quinta-feira, 20 de abril de 2017


115 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda da construção da Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira 

Conta-se que, cerca de 1314 residia um pequeno lavrador e sua numerosa família nas terras de Capelins, no vale da Ribeira do Lucefécit. Para trabalhar as terras tinha uma mula e os respetivos apetrechos necessários para a atividade agrícola que ali desenvolvia. Depois de passar um dia a lavrar a terra para fazer as sementeiras a mula adoeceu gravemente, não tinha forças, nem conseguia manter-se em pé. O lavrador e a esposa ficaram muito tristes, sem saberem o que fazer ao animal, tentaram tratá-la com boa erva, mas não comia, nem bebia, foram chamar um curioso tratador destas situações a Terena, o qual depois de observar a mula, obrigou-a a ingerir um pouco de azeite, mas disse-lhe que não havia nada a fazer e, decerto não demorava em morrer. O lavrador tinha muita pena da mula, mas não era só isso, tinha um grande problema, não podia comprar outra, nem tinha forma de fazer as sementeiras, logo não ia colher cereais para alimentar a sua família, estavam perante uma grande desgraça, sem solução à vista, começaram a rezar fervorosamente a Nossa Senhora, a pedir ajuda para salvar a mula e foram ouvidos, na manhã seguinte, a mula estava em pé e já tinha comido a erva que tinha por perto e daí a três dias não apresentava qualquer doença, estava capaz de trabalhar. Não tinham dúvidas que se devia a um milagre de Nossa Senhora, à qual muito agradeceram. 

Nesse ano, estavam a iniciar a construção da Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira, ao lado da atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, onde existem as sepulturas escavadas na rocha, que estavam no seu interior. O projeto inicial tinha a porta virada para nascente, para a estrada que ainda lá se encontra atualmente, mas acabou por ser alterada, porque a partir do dia da cura da mula e do agradecimento do lavrador, este começou a sonhar com Nossa Senhora e nos sonhos Ela dava-lhe indicações de como queria a Igreja, era ao contrário da que estavam a construir, a sua porta devia ser virada para o Poente e não para o Nascente. O lavrador foi informar o mestre da obra, que se riu na sua cara, porque nessa época as Igrejas, geralmente, tinham as portas viradas para o nascente e a obra continuou, o mestre e os trabalhadores passaram o dia a rir do lavrador e, na manhã seguinte as paredes que já tinham levantado, estavam no chão. O mestre e os trabalhadores ficaram muito zangados e foram ameaçar o lavrador, pensando ter sido ele, o qual deu-lhe a sua palavra de honra que não tinha sido ele e nunca faria uma coisa daquelas, mas tornou a dizer-lhe que Nossa Senhora não queria a Igreja como a estavam a construir. Não ligaram e continuaram a trabalhar, mas todas as manhãs as paredes estavam no chão. Começaram a guardar a obra dia e noite, mas nem assim conseguiam, sem saberem como, as paredes apareciam no chão, assim, tiveram de se convencer que era impossível continuar e não tiveram outra alternativa senão construir a Igreja como o lavrador, mandado por Nossa Senhora, lhe comunicou e a partir dali nunca mais caiu uma pedra e a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira ficou muito semelhante à atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, mantendo-se erguida, até cerca de 1670! 







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