segunda-feira, 10 de abril de 2017


106 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda do sonho da Ti Maria Faleira, de Faleiros 
Parte 2 

Quando o marido da Ti Maria Faleira entrou em casa repetiu as palavras da desconhecida: "A nossa vida a partir de hoje vai melhorar". A Ti Maria Faleira ainda pensou que era alguma brincadeira combinada entre o marido e a desconhecida, mas tirou logo isso da ideia devido ao que se tinha passado naquela casa e perguntou: - Então, como é que a nossa vida vai mudar? Só se for para pior! E o marido apressou-se a contou-lhe o que se tinha passado na Boeira naquele dia: - O patrão e o feitor, hoje foram lá ver as ovelhas e o patrão ficou tão satisfeito, por o rebanho estar tão bem tratado e com tantos borregos, que não se cansou de me dizer que eu era o melhor pastor que alguma vez teve, e olha, aumentou-me a jorna e deu ordem ao feitor para escolhermos duas borregas do ano passado para nós e, podemos comprar mais oito e uma cabra para ficarem lá no rebanho, são nossas e os borregos, o leite, a lã tudo nosso e sem pagarmos nada! Ninguém nessa época tinha um "povial" num rebanho do patrão! A Ti Maria ficou muito contente, mas pouco entusiasmada, porque não lhe saiam da cabeça as palavras da desconhecida, podia ser coincidência, mas a verdade é que a sua vida lhe parecia que ia mesmo melhorar! Passou algum tempo e tudo corria de feição, a sua vida melhorava dia a dia, os filhos mais novos, um menino e uma menina já estavam crescidos e mudaram-se todos para a choça na Boeira, onde havia muita largueza e tinham muitas galinhas, frangos e muita fartura de ovos, de leite das cabras, de tudo, muito raramente visitavam o seu Monte em Faleiros, até ao dia em que devido à idade e para darem o lugar na Boeira, aos filhos, a Ti Maria e o marido tiveram de voltar definitivamente para Faleiros. No derradeiro dia, carregaram as burras, a Ti Maria montou uma com a ajuda dos filhos e, em companhia da filha puseram-se a caminho, pelo Ai Ai e Monte Abaixo, quando estavam quase a chegar, a Ti Maria deu um safanão tão forte na burra, que o animal levantou as patas da frente quase a atirou abaixo e à carga que trazia, a filha e o marido ficaram surpreendidos sem perceberem o que se passava, ainda foram a correr para segurarem a burra, mas já ela estava quase em casa. Depois perguntaram-lhe o que se tinha passado, mas a Ti Maria, apenas respondeu, que não sabia, não sabia e não se falou mais no caso, mas ela a partir daquele dia nunca mais teve coragem de ir atrás do Monte, porque a razão da atitude da Ti Maria, para com a burra, no dia que chegou a Faleiros, foi porque no lugar da casa que ela tinha visitado com a desconhecida estava agora uma casa exatamente igual aquela e por muito que lhe explicassem de quem era e quem lá morava, não a conseguiram convencer, dois anos depois ficou acamada e antes de partir para a Igreja de Santo António, onde foi sepultada, um dia contou tudo à filha. A casa que estava naquele lugar e ainda está, é o Monte da Hortinha! (Que era dos meus bisavós paternos, João Nabais e Maria Francisca Correia)! 
Acredito que foi pura coincidência! 
Bem haja Ti Maria Faleira, da aldeia de Faleiros! 



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