário. Esperaram pela noitinha e puseram-se a caminho pela estrada para Monsaraz e foram entrar nas terras de Capelins pelo sudoeste e só aí começaram a deixar as marcas do cavalo do fidalgo, o do ferrador não deixava marcas porque iam sendo apagadas através de um molho de lenha que ia arrojando atrás do cavalo e vieram o mais próximo que puderam na direção de Terena que nesse tempo era junto do Ribeiro do Alcaide, perto de Nossa Senhora da Boa Nova, depois deram a volta pelo vale da Ribeira do Lucefécit, já sem deixar marcas e o fidalgo foi ficar junto do Ribeiro do Carrão, perto do Monte do Ladrilho, onde chegou a ter uma pequena casa. Os perseguidores foram dar a Terena, onde o procuraram em todas as casas e como não o encontraram, seguiram para sul e não demoraram a encontrar pegadas frescas de um cavalo, logo imaginaram que estavam na pista certa e foi só segui-las, mas como sabemos as pegadas vinham desde o Gato viradas ao contrário, ou seja, indicavam que o cavaleiro ia de Terena para Monsaraz, picaram os cavalos e seguiram naquela direção, como não o encontravam e devido a informações confusas, foram sempre para sul até ao Reino dos Algarves. O fidalgo ficou onde é hoje o Carrão, pescava, caçava, passeava pela Ribeira do Lucefécit e pelo rio Guadiana e nunca mais o procuraram por ali, o ferrador como tinha a facilidade de se movimentar por esta região, entregava-lhe os mantimentos que os familiares e amigos, debaixo de muita cautela, lhe enviavam e, por aqui viveu até ao dia 25 de Outubro de 1495, quando o seu amigo D. Manuel I subiu ao trono de Portugal, o qual era irmão do duque de Viseu, esfaqueado em Évora por D. João II. 
Existe o registo na DGPC de um Monte da Idade Média/Moderna no lugar que referimos, numa pequena elevação, 450 metros ao sul do Monte do Ladrilho!

Ladrilho
CNS: 21168
Tipo: Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Idade Média e Moderno
Descrição: Habitat medieval, implantado numa pequena elevação na margem direita da Ribeira do Carrão, caracterizada pela presença de cerâmica de construção e comum.
Meio: Terrestre
Acesso: A 450m ao Sul do Monte do Ladrilho
Espólio: Cerâmica comum e de construção.
Depositários: -
Classificação: -
Conservação: -
Processos: 7.16.3/14-10(1)
Trabalhos (1)
Prospeção (1995)
Bibliografia (0)

Fotografias (0) 



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